Pais brilhantes, professores fascinantes




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? Diariamente podemos plantar flores ou acumular lixo no solo da memória.

? Como não é possível deletar o passado, a grande possibilidade de incorporar novas características de personalidade e superar traumas e transtornos emocionais é reeditar o filme do inconsciente.

? Reeditar o filme do inconsciente ou reescrever a memória é construir novas experiências que serão arquivadas no lugar das antigas.

? A educação que varreu os séculos não compreendeu que se reeditarmos o filme do inconsciente de maneira inteligente seremos autores da nossa história. Caso contrário, seremos vítimas das nossas mazelas.

4
O grau de abertura das janelas da memória depende da emoção

A emoção não apenas determina se um registro será frágil ou privilegiado, mas determina o grau de abertura dos arquivos num determinado momento.

O acesso à memória dos computadores é livre. Na inteligência humana este acesso tem que passar pela barreira da emoção. Se uma pessoa está tranqüila ou ansiosa, o grau de abertura da sua memória e, conseqüentemente, sua capacidade de pensar estarão afetados por essas emoções.

Um executivo pode preparar bem uma palestra para os diretores da sua empresa, mas no momento da apresentação pode truncar sua exposição por causa da ansiedade. Atendi muitas pessoas cujas mãos ficam secas quando elas estão sozinhas, mas, ao cumprimentar os outros, ficam frias e úmidas. O excesso de tensão inibe intelectualmente essas pessoas quando têm que falar em público.

A memória humana não está disponível quando queremos. Quem determina a abertura dos arquivos da memória é a energia emocional que vivemos a cada momento. O medo, a ansiedade e o estresse travam os arquivos e bloqueiam os pensamentos.

Algumas implicações derivadas da relação da emoção com a abertura da memória:

- A tranqüilidade abre as janelas da memória e leva as pessoas a serem mais eficientes num concurso ou numa reunião de trabalho.

- A ansiedade pode comprometer o desempenho intelectual. Alunos bem-preparados podem ir pessimamente numa prova se estiverem nervosos.

- Uma pessoa tensa ou ansiosa está apta para reagir instintivamente e não para aprender.

- Para ajudar ou corrigir uma pessoa tensa, devemos primeiro conquistar sua emoção para depois conquistar sua razão.

5
Não existe lembrança pura

Há milênios, construímos escolas, acreditando que existe lembrança. A máxima da educação mundial é "ensinar para lembrar e lembrar para aplicar". Todavia, depois de muitos anos de pesquisa sobre os papéis da memória e o funcionamento da mente, estou convicto de que não existe lembrança pura do passado, mas reconstrução com micro ou macro diferenças.

Já dei uma prova disso. Se você procurar tentar lembrar-se dos milhares de pensamentos que produziu na semana passada, é provável que não resgate nenhum com a cadeia exata de verbos, pronomes e substantivos. Mas, se resgatar as pessoas e os ambientes com os quais se relacionou, reconstruirá milhares de novos pensamentos, mas não exatamente o que pensou.

Do mesmo modo, se tentar recordar o dia mais triste ou mais alegre da sua vida, não vai resgatar os mesmos pensamentos e reações emocionais daquele momento. Você poderá reconstruir pensamentos e emoções próximos, mas não exatamente os mesmos que sentiu. O que isso demonstra? Que a memória é especialista em nos fazer criadores de novas idéias.

O passado é um grande alicerce para edificarmos novas experiências, e não para vivermos em função dele. Toda vez que vivemos em função do passado, obstruímos a inteligência e adoecemos, como é o caso das perdas e dos ataques de pânico não superados. Felizmente nada é estático na psique, tudo pode ser superado e reconstruído.

Quando você recorda uma experiência que teve com um amigo de infância, uma brincadeira na escola ou um trauma emocional, essa recordação nunca é uma lembrança pura que contém todos os pensamentos e reações emocionais que você vivenciou na época. Ela sempre será uma reconstrução mais próxima ou distante da experiência original.

A reconstrução do passado sofre a influência de "cores e sabores" do presente, ou seja, de algumas variáveis, tais como o estado emocional e o ambiente social em que estamos. Se estivermos numa festa e recordarmos uma experiência em que fomos rejeitados, talvez sintamos apenas uma leve dor ou até acharemos graça no fato. O ambiente social se tornou uma variável que desfigurou a reconstrução.

Sua memória não é uma máquina de repetição de informações, como os pobres computadores. Ela é um centro de criação. Liberte-se! Seja criativo!

Algumas implicações e conseqüências do fato de não existir lembrança pura:

- As provas escolares fechadas não medem a arte de pensar. Às vezes, elas anulam o raciocínio de alunos brilhantes.

- A quantidade exagerada de informações dadas na escola é estressante.

-A maioria das informações se perde nos labirintos da memória e nunca mais será recordada.

- O modelo escolar que privilegia a memória como depósito de conhecimento não forma pensadores, mas repetidores.

- O objetivo fundamental da memória é dar suporte para um raciocínio criativo, esquemático, organizacional, e não para lembranças exatas.


PARTE 5
A ESCOLA DOS NOSSOS SONHOS

Quanto melhor for a qualidade da educação,

menos importante será o papel da psiquiatria

no terceiro milênio.
O projeto escola da vida

Os papéis da memória expostos aqui sinteticamente, bem como os hábitos dos educadores brilhantes e fascinantes, produzirão dez ferramentas ou técnicas psicopedagógicas que podem ser aplicadas pelos pais e principalmente pelos professores.

Muitos educadores no mundo todo dizem que não há nada de novo na educação. Creio que aqui será apresentado algo novo e impactante. Essas técnicas contribuem para mudarmos para sempre a educação. Elas constituem o projeto escola da vida e podem gerar a educação dos nossos sonhos. Podem promover o sonho do construtivismo de Piaget, da arte de pensar de Vigotsky, das inteligências múltiplas de Gardner, da inteligência emocional de Goleman.

As técnicas não envolverão mudanças no ambiente físico e no material didático adotado, mas no ambiente social e psíquico dos alunos e dos professores. A aplicação dessas técnicas na escola depende do material humano: do treinamento dos professores e da mudança da cultura educacional.

Elas objetivam a educação da emoção, a educação da auto-estima, o desenvolvimento da solidariedade, da tolerância, da segurança, do raciocínio esquemático, da capacidade de gerenciar os pensamentos nos focos de tensão, da habilidade de trabalhar perdas e frustrações. Enfim, formar pensadores.

1

Música ambiente em sala de aula

Objetivos desta técnica: desacelerar o pensamento, aliviar a ansiedade, melhorar a concentração, desenvolver o prazer de aprender, educar a emoção.
J.C. nasceu prematuro. Como toda criança prematura, não teve tempo para se encaixar no colo uterino e ficar um mês quietinho se preparando para as turbulências da vida. Nasceu de sete meses, quando ainda fazia malabarismos dentro do útero da mãe. Nasceu com toda energia.

Os estímulos do meio ambiente o perturbavam. Desenvolveu uma ansiedade intensa e se tornou uma criança hiperativa. Tenho observado que muitos prematuros se tornam hiperativos. A hiperatividade deles não é genética, mas decorre da falta de psicoadaptação emocional, tão importante no final da gestação. A psicoadaptação se dá quando o bebê mal cabe dentro do útero, e por isso tem de desacelerar seus movimentos e aprender a relaxar.

Quando criança, J.C. não conseguia se aquietar na carteira. Era agitado, tenso, repetia os erros, tumultuava a classe. Nada o tranqüilizava, nem as broncas dos adultos. Ele não era assim porque queria. Tinha uma necessidade vital de perturbar o ambiente para aliviar a sua ansiedade. Concentração? Era um artigo raro. Só se concentrava naquilo que o interessava muito. Mas, como era um garoto esperto, o pouco que se concentrava na aula era suficiente para fazê-lo tirar boas notas.

Com o passar do tempo, ele aprendeu a administrar a sua ansiedade e a ter projetos de vida estáveis. Ele contou com a ajuda de professores que fizeram algumas técnicas que comentarei a seguir. Tornou-se um profissional competente. Como todo hiperativo, tem um pensamento acelerado. Mas sabe o que o ajudou a ser estável: foi a música clássica. Desde a sua infância sua mãe o levou a apreciá-la.

A musica clássica desacelerava seus pensamentos e estabilizava a sua emoção. Exemplos como o de J.C. me ajudaram a compreender o valor da música para modular o ritmo do pensamento. Eis a primeira técnica psicopedagógica: música ambiente durante a exposição das aulas.

Os objetivos da música no funcionamento da mente

Se a emoção determina a qualidade do registro, quando não há emoção a transmissão das informações gera dispersão nos alunos, em vez de prazer e concentração. Se houver música ambiente dentro da sala de aula, de preferência música suave, o conhecimento seco e lógico transmitido pelos professores de matemática, física, química ou línguas ganha uma dimensão emocional. O fenômeno RAM o registrará de maneira privilegiada. Sem a emoção, o conhecimento não possui paladar.

A musica ambiente tem três grandes metas. Primeiro, produzir a educação musical e emocional. Segundo, gerar o prazer de aprender durante as aulas de matemática, física, história. Platão sonhava com o deleite de aprender (Platão, 1985). Terceiro, aliviar a síndrome do pensamento acelerado (SPA), pois aquieta o pensamento, melhora a concentração e a assimilação de informações. A música ambiente deveria ser usada desde a mais tenra infância na sala de casa e na sala de aula. Os efeitos da música ambiente em sala de aula são espetaculares. Relaxam os mestres e animam os alunos. Os jovens amam músicas agitadas porque seus pensamentos e emoções são agitados. Mas depois de ouvir, durante seis meses, músicas tranqüilas, a emoção deles é treinada e estabilizada.

2
Sentar em circulo ou em U

Objetivos desta técnica: desenvolver a segurança, mpromover a educação participativa, melhorar a concentração, diminuir conflitos em sala de aula, diminuir conversas paralelas.

Certa vez, quando eu estava na quinta série do ensino fundamental, minha classe foi dividida em grupos. Cada grupo tinha de apresentar um trabalho na frente da turma. Muitos do meu grupo se recusaram a fazer tal façanha. Eu, mais ousado, fui em frente. Jamais tremi tanto. Minha voz ficou sufocada. Parecia tão fácil falar dentro do meu quarto, mas eu não conseguia coordenar minhas idéias na frente da classe. Hoje dou palestras para milhares de pessoas numa platéia. Mas não foi fácil superar esse conflito.

Por que é tão difícil falar sobre nossas idéias em público? Por que muitos têm dificuldade de estender a mão e fazer perguntas num anfiteatro? Por que algumas pessoas são eloqüentes e seguras para falar com os íntimos mas completamente inibidas para discutir suas opiniões com estranhos ou em grupos de trabalho? Uma das grandes causas é o sistema escolar.

Apesar de parecer tão inofensivo enfileirar os alunos um atrás do outro na sala de aula, esta disposição é lesiva, produz distrações e obstrui a inteligência. O enfileiramento dos alunos destrói a espontaneidade e a segurança para expor as idéias. Gera um conflito caracterizado por medo e inibição.

O mecanismo é o seguinte: quando se está num ambiente social, detona-se um fenômeno inconsciente em frações de segundos, chamado gatilho na memória, que abre certos arquivos que contêm insegurança e bloqueios, gerando um estresse que obstrui a leitura de outros arquivos e dificultando a capacidade de pensar.

As grandes teorias educacionais não estudaram os papéis da memória. Por isso, elas não perceberam que bastam dois anos em que os alunos se sentam enfileirados na escola para gerar um trauma inconsciente. Um trauma que produz um grande desconforto para expressar as opiniões em reuniões, falar "não", discutir dúvidas em sala de aula. Alguns adquirem um medo dramático de receber críticas, e por isso se calam para sempre. Outros são superpreocupados com o que os outros pensam e falam a respeito deles. Você tem este trauma?

A escola clássica gera conflitos nos alunos sem perceber. Além de bloquear a capacidade de argumentar, o enfileira-mento dos alunos coloca combustível na síndrome do pensamento acelerado, a SPA. O pensamento dos alunos vai a mil por hora.

Para os adultos já é difícil suportar a fadiga, a ansiedade e a inquietação da SPA. Agora, imagine para crianças e jovens obrigados a ficar sentados, inertes, e, ainda por cima, tendo como paisagem à sua frente a nuca dos seus colegas de classe? Para não explodir de ansiedade, eles tumultuarão o ambiente, terão conversas paralelas, mexerão com seus amigos. E uma questão de sobrevivência. Não os culpe. Culpe o sistema.

Como resolver esse problema? Fazendo com que os alunos se sentem em meia lua, em U ou em duplo círculo. Eles precisam ver o rosto uns dos outros. Por favor, retirem os alunos da pré-escola à universidade do enfileiramento. Ele fomenta a inércia intelectual.

Educando com os olhos: os escultores da emoção

Guardem esta frase. A sala de aula não é um exército de pessoas caladas nem um teatro onde o professor é o único ator e os alunos, espectadores passivos. Todos são atores da educação. A educação deve ser participativa.

Em minha opinião, um quinto do tempo escolar deveria ser gasto com os alunos dando aulas na frente da classe. Os professores relaxariam nesse período, e os alunos se comprometeriam com a educação, desenvolveriam capacidade crítica, raciocínio esquemático, superariam a fobia social.

Peço aos mestres para darem especial atenção aos alunos tímidos. Eles têm diversos graus de fobia social, de expressar suas idéias em público. Estamos fabricando uma massa de jovens tímidos. Os tímidos falam pouco, mas pensam muito, e às vezes se atormentam com seus pensamentos. Já disse, os tímidos costumam ser ótimos para os outros, mas péssimos para si mesmos. São éticos e preocupados com a sociedade, mas não cuidam da sua qualidade de vida.

Os educadores são escultores da emoção. Eduquem olhando nos olhos, eduquem com gestos: eles falam tanto quanto as palavras. Sentar em forma de U ou em círculo aquieta o pensamento, melhora a concentração, diminui a ansiedade dos alunos. O clima da classe fica agradável e a interação social dá um grande salto.


3
Exposição interrogada: a arte da interrogação

Objetivos desta técnica: aliviar a SPA, reacender a motivação, desenvolver o questionamento, enriquecer a interpretação de textos e enunciados, abrir as janelas da inteligência.

Todo estresse é negativo? Não! O estresse só é negativo quando é intenso, bloqueia a inteligência e gera sintomas. Há um tipo de estresse positivo que abre as janelas da memória e nos estimula a superar obstáculos e resolver dúvidas. Sem este estresse, nossos sonhos se diluem, nossa motivação se esfacela. A educação produz o estresse positivo ou negativo? Freqüentemente negativo! Por quê? Devido à transmissão do conhecimento frio, pronto e sem sabor.

Essa transmissão cria um ambiente sem desafios, aventura e inspiração intelectual. Educar é provocar a inteligência, é a arte dos desafios. Se um professor não conseguir provocar a inteligência dos alunos durante sua exposição, ele não o educou. O que é mais importante na educação: a dúvida ou a resposta? Muitos pensam que é a resposta. Mas a resposta é uma das maiores armadilhas intelectuais. Quem determina o tamanho da resposta é o tamanho da dúvida. A dúvida nos provoca muito mais do que a resposta.

A dúvida é o princípio da sabedoria em filosofia (Durant, 1996). Quanto mais um cientista, um executivo, um profissional duvidam das suas verdades, questionam o mundo ao seu redor, mais eles expandem o mundo das idéias e brilham. Os professores deveriam instigar a mente dos alunos e provocar-lhes a dúvida. Como?
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