Pais brilhantes, professores fascinantes




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Quando uma simples torneira está vazando, os pais se preocupam em repará-la. Mas será que eles gastam tempo dialogando com os seus filhos para ajudá-los a reparar a alegria, a segurança ou a sensibilidade que está se dissipando?

Se pegássemos todo o dinheiro de uma empresa e o jogássemos no lixo, estaríamos cometendo um grave crime contra ela. Ela iria à falência. Será que não temos cometido este crime contra a mais fascinante empresa social - a família -, cuja única moeda é o diálogo? Se destruirmos o diálogo, como se sustentará a relação "pais e filhos"? Ela irá à falência.

Devemos adquirir o hábito de nos reunir pelo menos semanalmente com nossos filhos, para dialogar com eles. Devemos dar-lhes liberdade para que possam falar de si mesmos, das suas inquietações e das dificuldades de relacionamento com os irmãos e conosco, seus pais. Vocês não imaginam o que essas reuniões podem provocar.

Se os pais nunca contaram para seus filhos os seus mais importantes sonhos, e também nunca ouviram deles as suas maiores alegrias e suas decepções mais marcantes, eles formarão um grupo de estranhos e não uma família. Não há mágica para construir uma relação saudável. O diálogo é insubstituível.

Procurando amigos

Há um mundo a ser descoberto dentro de cada jovem, mesmo dos mais complicados e isolados. Muitos jovens são agressivos e rebeldes, e seus pais não percebem que eles estão gritando através de seus conflitos. Os comportamentos inadequados muitas vezes são clamores que imploram a presença, o carinho e a atenção dos pais.

Muitos sintomas psicossomáticos, tais como dores de cabeça ou dores abdominais, também são gritos silenciosos dos filhos. Quem os ouve? Muitos pais levam seus filhos a psicólogos, o que pode ajudar, mas, no fundo, o que eles estão procurando é o coração dos pais.

Uma sugestão: se você tiver condições, desligue a TV aberta e fique apenas com a fechada. Se tomar esta atitude, provavelmente você ficará espantado com o salto na relação de seus filhos com os irmãos e com você. Eles serão mais afetuosos, dialogarão mais, terão mais tempo para brincar e se divertir. Assistirão a menos canais apelativos e a mais canais contemplativos, que falam sobre natureza e ciência.

E quem não tem TV fechada? Aqui vai uma outra sugestão para todos os pais, ainda mais importante do que a primeira. Chamo-a de "projeto da educação da emoção" (PEE): desliguem a TV durante uma semana completa a cada dois meses e realizem coisas interessantes com seus filhos. Planejem passar seis semanas ao longo do ano com eles. Pais e filhos, mesmo que não viajem para lugares longínquos, devem viajar para dentro uns dos outros.

Combinem o que farão. Vão para a cozinha juntos, inventem novos pratos, contem piadas, façam teatro familiar, plantem flores, conheçam coisas interessantes. Fiquem todas as noites com seus filhos em cada uma dessas semanas. Façam do PEE um projeto de vida.

O maior desejo dos pais deveria ser que seus filhos fossem seus amigos: diplomas, dinheiro, sucesso são conseqüências de uma educação brilhante. Eu tenho três filhas. Se elas não se tornarem minhas amigas, serei frustrado como pai, mesmo que seja um escritor mundialmente respeitado.

Apesar de ser especialista em conflitos psíquicos, eu também erro, e não poucas vezes. Mas o importante é saber o que fazer com os erros. Eles podem construir a relação ou destruí-la. Por diversas vezes, pedi desculpas às minhas filhas quando exagerei em minhas atitudes, fiz julgamentos precipitados ou levantei minha voz desnecessariamente. Assim, elas aprenderam comigo a se desculpar e a reconhecer seus excessos.

Algumas pessoas que me viram tomar essa atitude ficaram impressionadas. Diziam: "O Cury está pedindo desculpas para suas filhas?" Nunca viram um pai reconhecer erros e se desculpar, ainda mais um psiquiatra. Muitos filhos de psicólogos e psiquiatras adquirem conflitos porque os pais não se humanizam, não conseguem falar ao coração deles e ser admirados por eles.

Não quero filhas que me temam, quero que elas me amem. Felizmente, elas são apaixonadas por mim e por minha esposa. Se há amor, a obediência é espontânea e natural. Não há coisa mais linda, mais poética, do que pais serem grandes amigos dos seus filhos.

A pérola do coração

Abraçar, beijar e falar espontaneamente com os filhos cultiva a afetividade, rompe os laços da solidão. Muitos europeus e americanos sofrem de profunda solidão. Eles não sabem tocar seus filhos e dialogar abertamente com eles. Moram na mesma casa, mas vivem em mundos diferentes. O toque e o diálogo são mágicos, criam uma esfera de solidariedade, enriquecem a emoção e resgatam o sentido da vida.

Muitos jovens cometem suicídio nos países desenvolvidos, porque raramente alguém penetra no mundo deles e é capaz de ouvi-los sem preconceito. Existe um conceito errado na psiquiatria sobre o suicídio. Quem comete atos de suicídio não quer matar a vida, mas sim a sua dor.

Todas as pessoas que pensam em morrer no fundo têm fome e sede de viver. O que elas querem destruir é o sofrimento causado por seus conflitos, a solidão que as abate, a angústia que as solapa. Fale isso para as pessoas deprimidas, e você verá brotar a esperança em seu interior. Na minha experiência, pude ajudar muitos pacientes a encontrar coragem para mudar as rotas da sua vida por dizer tais palavras. Alguns entravam no consultório desejosos de morrer, mas saíam convencidos de que amavam desesperadamente viver.

Numa sociedade em que pais e filhos não são amigos, a depressão e outros transtornos emocionais encontram um meio de cultura ideal para crescerem. A autoridade dos pais e o respeito por parte de seus filhos não são incompatíveis com a mais singela amizade. Por um lado, você não deve ser permissivo nem um joguete nas mãos dos seus filhos, por outro, você deve procurar ser um grande amigo deles.

Estamos na era da admiração. Ou os seus filhos o admiram ou você não terá influência sobre eles. A verdadeira autoridade e o sólido respeito nascem através do diálogo. O diálogo é uma pérola oculta no coração. Ela é tão cara e tão acessível. Cara, porque ouro e prata não a compram; acessível, porque o mais miserável dos homens pode encontrá-la. Procure-a.


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Bons pais dão informações, pais brilhantes contam histórias

Este hábito dos pais brilhantes contribui fará desenvolver: criatividade, inventividade,

perspicácia, raciocínio esquemático, capacidade de encontrar soluções em situações tensas.

Bons pais são uma enciclopédia de informações, pais brilhantes são agradáveis contadores de histórias. São criativos, perspicazes, capazes de extrair das coisas mais simples belíssimas lições de vida.

Querem ser pais brilhantes? Não apenas tenha o hábito de dialogar, mas de contar histórias. Cativem seus filhos pela sua inteligência e afetividade, não pela sua autoridade, dinheiro ou poder. Tornem-se pessoas agradáveis. Influenciem o ambiente onde eles estão.

Sabe qual é o termômetro que indica se vocês são agradáveis, indiferentes ou insuportáveis? A imagem que os filhos dos seus amigos têm de vocês. Se eles têm prazer em se aproximar, vocês passaram no teste. Se eles os evitam, vocês foram reprovados e terão de rever suas atitudes.

Sempre fui um contador de histórias. Minhas filhas adolescentes me pedem até hoje para contá-las. Os pais que são contadores de histórias não têm vergonha de usar seus erros e dificuldades para ajudar os filhos a mergulhar dentro de si mesmos e encontrar seus caminhos. Quando os filhos estão desesperados, com medo do amanhã, com receio de enfrentar um problema, esses pais entram em cena e criam histórias que transformam a emoção ansiosa dos filhos numa fonte de motivação.

Certa vez, uma de minhas filhas foi criticada por algumas jovens por ser uma pessoa simples, não gostar de ostentação e também por não compactuar com a preocupação excessiva com a estética. Estava se sentindo rejeitada e triste. Após ouvi-la, libertei minha imaginação e contei-lhe uma história. Disse-lhe que algumas pessoas preferem um bonito sol pintado num quadro, outras preferem um sol real, ainda que esteja coberto pelas nuvens. Perguntei-lhe: qual é o sol que você prefere?

Ela pensou e escolheu o sol real. Então, completei, mesmo que as pessoas não acreditem no seu sol, ele está brilhando. Você tem luz própria. Um dia, as nuvens que o encobrem se dissiparão e as pessoas irão enxergá-lo. Não tenha medo das críticas dos outros, tenha medo de perder a sua luz.

Ela nunca mais se esqueceu dessa história. Ficou tão feliz que a contou para várias de suas amigas. Ser feliz é um treinamento e não uma obra do acaso. Qual é uma das mais excelentes maneiras de educar? Contar histórias. Contar histórias amplia o mundo das idéias, areja a emoção, dilui as tensões.

A chegada de um novo irmão pode gerar reações agressivas, rejeições, regressões instintivas (ex., perda do controle do ato de urinar) e mudanças de atitude no irmão mais velho, comprometendo a formação da sua personalidade. O bebê se torna, às vezes, um estranho no ninho. Pais habilidosos criam histórias, desde a gestação do bebê, que incluem ambos os irmãos em experiências divertidas e que incentivam o companheirismo. O mais velho incorpora essas histórias, deixa de encarar o mais novo irmão como rival e desenvolve afetividade por ele.

Ensine muito falando pouco

O Mestre dos mestres foi um excelente educador porque era um contador de parábolas. Cada parábola que ele contou há dois mil anos era uma rica história que abria o leque da inteligência, destruía preconceitos e estimulava o pensamento. Este era um dos segredos pelos quais ele vivia rodeado de jovens.

Os jovens apreciam pessoas inteligentes. Para ser inteligente não é preciso ser um intelectual ou um cientista, basta criar histórias e inserir nelas lições de vida. Muitos pais são engessados nas suas mentes. Acham que não são criativos, que não têm perspicácia e inteligência. O que não é verdade. Tenho convicção, como pesquisador da inteligência, de que cada pessoa tem um potencial intelectual enorme que está represado.

Recordo-me de um paciente autista que não produzia qualquer pensamento lúcido. Sua incapacidade intelectual era enorme. Depois de usar algumas ferramentas que estimularam o fenômeno RAM, as janelas da sua memória se abriram. Após dois anos de tratamento, não apenas estava pensando com brilhantismo, mas também contando histórias. Todos os seus colegas de classe ficavam pasmos com sua imaginação. Há um contador de histórias dentro do ser humano mais hermético e fechado.

Se, às vezes, nem você mesmo suporta seu jeito fechado de ser, como quer que seus filhos o ouçam? Não grite, não agrida, não revide com agressividade. Pare! Conte histórias para quem você ama. Você pode ensinar muito falando pouco.

Tenha intrepidez para mudar! Seja inventivo. Você pode educar muito se desgastando pouco. Pais brilhantes estimulam seus filhos a vencer seus temores e a viver com suavidade. São contadores de histórias, são vendedores de sonhos. Se você conseguir fazer seus filhos sonharem, terá um tesouro que muitos reis procuraram e não conquistaram.


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Bons pais dão oportunidades, pais brilhantes nunca desistem

Este hábito dos pais brilhantes contribui para desenvolver: apreço pela vida, esperança, perseverança, motivação, determinação e capacidade de se questionar, de superar obstáculos e de vencer fracassos.

Bons pais são tolerantes com alguns erros dos seus filhos, pais brilhantes jamais desistem deles, ainda que os filhos os decepcionem e adquiram transtornos emocionais. O mundo pode não apostar em nossos filhos, mas jamais devemos perder a esperança de que eles se tornem grandes seres humanos.

Pais brilhantes são semeadores de idéias e não controladores dos seus filhos. Eles semeiam no solo da inteligência deles e esperam que um dia suas sementes germinem. Durante a espera pode haver desolação, mas, se as sementes são boas, um dia germinarão, mesmo que os filhos se droguem, não tenham respeito pela vida e não parem em emprego algum.

Talvez alguns pais estejam lendo este livro e chorando. Seus filhos estão vivendo profundas crises. Eles recusam um tratamento e são indiferentes às lágrimas das pessoas que os amam. O que fazer? Desistir deles! Não. Mas comportar-se como o pai do filho pródigo.

O filho desistiu do pai, mas o pai nunca desistiu do filho. O filho partiu, mas o pai o aguardou. O pai esperava diariamente que ele aprendesse na escola da vida as lições que não aprendeu aos seus pés. Por fim, a grande vitória. A dor rompeu a casca das sementes que o pai plantou e lapidou silenciosamente a personalidade do filho. Ele voltou. Adquiriu profundas cicatrizes na alma, mas está mais maduro e experiente. O pai não condenou o filho injusto, mas fez-lhe uma grande festa. Ninguém entendeu. O amor é incompreensível.

Devemos ser poetas na batalha da educação. Podemos chorar, mas jamais desanimar. Podemos nos ferir, mas jamais deixar de lutar. Devemos ver o que ninguém vê. Enxergar um tesouro soterrado nas rústicas pedras do coração dos nossos filhos.

Ninguém se diploma na tarefa de educar

Antigamente, os pais eram autoritários; hoje, são os filhos. Antigamente, os professores eram os heróis dos alunos; hoje, são vítimas deles. Os jovens não sabem ser contrariados. Nunca na história assistimos a crianças e jovens dominando tanto os adultos. Os filhos se comportam como reis cujos desejos têm de ser imediatamente atendidos.

Em primeiro lugar, aprenda a dizer "não" para seus filhos sem medo. Se eles não ouvirem "não" dos seus pais, estarão despreparados para ouvir "não" da vida. Não terão chance de sobreviver.

Em segundo lugar, quando disserem "não", os pais não devem ficar cedendo a chantagens e pressões dos filhos. Caso contrário, a emoção das crianças e jovens se tornará uma gangorra: num momento serão dóceis, em outro, explosivos; numa hora estarão animados, em seguida, mal-humorados.

Se forem flutuantes e chantagistas no ambiente social, serão excluídos.

Em terceiro lugar, os pais têm de deixar claro quais são os pontos a serem negociados e quais são os limites inegociáveis. Por exemplo, ir para a cama de madrugada durante a semana e ter de acordar cedo para estudar é inaceitável e, portanto, inegociável. De outro lado, a quantidade de tempo na Internet e o horário de volta para casa podem ser negociados.

Se os pais incorporarem os hábitos dos educadores brilhantes que mencionei, eles poderão, sem medo, contrariar, colocar limites e dizer "não" aos seus filhos. Os resmungos, as birras, as crises deles não serão destrutivas, mas construtivas.

Vivemos tempos difíceis. As regras e os conselhos psicológicos parecem não ter mais eficácia. Pais do mundo todo se sentem perdidos, sem solo para andar, sem ferramentas para penetrar no mundo dos seus filhos. De fato, conquistar o planeta psíquico dos nossos filhos é tão ou mais complexo do que conquistar o planeta físico. Atuar no aparelho da inteligência é uma arte que poucos aprendem.

Quero deixar claro que os hábitos dos pais brilhantes revelam que ninguém se diploma na educação de filhos. Os que dizem "Eu sei" ou "Não preciso da ajuda de ninguém "já estão derrotados. Para educar precisamos aprender sempre e conhecer na plenitude a palavra paciência. Quem não tem paciência desiste, quem não consegue aprender não encontra caminhos inteligentes.

Infelizes dos psiquiatras que não conseguem aprender com seus pacientes. Infelizes dos pais que não conseguem aprender com seus filhos e corrigir rotas. Infelizes dos professores que não conseguem aprender com seus alunos e renovar suas ferramentas. A vida é uma grande escola que pouco ensina para quem não sabe ler.

Por ser a vida uma grande escola, os pais devem procurar compreender os hábitos dos professores fascinantes que descreverei a seguir. Eles serão úteis na sua jornada. Pais e professores são parceiros na fantástica empreitada da educação.
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