Pais brilhantes, professores fascinantes




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PARTE 2
SETE HÁBITOS

DOS BONS PROFESSORES

E DOS PROFESSORES

FASCINANTES

Educar é ser um artesão da personalidade, um poeta da inteligência, um semeador de idéias.

1
Bons professores são eloqüentes, professores fascinantes conhecem o funcionamento da mente

Este hábito dos professores fascinantes contribui para desenvolver em seus alunos: capacidade

de gerenciar os pensamentos, administrar

as emoções, ser líder de si mesmo, trabalhar

perdas e frustrações, superar conflitos.

Bons professores têm uma boa cultura acadêmica e transmitem com segurança e eloqüência as informações em sala de aula. Os professores fascinantes ultrapassam essa meta. Eles procuram conhecer o funcionamento da mente dos alunos para educar melhor. Para eles, cada aluno não é mais um número na sala de aula, mas um ser humano complexo, com necessidades peculiares.

Os professores fascinantes transformam a informação em conhecimento e o conhecimento em experiência. Sabem que apenas a experiência é registrada de maneira privilegiada nos solos da memória, e somente ela cria avenidas na memória capazes de transformar a personalidade. Por isso, estão sempre trazendo as informações que transmitem para a experiência de vida.

A educação passa por uma crise sem precedentes na História. Os alunos estão alienados, não se concentram, não têm prazer em aprender e são ansiosos. De quem é a culpa? Dos alunos ou dos pais? Nem de uns nem dos outros. As causas são mais profundas. As causas principais são frutos do sistema social que estimulou de maneira assustadora os fenômenos que constroem os pensamentos. Estudaremos esse assunto no tópico a seguir.

O palco da mente dos jovens de hoje é diferente dos jovens do passado. Os fenômenos que estão nos bastidores da mente deles e que produzem pensamentos são os mesmos, mas os atores que estão no palco são distintos. A qualidade e a velocidade dos pensamentos mudaram. Precisamos conhecer alguns papéis da memória e algumas áreas do processo de construção da inteligência para encontrar as ferramentas necessárias e capazes de dar uma reviravolta na educação.

O primeiro hábito de um professor fascinante é entender a mente do aluno e procurar respostas incomuns, diferentes daquelas a que o jovem está acostumado.

A síndrome SPA

A televisão mostra mais de sessenta personagens por hora com as mais diferentes características de personalidade. Policiais irreverentes, bandidos destemidos, pessoas divertidas. Essas imagens são registradas na memória e competem com a imagem dos pais e professores.

Os resultados inconscientes disso são graves. Os educadores perdem a capacidade de influenciar o mundo psíquico dos jovens. Seus gestos e palavras não têm impactos emocionais e, conseqüentemente, não sofrem um arquivamento privilegiado capaz de produzir milhares de outras emoções e pensamentos que estimulem o desenvolvimento da inteligência. Freqüentemente os educadores precisam gritar para obter o mínimo de atenção.

A maior conseqüência do excesso de estímulos da TV é contribuir para gerar a síndrome do pensamento acelerado, SPA. Nunca deveríamos ter mexido na caixa preta da inteligência, que é a construção de pensamentos, mas, infelizmente, mexemos. A velocidade dos pensamentos não poderia ser aumentada cronicamente. Caso contrário, ocorreriam uma diminuição da concentração e um aumento da ansiedade. É exatamente isso que está acontecendo com os jovens.

A ansiedade da SPA gera uma compulsão por novos estímulos, numa tentativa de aliviá-la. Embora menos intenso, o princípio é o mesmo que ocorre na dependência psicológica das drogas. Os usuários de drogas usam sempre novas doses para tentar aliviar a ansiedade gerada pela dependência. Quanto mais usam, mais dependentes ficam.

Os portadores da SPA adquirem uma dependência por novos estímulos. Eles se agitam na cadeira, têm conversas paralelas, não se concentram, mexem com os colegas. Estes comportamentos são tentativas de aliviar a ansiedade gerada pela SPA.

A educação está falida, a violência e a alienação social aumentaram, porque, sem perceber, cometemos um crime contra a mente das crianças e dos adolescentes. Tenho convicção científica de que a velocidade dos pensamentos dos jovens há um século era bem menor do que a atual, e por isso o modelo de educação do passado, embora não fosse ideal, funcionava.

Precisamos de um novo modelo de educação. No final do livro comentarei dez técnicas para produzirmos uma educação excelente, capaz de eliminar os efeitos negativos da SPA.

Em minhas conferências, freqüentemente pergunto aos professores com mais de dez anos em sala de aula se eles percebem que os alunos atuais estão mais agitados que os do passado, e a resposta unânime é afirmativa. Precisamos de professores incomuns, que compreendam o anfiteatro da mente humana. De professores comuns o mundo está cheio.

Pensar é excelente, pensar muito é péssimo. Quem pensa muito rouba energia vital do córtex cerebral e sente uma fadiga excessiva, mesmo sem ter feito exercício físico. Este é um dos sintomas da SPA. Os demais sintomas são sono insuficiente, irritabilidade, sofrimento por antecipação, esquecimento, déficit de concentração, aversão à rotina e, às vezes, sintomas psicossomáticos, como dor de cabeça, dores musculares, taquicardia, gastrite. Por que um dos sintomas é o esquecimento? Porque o cérebro tem mais juízo do que nós e bloqueia a memória para pensarmos menos e gastarmos menos energia.

Muitos cientistas não percebem que a SPA é a principal causa da crise na educação mundial. Ela é coletiva, atinge grande parte da população adulta e infantil. Os adultos mais. responsáveis apresentam uma SPA mais forte e, por isso, ficam mais estressados. Por quê? Porque têm um trabalho intelectual mais intenso, pensam mais, são mais preocupados.

A SPA dos alunos faz com que as teorias educacionais e psicológicas do passado quase não funcionem, porque, enquanto os professores falam, os alunos estão agitados, inquietos, sem concentração e, ainda por cima, viajando nos seus pensamentos. Os professores estão presentes na sala de aula e os alunos estão em outro mundo.

As causas da SPA

A síndrome SPA gera uma hiperatividade de origem não-genética. Desde os primórdios da humanidade sempre existiu a hiperatividade genética, caracterizada por uma ansiedade psicomotora, inquietação e agitação do pensamento de fundo metabólico. Por isso, algumas pessoas sempre foram mais ansiosas, teimosas e hiperpensantes do que outras. Mas hoje há uma hiperatividade funcional não-genética - a SPA.

Quais são as causas da SPA? A primeira, como disse, é o excesso de estímulo visual e sonoro produzido pela TV, e que atinge frontalmente o território da emoção. Notem que não estou falando da qualidade do conteúdo da TV, mas do excesso de estímulos, sejam eles bons ou péssimos. A segunda é o excesso de informações. Em terceiro lugar, a paranóia do consumo e da estética, que dificulta a interiorização.

Todas essas causas excitam a construção de pensamentos e geram uma psicoadaptação aos estímulos da rotina diária, ou seja, uma perda do prazer pelas pequenas coisas do dia-a-dia. Os portadores da SPA estão sempre inquietos, tentando garimpar algum estímulo que os alivie.

Com respeito ao excesso de informação, é fundamental saber que uma criança de sete anos de idade da atualidade tem mais informações na memória do que um ser humano de setenta, há um ou dois séculos. Essa avalanche de informações excita de maneira inadequada os quatro grandes fenômenos que lêem a memória e constróem cadeias de pensamentos. Quem tem SPA não consegue gerenciar os pensamentos plenamente, não consegue tranqüilizar sua mente.

O maior vilão da qualidade de vida do homem moderno não é seu trabalho, nem a competição, a carga horária excessiva ou as pressões sociais, mas o excesso de pensamentos. A SPA compromete a saúde psíquica de três formas: ruminando o passado e desenvolvendo sentimento de culpa, produzindo preocupações sobre problemas existenciais e sofrendo por antecipação.

Não basta ser eloqüente. Para ser um professor fascinante é preciso conhecer a alma humana para descobrir ferramentas pedagógicas capazes de transformar a sala de casa e a sala de aula num oásis, e não numa fonte de estresse. E uma questão de sobrevivência, pois, caso contrário, alunos e professores não terão qualidade de vida. E isso já está acontecendo. Vejamos como.

Destruíram a qualidade de vida do professor

Uma revelação chocante. Na Espanha, 80% dos professores estão estressados. Na Inglaterra, o governo está tendo dificuldade de formar professores, principalmente de ensino fundamental e médio, porque poucos querem esta profissão. Nos demais países, a situação é igualmente crítica.

De acordo com pesquisas do instituto Academia de Inteligência, no Brasil, 92% dos professores estão com três ou mais sintomas de estresse e 41% com dez ou mais. E um número altíssimo, indicando que quase a metade dos professores não deveria estar em sala de aula, mas internada numa clínica antiestresse. Compare com este outro número: na população de São Paulo, dramaticamente estressada, 22,9% estão com dez ou mais sintomas.

Os números gritam. Eles indicam que os professores estão quase duas vezes mais estressados do que a população de São Paulo, que é uma das maiores e mais estressantes cidades do mundo. Creio que a situação em qualquer nação desenvolvida é a mesma. Os sintomas que mais se destacam são os ligados à síndrome do pensamento acelerado.

Que tipo de batalha estamos travando para que nossos nobres soldados que se encontram no front - os professores estejam adoecendo coletivamente? Que tipo de educação é esta que estamos construindo e que vem eliminando a boa qualidade de vida de nossos queridos mestres? Damos valor ao mercado de petróleo, de carros, de computadores, mas não percebemos que o mercado da inteligência está falindo.

Não apenas os salários e a dignidade dos professores precisam ser resgatados, mas também a sua saúde. Professores e alunos estão coletivamente com a síndrome SPA.

Um pedido aos professores fascinantes: por favor, tenham paciência com seus alunos. Eles não têm culpa dessa agressividade, alienação e agitação em sala de aula. Eles são vítimas. Detrás dos piores alunos há um mundo a ser descoberto e explorado.

Há uma esperança no caos. Precisamos construir a escola dos nossos sonhos. Aguarde!


2
Bons professores possuem metodologia, professores fascinantes possuem sensibilidade

Este hábito dos professores fascinantes contribui para desenvolver: auto-estima, estabilidade, tranqüilidade, capacidade de contemplação do belo, de perdoar, de fazer amigos, de socializar.

Bons professores falam com a voz, professores fascinantes falam com os olhos. Bons professores são didáticos, professores fascinantes vão além. Possuem sensibilidade para falar ao coração dos seus alunos.

Seja um professor fascinante. Fale com uma voz que expresse emoção. Mude de tonalidade enquanto fala. Assim, você cativará a emoção, estimulará a concentração e aliviará a SPA dos seus alunos. Eles desacelerarão seus pensamentos e viajarão no mundo das suas idéias. Um fascinante professor de matemática, química ou línguas é alguém capaz de conduzir seus alunos numa viagem sem sair do lugar. Toda vez que dou uma conferência, procuro fazer com que meus ouvintes viajem, reflitam sobre a vida, caminhem dentro de si mesmos, saiam do lugar-comum.

Um professor fascinante é mestre da sensibilidade. Ele sabe proteger a emoção nos focos de tensão. O que significa isso? Significa não deixar que a agressividade e as atitudes impensadas dos seus alunos roubem sua tranqüilidade. Entende que os fracos excluem, os fortes acolhem, os fracos condenam, os fortes compreendem. Ele procura acolher seus alunos e compreendê-los, mesmo os mais difíceis.

Enxergue o mundo com os olhos de uma águia. Veja por vários ângulos a educação. Entenda que somos criadores e vítimas do sistema social que valoriza o ter e não o ser, a estética e não o conteúdo, o consumo e não as idéias. No que depender de nós, devemos dar nossa parcela de contribuição para gerar uma humanidade mais saudável.

Não esqueça que você não é apenas um pilar da escola clássica, mas um pilar da escola da vida. Tenha consciência de que os computadores podem gerar gigantes na ciência, mas crianças na maturidade.

Os educadores, apesar das suas dificuldades, são insubstituíveis, porque a gentileza, a solidariedade, a tolerância, a inclusão, os sentimentos altruístas, enfim, todas as áreas da sensibilidade não podem ser ensinadas por máquinas, e sim por seres humanos.

3

Bons professores educam a inteligência lógica, professores fascinantes educam a emoção

Este hábito dos professores fascinantes contribui para desenvolver: segurança, tolerância, solidariedade, perseverança, proteção contra os estímulos estressantes, inteligência emocional e interpessoal.

Bons professores ensinam seus alunos a explorar o mundo em que estão, do imenso espaço ao pequeno átomo. Professores fascinantes ensinam os alunos a explorar o mundo que são, o seu próprio ser. Sua educação segue as notas da emoção.

Os professores fascinantes sabem que trabalhar com a emoção é mais complexo do que trabalhar com os mais intricados cálculos da física e da matemática. A emoção pode transformar ricos em paupérrimos, intelectuais em crianças, poderosos em frágeis seres.

Eduque a emoção com inteligência. E o que é educar a emoção? E estimular o aluno a pensar antes de reagir, a não ter medo do medo, a ser líder de si mesmo, autor da sua história, a saber filtrar os estímulos estressantes e a trabalhar não apenas com fatos lógicos e problemas concretos, mas também com as contradições da vida.

Educar a emoção também é se doar sem esperar retorno, ser fiel à sua consciência, extrair prazer dos pequenos estímulos da existência, saber perder, correr riscos para transformar os sonhos em realidade, ter coragem para andar por lugares desconhecidos. Quem teve o privilégio de educar a emoção em sua juventude?

Infelizmente, mergulhamos na sociedade sem qualquer preparo para viver. Somos vacinados desde a infância contra uma série de vírus e bactérias, mas não recebemos nenhuma vacina contra as decepções, frustrações e rejeições. Quantas lágrimas, doenças psíquicas, crises no relacionamento e até suicídios poderiam ser evitados com a educação da emoção?

Sem a educação da emoção podemos gerar pelo menos três resultados. Alguns se tornam insensíveis, têm traços de uma personalidade psicopata. Eles possuem uma emoção insensível, e por isso ofendem e machucam os outros, mas não sentem a dor deles, não pensam nas conseqüências dos seus comportamentos.

Outros, ao contrário, se tornam hipersensíveis. Vivem intensamente a dor dos outros, se doam sem limites, se preocupam demais com a crítica alheia, não têm proteção emocional. Uma ofensa estraga o dia, o mês e até a vida. As pessoas hipersenstveis costumam ser excelentes para os outros, mas péssimas para si mesmas.

Outros, ainda, são alienados, não ferem os outros, mas não pensam no futuro, não têm sonhos, metas, deixam a vida levá-los, vivem um conformismo doentio.

As escolas não estão conseguindo educar a emoção. Elas estão gerando jovens insensíveis, hipersensíveis ou alienados. Precisamos formar jovens que tenham uma emoção rica, protegida e integrada.


4
Bons professores usam a memória como depósito de informações, professores fascinantes usam-na como,suporte da arte de pensar.

Este hábito dos professores fascinantes contribui para desenvolver: pensar antes de reagir, expor e não impor as idéias, consciência crítica, capacidade de debater, de questionar, de trabalhar em equipe.

Bons professores usam a memória como armazém de informações, professores fascinantes usam a memória como suporte da criatividade. Bons professores cumprem o conteúdo programático das aulas, professores fascinantes também cumprem o conteúdo programático, mas seu objetivo fundamental é ensinar os alunos a serem pensadores e não repetidores de informações.
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