Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)




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Içami Tiba




DISCIPLINA, LIMITE

NA MEDIDA CERTA



Copyright©Editora Gente


Editora

Rosely M. Boschini

Assistente Editorial

Rosângela Barbosa

Capa e Projeto Gráfico

Andréa Bidlouski

Preparação

Alexandra Costa

Revisão

Elvira Gago




Célia Regina Rodrigues de Lima

Editoração Eletrônica

Lato Senso — Bureau de Editoração

Impressão e Acabamento

Paulus Gráfica



Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)




Tiba, Içami

Disciplina, limite na medida certa / Içami Tiba. — São Paulo:

Editora Gente, 1996 — 1a ed.
ISBN 85-7312-072-X

1. Disciplina escolar 2. Disciplina infantil 3. Educação de crianças I. Título.
93-3190 CDD-371.5

Índice para catálogo sistemático:

1. Disciplina escolar: educação 371.5

Todos os direitos desta

edição são reservados à Editora Gente.

Rua Pedro Soares de Almeida, 114, São Paulo — SP

CEP 05029-030 — Telefax: (11) 3670-2500

Site: www.editoragente.com.br

E-mail: gente@editoragente.com.br

Contra Capa

Disciplina, limite na medida certa — Içami Tiba

Descobrir o limite entre a liberdade e o autoritarismo na relação familiar não pode ser muito fácil, mas tampouco precisa ser um bicho-papão. O eterno conflito de ge­rações traz dúvidas sobre qual é a melhor maneira de educar os filhos sem torná-los egoístas ou dependentes. Com sua experiência incontestável, o psiquiatra Içami Tiba apresenta as dores e as delícias do convívio entre pais e filhos, mostrando como contornar muitas situa­ções delicadas do dia-a-dia.

Surge agora uma nova versão, ampliada e atualizada, de uma obra que já é conhecida por muitos. O que era bom ficou ainda melhor. Disciplina, limite na medida certa é uma gostosa conversa sobre a criação de indivíduos conscientes e preparados para o futuro, que oferece a pais e educadores bons argumentos para frutificar o gratificante processo da educação.
Orelhas do Livro

O grande desafio da sociedade moderna é a educação. Crianças saudá­veis significam um país com futuro garantido. No intuito de auxiliar pais, educadores e psicólogos na boa for­mação de nossos jovens, a Editora Gente foi buscar a experiência e a sabedoria de Içami Tiba para lançar a Série Criar e Crescer. Com a auto­ridade de um profundo conhecedor da “alma” adolescente, Tiba confere a essa série um enfoque elucidativo na abordagem de temas imprescin­díveis para a educação salutar dos jovens. Conheça os outros livros:


Adolescência, o Despertar do Sexo

Orienta os pais diante de questões como masturbação, virgindade e Aids, com o objetivo de garantir aos jovens um desenvolvimento afetivo-sexual saudável, seguro e livre de preconceitos.



Seja Feliz, Meu Filho!

Aborda como as expectativas dos pais com relação aos filhos podem ajudar no crescimento dos adoles­centes ou, ao contrário, ser respon­sáveis por prejuízos e enganos.



Abaixo a Irritação! — Como Desarmar essa Bomba Relógio

no Relacionamento Familiar

Com um enfoque inédito e bem-humorado, analisa as situações de irritação vivenciadas no microcos­mo familiar, mergulhando fundo nas suas causas com o objetivo de superá-las e, assim, melhorar a qualidade de vida das famílias.



O AUTOR

Içami Tiba é psiquiatra, psicodramatista, conferencista e psicoterapeuta de jovens e famílias há mais de 33 anos. Seus livros já ultrapassaram a cifra de 500 mil exemplares vendidos, tendo ministrado mais de 2.400 pa­lestras no Brasil e no exterior, além de haver feito mais de 69 mil atendimen­tos psicoterápicos.

 Membro da equipe técnica e científica da Associação Parceira Contra as Drogas.

 Membro do Board of Directors da International Association of Group Psychotherapy.

 Membro do Fórum Nacional de Educação e Sexualidade.
OUTROS TÍTULOS DO AUTOR

Anjos caídos — Como prevenir e elimi­nar as drogas na vida do adolescente

Amor, felicidade & cia. — Reflexões sobre a arte de viver bem

 O executivo(a) & sua família — O su­cesso dos pais não garante a felicida­de dos filhos

Ensinar aprendendo — Como superar os desafios do relacionamento professor-aluno em tempos de globalização

Dedico este livro aos meus mestres. Foram eles, cada um a seu tempo e a seu modo, que me inspiraram a querer sempre mais para poder transmitir o melhor e ser capaz de ajudar quem de mim precisasse. Muitos nem sabem quanto foram importantes para mim, porque para eles eu não passava de um aluno. Mais que aluno, fui discípulo de:

• Yuki Tiba, meu querido pai, já falecido, que se formou em Direito aos 72 anos de idade, modelo de empenho e de luta como imigrante e monge budista; meu guia espiritual

• Kikue Tiba, minha mãe, in memorian, que sem­pre se dedicou ao trabalho no armazém, “rainha do lar” e mestra na educação, canalizando sua veia artística para a caligrafia japonesa, pela qual recebeu um prêmio do imperador do Japão; minha mãe, luz da minha alma

• Rinnosuke Chiba, imigrante japonês, bravo como todos; quando criancinha, me punha para ajudá-lo, explicando e mostrando as forças e a beleza da natureza que o homem podia aproveitar; meu querido avô

• Yoshio Inada, o Inada-sensei, professor de judô no “Kai-Kan” (Associação Nipo-Brasileira) de Tapiraí, minha querida cidade natal; ensinou-me a cair para aprender a derrubar o oponente; meu mestre na vida

• prof. Cícero Siqueira Campos, do Grupo Escolar Cel. João Rosa, em Tapiraí; professor do primá­rio e goleiro do time da cidade, sabia de tudo e abria-me os olhos para um mundo que me fascinava; meu ídolo

• prof. Nelio Lorenzon, do Instituto de Educação Fernão Dias Pais, em São Paulo, que, com seus estimulantes campeonatos de conjugação verbal, envolvia todos os alunos; meu divertido professor do ginásio

• prof. dr. Flávio da Costa Vaz, meu empenhado professor de cursinho, meu batalhador preceptor da Faculdade de Medicina da USP; disponível, carinhoso e eficiente pediatra dos meus filhos

• psicóloga Vera Konigsberger, correta, competen­te e afetuosa; 25 anos trabalhando juntos

• prof. dr. Paulo Gaudencio, conhecedor da alma humana, criativo e destemido; adentrou a mídia televisiva levando conhecimentos psicoterápicos ao grande público; meu modelo de ousadia na ciência

• profa. dra. Eneida Batistete Matarazzo, rigorosa, exigente e capaz; minha chefe na Psiquiatria Infantil do Hospital das Clínicas da FMUSP

• prof. dr. Carol Sonenreich, respeitado e profundo conhecedor da psiquiatria geral do Hospital do Servidor Público Estadual — São Paulo

• psicodramatista e prof. dr. Dalmiro Manuel Bus­tos, disciplinado, sério, porém acolhedor; meu psicoterapeuta

• psicodramatista e prof. dr. José de Souza Fonseca Filho, capaz e bem-humorado, responsável e espontâneo, sábio e criativo; meu amigo e companheiro no movimento psicodramático global

• minha amada esposa Maria Natércia, persistente, dedicada e amorosa; mãe dos meus filhos Tato, Tiça e Luciana

A minha melhor gratidão é trazer um pouco de cada um deles dentro de mim e levar os frutos de suas sementes para minha vida, meu trabalho e minhas obras.

Deixo aqui, por meio deste livro, um profundo, imenso e agradecido abraço a todos eles, que me foram tão queridos e importantes.

Içami Tiba
Sumário

Introdução
PARTE 1 — LIMITES E DISCIPLINA NA FAMÍLIA

Capítulo 1 — Como se criam folgados e responsáveis

A reviravolta

O príncipe da casa

Guerra de nervos

Ninguém nasce folgado

A indisciplina pioneira

A importância das primeiras interações

Os vários significados da comida

Primeiros passos, primeiros vícios

Como se desrespeita a criança

Quando estranha os tios

Como começam as birras

Custos versus benefícios

Dividindo tarefas com os filhos

O prazer de realizar sozinho

Sob um folgado tem sempre um sufocado

De onde vem a culpa materna?

O pai também é responsável

Como alterar a dinâmica folgado-sufocado

Arcando com as conseqüências

A melhor solução hoje — convivência concentrada
Capítulo 2 — A liberdade e os novos tempos

Criança não é livre por natureza

A raiz da timidez

Mais um sufocado

O valor da permissão

Limites — ontem e hoje

Como nossos pais

Por trás dos caprichos

Entre o poder e a submissão

A criança quer companhia

A disputa pela atenção

Papai é só meu

Modelos que transmitimos

Mãe, dona-de-casa e profissional

A posição do pai

Meus, seus e nossos filhos

Os novos papéis conjugais

O que mais mudou?

Expectativas para o futuro

Um jeito de trocar o script
Capítulo 3 — A guerra para arrumar o quarto

O quarto é fundamental para o adolescente

Entre a caverna e o templo

Dois modos distintos de organizar

Diferenças entre meninos e meninas

Portas trancadas

As temidas invasões

O campo de guerra da família

Espaço de convivência
Capítulo 4 — Hora de estudar

Aprender é como comer

A importância de construir imagens

Preparando o discípulo

Como ajudar crianças distraídas e hiperativas

Abaixo a decoreba!

A vida em sociedade

Por que estudar é tão importante?
PARTE 2 — LIMITES E DISCIPLINA NA ESCOLA

Capítulo 1 — O desafio dos professores

Características de uma classe de alunos

Aprender para quê?

Professor, o grande cozinheiro

Convite à participação

Bom humor é imprescindível

O domínio da movimentação cênica

Avaliações mais eficazes

Jogo de cintura

Quando o professor erra

Desmandos em aula

Falhas da escola
Capítulo 2 — Causas da indisciplina na escola

Distúrbios pessoais

Etapas de desenvolvimento da adolescência

Distúrbios pubertários na escola

Reações normais, mas que atrapalham os professores

Quando não incomodam os outros

Usuários de drogas

Problemas de relacionamento

Brigas entre os colegas

Violência

Distorções da auto-estima

Oscilações da auto-estima

Disputas no tapa

Intimidades sexuais em público

Arcando com as conseqüências

A melhor solução hoje — convivência concentrada

Masturbação na sala da aula

“Ficar” em classe

Cabelos compridos, brincos e tatuagens

Uso de álcool

Cigarro e maconha

“Aprontações” com prejuízos

E se a família não colabora?
PARTE 3 — DELEGAR À ESCOLA A EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Disciplina treinada

Disciplina adquirida

Disciplina aprendida

Disciplina absorvida

A responsabilidade de cada educador

Componentes principais da disciplina

Simpatia, antipatia e indiferença

Tipos de relacionamento

A importância do contexto

Os diferentes papéis

“Diarréico” e “entupido” — Dois perfis extremos

A conquista da auto-estima

Estilos comportamentais

Limites no estilo vegetal

Limites no estilo animal

Limites humanos
PARTE 4 — DICAS PARA SUPERAR IMPASSES

Trinta e cinco perguntas e respostas sobre problemas cotidianos que preocupam pais e professores

Introdução

Já ministrei mais de duas mil palestras sobre o tema limites e disciplina, e há uma história que sempre desperta o interesse de pais e educadores porque é ao mesmo tempo muito bem-humorada e realista:

Dois meninos de cinco anos estão numa espaçosa área de lazer. Não há brinquedos por perto. Um deles é magro e alto. O outro é gordo e baixo. Naturalmente, resolvem brincar.

O magro propõe:

“É pega-pega, e você é o pegador!”

E já sai em tal disparada que o gordo, com seus passos lentos e pesados, tem dificuldade de acompanhar. Quando este percebe a distância entre os dois aumentando cada vez mais, toma consciência de que não conseguirá alcançar o outro tão cedo. Então pára, estica o braço e, apontando com o indicador, grita:

“Aí não vale!”

O magro imediatamente pára, mesmo sabendo que não tinha sido combinado que ali não valeria.

Nesse momento da palestra, pergunto ao público:

“Por que o magro parou?”

Percebo que cada um busca dentro de si uma boa resposta. Para facilitar, eu mesmo respondo:

“Para continuar brincando! Se o magro continuar correndo, a brincadeira acaba, não é?”

O magro volta até o gordo com os ombros meio caídos, pois sabe que agora é a vez daquele propor outra brincadeira. O gordo, vendo o magro bem próximo, diz:

“É luta livre!”.

E já avança no magro, dá-lhe uma “gravata”, derruba-o e aperta o pescoço do menino, que, à beira do desmaio, dá umas palmadinhas no braço do gordo em sinal de que está se rendendo.

Nesse momento, pergunto de novo ao público:

“Por que o gordo pára de enforcar o magro?”

“Para continuar a brincadeira!”, responde o público.

E eu arremato:

“E também porque com morto não se brinca!”

Após a gargalhada geral, volto ao tema: as crianças sabem, intuitivamente, que a brincadeira é um tipo de relacionamento em que um depende do outro. Para continuar a brincar é necessário que aceitem, nessa experiência de sociedade que elas mesmas criaram, uma série de regras:

• Cada criança escolhe a brincadeira na qual tem melhor desempenho, pois sempre quer ganhar.

• Cada criança dá o máximo de si e, se alguém faz “corpo mole”, isso significa que não está levando a brincadeira a sério.

• Uma criança não pode exigir da outra mais do que esta pode fazer; portanto, o limite é estabele­cido por aquele que menos habilidades tem para determinada brincadeira.

• Quando uma criança diz que não agüenta mais, a outra é obrigada a parar, por mais que queira continuar brincando.

• Se um escolhe uma primeira brincadeira, o outro tem direito a escolher a segunda.

O que não aparece na história, mas pode aconte­cer, é que, quando uma criança desrespeita o limite da outra, esta geralmente solta um grunhido (“Ah, é assim?”) e parte para a briga. Portanto, toda brincadeira pode rapidamente transformar-se em conflito, e os adultos terão muitas dificuldades para identificar quem começou a briga.

Se as crianças aceitam os limites intrínsecos à convivência em uma brincadeira, é porque sabem que não podem brincar fazendo tudo o que têm vontade. Precisam aceitar uma composição, uma sociedade com o outro.

As crianças aprendem a comportar-se em socieda­de ao conviver com outras pessoas, principalmente com os próprios pais. A maioria dos comportamentos infantis é aprendida por meio da imitação, da experimentação e da invenção.

Quando os pais permitem que os filhos, por meno­res que sejam, façam tudo o que desejam, não estão lhes ensinando noções de limites individuais e relacionais, não estão lhes passando noções do que podem ou não podem fazer. Os pais usam diversos argumentos para isso: “eles não sabem o que estão fazendo”; “são muito pequenos para aprender”; “vamos ensinar quando forem maiores”; “sabemos que não devemos deixar... mas é tão engraçadinho” etc.

É preciso lembrar que uma criança, quando faz algo pela primeira vez, sempre olha em volta para ver se agradou alguém. Se agradou, repete o comportamento, pois entende que agrado é aprovação, e ela ainda não tem condições de avaliar a adequação do seu gesto.

Portanto, cada vez que os pais aceitam uma contra­riedade, um desrespeito, uma quebra de limites, estão fazendo com que seus filhos não compreendam e rompam o limite natural para seu comportamento em família e em sociedade. Deixar que as situações transcorram sem uma intervenção clara é como se, na brincadeira entre o gordo e o magro, o filho, mesmo ouvindo “aí não vale!”, continuasse correndo; ou como se os pais pedissem para o filho parar, mas este continuasse a enforcá-los. Apesar de ser fisicamente mais fortes, os pais que não reagem à quebra de limites dos filhos acabam permitindo que estes, muito mais fracos, os maltratem, invertendo a ordem natural de que o mais fraco deve respeitar o mais forte.

A força dos pais está em transmitir aos filhos a diferença entre o que é aceitável ou não, adequado ou não, entre o que é essencial e supérfluo, e assim por diante. Pedir um brinquedo é aceitável, mas quebrar o brinquedo meia hora depois de ganhá-lo e pedir outro é inaceitável. É importante estabe­lecer limites bem cedo e de maneira bastante clara porque, mais tarde, será preciso dizer ao adolescente de quinze anos que sair para dar uma volta com o carro do pai não é permitido, e ponto final.

O estudo é essencial; portanto, os filhos têm obriga­ção de estudar. Caso não o façam, terão sempre que arcar com as conseqüências de sua indisciplina, que deverão ser previamente estabelecidas pelos pais. Só poderão brincar depois de estudar, por exemplo. No que é essencial, os pais deverão dedicar mais tempo para acompanhar de perto se o combinado está sendo levado em consideração. Os filhos precisam entender que têm a responsabilidade de estudar e que seus pais os estão ajudando a cumprir um dever que faz parte da “brincadeira” da vida.

Hoje, os grandes responsáveis pela educação dos jovens — na família e na escola — não estão sabendo cumprir bem seu papel. É a falência da autoridade dos pais em casa, do professor em sala de aula, do orientador na escola. Discussões homéricas surgem nas famílias por causa de indisciplina, dificultando bastante a convivência entre as partes. Mães ficam mal-humoradas porque as crianças bagunçam o quarto e pais se exasperam porque os filhos se esquecem de apagar a luz. Porém o pior ocorre quando um filho responde mal. Isso lhes estraga o dia.

Muitos alunos também não respeitam seus profes­sores, e essa indisciplina prejudica o ensino e a aprendi­zagem. Professores e orientadores têm dificuldade em estabelecer limites na sala de aula e não sabem até que ponto devem intervir em comportamentos inadequados que ocorrem nos pátios escolares.

Onde foi que os educadores se perderam? Antes de responder a qualquer pergunta, é preciso levar em conta que essa geração viveu a questão da disciplina de um modo peculiar e sofrido. Para facilitar a compreensão, seguirei a seqüência: primeira, a geração dos avós; segunda, a geração dos pais e professores; terceira, a geração dos jovens.

Pois bem, a primeira geração educou seus filhos de maneira patriarcal, com autoridade vertical — o pai no ápice e os filhos na base. Esta era obrigada a cumprir tudo o que o ápice determinava. Com isso, a segunda geração foi massacrada pelo autoritarismo dos pais, e decidiu refutar esse sistema educacional na educação dos próprios filhos. Na tentativa de proporcionar a eles o que nunca tiveram, os pais da segunda geração acabaram caindo no extremo oposto da primeira: a permissividade.

A Psicologia contribuiu muito para isso ao divulgar frases como: “Não reprima seu filho”, “Seja amigo de seus filhos”, “Liberdade sem medo”. Boa parte dos adultos quis aderir ao modelo horizontal, em que pais e filhos têm os mesmos direitos, evitando neuroticamente o uso da autoridade, por confundi-la com autoritarismo.

As intensas mudanças vividas de maneira muito rápida pela segunda geração tiveram um custo na educa­ção da terceira, cujo preço, provavelmente alto, ainda não podemos estimar. Esses jovens ficaram sem noção de padrões de comportamento e limites, formando uma geração de “príncipes” e “princesas” com mais direitos que deveres, mais liberdade que responsabilidade, mais “receber” que “dar” ou “retribuir”.

Tais “príncipes domésticos” querem ser, também, “príncipes sociais”, mas acabam frustrados, pois as regras da sociedade são outras, muito diferentes das válidas na família. As instituições de ensino, cuja tarefa é introduzir as crianças nas normas da sociedade, muitas vezes se omitem. O professor também perdeu a autoridade inerente à sua função. Quanto maior a perda, mais anárquica tornou-se a aula. Ao admitir um “príncipe escolar”, em vez de ajudar o aluno a viver em sociedade, o professor acaba por prejudicar seu crescimento.

É preciso recuperar a autoridade fisiológica, o que não significa ser autoritário, cheio de desmandos, injusti­ças e inadequações. Autoridade é algo natural e que deve existir sem descargas de adrenalina, seja para se impor, seja para se submeter, pois é reconhecida espontanea­mente por ambas as partes. Desse modo, o relaciona­mento desenvolve-se sem atropelos. O autoritarismo, ao contrário, é uma imposição que não respeita as caracte­rísticas alheias, provocando submissão e mal-estar tanto na adrenalina daquele que impõe quanto na depressão daquele que se submete.

É essencial à educação saber estabelecer limites e valorizar a disciplina. E para isso é necessária a presença de uma autoridade saudável. O segredo que difere autorita­rismo do comportamento de autoridade adotado para que a outra pessoa (no caso, filhos ou alunos) torne-se mais educada ou disciplinada está no respeito à auto-estima.

Este livro pretende ajudá-lo a exercer sua autorida­de — sem culpas, com segurança e bom senso. Filhos precisam de pais para ser educados; alunos, de professo­res para ser ensinados. Estes até podem ser amigos, porém não mais amigos do que pais; não mais amigos do que professores.

Você, pai ou professor, é o educador, e não pode se esquivar da tarefa de apontar, na medida certa, os limites para que os jovens se desenvolvam bem e consigam situar-se no mundo.

Conte comigo para essa tarefa!

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