Pais brilhantes, professores fascinantes




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Realizando a exposição interrogada a cada momento. Ao falar sobre o átomo, o professor deveria interrogar: "Quem nos garante que o átomo existe?", "Como podemos afirmar que ele é formado de prótons, nêutrons e elétrons?" Os professores de matemática, de línguas e de história deveriam aprender a questionar criativamente o conhecimento que expõem. As palavras "Por quê?", "Como?", "Onde?", "Qual o fundamento disso?" devem fazer parte da sua rotina.

A exposição interrogada gera a dúvida, a dúvida gera o estresse positivo, e este estresse abre as janelas da inteligência. Assim formamos pensadores, e não repetidores de informações. A exposição interrogada conquista primeiro o território da emoção, depois o palco da lógica, e em terceiro lugar, o solo da memória. Os alunos ficam supermotivados, se tornam questionadores, e não uma massa de pessoas manipuladas pela mídia e pelo sistema.

A exposição interrogada transforma a informação em conhecimento, e o conhecimento, em experiência. O melhor professor não é o mais eloqüente, mas o que mais instiga e estimula a inteligência.

Formando mentes livres

Se os alunos ficam na escola durante quatro anos como meros ouvintes das informações, eles deixam de ser questionadores do mundo e de si mesmos e se tornam espectadores passivos. Alguns jovens, neste processo, se tornam arrogantes e insensíveis, adquirindo ansiedade e traços de psicopatia.

Do que se alimentam intelectualmente psicopatas ou ditadores? De verdades absolutas. Eles não duvidam, não questionam seus comportamentos inumanos. O mundo gira em torno das suas verdades. Eles ferem os outros e não sentem a sua dor. Para que um psicopata se liberte, ele precisa aprender a amar a arte da dúvida, pois só assim saberá se repensar e se colocar no lugar dos outros.

Os professores devem superar o vício de transmitir o conhecimento pronto, como se fossem verdades absolutas. Até porque, a cada dez anos, muitas verdades da ciência se tornam folclore e perdem seu valor.

Treine fazer pelo menos dez interrogações a cada aula. Não pense que isto é tão simples, pois exige um treinamento de seis meses. A educação emancipa, forma mentes livres (Adorno, 1971) e não robotizadas e controladas pelo consumismo, pela paranóia da estética, pela opinião dos outros.

4
Exposição dialogada: a arte da pergunta

Objetivos desta técnica: desenvolver a consciência crítica, promover o debate de idéias, estimular a educação participativa, superar a insegurança, debelar a timidez, melhorar a concentração.

Outra ferramenta espetacular para transformar o solo árido da sala de aula num canteiro de flores é a exposição dialogada, executada pela arte da pergunta. Na exposição interrogada, o professor questiona o conhecimento sem perguntar, na exposição dialogada ele faz inúmeras perguntas aos alunos. As duas técnicas se complementam. Vejamos.

Através da arte da pergunta, o professor estimula mais ainda o estresse positivo da dúvida. Ele cativa a atenção dos alunos e penetra no território da emoção e no anfiteatro de suas mentes. O conhecimento pronto estanca o saber e a dúvida provoca a inteligência (Vigotsky, 1987). Todos os grandes pensadores foram grandes perguntadores. As grandes respostas emanaram das grandes perguntas.

Em qual época é mais fácil aprender? Na infância! Por quê? Porque ela é a fase em que mais perguntamos e abrimos as janelas da nossa mente. As crianças aprendem línguas com facilidade, não apenas porque estão menos entulhadas de informações na memória, mas porque são perguntadoras, interagem mais. Por que é mais fácil aprender uma língua diferente no país de origem dessa língua?

O grande motivo é quando se vai para um outro país, se passa vergonha, enfrenta-se dificuldades. Nesta hora os diplomas e o status social quase não têm valor. É preciso quebrar a cara para construir uma rede de relacionamentos e sobreviver. Para isso, precisamos perder o medo de perguntar. Esta situação nos estressa e abre de maneira espetacular os arquivos da memória, facilitando o aprendizado.

Quando uma pessoa pára de perguntar, ela pára de aprender, pára de crescer. Em que época os cientistas produzem suas idéias mais brilhantes? Na maturidade ou quando ainda são imaturos? Quando imaturos, porque duvidam, se estressam e perguntam mais. Einstein propôs a teoria da relatividade com 27 anos. Depois que os cientistas recebem títulos e aplausos, surgem os problemas. Os mesmos títulos e louvores que os reconhecem podem se tornar o veneno que os mata como pensadores (Cury, 2002). Muitos se tornam estéreis.

Hoje, meus livros estão sendo publicados em mais de quarenta países. Por ser pesquisador dos bastidores da mente, estou preocupado, pois mesmo que não queira eu sei que esse sucesso já causou algum estrago em meu inconsciente. Preciso estar alerta, me reciclar e me esvaziar continuamente, para continuar sendo um engenheiro de novas idéias. Você deixou de aprender ou continua um voraz aprendiz? Muitos não percebem que deixaram de pensar...

Um professor fascinante deve fazer pelo menos dez perguntas para os alunos durante o tempo de uma aula. Deve primeiro fazer a pergunta para toda a classe. A pergunta já estressa positivamente os alunos e melhora a concentração. Se ninguém se atrever a responder, ele deve chamar um aluno pelo nome e perguntar-lhe. Independentemente da resposta, o aluno deve ser elogiado pela sua participação. Os alunos mais arredios são conquistados com este procedimento.

Viajando para dentro de si mesmos

A arte da pergunta gera pensadores brilhantes nas faculdades de medicina, direito, engenharia, pedagogia. Mas ela deve ser iniciada na pré-escola. Depois de um ano da arte da exposição interrogada e dialogada, os alunos perdem o medo de se expressar, aprendem a discutir as idéias e se tornam grandes viajantes. Como assim?

Aprendem a viajar para dentro de si mesmos, aprendem a perguntar porque estão angustiados, ansiosos, irritados, solitários, amedrontados. Aprendem não apenas a questionar o mundo de fora, mas também a fazer uma mesa-redonda com eles mesmos.

Quando treino psicólogos para atendimento clínico, sempre lhes falo sobre a grandeza dessa mesa-redonda interior. Quem é capaz de fazer este autodiálogo reedita o filme do inconsciente mais rápida e eficientemente.

Não basta um paciente fazer psicoterapia. Ele tem de ser autor da sua história, tem de aprender a intervir em seu próprio mundo. Mas, infelizmente, raras vezes as pessoas penetram em seu mundo, mesmo no meio médico. Quando o mundo nos abandona, a solidão é tolerável, mas quando nós mesmos nos abandonamos, a solidão é quase insuportável.

A arte da pergunta faz parte da educação dos nossos sonhos. Ela transforma a sala de aula e a sala da nossa emoção num ambiente poético, agradável, inteligente.

5
Ser contador de histórias

Objetivos desta técnica: desenvolver criatividade, educar a emoção, estimular a sabedoria, expandir a capacidade de solução em situações de tensão, enriquecer a socialização.

Educar é contar histórias. Contar histórias é transformar a vida na brincadeira mais séria da sociedade. A vida tem perdas e problemas, mas deve ser vivida com otimismo, esperança e alegria. Pais e professores devem dançar a valsa da vida como contadores de histórias.

O mundo é sério e frio demais. As notícias diárias denunciam crimes, desgraças, mortes, infortúnios. Toda esta avalanche de notícias ruins é arquivada no mercado da memória, gerando cadeias de pensamentos que tornam a vida triste, ansiosa e sem entusiasmo.

Temos de viver com mais suavidade. Aprender a rir das nossas tolices, comportamentos absurdos, manias, medos. Precisamos contar mais histórias. Os pais precisam ensinar a seus filhos, criando histórias. Os professores precisam contar histórias para ensinar as matérias com o tempero da alegria e, às vezes, das lágrimas.

Para contar histórias é necessário exercitar uma voz flutuante, teatralizada, que muda de tom durante a exposição. É preciso produzir gestos e reações capazes de expressar o que as informações lógicas não conseguem. Muitos pais e professores são dotados de grande cultura acadêmica, mas são engessados, rígidos, formais. Nem eles se suportam.

Há pessoas que não conseguem contar histórias? Não creio. Dentro de cada ser humano, mesmo dos mais formais, há um palhaço que quer respirar, brincar e relaxar. Deixe-o viver. Surpreenda os jovens. Nossos filhos precisam de uma educação séria, mas também agradável. Abra um sorriso, abrace os jovens, conte-lhes histórias.

Gritando dentro do coração, contando histórias suaves

As "estórias" podem resgatar as "histórias". A ficção pode resgatar a realidade. Como assim? Um professor de história nunca deveria falar da escravidão dos negros sem resgatar o período histórico. As informações secas sobre a escravidão não educam, não sensibilizam, não nos conscientizam nem provocam rejeição pelos crimes que nossa espécie cometeu.

Quando falar dos negros, o professor de História deveria criar histórias para fazer os alunos entenderem o desespero, os pensamentos, a angústia desses seres humanos por serem escravizados por membros da sua própria espécie. Nada melhor do que contar uma história real ou criar uma "estória" para levar os alunos a vivenciar o drama da escravidão.

Sem esse mergulho interior, a escravidão não gera um sólido impacto emocional. Não provoca uma rebelião decisiva contra a discriminação. A morte de milhões de judeus, ciganos e outras minorias não gera comoção, não cria vacinas intelectuais. Outros "Hitlers" serão produzidos. Falar do conhecimento sem humanizá-lo, sem resgatar a emoção da história, perpetua nossas misérias e não as cura.

Contar histórias também é psicoterapêutico. Sabe qual a melhor maneira de resolver conflitos em sala de aula? Não é agredir, dar gritos estridentes ou fazer um sermão. Estes métodos são usados desde a idade da pedra e não funcionam. Mas contar histórias. Contar histórias fisga o pensamento, estimula a análise.

Da próxima vez que um aluno ou um filho o agredir, leve-o a pensar. Grite dentro dele sendo educado, grite com suavidade, conte-lhe uma história. Os jovens poderão esquecer das suas críticas e regras, mas não esquecerão das suas histórias.

6
Humanizar o conhecimento

Objetivos desta técnica: estimular a ousadia, promover a perspicácia, cultivar a criatividade, incentivar a sabedoria, expandir a capacidade crítica, formar pensadores.

A educação clássica comete outro grande erro. Ela se esforça para transmitir o conhecimento em sala de aula, mas raramente comenta sobre a vida do produtor do conhecimento. As informações sobre química, física, matemática, línguas deveriam ter um rosto, uma identidade. O que significa isso?

Significa humanizar o conhecimento, contar a história dos cientistas que produziram as idéias que os professores ensinam. Significa também reconstruir o clima emocional que eles viveram enquanto pesquisavam. Significa ainda relatar a ansiedade, os erros, as dificuldades e as discriminações que sofreram. Alguns pensadores morreram por defender suas idéias.

A melhor maneira de produzir pessoas que não pensam é nutri-las com um conhecimento sem vida, despersonalizado. Sou crítico dos materiais didáticos belíssimos que expõem o conhecimento mas desprezam a história dos cientistas. Este tipo de educação causa aversão nos alunos, não provoca a arte de pensar.

Quantas noites de insônia, dificuldades e turbulências eu não passei para produzir uma nova teoria sobre o funcionamento da mente num país que não tem tradição de produzir cientistas teóricos! Produzir uma nova teoria é mais complexo do que fazer centenas de pesquisas. Mas nem todos valorizam esse trabalho.

Quais são meus alicerces intelectuais? Serão os meus sucessos, o reconhecimento da teoria e seu uso em teses de mestrado e doutorado? Não! Meus alicerces são as dores que passei, as inseguranças que vivenciei, as angústias que sofri, a superação do meu caos...

Por trás de cada informação dada com tanta simplicidade em sala de aula existem as lágrimas, as aventuras e a coragem dos cientistas. Mas os alunos não conseguem enxergá-las.

É tão importante falar da história da ciência e da história dos pensadores quanto do conhecimento que eles produziram. A ciência sem rosto paralisa a inteligência, descaracteriza o ser, o aproxima do nada (Sartre, 1997). Gera homens arrogantes, e não homens que pensam. Raramente um cientista causou danos à humanidade. Quem causou os danos foram os que utilizaram a ciência sem consciência crítica.

Paixão pela ciência:

em busca de aventureiros

Como eu produzo conhecimento sobre a forma como construímos pensamentos, sempre me intrigou observar que um pensador gerava um conjunto de colegas pensadores na primeira geração e, na segunda, eles escasseavam. Por exemplo, muitos jovens amigos de Freud tornaram-se pensadores, como Jung e Adler. Depois da morte de Freud, muitos de seus seguidores se fecharam para novas possibilidades de pensamentos. Assim, não expandiram mais suas idéias, como fez a primeira geração, apenas as reproduziram ou repetiram.

Por que ocorre esse fenômeno inconsciente na ciência? Porque a primeira geração participou da história viva do pensador. Sentiu o calor dos seus desafios, das suas perseguições e da sua coragem, e por isso também abriu as janelas da sua inteligência e ousou criar, correr riscos, propor algo novo. A segunda geração não participou dessa história, por isso endeusou, e não humanizou o pensador.

Claro que há exceções, mas esse mecanismo é universal. Esteve presente na filosofia, no direito, na física, no sistema político, e até no meio dos líderes espirituais. Sabe quais são os piores inimigos de uma teoria e de uma ideologia? São seus defensores radicais. Há muito que falar sobre isso, mas não é o momento.

Diante disso afirmo convictamente que humanizar o conhecimento é fundamental fará revolucionarmos a educação. Caso contrário, assistiremos a milhares de congressos de educação que não terão efeito intelectual algum. Os alunos, mesmo os que fazem mestrado e doutorado, serão no máximo atores coadjuvantes da evolução da ciência.

Creio que 10 a 20% do tempo de cada aula deveriam ser gastos pelos professores com o resgate da história dos cientistas. Esta técnica estimula a paixão pelo conhecimento e produz engenheiros de idéias. Os alunos sairão com um diploma na mão e uma paixão no coração. Serão aventureiros que enfrentarão e explorarão o mundo com maestria.

Os jovens sairão do ensino médio e universitário desejando se espelhar em modelos de empreendedores, tais como cientistas, médicos, juristas, professores, enfim, os atores que transformam o mundo, e não em modelos fotográficos e artistas que do dia para a noite ganham os holofotes da mídia. O conhecimento sem rosto e a indústria fantasiosa do entretenimento têm matado nossos verdadeiros heróis.

7
Humanizar o professor: cruzar sua história

Objetivos desta técnica: desenvolver a socialização, estimular a afetividade, construir ponte produtiva nas relações sociais, estimular a sabedoria, superar conflitos, valorizar o "ser".

Antes do século XVI, a educação era normalmente feita por mestres que conviviam com os jovens. Estes se afastavam dos pais durante a adolescência, aprendiam a profissão de ferreiros, produtores de vinhos, etc. Muitos pagavam um preço emocional caríssimo, pois se isolavam dos pais dos 7 aos 14 anos, prejudicando a relação afetiva com eles.

Quando a escola se difundiu, houve um grande salto emocional, pois, além do ganho educacional que tinham nas escolas, as crianças retornavam todos os dias para o convívio com os pais. A afetividade entre eles cresceu. Pais abraçavam seus filhos diariamente. Palavras como chéri (querido) apareceram na França. Até a arquitetura das casas mudou. Surgiram os corredores laterais para os estranhos não invadirem o espaço íntimo da família.
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