Pais brilhantes, professores fascinantes




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Prepare seus alunos para explorarem o desconhecido, para não terem medo de falhar, mas medo de não tentar. Ensine-os a conquistar experiências originais, através da observação de pequenas mudanças e da correção de grandes rotas. Novos estímulos estabelecem uma relação com a estrutura cognitiva prévia, gerando novas experiências (Piaget, 1996). Novas experiências propiciam um crescimento intelectual.

Leve os jovens a ter flexibilidade no trabalho e na vida, pois só não muda de idéia quem não é capaz de produz'-Ia. Leve-os a extrair de cada lágrima uma lição de vida.

Se não reconstruirmos a educação, as sociedades modernas se tornarão um grande hospital psiquiátrico. As estatísticas estão demonstrando que o normal é ser estressado, e o anormal é ser saudável.


PARTE 3
OS SETE PECADOS CAPITAIS DOS EDUCADORES

Todos erram: a maioria usa os erros para se destruir; a minoria, para se construir.

Estes são os sábios.

1
Corrigir publicamente

Corrigir publicamente uma pessoa é o primeiro pecado capital da educação. Um educador jamais deveria expor o defeito de uma pessoa, por pior que ele seja, diante dos outros. A exposição pública produz humilhação e traumas complexos difíceis de serem superados. Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do que o erro da pessoa.

Os pais ou os professores só devem intervir publicamente quando um jovem ofendeu ou feriu alguém em público. Mesmo assim, devem agir com prudência para não colocar mais lenha no calor das tensões.

Havia uma adolescente de doze anos, esperta, inteligente, sociável, que estava um pouco obesa. Aparentemente ela não tinha problema com sua obesidade. Era uma boa aluna, participativa e respeitada entre seus colegas.

Certa vez, sua vida sofreu uma grande guinada. Ela foi mal numa prova. Procurou a professora e questionou a sua nota. A professora, que estava irritada por outros motivos, desferiu-lhe um golpe mortal que modificou para sempre a sua vida, chamando-a de "gordinha pouco inteligente" na frente dos colegas.

Corrigir alguém publicamente já é grave, humilhar é dramático. Os colegas debocharam da jovem. Ela sentiu-se diminuída, inferiorizada, e chorou. Viveu uma experiência com alto volume de tensão que foi registrada privilegiadamente no centro da memória, na memória de uso contínuo (MUC).

Se considerarmos a memória como uma grande cidade, o trauma original produzido pela humilhação da professora foi como uma casa de favela edificada num belo bairro. A jovem leu continuamente o arquivo que continha esse trauma e produziu milhares de pensamentos e reações emocionais de conteúdo negativo, que foram registrados novamente, expandindo a estrutura do trauma. Deste modo, uma "casa de favela" na memória pode contagiar um arquivo inteiro.

Portanto, não é o trauma original que se torna o grande vilão da saúde psíquica, como Freud pensava, mas a realimentação dele. Cada gesto hostil das outras pessoas era relacionado pela adolescente com seu trauma. Com o decorrer do tempo, ela produziu milhares de casas de favelas. Onde havia um belo bairro no inconsciente foi se criando um terreno desolado.

Os adolescentes devem se sentir bonitos, mesmo que sejam obesos, portadores de um defeito físico, ou se seu corpo não preenche os padrões de beleza transmitidos pela mídia. Beleza está nos olhos de quem vê.

Mas, infelizmente, a mídia massacrou os jovens definindo o que é beleza no inconsciente deles. Cada imagem dos modelos nas capas das revistas, nos comerciais e nos programas de TV é registrada na memória, formando matrizes que discriminam quem está fora do padrão. Este processo aprisiona os jovens, mesmo os mais saudáveis. Quando estão diante do espelho, o que é que eles observam? Suas qualidades ou seus defeitos? Freqüentemente, seus defeitos. A mídia aparentemente tão inofensiva discrimina os jovens da mesma maneira como os negros foram e ainda são discriminados.

Gostaria que vocês não se esquecessem de que é através desse processo que uma rejeição vira um monstro, um educador tenso vira um carrasco, um elevador vira um cubículo sem ar, um vexame público paralisa a inteligência e gera o medo de expor as idéias.

A adolescente de nossa história começou cada vez mais a obstruir sua memória pela baixa auto-estima e sentimento de incapacidade. Deixou de tirar notas boas. Cristalizou uma mentira: que não era inteligente. Teve várias crises depressivas. Perdeu o encanto pela vida. Com dezoito anos, tentou o suicídio.

Felizmente, não morreu. Procurou tratamento e conseguiu superar o trauma. Essa jovem não queria matar a vida. No fundo, como toda pessoa depressiva, ela tinha fome e sede de viver. O que ela queria era destruir sua dramática dor, desespero e sentimento de inferioridade.

Chamar a atenção ou apontar em público um erro ou defeito de jovens e adultos pode gerar um trauma inesquecível que os controlará durante toda a vida. Ainda que os jovens os decepcionem, não os humilhem. Ainda que eles mereçam uma grande bronca, procurem chamá-los em particular e corrigi-los. Mas, principalmente, estimulem os jovens a refletir. Quem estimula a reflexão é um artesão da sabedoria.


2

Expressar autoridade com agressividade

Certo dia, descontente com a reação agressiva do seu pai, um filho levantou a voz para ele. O pai sentiu-se desafiado e o espancou. Disse-lhe que nunca deveria falar com ele daquele modo. Aos gritos, afirmou que quem mandava naquela casa era ele, que era ele que o sustentava. O pai impôs sua autoridade com violência. Ganhou o temor do filho, mas perdeu para sempre o seu amor.

Muitos pais agridem e criticam um ao outro na frente dos filhos. Quando estivermos ansiosos e sem condições de conversar, a melhor coisa é sair de cena. Vá para o quarto e faça outra coisa, até conseguir abrir as janelas da memória e tratar com inteligência os assuntos polêmicos.

Todavia, não há casais perfeitos. Todos cometemos excessos na frente dos filhos, todos ficamos estressados. A pessoa mais calma tem seus momentos de ansiedade e irracionalidade. Portanto, embora desejável, não é possível evitar todos os atritos na frente dos filhos. O importante é o destino que damos aos nossos erros.

O mesmo princípio serve para os professores. Quando dermos um espetáculo agressivo na frente das crianças, devemos pedir desculpas não apenas para o nosso cônjuge, mas também para os filhos, pela manifestação de intolerância a que assistiram. Se temos coragem para errar, devemos ter coragem para refazer nosso erro.

Uma pessoa autoritária nem sempre é bruta e agressiva. Às vezes sua violência está disfarçada numa delicada imutabilidade e teimosia. Ninguém muda sua opinião. Se insistirmos em manter nossa autoridade a qualquer custo, estaremos cometendo um pecado capital na educação dos nossos filhos. Nosso autoritarismo controlará a inteligência deles.

Nossos filhos poderão reproduzir nossas reações no futuro. Aliás, observe que costumamos reproduzir os comportamentos dos nossos pais que mais condenamos em nossa infância. O registro silencioso não-trabalhado cria moldes no secreto da nossa personalidade.

Alguns filhos, quando estão irritados, apontam os erros dos seus pais e os provocam. Quantos pais perdem o amor dos seus filhos porque não sabem dialogar com eles quando são desafiados! Têm medo de que o diálogo lhes roube a autoridade. Não conseguem ser questionados. Alguns pais odeiam quando seus filhos comentam sobre suas falhas. Eles parecem intocáveis. Reagem com violência. Impõem uma autoridade que sufoca a lucidez dos filhos. Estão formando pessoas que também reagirão com violência.

Os pais que impõem sua autoridade são aqueles que têm receio das suas próprias fragilidades. Os limites devem ser colocados, mas não impostos. Alguns limites, como comentei, são inegociáveis, porque comprometem a saúde e a segurança dos filhos, mas mesmo nestes casos deve-se fazer uma mesa-redonda com os filhos e dialogar sobre os motivos desses limites.

Nesses vinte anos atendendo inúmeros pacientes, descobri que certos pais eram superamados pelos seus filhos. Eles não os espancaram, não eram autoritários, não deram bens materiais a eles e nem tinham privilégios sociais. Qual foi o seu segredo? Eles se deram aos filhos, educaram a emoção dos filhos, cruzaram seu mundo com o mundo deles. Viveram naturalmente, sem mesmo conhecer os princípios que comentei sobre os pais brilhantes.

O diálogo é uma ferramenta educacional insubstituível. Deve haver autoridade na relação pai-filho e professor-aluno, mas a verdadeira autoridade é conquistada com inteligência e amor. Pais que beijam, elogiam e estimulam seus filhos desde pequenos a pensar não correm o risco de perdê-los e de perder o respeito deles.

Não devemos ter medo de perder nossa autoridade, devemos ter medo de perder nossos filhos.


3

Ser excessivamente critico: obstruir a infância da criança

Havia um pai preocupadíssimo com o futuro do seu filho. Queria que ele fosse ético, sério e responsável. A criança não podia cometer erros, nem excessos. Não podia brincar, se sujar e fazer peripécias como toda criança. Tinha muitos brinquedos, mas eles ficavam guardados, porque o pai, com o aval da mãe, não admitia bagunça.

Cada falha, nota ruim ou atitude insensata do filho eram criticadas imediatamente pelo pai. Não era apenas uma crítica, mas uma seqüência de críticas e, às vezes, na frente dos amigos do filho. Sua crítica era obsessiva e insuportável. Não bastasse isso, querendo pressionar o filho para que ele se corrigisse, o pai comparava seu comportamento com o dos outros jovens. O menino se sentia o mais desprezado dos seres. Pensou em até desistir da vida, por achar que não era amado por seus pais.

O resultado? O filho cresceu e se tornou um bom homem. Errava pouco, era sério, ético, mas infeliz, tímido e frágil. Entre ele e seus pais havia um abismo. Por quê? Porque não havia a mágica da alegria e da espontaneidade entre eles. Era uma família exemplar, mas triste e sem sabor. O filho não apenas se tornou tímido, mas frustrado. Tinha pavor da crítica dos outros. Tinha medo de errar, por isso enterrava seus sonhos, não queria correr riscos.

Desejando acertar, o pai cometeu alguns pecados capitais da educação. Impôs autoridade, humilhou seu filho em público, criticou-o excessivamente e obstruiu sua infância. Este pai estava preparado para consertar computadores, e não para educar um ser humano. Cada um desses pecados capitais é universal, pois são um problema tanto numa sociedade moderna quanto numa tribo primitiva.

Não critique excessivamente. Não compare seu filho com seus colegas. Cada jovem é um ser único no teatro da vida. A comparação só é educativa quando é estimulante e não depreciativa. Dê aos seus filhos liberdade para ter as suas próprias experiências, ainda que isso inclua certos riscos, fracassos, atitudes tolas e sofrimentos. Caso contrário, eles não encontrarão os seus caminhos.

A pior maneira de preparar os jovens para a vida é colocá-los numa estufa e impedi-los de errar e sofrer. Estufas são boas paras as plantas, mas para a inteligência humana são sufocantes.

O Mestre dos mestres tem lições importantíssimas para nos dar nessa área. Suas atitudes educacionais encantam os mais lúcidos cientistas. Ele disse certa vez que Pedro o negaria. Pedro discordou veementemente. Jesus poderia criticá-lo, apontar seus defeitos, acusar sua fragilidade. Mas qual foi sua atitude? Nenhuma.

Ele não fez nada para mudar as idéias do amigo. Deixou o jovem apóstolo Pedro ter suas experiências. O resultado? Pedro errou drasticamente, derramou lágrimas incontidas, mas aprendeu lições inesquecíveis. Se não tivesse errado e reconhecido sua fragilidade, talvez jamais amadurecesse e se tornasse quem foi. Mas, como falhou, aprendeu a tolerar, a perdoar, a incluir.

Estimados educadores, temos de ter em mente que os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Mas não é possível ser forte sem perceber nossas limitações.


4

Punir quando estiver irado e colocar limites sem dar explicações

Certa vez uma menina de oito anos estava passeando num shopping próximo da sua escola com algumas amigas. Ao ver um dinheiro em cima de um balcão, pegou-o. A balconista viu e chamou-a de ladra. Pegando-a pelo braço, levou-a em prantos até os pais.

Os pais ficaram desesperados. Algumas pessoas mais próximas esperavam que eles batessem e punissem a filha. Em vez disso, resolveram me procurar para saber como agir. Tinham receio de que a menina desenvolvesse cleptomania e se apropriasse de objetos que não lhe pertenciam.

Orientei os pais a não fazerem um drama com o caso. As crianças sempre cometem erros, e o importante é o que fazer com eles. Minha preocupação era levá-los a conquistar sua doce menina e não a puni-la. Orientei para que a chamassem em separado e explicassem as conseqüências do seu ato. Em seguida, pedi-lhes que a abraçassem, pois afinal ela já estava muito chocada com o ocorrido.

Além disso, disse que, se eles quisessem transformar o erro num grande momento educacional, deveriam ter reações inesquecíveis. Os pais pensaram e tiveram um gesto inusitado. Como o valor era pequeno, deram à filha o dobro do dinheiro furtado e demonstraram eloqüentemente que ela era mais importante para eles do que todo o dinheiro do mundo. Explicaram-lhe que a honestidade é a dignidade dos fortes.

Essa atitude deixou-a contemplativa. Em vez de serem arquivados na memória o fato de ser ladra e uma punição agressiva dos pais, foram registrados na memória acolhimento, compreensão e amor. O drama se transformou num romance. A jovem nunca mais se esqueceu de que, num momento tão difícil, seus pais a ensinaram e amaram. Quando fez quinze anos, ela abraçou seus pais, dizendo que nunca se esquecera daquele momento poético. Todos deram risadas. Não ficou cicatriz.

Um outro caso não teve o mesmo destino. Um pai foi chamado à delegacia porque o segurança vira seu filho furtando um CD numa loja de departamento. O pai sentiu-se humilhado. Não percebeu a angústia do garoto e o fato de a falha ser uma excelente oportunidade para revelar sua maturidade e sabedoria. Em vez disso, esbofeteou o filho na frente dos guardas.

Chegando em casa, o jovem se trancou no quarto. O pai tentou arrombar a porta, porque percebeu que o filho estava tentando se matar. Num ato impensado, desistiu da vida, achando-se o último dos seres humanos. O pai daria tudo o que tinha para voltar atrás, jamais pensou que perderia seu filho querido.

Por favor, jamais puna quando estiver irado. Como disse, não somos gigantes, e nos trinta primeiros segundos da raiva somos capazes de ferir as pessoas que mais amamos. Não se deixe escravizar por sua ira. Quando sentir que não pode controlá-la, saia de cena, pois, caso contrário, você reagirá sem pensar.

A punição física deve ser evitada. Se algumas palmadas acontecerem, elas devem ser simbólicas e acompanhadas de uma explicação. Não é a dor das palmadas que irá estimular a inteligência das crianças e dos jovens. A melhor forma de ajudá-los é levá-los a repensar suas atitudes, penetrar dentro de si mesmos e aprender a se colocar no lugar dos outros.

Praticando essa educação você estará desenvolvendo as seguintes características na personalidade dos jovens: liderança, tolerância, ponderação, segurança nos momentos turbulentos.

Se um jovem o magoou, fale dos seus sentimentos com ele. Se necessário, chore com ele. Se seu filho falhou, discuta as causas da sua falha, dê crédito a ele. A maturidade de uma pessoa é revelada pela forma inteligente com que ela corrige alguém. Podemos ser heróis ou carrascos para os jovens.

Jamais coloque limites sem dar explicações. Este é um dos pecados capitais mais comuns que os educadores cometem, sejam eles pais ou professores. Nos momentos de ira, a emoção tensa bloqueia os campos da memória. Perdemos a racionalidade. Pare! Espere a temperatura da sua emoção baixar. Para educar, use primeiro o silêncio e depois as idéias.
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