Programa de uma filosofia da repetição segundo Kierkegaard, Nietzsche e Péguy 13




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títuloPrograma de uma filosofia da repetição segundo Kierkegaard, Nietzsche e Péguy 13
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Impossibilidade de reconciliar a univocidade e a analogia


Não se poderia conceber uma conciliação entre a analogia e a univocidade? Se o ser é unívoco em si mesmo, enquanto ser, não é "análogo", desde que considerado em seus modos intrínsecos ou fatores individuantes (o que acima denominamos expressantes, designantes)? Se é igual em si mesmo, não é desigual nas modalidades que nele se mantêm? Se designa uma entidade comum, não é para existentes que nada têm realmente em comum? Se tem um estado metafísico de univocidade, não tem ele um estado físico de analogia? E se a analogia reconhece um quase-conceito idêntico, a univocidade, por sua vez, não reconhece um quase-juízo de analogia, mesmo que seja para reportar o ser a estes existentes particulares21? alas tais questões correm o risco de desnaturar as duas teses que elas tentam aproximar, pois o essencial da analogia, como vimos, repousa numa certa cumplicidade (malgrado sua diferença de natureza) entre as diferenças genéricas e especificas: o ser não pode ser afirmado como um gênero comum sem que se destrua a razão pela qual ele é assim afirmado, isto é, a possibilidade de ser para as diferenças específicas... Portanto, não é de estranhar que, do ponto de vista da analogia, tudo se passe em mediação e em generalidade ¾ identidade do conceito em geral e analogia dos conceitos mais gerais ¾ nas regiões médias do gênero e da espécie. Assim, é inevitável que a analogia caia numa dificuldade sem saída: ela deve, essencialmente, reportar o ser a existentes particulares, mas, ao mesmo tempo, não pode dizer o que constitui sua individualidade. Com efeito, retendo no particular apenas aquilo que é conforme ao geral (forma e matéria), ela procura o principio de individuação neste ou naquele elemento dos indivíduos já constituídos. Ao contrário, quando dizemos que o ser unívoco se reporta essencialmente e imediatamente a fatores individuantes, certamente não entendemos estes fatores como indivíduos constituídos na experiência, mas como aquilo que neles age como princípio transcendental, como princípio plástico, anárquico e nômade, contemporâneo do processo de individuação, e que não é menos capaz de dissolver e destruir os indivíduos quanto de constituí-los temporariamente: modalidades intrínsecas do ser, passando de um "indivíduo" a outro, circulando e comunicando sob as formas e as matérias. O individuante não é o simples individual. Nestas condições, não basta dizer que a individuação difere por natureza da especificação. Nem mesmo basta dizê-lo à maneira de Duns Scot, que não se contentava, todavia, em analisar elementos de um indivíduo constituído, mas se alçava à concepção de uma individuação como "última atualidade da forma". É preciso mostrar não só como a diferença individuante difere por natureza da diferença específica, mas, antes e sobretudo, como a individuação precede de direito a forma e a matéria, a espécie e as partes, e qualquer outro elemento do indivíduo constituído. Na medida em que se reporta imediatamente à diferença, a univocidade do ser exige que se mostre como a diferença individuante precede, no ser, as diferenças genéricas, específicas e mesmo individuais ¾ como um campo prévio de individuação no ser condiciona a especificação das formas, a determinação das partes e suas variações individuais. Se a individuação não se faz nem pela forma nem pela matéria, nem qualitativa nem extensivamente, é por já ser suposta pelas formas, pelas matérias e pelas partes extensivas (não só porque ela difere por natureza).

Portanto, não é da mesma maneira que, na analogia do ser, as diferenças genéricas e as diferenças específicas se mediatizam em geral com relação a diferenças individuais e que, na univocidade, o ser unívoco se diz imediatamente das diferenças individuantes ou que, ainda no ser unívoco, o universal se diz do mais singular, independentemente de toda mediação. Se é verdade que a analogia nega que o ser seja um gênero comum, e isto porque as diferenças (específicas) "são", o ser unívoco, inversamente, é comum, na medida em que as diferenças (individuantes) "não são" e não têm de ser. Sem dúvida, veremos que elas não são, mas num sentido muito particular: se elas não são, é porque dependem, no ser unívoco, de um não-ser sem negação. Mas, na univocidade, já aparece que não são as diferenças que são e têm de ser. O ser é que é Diferença, no sentido em que ele se diz da diferença. E não somos nós que somos unívocos num Ser que não o é; somos nós, é nossa individualidade que permanece equivoca num Ser, para um Ser unívoco.
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