Pais brilhantes, professores fascinantes




descargar 386.55 Kb.
títuloPais brilhantes, professores fascinantes
página8/13
fecha de publicación16.01.2016
tamaño386.55 Kb.
tipoDocumentos
b.se-todo.com > Documentos > Documentos
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   13

A melhor punição é aquela que se negocia. Pergunte aos jovens o que eles merecem pelos seus erros. Você se surpreenderá! Eles refletirão sobre suas atitudes e, talvez, darão uma punição mais severa para si mesmos do que você daria. Confie na inteligência das crianças e dos adolescentes.

Punir com castigos, privações e limites só educa se não for em excesso e se estimular a arte de pensar. Caso contrário, será inútil. A punição só é útil quando é inteligente. A dor pela dor é inumana. Mude seus paradigmas educacionais. Elogie o jovem antes de corrigi-lo ou criticá-lo. Diga o quanto ele é importante, antes de apontar-lhe o defeito. A conseqüência? Ele acolherá melhor suas observações e o amará para sempre.

5
Ser impaciente e desistir de educar

Havia um aluno muito agressivo e inquieto. Ele perturbava a classe e arrumava freqüentes confusões. Era insolente, desacatava a todos. Repetia os mesmos erros com freqüência. Parecia incorrigível. Os professores não o suportavam. Cogitaram em expulsá-lo.

Antes da expulsão, entrou em cena um professor que resolveu investir no aluno. Todos acharam que era perda de tempo. Mesmo não tendo apoio dos colegas, ele começou a conversar com o jovem nos intervalos. No começo havia um monólogo, só o professor falava. Aos poucos, ele começou a envolver o aluno, a brincar e a levá-lo para tomar sorvete. Professor e aluno construíram uma ponte entre seus mundos. Você já construiu alguma vez uma ponte como esta com as pessoas difíceis?

O professor descobriu que o pai do rapaz era alcoólatra e espancava tanto ele como a mãe. Compreendeu que o jovem, aparentemente insensível, já tinha chorado muito, e agora suas lágrimas estavam secas. Entendeu que sua agressividade era uma reação desesperada de quem estava pedindo ajuda. Só que ninguém decifrava sua linguagem. Seus gritos eram surdos. Era muito mais fácil julgá-lo.

A dor da mãe e a violência do pai produziram zonas de conflitos na memória do rapaz. Sua agressividade era um eco da agressividade que recebia. Ele não era réu, era vítima. Seu mundo emocional não tinha cores. Não lhe deram o direito de brincar, sorrir e ver a vida com confiança. Agora, estava perdendo o direito de estudar, de ter a única chance de ser um grande homem. Estava para ser expulso.

Ao tomar conhecimento da situação, o professor começou a conquistá-lo. O jovem sentiu-se querido, apoiado e valorizado. O professor começou a educar-lhe a emoção. Ele percebeu, logo nos primeiros dias, que por trás de cada aluno arredio, de cada jovem agressivo, há uma criança que precisa de afeto.

Não demorou muitas semanas para todos estarem espantados com a sua mudança. O rapaz revoltado começou a respeitar. O garoto agressivo começou a ser afetivo. Ele cresceu e se tornou um adulto extraordinário. E tudo isso porque alguém não desistiu dele.

Todos querem educar jovens dóceis, mas são os que nos frustram que testam nossa qualidade de educadores. São seus filhos complicados que testam a grandeza do seu amor. Seus alunos insuportáveis é que testam seu humanismo.

Pais brilhantes e professores fascinantes não desistem dos jovens, ainda que eles os decepcionem e não lhes dêem retorno imediato. Paciência é o seu segredo, a educação do afeto é sua meta.

Gostaria que vocês acreditassem que os jovens que mais os decepcionam hoje poderão ser os que mais lhes darão alegria no futuro. Basta investir neles.

6
Não cumprir com a palavra

Havia uma mãe que não sabia dizer "não" a um filho. Como não suportava as reclamações, birras e tumultos do menino, queria atender a todas as suas necessidades e reivindicações. Mas nem sempre conseguia, e, para evitar transtornos, ela prometia o que não podia cumprir. Tinha medo de frustrar o filho.

Essa mãe não sabia que a frustração é importante para o processo de formação da personalidade. Quem não aprende a lidar com perdas e frustrações nunca irá amadurecer. A mãe evitava transtornos momentâneos com o filho, mas não sabia que estava preparando uma armadilha emocional para ele. Qual foi o resultado?

Esse filho perdeu o respeito pela mãe. Ele passou a manipulá-la, explorá-la e discutir intensamente com ela. A história é triste, pois o filho só valorizava a mãe pelo que ela tinha e não pelo que ela era.

Na sua fase adulta, esse menino teve graves conflitos. Por ter passado a vida vendo a mãe dissimulando e não cumprindo a sua palavra, ele projetou no ambiente social uma desconfiança fatal. Desenvolveu uma emoção insegura e paranóica, achava que todo mundo queria enganá-lo e puxar o seu tapete. Tinha idéias de perseguição, não conseguia fazer amizades estáveis, nem parar nos empregos.

As relações sociais são um contrato assinado no palco da vida. Não o quebre. Não dissimule suas reações. Seja honesto com os jovens. Não cometa esta falha capital. Cumpra o que prometer. Se não puder, diga "não" sem medo, mesmo que seu filho esperneie. E se você errar nessa área, volte atrás e peça desculpas. As falhas capitais na educação podem ser solucionadas quando corrigidas rapidamente.

A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído.
7
Destruir a esperança e os sonhos

0 maior pecado capital que os educadores podem cometer é destruir a esperança e os sonhos dos jovens. Sem esperança não há estrada, sem sonhos não há motivação para caminhar. O mundo pode desabar sobre uma pessoa, ela pode ter perdido tudo na vida, mas, se tem esperança e sonhos, ela tem brilho nos olhos e alegria na alma.

Havia um certo pai muito ansioso. Ele tinha elevada cultura acadêmica. Na sua universidade todos o respeitavam. Mostrava serenidade, eloqüência e perspicácia em decisões que não envolviam emoção. No entanto, quando contrariado, bloqueava sua memória e reagia agressivamente. Isso acontecia principalmente quando chegava em casa. No seu departamento era sóbrio, mas em casa era um homem insuportável.

Não tinha paciência com seus filhos. Não tolerava o mínimo desapontamento. Quando ficou sabendo que um deles começara a usar drogas, suas reações, que já eram ruins, ficaram péssimas. Em vez de abraçá-lo, ajudá-lo e encorajá-lo, passou a destruir a esperança do filho. Dizia "Você não vai virar nada na vida", "Você se tornará um marginal".

O comportamento do pai deprimia ainda mais o filho e o levava mais fundo para o calabouço das drogas. Infelizmente o pai não parava por aí. Além de destruir a esperança do rapaz, obstruía-lhe os sonhos, bloqueava sua capacidade de encontrar dias felizes. Dizia: "Você não tem solução", "Você só me dá desgosto".

Algumas pessoas íntimas desse pai achavam que ele tinha dupla personalidade. Mas do ponto de vista científico não existe dupla personalidade. O que existem são dois campos distintos de leitura da memória lidos em ambientes distintos, resultando na produção de pensamentos e reações completamente distintos.

Muitas pessoas são um cordeiro com os de fora e um leão com os membros da família. Por que esse paradoxo? Porque, com os de fora, elas se freiam e não abrem certas favelas da memória, ou seja, os arquivos que contêm zonas de conflitos. Com os mais íntimos, essas pessoas perdem o freio do consciente e abrem as favelas do inconsciente. Nesse momento vêm à tona a raiva, a insensatez, a crítica obsessiva.

Esse mecanismo está presente em maior ou menor grau em todas as pessoas, mesmo nas mais sensatas. Todos temos tendência a ferir as pessoas que mais amamos. Mas não podemos concordar com isso. Caso contrário, corremos o risco de destruir os sonhos e a esperança das pessoas que mais nos são caras.

Os jovens que perdem a esperança têm enormes dificuldades para superar seus conflitos. Os que perdem seus sonhos serão opacos, não brilharão, gravitarão sempre em torno de suas misérias emocionais e suas derrotas. Crer no mais belo amanhecer depois da mais turbulenta noite é fundamental para ter saúde psíquica. Não importa o tamanho dos nossos obstáculos, mas o tamanho da motivação que temos para superá-los.

Um dos maiores problemas na psiquiatria não é a gravidade de uma doença, seja ela uma depressão, fobia, ansiedade ou fármaco-dependência, mas a passividade do eu. Um eu passivo, sem esperança, sem sonhos, deprimido, conformado com suas mazelas, poderá carregar os seus problemas até o túmulo. Um eu ativo, disposto, ousado pode aprender a gerenciar os pensamentos, reeditar o filme do inconsciente e fazer coisas que ultrapassam nossa imaginação.

Os psiquiatras, os médicos clínicos, os professores e os pais são vendedores de esperança, mercadores de sonhos. Uma pessoa só comete suicídio quando seus sonhos se evaporam, sua esperança se dissipa. Sem sonhos não há fôlego emocional. Sem esperança não há coragem para viver.


PARTE 4
OS CINCO PAPÉIS DA MEMÓRIA HUMANA

Se o tempo envelhecer o seu corpo mas não envelhecer a sua emoção, você será sempre feliz.
Memória: caixa de segredos da personalidade

A memória é o terreno onde é cultivada a educação. Mas será que a ciência desvendou os principais papéis da memória? Pouco! Muitas áreas permaneceram desconhecidas. Milhões de professores no mundo estão usando a memória inadequadamente. Por exemplo, existe lembrança? Muitos professores e psicólogos juram que sim. Mas não há lembrança pura.

O registro da memória depende da vontade humana? Muitos cientistas pensam que sim. Mas estão errados. O registro é automático e involuntário. A memória humana pode ser deletada como a dos computadores? Milhões de usuários dessas máquinas crêem que sim. Mas é impossível deletá-la.

A memória é a caixa de segredos da personalidade. Tudo o que somos, o mundo dos pensamentos e o universo de nossas emoções são produzidos a partir dela. Nossos erros históricos relativos à memória parecem coisa de ficção. Há milênios atribuímos à memória funções que ela não tem.

Precisamos compreender cinco papéis fundamentais do magnífico território da memória para podermos encontrar ferramentas para reconstruir a educação, revolucionar seus conceitos. Esses papéis estão na construção do saber e do aprender.

Farei uma abordagem sintética. Quem quiser se aprofundar nesses assuntos, sugiro consultar meu livro Inteligência Multifocal (Cury, 1998).


1
O registro na memória é involuntário

Certa vez, um homem teve um atrito com um colega de trabalho. Achou que foi tratado com a maior injustiça. Disse ao colega que o riscaria da sua vida. Fez um esforço enorme para se livrar dele. Mas quanto mais tentava esquecê-lo, mais pensava nele, mais reconstruía o sentimento de injustiça. Por que ele não conseguiu cumprir sua promessa? Porque o registro é automático, não depende da vontade humana.

A rejeição de uma idéia negativa poderá nos fazer escravos dela. Rejeite uma pessoa, e ela dormirá com você, estragando seu sono. Perdoá-la fica emocionalmente mais barato. Como vimos, nos computadores o registro depende de um comando do usuário. No ser humano, o registro é involuntário, realizado, como já vimos, pelo fenômeno RAM (registro automático da memória).

Cada idéia, pensamento, reação ansiosa, momento de solidão, período de insegurança são registrados em sua memória e farão parte da colcha de retalhos da sua história existencial, do filme da sua vida.

Algumas implicações desse papel da memória:

Cuidar do que pensamos no palco da nossa mente é cuidar da qualidade de vida.

Cuidar do que sentimos no presente é cuidar do futuro emocional, do quanto seremos felizes, tranqüilos e estáveis.

A personalidade não é estática. Sua transformação depende da qualidade de arquivamento das experiências ao longo da vida. É possível adoecer em qualquer época da vida, mesmo tendo uma infância feliz. Uma criança alegre pode se tornar um adulto triste, e uma criança triste e traumatizada pode se tornar um adulto alegre e saudável.

A qualidade das informações e experiências registradas poderá transformar a memória num solo fértil ou num deserto árido, sem criatividade.

2

A emoção determina a qualidade do registro

Um psicólogo clínico pediu a um paciente que contasse detalhes do seu passado. O paciente se esforçou, mas só conseguiu falar das experiências que o marcaram. Vivera milhões de experiências, mas só conseguiu falar de algumas dezenas.

O psicoterapeuta achou que ele estava bloqueado ou dissimulando. Na realidade, o paciente estava correto. Nós só conseguimos dar detalhes das experiências que envolvem perdas, alegrias, elogios, medos, frustrações. Porquê? Porque a emoção determina a qualidade do registro. Quanto maior o volume emocional envolvido em uma experiência, mais o registro será privilegiado e mais chance terá de ser resgatado.

Onde ele é registrado? Na MUC, que é a memória de uso contínuo ou memória consciente. As experiências tensas são registradas no centro consciente, e a partir daí serão lidas continuamente. Com o passar do tempo, elas vão sendo deslocadas para a periferia inconsciente da memória, chamada de ME, memória existencial.

Em alguns casos, o volume de ansiedade ou sofrimento pode ser tão grande que provoca um bloqueio da memória. Este bloqueio é uma defesa inconsciente que evita o resgate e a reprodução da dor emocional. E o caso das experiências que envolvem acidentes ou traumas de guerras. Algumas crianças sofreram tanto na infância, que não conseguem recordar esse período de sua vida.

Normalmente as experiências com alta carga emocional ficam disponíveis para serem lidas e gerarem milhares de novos pensamentos e emoções. Uma ofensa não-trabalhada pode estragar o dia ou a semana. Uma rejeição pode encarcerar uma vida. Uma criança que fica presa num quarto escuro pode desenvolver claustrofobia. Um vexame em público pode gerar fobia social.

Algumas implicações da relação da emoção que interferem no registro da memória:

- Ensinar a matéria estimulando a emoção dos alunos desacelera o pensamento, melhora a concentração e produz um registro privilegiado.

- Os professores e os pais que não provocam a emoção dos jovens não educam, apenas informam.

- Dar conselhos e orientações sem emoção não gera "momentos educacionais" no mercado da memória.

- Pequenos gestos que geram intensa emoção podem influenciar mais a formação da personalidade das crianças do que os gritos e pressões.

- As brincadeiras discriminatórias e os apelidos pejorativos feitos em sala de aula podem gerar experiências angustiantes capazes de produzir graves conflitos.

- Proteger a emoção é fundamental para se ter qualidade de vida.

3
A memória não pode ser deletada

Nos computadores, a tarefa mais simples é deletar ou apagar as informações. No homem, isso é impossível, a não ser quando há lesões cerebrais. Você pode tentar com todas as suas forças apagar seus traumas, pode tentar com toda a sua habilidade destruir as pessoas que o decepcionaram, bem como os momentos mais difíceis de sua vida, mas não terá êxito.

A única possibilidade de resolver nossos conflitos, como vimos, é reeditar os arquivos da memória, através do registro de novas experiências sobre as experiências negativas, nos arquivos onde elas estão armazenadas. Por exemplo, a segurança, a tranqüilidade e o prazer devem ser arquivados nas áreas da memória que contenham experiências de insegurança, ansiedade, humor triste.

Para reeditar o filme do inconsciente existem muitas técnicas, sejam técnicas cognitivas que atuam nos sintomas, sejam técnicas analíticas que atuam nas causas.

O ideal é unir as duas. Uma excelente maneira de uni-las é gerenciar os pensamentos e as emoções. Deste modo, deixaremos de ser marionetes dos nossos conflitos e passaremos a ser diretores do teatro de nossa mente.

Algumas implicações desse papel da memória:

? Tudo o que pensamos ou sentimos será registrado e fará parte do tecido da nossa história, quer queiramos ou não.
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   13

similar:

Pais brilhantes, professores fascinantes iconE L pais

Pais brilhantes, professores fascinantes iconSelección del país

Pais brilhantes, professores fascinantes iconEl país de la tierra negra Prólogo

Pais brilhantes, professores fascinantes iconIslandia: un país “subprime”- historia de una utopía

Pais brilhantes, professores fascinantes iconResumen de la Lectura #1: Somos un país de montanas tropicales

Pais brilhantes, professores fascinantes iconLas bebidas azucaradas engordan a los niños el paíS

Pais brilhantes, professores fascinantes iconOriegenes y evaluacion histórica del desarrollo de la orientación en nuestro pais

Pais brilhantes, professores fascinantes iconOriegenes y evolucion histórica del desarrollo de la orientación en nuestro pais

Pais brilhantes, professores fascinantes icon¡Fuera ministro genocida yanqui Robert Gates de nuestro país y de Latinoamérica!

Pais brilhantes, professores fascinantes icon“Una nueva era en la microbiología” el país the New York Times 11 de septiembre de 2011




Todos los derechos reservados. Copyright © 2019
contactos
b.se-todo.com