Pais brilhantes, professores fascinantes




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A educação clássica transformou a memória humana num banco de dados. A memória não tem essa função. Como disse, grande parte das informações que recebemos nunca será recordada. Ocupamos um espaço precioso da memória com informações pouco úteis e até inúteis.

Os professores e os psicólogos juram que existe lembrança, mas, como já dissemos, este é um dos grandes pilares falsos em que se apóiam a psicologia e as ciências da educação. Não existe lembrança pura do passado, mas reconstrução do passado com micro ou macro diferenças.

Quantos pensamentos nós produzimos ontem? Milhares! De quantos conseguimos nos lembrar com a cadeia exata de verbos, substantivos, adjetivos? Talvez de nenhum. No entanto, se procurarmos recordar as pessoas, os ambientes e as circunstâncias com os quais nos relacionamos, reconstruiremos milhares de outros pensamentos, não exatamente os mesmos que pensamos ontem.

Concluímos que o objetivo da memória não é dar suporte para a lembrança, mas para a reconstrução criativa do passado. Só existe lembrança pura das informações destituídas de experiências sociais e emocionais, ou seja, das informações lógicas, como os números. Mesmo assim, o resgate dessas lembranças envolve emoções sutis subjacentes. Por isso, em alguns momentos, temos maior ou menor habilidade para resolver cálculos matemáticos.

A memória clama para que o ser humano seja criativo, mas a educação clássica clama para que ele seja repetitivo. A memória não é um banco de dados nem nossa capacidade de pensar é uma máquina de repetir informações, como as pobres máquinas dos computadores.

A memória dos computadores é escrava de estímulos programados. A memória humana é um canteiro de informações e experiências para que cada um de nós produza um fantástico mundo de idéias.

Um membro da tribo africana tem o mesmo potencial intelectual de um cientista de Harvard. Muitos consideram que Einstein foi o maior cérebro do século XX. Mas, como um dos raros cientistas que produziu conhecimento sobre o processo de construção de pensamentos, tenho convicção de que um membro das tribos indígenas do Amazonas tem o mesmo potencial intelectual que Einstein.

Todos possuímos um corpo de fenômenos que, em milésimos de segundos, lê os campos da memória e produz o espetáculo dos pensamentos. Só não produzimos grandes idéias, pensamentos inusitados, criações surpreendentes porque engessamos a arte de pensar.

Durante os dois primeiros anos do ensino médio, eu tinha apenas dois cadernos e quase nada estava escrito neles. Era difícil me adaptar a uma educação que não provocava minha inteligência. Alguns, naquela época, vendo meu aparente desinteresse, achavam que eu não seria nada na vida. Mas, dentro de mim, havia uma explosão de idéias. Pensar era uma aventura que me encantava.

Hoje tenho mais de cinco mil páginas escritas, e a minoria está publicada. Meus livros são estudados por cientistas e lidos por centenas de milhares de pessoas em todo o mundo. No entanto, estou convicto de que não tenho uma inteligência privilegiada. Todos temos uma mente especial. Aonde chegamos depende do quanto libertamos a arte de pensar.

Abrindo as janelas da inteligência

As provas escolares que estimulam os alunos a repetir informações, além de pouco úteis, são freqüentemente prejudiciais, pois engessam a inteligência. As provas deveriam ser abertas, promover a criatividade, estimular o desenvolvimento do livre pensamento, cultivar o raciocínio esquemático, expandir a capacidade de argumentação dos alunos. Os testes e as perguntas fechadas deveriam ser evitados ou pouco usados como provas escolares.

Nas provas deveria ser valorizado qualquer raciocínio esquemático, qualquer idéia organizada, mesmo que estivessem completamente errados em relação à matéria dada. É possível dar nota máxima para um raciocínio brilhante baseado em dados errados. Isso valoriza pensadores. A exigência de detalhes só deveria ser solicitada aos especialistas na universidade e não no ensino fundamental e médio.

Em meu livro Revolucione Sua Qualidade de Vida, falo sobre a memória de uso contínuo ou memória consciente -MUC - e a memória existencial ou inconsciente - ME. A grande maioria das informações, talvez mais de 90%, que registramos na MUC nunca será recordada. Elas vão para a periferia da memória, para a ME, e serão reeditadas (substituídas) ou transferidas para arquivos pouco acessados nos porões do inconsciente.

As informações mais úteis são aquelas transformadas em conhecimento e que, por sua vez, são transformadas em experiências na MUC. Quando tratar da escola dos nossos sonhos, indicarei ferramentas para estimular a arte de pensar.

No passado, o conhecimento dobrava em dois ou três séculos. Atualmente, o conhecimento dobra a cada cinco anos. No entanto, onde estão os pensadores? Estamos assistindo ao fim dos pensadores nas escolas, nas universidades e até nos cursos de pós-graduação. Multiplicamos o conhecimento, mas não os homens que pensam.

Os alunos que vão mal nas provas, hoje, poderão se tornar excelentes cientistas, executivos e profissionais no futuro. Basta que os estimulemos. Estimule seus alunos a abrir as janelas da mente, a ter ousadia para pensar, questionar, debater, romper paradigmas.

Este é um excelente hábito. Professores fascinantes formam pensadores que são autores da sua história.

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Bons professores são mestres temporários, professores fascinantes são mestres inesquecíveis

Este hábito dos professores fascinantes contribui para desenvolver: sabedoria, sensibilidade, afetividade, serenidade, amor pela vida, capacidade de falar ao coração, de influenciar pessoas.
Um bom professor é lembrado nos tempos de escola. Um professor fascinante é um mestre inesquecível. Um bom professor procura os alunos, um professor fascinante é procurado por eles. Um bom professor é admirado, um professor fascinante é amado. Um bom professor se preocupa com as notas dos seus alunos, um professor fascinante se preocupa em transformá-los em engenheiros de idéias.

Ser um mestre inesquecível é formar seres humanos que farão diferença no mundo. Suas lições de vida marcam para sempre os solos conscientes e inconscientes dos seus alunos. O tempo pode passar e as dificuldades podem surgir, mas as sementes de um professor fascinante jamais serão destruídas.

Tenho investigado a vida de grandes pensadores como Confúcio, Buda, Platão, Freud, Einstein. Todos eles foram mestres inesquecíveis, porque estimularam seu íntimo a velejar para dentro de si mesmos. Na coleção de livros Análise da Inteligência de Cristo (Cury, 2000), tive a oportunidade de investigar os pensamentos de Jesus Cristo, bem como sua capacidade de proteger a emoção, e sua habilidade de trabalhar nos solos da inteligência dos seus discípulos.

Apesar das minhas limitações, fiz uma análise psicológica e não teológica da sua personalidade. Os resultados foram extraordinários. Talvez, pela primeira vez, textos referentes a Jesus Cristo tenham sido adotados em faculdades de psicologia, pedagogia e direito.

Aparentemente, ele morreu como o mais derrotado dos homens, pois o mais forte dos seus discípulos o negou e os demais o abandonaram. Mas ninguém é derrotado quando suas sementes são enterradas. As sementes que ele plantou nos solos da memória dos seus discípulos inspiraram a inteligência, libertaram a emoção, romperam o cárcere do medo, fizeram dos jovens galileus, tão despreparados para a vida, uma casta de finos pensadores.

A conclusão a que cheguei é que Jesus Cristo se tornou o mestre inesquecível não por atos sobrenaturais, mas porque arejou o anfiteatro da mente humana com habilidade ímpar. Nunca alguém tão grande se fez tão pequeno para tornar grandes os pequenos. Independentemente de religião, os que amam a educação devem estudá-lo.

Excelentes escolas têm gerado alunos com problemas. No passado, as escolas da periferia não conseguiam ajudar seus "alunos-problemas". Hoje, boas escolas que usam teorias respeitáveis, como a do construtivismo e das inteligências múltiplas, têm sido incapazes de formar coletivamente jovens sábios e lúcidos.

Seja um mestre fascinante. Inspire a inteligência dos seus alunos, leve-os a enfrentar seus desafios e não apenas a ter cultura informativa. Estimule-os a gerenciar seus pensamentos e a ter um caso de amor com a vida.

Não se cale sobre sua história, transmita suas experiências de vida. As informações são arquivadas na memória, as experiências são cravadas no coração.

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Bons professores corrigem comportamentos, professores fascinantes resolvem conflitos em sala de aula

Este hábito dos professores fascinantes contribui para ,desenvolver: superação da ansiedade, resolução de crises interpessoais, socialização, proteção emocional, resgate da liderança do eu nos focos de tensão.

Bons professores corrigem os comportamentos agressivos dos alunos. Professores fascinantes resolvem conflitos em sala de aula. Entre corrigir comportamentos e resolver conflitos em sala de aula há uma distância maior do que imagina a nossa nobre educação.

Resolver conflitos em sala de aula é um tema novo em muitos países. Só agora alguns países europeus e os EUA estão despertando para isso. Já faz algum tempo que tenho comentado em congressos que os pais e professores precisam se equipar para resolver conflitos entre seus filhos e alunos.

Em primeiro lugar, é preciso conhecer, como comentei, a síndrome SPA. Em segundo, os professores necessitam proteger sua emoção diante do calor dos conflitos dos alunos, caso contrário um atrito poderá desgastá-los profundamente. Neste caso, a escola se tornará um deserto e os professores contarão nos dedos os dias que faltam para a aposentadoria.

Em terceiro lugar, diante de qualquer atrito, ofensa ou crise entre os alunos ou dos alunos com o professor, a melhor resposta é não dar resposta alguma. Nos primeiros trinta segundos em que estamos tensos, cometemos nossos piores erros, nossas piores atrocidades. No calor da tensão, seja amigo do silêncio, respire fundo.

Por que usar a ferramenta do silêncio? Porque emoção tensa fecha o território de leitura da memória, obstruindo a construção de cadeias de pensamentos. Deste modo, reagimos por instinto, como os animais, e não com a inteligência.

Em quarto lugar, procure não dar uma lição de moral em quem foi agressivo. Este procedimento é usado desde a idade da pedra, e não é eficaz, não gera um momento educacional, pois a emoção do agressor está tensa, e sua inteligência, obstruída.

O que fazer? Usar a ferramenta que já comentei quando falei sobre os pais. Encante sua classe com gestos inesperados. Surpreenda seus alunos. Assim você irá resolver conflitos em sala de aula. Como? Leve-os a pensar, a mergulhar dentro de si mesmos, a se confrontar consigo mesmos. Não é uma tarefa fácil, mas é possível. Vejamos como.

Um tapa com luva de pelica direto no coração

Certa vez, alguns alunos conversavam no fundo da sala. A professora de línguas pediu silêncio, mas eles continuaram. Ela foi mais enfática, chamou a atenção de um aluno que falava alto. Ele foi agressivo com ela. Gritou: "Você não manda em mim! Eu pago para você trabalhar!" O clima ficou tenso.

Todos esperaram que a professora gritasse com o aluno, ou o expulsasse da classe. Em vez disso, ela ficou em silêncio, relaxou, diminuiu sua tensão e libertou sua imaginação. Em seguida, contou-lhes uma história que aparentemente não tinha nada a ver com o clima de agressividade.

Contou a história das crianças e dos adolescentes judeus que foram presos nos campos de concentração nazista e perderam todos os seus direitos. Não podiam ir às escolas, brincar nas ruas, visitar os amigos, dormir numa cama quentinha e se alimentar com dignidade. O alimento era estragado, e eles dormiam como se fossem objetos amontoados num depósito. O que era pior, não podiam abraçar seus pais. O mundo desabou sobre eles.

Eles choravam e ninguém os consolava. Tinham fome e ninguém os saciava. Gritavam pelos pais, mas ninguém os ouvia. Na frente deles apenas havia cães, guardas e cercas de arame farpado. A professora contou o que foi um dos maiores crimes já cometidos na nossa história. Roubaram os direitos humanos e a vida desses jovens. Mais de um milhão de crianças e adolescentes morreram.

Depois de contar essa história, a professora não precisou falar muito. Olhou para a classe e disse: "Vocês têm escola, amigos, professores que os amam, o carinho dos seus pais, um alimento gostoso na sua mesa, mas será que vocês os valorizam?" Ela resolveu conflitos em sala de aula levando-os a se colocar no lugar dos outros e a pensar na grandeza dos direitos humanos.

Ela não precisou chamar a atenção do aluno que a ofendera. Sabia que não adiantaria corrigir seu comportamento, e queria levá-lo a ser um pensador. Ele ficou em completo silêncio. Voltou para casa e nunca mais foi o mesmo, pois compreendeu que tinha muitas coisas belas que não valorizava.

Pais e professores estão perdidos no mundo das suas salas. Os professores estão confusos dentro da sala de aula. Os pais estão sem direção dentro da sala de casa. Não podemos aceitar que o lugar em que os jovens menos aprendam experiências de vida seja dentro desses dois ambientes.

Aprendam a dar tapas com luva de pelica no coração emocional de quem vocês amam. Precisamos acordar nossas crianças e nosso jovens para a vida. O afeto e a inteligência curam as feridas da alma, reescrevem as páginas fechadas do inconsciente.


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Bons professores educam para uma profissão, professores fascinantes educam para a vida

Este hábito dos professores fascinantes contribui para desenvolver: solidariedade, superação de conflitos psíquicos e sociais, espírito empreendedor, capacidade de perdoar, de filtrar estímulos estressantes, de escolher, de questionar, de estabelecer metas.

Um bom professor educa seus alunos para uma profissão, um professor fascinante os educa para a vida. Professores fascinantes são profissionais revolucionários. Ninguém sabe avaliar o seu poder, nem eles mesmos. Eles mudam paradigmas, transformam o destino de um povo e um sistema social sem armas, tão-somente por prepararem seus alunos para a vida através do espetáculo das suas idéias.

Os mestres fascinantes podem ser desprezados e ameaçados, mas sua força é imbatível. São incendiários que inflamam a sociedade com o calor da sua inteligência, compaixão e singeleza. São fascinantes porque são livres, são livres porque pensam, pensam porque amam solenemente a vida.

Seus alunos adquirem um bem extraordinário: consciência crítica. Por isso, não são manipulados, controlados, chantageados. Num mundo de incertezas, eles sabem o que querem.

Os professores fascinantes são promotores de auto-estima.

Dão uma atenção especial aos alunos desprezados, tímidos e que recebem apelidos pejorativos. Sabem que eles podem ser encarcerados por seus traumas. Por isso, como poetas da vida, estendem a sua mão e mostram-lhes sua capacidade interior. Estimulam-nos a usar a dor como adubo para seu crescimento. Deste modo, eles os preparam para sobreviver nas tormentas sociais.

Formando empreendedores

Os professores fascinantes objetivam que seus alunos sejam lideres de si mesmos. Proclamam de diversas formas em sala de aula aos seus alunos: "Que vocês sejam grandes empreendedores. Se empreenderem, não tenham medo de falhar. Se falharem, não tenham medo de chorar. Se chorarem, repensem a sua vida, mas não desistam. Dêem sempre uma nova chance a si mesmos.'

Quando as dificuldades abatem seus alunos, quando a economia do país está em crise ou os problemas sociais se avolumam, eles novamente proclamam: "Os perdedores vêem os raios. Os vencedores vêem a chuva, e com ela a oportunidade de cultivar. Os perdedores paralisam-se diante de suas perdas e frustrações. Os vencedores vêem a oportunidade de mudar tudo de novo. Nunca desista dos seus sonhos."
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