Pais brilhantes, professores fascinantes




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Logo que a escola se difundiu, injetou combustível nas relações sociais. Foi um belo começo. A família era uma festa. Pais tinham tempo para os filhos, e os filhos admiravam seus pais. Mas, nos séculos seguintes, as relações se distanciariam muito. Hoje, pais e filhos mal têm tempo de conversar. E a relação escolar? Está pior.

Professores e alunos dividem o espaço de uma sala, mas não se conhecem. Passam anos muito próximos, mas são estranhos uns para os outros. Que tipo de educação é este que despreza a emoção e nega a história existencial?

Os animais não têm história, pois não percebem que são distintos do mundo, mas o ser humano percebe essa diferença e por isso constrói uma história e transforma o mundo (Freire, 1998). As escolas de pedagogia falham por não estimularem seus professores a se humanizarem em sala de aula. É fundamental humanizar o conhecimento, e primordial humanizar os mestres.

Os computadores podem informar os alunos, mas apenas os professores são capazes de formá-los. Somente eles podem estimular a criatividade, a superação de conflitos, o encanto pela existência, a educação para a paz, para o consumo, para o exercício dos direitos humanos.

Caros professores, cada um de vocês tem uma fascinante história que contém lágrimas e alegrias, sonhos e frustrações. Contem essa história em pequenas doses para seus alunos durante o ano. Não se escondam atrás do giz ou da sua matéria. Caso contrário, os temas transversais - responsáveis por educar para a vida, como a educação para a paz, para o consumo, para o trânsito, para a saúde - serão uma utopia, estarão na lei, mas não no coração.

A educação moderna está em crise, porque não é humanizada, separa o pensador do conhecimento, o professor da matéria, o aluno da escola, enfim, separa o sujeito do objeto. Ela tem gerado jovens lógicos, que sabem lidar com números e máquinas, mas não com dificuldades, conflitos, contradições e desafios. Por isso, raramente produz executivos e profissionais excelentes, pessoas que saem da mesmice e fazem a diferença.

As notas baixas têm grande valor na escola da vida

Encontrem algumas janelas dentro da aula para falar por alguns minutos sobre os problemas, metas, fracassos e sucessos que tiveram na vida. O resultado? Vocês educarão a emoção. Os seus alunos irão amá-los, vocês serão mestres inesquecíveis. Eles os identificarão com a matéria que vocês ensinam, terão apreço por suas aulas.

Ouçam também seus alunos. Penetrem no mundo deles. Descubram quem são. Um professor influencia mais a personalidade dos alunos pelo que é do que pelo que sabe.

Caros pais, vocês também possuem uma brilhante história. Como já comentei no início deste livro, falem de si mesmos, deixem seus filhos descobrirem seu mundo. A melhor maneira de prepará-los para a vida não é impor regras, fazer críticas, dar broncas, punir, mas falar dos seus sonhos, sucessos, inseguranças, falhas.

Educadores fascinantes não são infalíveis. Ao contrário, reconhecem erros, mudam de opinião se forem convencidos, e não enfiam as suas verdades "garganta abaixo" dos seus filhos e alunos. Estes comportamentos lúcidos são registrados de maneira excelente pelo fenômeno RAM (registro automático da memória), produzindo um jardim no mundo consciente e inconsciente dos jovens.

Vejam este exemplo. Jesus Cristo não controlava ninguém, apenas expunha suas idéias e convidava as pessoas a refletirem, dizendo: "quem tem sede...", "quem quiser me seguir...". Ele instigava a arte de pensar. Os grandes pacificadores, como Platão, Buda, Maomé, Gandhi, queriam formar homens livres.

Na escola da vida, as notas baixas nos ajudam mais do que as notas altas. Falhar pode gerar, em certas situações, uma experiência mais rica do que acertar. Precisamos falar das nossas vitórias, mas também das nossas frustrações. Há muitos jovens deprimidos e fóbicos implorando com seus gestos e atitudes que um professor lhes conte uma história que os ajude.

Certa vez, uma coordenadora pedagógica de uma grande escola, que assistiu a uma das minhas conferências, motivada pela exposição, levantou-se diante da platéia e contou uma história comovente. Disse que há alguns meses uma das alunas a procurara para conversar sobre um problema.

A aluna estava visivelmente abatida, mas a coordenadora disse que não tinha tempo naquele momento e adiou a conversa para um outro dia. Infelizmente não houve tempo, pois a jovem tirou sua vida antes. Nunca alguns minutos foram tão importantes.

Quantos conflitos não serão evitados através de uma educação humanizada! Tenho convicção de que os professores que lerem este livro e começarem a entrar no mundo dos seus alunos agressivos, ansiosos ou represados evitarão não apenas muitos suicídios, mas também massacres em que jovens pegam armas e saem atirando em seus colegas e professores.

Antes de cometerem esses crimes, os jovens gritaram de diversas maneiras pedindo ajuda, mas ninguém os ouviu. Clamaram, mas ninguém entendeu a sua mensagem. Muitas pessoas já me disseram que o diálogo que mantive com elas evitou que desistissem da vida. Quando nós as ouvimos, elas também se ouvem e encontram seus caminhos. Mas são muitos os que têm medo de ouvir.

Não pensem que a prevenção de conflitos seja atribuição apenas de psiquiatras e psicólogos. Até porque é a minoria que procura ajuda psicológica. Os professores podem fazer muito mais do que imaginam.

Conquistando vantagens competitivas

Por favor, permita-me insistir neste ponto, pois nunca será demais enfatizar. A educação está errada no mundo todo. As escolas nasceram sem uma compreensão profunda dos papéis da memória e do processo de construção dos pensamentos. Embora não tenhamos dados estatísticos, creio, como disse, que pelo menos 90% das informações que aprendemos em sala de aula nunca serão recordadas.

Abarrotamos a memória e não sabemos o que fazer com tantas informações. A memória é especialista em sustentar o florescimento de novos pensamentos, a criatividade da inteligência. Vamos dar menos informações e cruzar mais nossas histórias.

Há muitas escolas que só se preocupam em preparar os alunos para entrar nas melhores faculdades. Elas erram por se focarem apenas neste objetivo. Mesmo que entrem nas melhores escolas, quando saírem, esses alunos poderão ter enormes dificuldades para dar solução a seus desafios profissionais e pessoais.

O sistema educacional está doente. Ultrapasse o conteúdo programático. Peço aos mestres: encontrem espaços para humanizar o conhecimento, humanizar sua história e estimular a arte da dúvida. Seus alunos não só darão um salto intelectual como terão vantagens competitivas. Quais?

Serão empreendedores, saberão fazer escolhas, correrão riscos para concretizar suas metas, suportarão os invernos da vida com dignidade. Serão mais saudáveis emocionalmente. Terão menos possibilidades de desenvolver conflitos e necessitar de um tratamento psicológico.

8
Educar a auto-estima: elogiar antes de criticar

Objetivos desta técnica: educar a emoção e a auto-estima, vacinar contra a discriminação, 'promover a solidariedade, resolver conflitos em sala de aula, filtrar

estímulos estressantes, trabalhar perdas e frustrações.

0 elogio alivia as feridas da alma, educa a emoção e a auto-estima. Elogiar é encorajar e realçar as características positivas. Há pais e professores que nunca elogiaram seus filhos e alunos.

O meu livro Você é Insubstituível se tornou um grande fenômeno editorial em muitos países não pela grandeza do escritor, mas porque nele elogio a vida. Conto que todos nós cometemos loucuras de amor para estarmos vivos. Fomos os maiores alpinistas e os maiores nadadores do mundo para ganhar a maior disputa da história, uma disputa com mais de 40 milhões de concorrentes. Que disputa era essa?

A disputa do espermatozóide para fecundar o óvulo. Foi uma grande aventura. Muitos jovens dizem que não pediram para nascer. Outros desanimam ante qualquer problema. Outros ainda acham que nada dá certo na sua vida. Mas todos nascemos vencedores. Todas as dificuldades atuais são refrescos se comparadas aos graves riscos que enfrentamos para estarmos vivos no palco da existência. Os professores

precisam comunicar esta história aos alunos. Ela tem contribuído para gerar uma sólida auto-estima.

Como ajudar um aluno ou um filho que falhou, agrediu, teve reações inadmissíveis? Um dos maiores segredos é usar a técnica do elogiar-criticar. Primeiro, elogie algumas características dele. O elogio estimula o prazer, e o prazer abre as janelas da memória. Momentos depois, você pode criticá-lo e levá-lo a refletir sobre sua falha.

Criticar sem antes elogiar obstrui a inteligência, leva o jovem a reagir por instinto, como um animal ameaçado. O ser humano mais agressivo se derrete diante de um elogio, e assim fica desarmado para ser ajudado. Muitos assassinatos poderiam ser evitados se, no primeiro minuto de tensão, a pessoa ameaçada elogiasse o seu agressor.

Certa vez, um homem de origem alemã cujos avós sofreram trauma de guerra foi ao meu consultório. Ele era muito agressivo. Dizia que matava qualquer um que atravessasse seu caminho, inclusive seus filhos. Numa consulta falei algo de que ele não gostou, e ele tirou uma arma que estava escondida e me ameaçou. Sabe o que fiz?

Não me intimidei. Fitei seus olhos e o elogiei. Disse-lhe: "Como pode um homem inteligente precisar de uma arma para expor suas idéias?" E continuei: "O senhor sabe que tem uma grande capacidade intelectual e que pode através dela conquistar qualquer pessoa?"

O elogio o surpreendeu. Sua raiva se derreteu como gelo ao sol do meio-dia. Começou a chorar. A partir desse momento, teve uma excelente evolução em seu tratamento. Tornou-se um ser humano amável. Se eu não tivesse tido essa conduta talvez não estivesse aqui escrevendo.

Vacinando contra a discriminação

Experimente elogiar sua esposa, seu marido, seus filhos, seus alunos, seus colegas de trabalho antes de criticá-los. Sempre há motivos para valorizar. Encontre-os. Depois de elogiá-los, faça a sua crítica, mas fale uma vez só. Não é a repetição das palavras críticas que gera o momento educacional, mas seu registro privilegiado. Se usar essa técnica durante alguns meses, a sua relação social vai se tornar totalmente diferente. Você será capaz de conquistar as pessoas mais gélidas e insuportáveis.

Não há jovens problemáticos, mas jovens que estão passando por problemas. Elogie os jovens tímidos, obesos, discriminados, hiperativos, difíceis, agressivos. Encoraje aqueles de quem os outros zombam, os que se sentem diminuídos. Ser educador é ser -promotor de auto-estima.

Se eu pudesse, iria de escola em escola em várias partes do mundo treinando os professores para compreenderem o funcionamento da mente e entenderem que no pequeno espaço escolar são desencadeados grandes traumas emocionais. Em vez dos elogios, existem críticas agressivas. Freqüentemente os alunos machucam seriamente um ao outro.

Não permita em hipótese alguma que os alunos chamem seus colegas de "baleia" ou "elefante" por eles serem obesos. Você não imagina o rombo emocional que esses apelidos provocam no solo do inconsciente. Não lhes permita falarem pejorativamente dos defeitos físicos e da cor da pele dos outros. Essas brincadeiras não são ingênuas. Produzem graves conflitos que não se apagam mais, só se reeditam. Discriminação é um câncer, uma mácula que sempre manchou nossa história.

Desde cedo ensinei minhas filhas a perceber que por trás

de cada ser humano existe um mundo a ser descoberto. Elas têm aprendido a ser vacinadas contra a discriminação. Eu sou de origem européia e oriental. Sabe qual é a cor das duas bonecas das minhas duas filhas mais novas, que têm nove e dez anos? Negra. Elas dormem felizes com suas bonecas de cor negra, apesar de sermos brancos. Eu não interferi nessa escolha. Elas aprenderam a amar a vida.

Ensine aos jovens, com palavras e sobretudo atitudes, a amar a espécie humana. Comente que, acima de sermos americanos, árabes, judeus, brancos, negros, ricos e pobres, somos uma espécie fascinante. Nos bastidores da nossa inteligência somos mais iguais do que imaginamos. Elogie a vida. Leve os jovens a sonhar. Se eles deixarem de acreditar na vida, não haverá futuro.

9
Gerenciar os pensamentos e as emoções

Objetivos desta técnica: resgatar a liderança do eu, resolver a SPA, prevenir conflitos, proteger os solos da memória, promover a segurança, desenvolver espírito empreendedor, proteger a emoção nos focos de tensão.

Certa vez uma estudante de engenharia me procurou queixando-se de depressão. Ela passara por sete psiquiatras e tinha tomado quase todos os tipos de antidepressivos. Estava desanimada. A vida não tinha cor. A esperança se dissipara. A dor da depressão, que é o último estágio do sofrimento humano, roubara-lhe o sentido da vida. Fiquei comovido com sua falência emocional.

Disse-lhe que ela não deveria se conformar em ser uma doente. Ela poderia virar o jogo. O resgate da liderança do seu eu seria capaz de potencializar o efeito dos medicamentos e resgatar seu encanto pela vida. Afirmei que ela tinha dentro de si ferramentas que estavam subutilizadas. Comentei que, apesar de importante, a medicação era um ator coadjuvante do tratamento. Quem é o ator principal? O gerenciamento dos pensamentos negativos e das emoções angustiantes.

Ela aprendeu que todo o lixo que passava pelo palco da sua mente era registrado automaticamente na memória e não podia mais ser deletado, apenas reeditado. Compreendeu que devia não apenas entender as mazelas do seu passado para fazer essa reedição, mas também criticar cada pensamento negativo e cada emoção perturbadora.

Assim, a jovem frágil pouco a pouco deixou de ser vítima dos seus problemas e começou a reescrever a sua história e a contemplar o belo. As flores apareceram depois do longo e insuportável inverno. Ficou mais bonita. Todos que passam pelo caos da depressão, do pânico, das fobias, das perdas, e o superam, ficam mais bonitos interiormente.

A autocomiseração, o conformismo, a falta de garra para lutar são sérios obstáculos à superação de um transtorno emocional. O gerenciamento dos pensamentos é o ponto central do tratamento psicoterapêutico de qualquer corrente de pensamento. Entretanto, precisamos também entender que este gerenciamento é o ponto central da educação, apesar de a ciência pouco compreender este assunto.

Se os jovens não aprenderem a gerenciar seus pensamentos, serão um barco sem leme, marionetes dos seus problemas. A tarefa mais importante da educação é transformar o ser humano em líder de si mesmo, líder dos seus pensamentos e emoções.

As escolas em todo o mundo ensinam os alunos a dirigir empresas e máquinas, mas não os preparam para ser diretores do script dos seus pensamentos. E incontável a quantidade de pessoas que têm sucesso profissional mas são escravas de seus pensamentos. Sua vida emocional é miserável. Enfrentam o mundo, mas não sabem remover o entulho da sua mente.

Tenho tratado de médicos, advogados, empresários, que são inteligentes para lidar com problemas objetivos. No entanto, uma ofensa os derrota, uma crítica os destrói, uma decepção com seus íntimos provoca neles grande ansiedade.

São fortes no mundo externo, mas frágeis líderes nos solos da sua psique.

Libertando-se do cárcere intelectual

Os professores fascinantes devem ajudar seus alunos a se libertar do cárcere intelectual. Como? Independentemente da matéria que ensinam, devem mostrar, pelo menos uma vez por semana, que eles podem e devem gerenciar seus pensamentos e emoções.

Seja contando histórias ou falando diretamente, os professores devem comentar que, se o eu que representa a vontade consciente não for líder dos pensamentos, ele será comandado. Não há dois senhores. Devem comentar que o ser humano tem tendência a ser carrasco de si mesmo. Precisam enfatizar que nossos piores inimigos estão dentro de nós. Só nós mesmos podemos nos impedir de sermos felizes e saudáveis.
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