Grupo de estudo das obras de andré luiz e




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Catalisador - Diz-se de, ou substância que produz catálise: modificação (em geral, aumento) de velocidade de uma reação química pela presença e atuação de uma substância que não se altera no processo.

Desar - Revés da fortuna; desgraça. Desaire.

Estúrdio - Extravagante, leviano, estróina, doidivanas. Esquisito, excêntrico.

Expungitivo - Adjetivo derivado do verbo expungir: limpar, isentar, livrar; eliminar, derriscar; apagar, delir.

Hebdomadário - Semanal; semanário.

Homiziar - Esconder, encobrir. Dar guarida, abrigo, refúgio ou homizio. Indispor, inimizar, malquistar, intrigar.

Infrene - Sem freio; desenfreado, desordenado, descomedido.

Jarrete - A parte da perna situada atrás da articulação do joelho. Nervo ou tendão da perna dos quadrúpedes; curvilhão.

Neoplasia - Neoplasma: qualquer tumor, benigno ou maligno; blastoma.

Paul - Pântano: terra baixa e alagadiça; charco, brejo, charneca, palude, tremedal.

Praxiterapia - Técnica de tratamento usada com doentes crônicos internados e que consiste na utilização terapêutica do trabalho, distribuindo-se aos pacientes tarefas de complexidade crescente.

Psicossoma - Corpo espiritual ou perispírito, na linguagem espírita.

Recidiva - Reaparecimento de uma doença algum tempo depois do primeiro acometimento; reincidência.

Sandice - Parvoíce, insensatez, tolice. Qualidade, condição ou ação de sandeu: tolo, néscio, estúpido, idiota, parvo.

Soma - Do grego sôma, corpo. O corpo material. O organismo considerado como expressão material, em oposição às funções psíquicas. Conjunto de tecidos do corpo vivo que mantém e transmite o germe, elemento de perpetuação da espécie.

Sopitar - Fazer dormir; adormecer. Adormentar, entorpecer. Acalmar, abrandar, serenar. Alquebrar, enfraquecer, debilitar. Conter, dominar, vencer, sopear. Fazer nascer, ou alimentar esperanças em. Tornar semelhante a uma mulher; efeminar.


2a REUNIÃO
(Fonte: capítulos 4 a 8.)
1. O Espiritismo preenche todas as condições referentes ao Consolador - Fernando, após referir-se aos médiuns que buscam a autopromoção, no serviço da mediunidade, explicou que no passado também ocorriam esses fenômenos, mas em menor escala. Hoje, porém, as frivolidades campeiam, os disfarces e as simulações aumentam, e a indústria dos presentes, isto é, a retribuição aos favores mediúnicos mediante doações diversas, tem-se tornado uma motivação sub-reptícia para o envolvimento dos trabalhadores distraídos, com esquecimento do carinho e devotamento àqueles que não os podem recompensar e são, obviamente, os mais necessitados. “Somos daqueles -- asseverou Fernando -- que consideram úteis todas as religiões dignas e filosofias espiritualistas, necessárias e portadoras de elevadas contribuições para o bem da sociedade. Entretanto, a viagem de retorno de um espírita a uma outra denominação religiosa surpreende-me, ao tempo em que lhe compreendo a conduta. A surpresa decorre do fato de identificar no Espiritismo o Consolador prometido por Jesus, a Ciência que abarca o conhecimento sob diversos matizes, e a Filosofia esclarecedora, lógica, otimista, que propicia uma vivência ideal, seja sob o ponto de vista pessoal ou pelo inter-relacionamento social que proporciona, não havendo razão para quem a conhece desprezá-la.” Lembrando que o Espiritismo impõe ao homem uma vida saudável, sem oferecer recursos para o escapismo insano, Fernando disse que se encontra aí a causa que tem levado muitos confrades à deserção, porque eles talvez prefiram uma religião que atribua menores responsabilidades aos seus profitentes. Miranda ouviu-o, e intimamente concordou com ele. O Espiritismo, pela sua simplicidade -- anotou Miranda --, preenche todas as condições propostas por Jesus a respeito do Consolador prometido, ao mesmo tempo que se fundamenta em uma filosofia de excelente qualidade, cujos postulados têm suas raízes no idealismo de Sócrates e Platão, sem entrar em choque com o pensamento oriental antigo, do qual se derivaram o Bramanismo, o Budismo, o Taoísmo... Considerando o homem um ser integral, faculta-lhe a conquista da plenitude mediante o esforço pessoal, intransferível, acenando-lhe sempre com a possibilidade de conquistar novos e mais elevados patamares na escala evolutiva. A dedicação com fidelidade e firmeza de caráter a qualquer causa, diz Miranda, é sempre grande desafio para o homem, especialmente por exigir-lhe vivência do ideal esposado com tolerância para com todos quantos lhe compartem ou não a opinião. Talvez por isso é que os mentores espirituais revelam grande preocupação com os companheiros encarnados, portadores de responsabilidades na área espírita, que se deixam distrair pelas querelas inúteis e debates injustificáveis na defesa de pontos de vista doutrinários, tomando rumos estranhos pelos desvios de rota e descuidando-se do essencial em favor do secundário. (Reflexões e Expectativas, pp. 39 a 41.)
2. O sinuoso caminho das curas e cirurgias mediúnicas - Iniciado o serviço com dr. Carneiro de Campos, a primeira fase das observações teve lugar em uma Sociedade Espírita na qual se realizavam cirurgias mediúnicas, beneficiando enfermos portadores de patologias variadas. Recebidos de modo afável pelo mentor da Casa, Miranda e seus companheiros notaram que, muito antes do início da reunião, o recinto se encontrava repleto de pessoas ansiosas, bulhentas e inquietas, bem como de Entidades viciosas, perturbadas e zombeteiras, em lamentável promiscuidade psíquica com seus hospedeiros, exsudando miasmas perniciosos que empestavam o recinto com altas cargas de energia negativa. Diante da perplexidade de Miranda, o irmão Vicente explicou: “Nossa Casa foi fundada há mais de uma trintena de anos por abnegados corações, que planejavam dedicar-se à vivência dos postulados espíritas. Estabelecido o projeto e tendo-se em vista a excelência dos propósitos acalentados, fomos destacados para cooperar com esses amigos, de forma que o programa se tornasse realidade. Naquela ocasião, as dificuldades para a materialização da idéia eram muitas, seja pelos preconceitos existentes na cidade, em relação ao Espiritismo, seja pela inexperiência dos mentores do grupo. Todos, porém, uniram-se com devotamento e deram início ao trabalho. Interessados em aprofundar os conhecimentos da Doutrina, para mais e melhor servirem, estabeleceram um roteiro de estudos e, a pouco e pouco, conseguiram uma casa de aluguel, que viriam a adquirir mais tarde, reformando-a, por diversas vezes, para que atendesse às necessidades de crescimento, resultando no bem equipado edifício no qual nos encontramos”. Após ligeira pausa, Vicente prosseguiu: “Alguns dos fundadores já desencarnaram e hoje cooperam conosco, tentando preservar os objetivos iniciais que os emularam ao labor. Sucede, porém, que no último ano, por distração, os atuais administradores, muito preocupados com os fenômenos mediúnicos, em detrimento dos objetivos essenciais da Doutrina, cederam às pressões psíquicas dos Espíritos levianos, e, não obstante as nossas incessantes admoestações e advertências, enveredaram pelo sinuoso caminho das curas e cirurgias mediúnicas, atraindo multidões de necessitados, portadores, porém, de total desinteresse pela cura real, que transformaram o recinto no tradicional pátio dos milagres impossíveis. Diariamente, ou melhor dizendo, especialmente duas vezes por semana, desde a noite de véspera, afluem enfermos de todos os matizes, para a maioria dos quais a doença ainda é a melhor terapêutica de iluminação, desejosos, no entanto, da cura sem responsabilidade e da saúde sem compromisso de elevação moral”. (O médium Davi e o dr. Hermann Grass, pp. 42 e 43.)
3. Um exemplo de simonia mal disfarçada - O mentor da Casa informou ter redobrado esforços para deter a invasão dos Espíritos perniciosos, sem faltar-lhes com a caridade fraternal; todavia, a ambição do sucesso e do estrelismo tomou conta dos companheiros encarnados, o que dificultava o auxílio a eles próprios. E aditou: “Esta a razão de havermos solicitado a ajuda dos amigos que ora nos visitam”. Miranda pôde então observar as instalações do Centro e notou que as construções magnéticas de proteção à Casa e a algumas criaturas permaneciam, mas, em razão do tumulto reinante e das descargas mentais arrojadas, enxameavam as ideoplastias perturbadoras, fazendo com que a psicosfera predominante se caracterizasse pelo baixo teor dos fluidos tóxicos. Obsidiados com profundas parasitoses espirituais apresentavam enfermidades físicas, causadas pelos distúrbios provocados por seus perseguidores, em meio a portadores de cardiopatias graves, paralisias, neoplasias malignas, doenças oculares e respiratórias, numa variada e complexa gama de problemas cármicos, sem possibilidade de solução por motivos óbvios. A leviandade grassava à solta, ao lado da simonia sob disfarce mal cuidado. Uma equipe vendia fichas de atendimento, sob a alegação de que o material utilizado nas cirurgias era de alto custo e o seu volume sobrecarregava a Sociedade, sendo, portanto, justo que os enfermos assumissem parte das despesas com o seu tratamento. Todos anuíam com o absurdo, sem preocupação ética, interessados apenas em resultados que lhes parecessem favoráveis. Atraídos por bem urdida propaganda e pela divulgação através da televisão, que acompanhara algumas das incursões cirúrgicas, de todos os lugares possíveis chegavam aflitos em busca de solução para os seus males físicos, mentais, espirituais e morais. Em dado momento, no salão abarrotado, alguém assomou à mesa sobre um estrado e, após despertar a atenção, arengou: “Está chegando o momento, fazendo-se necessário preparar o ambiente para as curas”. Depois de enunciar algumas palavras desconexas, à guisa de oração, e recitar, sem qualquer emoção, o Pai Nosso, que foi acompanhado em coro, sem nenhuma participação do sentimento, abriu um volume d’ O Evangelho segundo o Espiritismo. Ao fazê-lo, o irmão Vicente encaminhou-lhe a mão, em aparente gesto casual, e ele leu o título da página: “Os falsos profetas da erraticidade”. Foi visível sua reação psíquica à oportuna lição, que advertia sobre a interferência dos Espíritos irresponsáveis na condução dos homens invigilantes. Com má-vontade, como se estivesse a desobrigar-se de algo desagradável, o orador leu a mensagem, entretecendo a seguir comentários que nada tinham a ver com a leitura. Depois, procurou esclarecer os pacientes em relação ao comportamento durante e após as cirurgias mediúnicas, apelando para a dieta alimentar, com proposital olvido da de natureza moral e, sobretudo, da fé que dá merecimento... (O médium Davi e o dr. Hermann Grass, pp. 43 a 45.)
4. Mediunidade sem Doutrina é qual veículo sem freio, rumo ao abismo - O dirigente nem terminara de falar, quando deu entrada no recinto o médium, cercado de protetores encarnados, que o acolitavam com mesuras e delicadezas perfeitamente dispensáveis. O grupo de companheiros era assessorado por Espíritos semelhantes, trêfegos e zombeteiros, que se compraziam tomando parte no séquito inusitado. Vicente esclareceu: “Sim, aquele é o nosso amigo Davi, que se entregou à mediunidade, derrapando, todavia, lamentavelmente, no personalismo doentio e na presunção exacerbada, agora experimentando complexo problema de obsessão com destaque na área da conduta sexual. É o que sucede com freqüência aos portadores de mediunidade, que se obstinam em desconhecer a Doutrina Espírita, que a todos propõe os programas saudáveis da moral e da iluminação íntima. Mediunidade sem Doutrina pode ser comparada a veículo sem freio avançando na direção do abismo. A mediunidade é sempre compromisso de redenção que o Espírito assume antes da reencarnação, especialmente aquela que tem expressão ostensiva, rica de possibilidades para a edificação do bem nos indivíduos. O nosso amigo Davi é consciente das responsabilidades que lhe dizem respeito no exercício mediúnico. Todavia, corrompeu-se, deixando-se subornar pelo dinheiro e presentes valiosos, que lhe despertaram velhas chagas morais do passado, então adormecidas, tais a vaidade, a soberba, a ingratidão e outras... Após vincular-se psiquicamente a hábil cirurgião desencarnado, porém antigo cidadão de péssimos costumes, entregou-se aos tratamentos mediúnicos, sem nenhum respaldo evangélico para sustentar-lhe o comportamento ético. Vivendo a psicosfera do companheiro afim e de outros comparsas, vem tombando no abuso das funções genésicas, asseverando que a mediunidade e a sua prática nada têm a ver com os prazeres atormentados do sexo sem amor...” O irmão Vicente fez pequena pausa e prosseguiu: “Há muitos médiuns, enganados e enganadores, neste momento tortuoso do mundo que, ao invés de moralmente disciplinarem-se, justificam a conduta irregular, dissociando o medianeiro da pessoa, e alegando que, após a desincumbência do ministério, são criaturas iguais às demais, portanto com os mesmos direitos, especialmente na conturbada expressão sexual. Não discrepamos quanto aos direitos dos médiuns ou de outras pessoas, porém não nos podemos esquecer dos seus deveres de homens e mulheres probos, com responsabilidades no campo espiritual, que não podem ser conduzidas com ligeireza moral ou leviandade. A conduta é muito importante, mental e física, seja de quem for, porquanto é através dela que se mantém a sintonia com os Espíritos, conforme também ocorre entre os homens na esfera social”. “Quem conhece a verdade assina compromisso com ela, e todo aquele que se identifica com os postulados da imortalidade deve viver de forma consentânea com essa crença, ou, do contrário, a sua é uma aceitação falsa, destituída de fundamento e legitimidade.” (O médium Davi e o dr. Hermann Grass, pp. 46 e 47.)
5. O melhor amigo de todo médium é sempre a dificuldade - Davi, acrescentou Vicente, procedia de experiências reencarnatórias assinaladas por graves insucessos, tendo investido muitos valores e interferências de Mentores abnegados para lograr a oportunidade que, infelizmente, malbaratava, atraindo conseqüências muito dolorosas para ele mesmo. “Quando se apresentou em nossa Casa -- relatou Vicente --, pedia apoio para atendimento da mediunidade de prova, que o aturdia muito.” Davi era portador de promissoras faculdades de efeitos físicos, psicofonia, clarividência e clariaudiência, que se manifestaram desde a adolescência. Espírito rebelde, porém, embora conduzido a uma Casa Espírita, permitiu-se a indisciplina e o abuso nas atitudes mais simples. Benfeitores Espirituais programados para colaborar com ele, junto dos necessitados, foram lentamente rechaçados nos seus propósitos superiores, por se negar com freqüência aos exercícios de educação moral e emocional, sobrecarregando-se com o excesso de alimentos portadores de altas doses de toxinas e, sobretudo, cedendo espaço mental a vícios danosos que o retinham na ação perniciosa. Com o tempo passou a ingerir alcoólicos, impedindo assim o intercâmbio com aqueles nobres Instrutores, que jamais o abandonaram. Como os espaços de toda natureza nunca permanecem vazios por muito tempo, não faltaram companheiros desencarnados ociosos e vulgares para acorrerem na sua direção preenchendo as suas necessidades, destacando-se o dr. Hermann Grass, que exerceu a Medicina terrestre com atropelos morais e sem a ética conveniente. Cirurgião hábil, dedicara-se ao aborto criminoso, contraindo pesados débitos perante a própria consciência e a Consciência Cósmica. Ao desencarnar, sofrendo amargamente, tornou-se vítima direta de terrível verdugo da Erraticidade mais inferior que o explorava desde antes, fazendo-o mais infeliz. Depois de vários anos de vampirização, complicada pela presença vingadora de algumas de suas vítimas, o ex-médico desvinculou-se do antagonista e passou a ligar-se a Davi, em quem encontrou recursos para reabilitar-se dos delitos através das ações dignificantes que viesse a realizar. No começo, dr. Hermann encontrou estímulos para essa reabilitação, de que se foi descuidando à medida que aumentava o número de necessitados e o caráter do médium se amolentava diante dos resultados materiais obtidos. “O melhor amigo de todo médium, no seu processo de evolução, é sempre a dificuldade, que o impele ao bem, à oração, à meditação, conduzindo-o à humildade”, asseverou o irmão Vicente, lembrando que muitos soçobram nas águas turvas da vaidade e da presunção. No caso de Davi, os Amigos Espirituais, conhecendo-lhe as necessidades emocionais, programaram a reencarnação de Adelaide, antigo afeto a que se vinculava o médium, providenciando-lhe o consórcio matrimonial, para que não experimentasse carência afetiva e pudesse, assim, dedicar-se à mediunidade em regime de plenitude relativa. Da união nasceram dois filhinhos, que estavam, porém, quase esquecidos pelo pai, que se arrependera de haver casado, por considerar o casamento um estorvo aos seus propósitos. (O médium Davi e o dr. Hermann Grass, pp. 47 a 49.)
6. Onde predomina o interesse pelo dinheiro escasseiam as austeridades morais - Aproveitando-se da auréola de paranormal, que deslumbra os ociosos e simplórios, Davi passou à conquista de jovens e senhoras imprevidentes, com o que, incidindo em outro gênero de delitos, caminhava a largos passos para uma tragédia que estava sendo urdida por seus adversários. Enquanto o médium dirigia-se a determinada sala, para preparar-se, o orador prosseguiu, conclamando os interessados à concentração e reiterando que ninguém se esquecesse da doação da espórtula para ajudar a manutenção das obras de caridade da Casa. A Sociedade Espírita, ensina Miranda, horrorizado com o pedido aberrante, é lugar de iluminação da consciência, de enobrecimento moral e ação caridosa. Sem isso, ela se descaracteriza, mundaniza-se e torna-se um clube onde predominam a insensatez, o engodo e a exploração. Onde predomina o interesse pelo dinheiro escasseiam as austeridades morais. Não era, portanto, sem razão que transpirasse perturbação na sala onde o médium se preparava para as atividades mediúnicas. Ideoplastias negativas, clichês mentais e vibriões psíquicos enxameavam no ambiente, tornando-o irrespirável. Igualmente se misturavam os Espíritos em aturdimento constrangedor, alguns tentando interceder pelos familiares enfermos, que aguardavam ajuda, outros em promiscuidade de paixões, gerando um pandemônio de difícil descrição. De súbito, a algazarra cessou. Viu-se, então, entrar no recinto o dr. Hermann Grass, acompanhado por seus auxiliares. Vicente apresentou-lhe o dr. Carneiro de Campos, Fernando e Miranda, informando que os houvera convidado para que participassem das atividades daquela noite. Não ocultando um certo desagrado, dr. Grass agradeceu-lhes a presença, dizendo-se às ordens para quaisquer esclarecimentos em torno do seu trabalho. Compreendendo a gravidade do momento, dr. Carneiro de Campos contornou-a com delicadeza. “O nosso -- disse ele -- é o interesse de aprendizes que buscam aprimorar técnicas socorristas para melhor atendimento das criaturas humanas, e é nesta condição que aqui nos encontramos.” Surpreendido com a elucidação e atingido pela onda mental de simpatia do Benfeitor, dr. Grass desarmou-se emocionalmente, pedindo licença para dar curso ao compromisso assinalado. (O médium Davi e o dr. Hermann Grass, pp. 50 e 51.)
7. Uma lâmpada projetava irradiações semelhantes ao laser, com potencial bactericida - O médium Davi procurou concentrar-se, para entrar em sintonia com o dr. Hermann. A mente em desalinho, repleta de clichês sensuais, impossibilitava-o, porém, de manter o pensamento numa faixa de equilíbrio que lhe propiciasse a dilatação do campo perispiritual, indispensável ao fenômeno da psicofonia e do comando do centro dos movimentos pelo desencarnado. As idéias vulgares cultivadas por ele criavam um envoltório de energia densa, negativa, que impedia a exteriorização parcial do Espírito encarnado e a captação da que provinha do cirurgião espiritual. Da área genésica do médium exteriorizavam-se ondas escuras, saturadas de baixo teor vibratório, traduzindo promiscuidade e cansaço das células geradoras de vitalidade, que se debatiam em luta vigorosa contra agentes psíquicos destruidores que tentavam invadi-las, para desarticular-lhes a mitose e dar início a processos patológicos irreversíveis. O dr. Grass acercou-se do médium e o envolveu com vigorosas vibrações que o alcançaram, rompendo a camada sombria que lhe impossibilitava o perfeito acoplamento psíquico, de modo que o esforço conjugado de ambos resultou em bem-sucedido fenômeno mediúnico. Miranda observou, então, que o médium -- em razão das barreiras a que a sua conduta censurável dera lugar -- convulsionou-se, projetando os olhos um pouco para fora das órbitas, e tomou uma postura diferente da sua personalidade, traindo, desse modo, o domínio do comunicante que lhe obnubilou quase totalmente o centro da consciência. Nesse comenos, os trabalhadores espirituais da Casa, sob o comando de Vicente, estabeleceram as defesas vibratórias até então não conseguidas em razão da perturbação reinante. Eles distenderam telas magnéticas que circundaram a sala, enquanto uma lâmpada projetava irradiações semelhantes ao laser, com potencial bactericida, responsável pela assepsia, anestesia e hemóstase nos pacientes durante a incursão cirúrgica. Simultaneamente, outros Espíritos, que haviam sido médicos na Terra, acercaram-se do cirurgião-chefe, responsabilizando-se por diferentes especialidades, já que o dr. Grass preferia operar as neoplasias, especialmente as de caráter maligno ainda sem metástases, o que lhe facultava dar largas à presunção, apresentando ruidosos espetáculos que divertiam a clientela e perturbavam os facultativos convidados ou que, curiosos, acorriam para acompanhar-lhe as demonstrações. O que deveria ser realizado com unção e respeito, a pretexto de comprovar a imortalidade, convertia-se em cenário para exibição teatral. (O desafio, pp. 52 a 54.)
8. A função da mediunidade não é, como alguns supõem, promover curas - A primeira paciente da noite portava uma pequena tumoração da mama (displasia), que muito a afligia. Receando tratar-se de um câncer, ao contrário do que o médico lhe informara, procurara o recurso espiritual; entretanto, tomada por acentuado desequilíbrio nervoso, a pobre tremia quando se deitou na mesa de curativos, ora transformada em cirúrgica. Dr. Hermann percebeu logo que não havia nenhuma gravidade no caso, o que lhe permitiria uma bela atuação cirúrgica. Tomando, pois, de uma lâmina, e sem desinfetá-la, conseguiu, em poucos minutos, extirpar o pequeno tumor. Exibindo-o, informou que se poderia fazer o estudo patológico e se constataria a presença das células cancerosas. Ato contínuo, atirou-o a um recipiente reservado à coleta das peças extraídas, uniu as bordas da incisão, da qual não brotava sangue, colou esparadrapo, enfaixou com gaze a operada e, todo sorridente diante da aclamação geral, convocou outro paciente. Este era portador de uma catarata que lhe ameaçava a vista esquerda, tal a dimensão que assumira. Assistido por jovem médico oftalmologista desencarnado, membro da equipe, o cirurgião fez a remoção da película opacificada e colocou um chumaço de algodão, preso por esparadrapo sobre o olho, recomendando o curativo para daí a três dias. Desfilaram, na seqüência, quase oitenta pacientes, diferindo em pouco os problemas que os afligiam, sendo que a maioria trazia perturbações psicossomáticas, enquanto alguns outros portavam enfermidades diversas. Não foi, porém, realizada nenhuma cirurgia de grande porte ou em órgãos essenciais e de difícil acesso, embora tal incursão fosse possível. Vicente, notando as dúvidas de Miranda, esclareceu: “O nosso dr. Hermann poderia realizar um trabalho precioso em favor do próximo, imprimindo dignidade ao fenômeno mediúnico e à imortalidade da alma. Afim, moralmente, com o instrumento de que se utiliza, quando constata um grave problema de saúde, que não pode resolver, apela para a informação de que se trata de carma e o paciente deve recorrer à Medicina terrestre, como se não o fossem todos os fenômenos afligentes que procedem do passado remoto ou próximo... Certamente, a função da mediunidade não é de promover curas, como arbitrariamente supõem e pretendem alguns desconhecedores da missão do Espiritismo na Terra. Fossem eles vinculados à Doutrina e seria incompreensível tal comportamento. Entretanto, em uma Sociedade Espírita, a tarefa primacial é a de iluminação da consciência ante a realidade da vida, seus fins, sua melhor maneira de agir, preparando os indivíduos para a libertação do jugo da ignorância, a grande geradora de males incontáveis”. “Apesar disso -- aditou ele --, o amor de Deus permite que nós, os desencarnados, procuremos auxiliar as criaturas humanas, quando enfermas, sem nos entregarmos a injustificável competição com os médicos terrenos, fazendo crer que tudo podemos...” (O desafio, pp. 54 a 56.)
9. São três as condições para que tenhamos na vida saúde e paz - Vicente, após essas explicações, afirmou que as pessoas curadas, como ocorreu ao tempo de Jesus, prosseguem como antes, com raríssimas exceções, retornando quando adquirem novas mazelas e mandando outros enfermos, que se sucedem, em espetáculos lamentáveis. Não cuidam de remover as causas morais das suas doenças mediante a adoção de uma conduta correta, de um trabalho fraternal de socorro, de educação pessoal, de modo que possam entender os fundamentos da vida e, transformados interiormente, contribuam em favor de uma sociedade mais justa e mais feliz. Somente quando o homem assumir suas culpas, delas reabilitando-se; suas responsabilidades, aplicando-as numa vivência correta; e sua consciência, agindo com equilíbrio, é que ocorrerá a sua integração plena na vida com saúde e paz. Utilizando-se dos mecanismos escapistas a que se aferra e escamoteando o dever, apenas logra adiar o enfrentamento dos problemas que gera e das dores que desencadeia. “Ninguém se evade indefinidamente da sua realidade”, asseverou Vicente, acrescentando: “Buscamos auxiliar estes labores que foram instalados em nossa Casa, à nossa revelia, porque os necessitados, embora ignorando os problemas reais que os tipificam, são credores de compaixão e amor, constituindo-nos oportunidade para treinarmos paciência e caridade. Acreditamos, porém, que, em face da conduta do pobre médium, em breve teremos esses serviços interrompidos, quando então retornaremos às bases do compromisso que ficou esquecido”. Miranda, que concordava com as observações do amigo, pensava nisso quando uma agitação infrene seguida de gritaria tomou conta do recinto. Tratava-se de uma senhora de parcos recursos econômicos, visivelmente mediunizada, em largo processo de obsessão, que fora trazida à força por vários homens. O suor lhes escorria em bátegas, traduzindo o esforço de que se viam objeto. A aturdida, desgrenhada, com os olhos um tanto fora das órbitas, as mãos crispadas, a boca em rictos de crueldade, pálida e anêmica pela demorada vampirização que padecia, gargalhou, zombeteira, quando foi atirada na direção do dr. Hermann. “Eu o conheço, charlatão”, gritou a Entidade incorporada, com voz estentórica. (O desafio, pp. 56 e 57.)
10. No confronto com o obsessor, o cirurgião se vê impotente - Os dois Espíritos -- o que subjugava a pobre mulher e o cirurgião-chefe -- viam-se um ao outro, sem necessidade do instrumento ocular dos médiuns. Dr. Hermann aplicou-lhe então ruidosa bofetada, desculpando-se ante a platéia: “Trata-se de um episódio histérico e este é o melhor recurso disponível no momento”. O obsessor, indiferente ao golpe que a sensitiva sofreu, sem o temer, voltou à carga, explodindo: “Venho desmascará-lo e demonstrar que você não tem força para afastar-me daqui. Eu o conheço. Por isso, impedi que a trouxessem antes, e ao aquiescer agora, resolvi enfrentá-lo... Vamos, expulse-me, se pode...” A situação era constrangedora. O médico, então, irritado, solicitou a uma das auxiliares que lhe trouxesse determinado medicamento com alta dose sonífera, e, amargando revolta, aplicou-o no músculo da enferma espiritual. Contava com resultado favorável, o que não aconteceu, porquanto o adversário blasonou: “Eu consigo neutralizar a ação da droga, e ela não ficará entorpecida”. Aturdido e sem nada poder fazer, o cirurgião impôs aos auxiliares: “Retirem essa louca daqui e mandem interná-la para sonoterapia. A sua alienação necessita de tratamento prolongado, o que não pode ser feito em tais circunstâncias neste local”. A mulher foi arrastada e conduzida para fora do recinto, enquanto o seu agressor espiritual gargalhava... Dr. Hermann, contudo, dando mostras de hábil histrião, passou a desviar a preocupação dos presentes, provocando riso e colocando o lamentável incidente em plano secundário. (O desafio, pp. 58 e 59.)
11. O verdadeiro templo é o coração, de onde procedem as boas e as más ações - Finda a sessão, Miranda interrogou o dr. Carneiro de Campos a respeito do incidente: “Por que o dr. Hermann não conseguiu silenciar e afastar do recinto o atormentado obsessor que o veio perturbar?” -- “Caro Miranda -- respondeu-lhe, sereno -- recordemos que o nosso médico, não obstante os seus respeitáveis títulos como hábil cirurgião e generoso trabalhador, ainda não adquiriu os requisitos honoráveis da humildade e do amor, que credenciam o ser com forças morais para tentames dessa natureza. Mencionemos que Jesus, após retirar o Espírito imundo que atazanava o jovem, cujo pai Lhe solicitara ajuda ao descer do Tabor, quando interrogado pelos discípulos sobre a razão pela qual Ele o lograra e não eles, obtemperou com bondade: -- Porque para esta classe de Espíritos são necessários jejum e oração, o que hoje traduzimos como conduta reta e comunhão com Deus em atos de enobrecimento. Não desconsideramos os valores que exornam o caráter do nosso amigo, todavia, a escada do progresso moral se caracteriza pela infinidade de degraus e patamares, nos quais se demoram todos aqueles que buscam a ascensão.” Miranda redargüiu: “Não estamos em um templo espírita, onde a presença do Bem, as vibrações da prece e as bênçãos da caridade geram uma psicosfera superior? Como se pôde adentrar nele o perturbador consciente?” O Benfeitor espiritual esclareceu: “O verdadeiro templo é o coração, de onde procedem as boas como as más ações, parafraseando Jesus. Entendamos aqui o coração como símbolo representativo dos sentimentos. Se ele não se encontrar em harmonia, o lugar onde se esteja poderá criar condições para a paz, não, porém, para impedir os tormentos de quem os tem. Vejamos: um paciente com várias ulcerações, ao adentrar-se em um hospital e demorar-se num recinto assepsiado, frui de bem-estar, sem dúvida, não se liberando, entretanto, das feridas que carrega. Assim, a Casa onde nos encontramos possui defesas e barreiras magnéticas de proteção, mas estas não impedem que os hospedeiros de obsessão carreguem os seus comensais e lhes atravessem as áreas guardadas... Sabemos que as fixações profundas nos centros mentais não são de fácil liberação. Isto posto, embora os invasores, como no caso em tela, logrem ultrapassá-las, sentem-lhes as constrições impeditivas, no entanto são arrastados pelo ímã psíquico das suas vítimas”. “Não seja, portanto, de estranhar esta como outras ocorrências semelhantes. O que podemos interceptar são as invasões dos assaltantes desencarnados, quando investem, a sós ou em grupos, sem o contributo da energia mental dos que lhes compartem os interesses no corpo físico.” (Comprometimentos negativos, pp. 60 e 61.)
12. Davi pensava que seu êxito material era um sinal de apoio do Alto - Dadas as explicações necessárias, dr. Carneiro aludiu, a seguir, aos problemas psíquicos e éticos gerados naquela Casa pelas atitudes do dr. Hermann, o que vinha tornando difícil a manutenção dos antigos níveis de harmonia vibratória, comuns na instituição antes das suas cirurgias. Foi por isso que, desafiado pelo agressor espiritual e ciente dos seus limites, sem a humilde necessária para a prece e a súplica a Deus com unção, ele fugiu para a atitude descaridosa, agressiva e infeliz que, pouco antes, todos presenciaram. Quando Davi e sua corte saíram do Centro, findos os trabalhos, os enfermos não atendidos tentaram alcançar o médium, suplicando-lhe socorro em total desvario, invertendo os objetivos da vida e esquecidos de Deus, enquanto ele, embora gentil, se desembaraçava dos que lhe pareciam cansativos e desagradáveis. Fora das defesas vibratórias da Casa encontrava-se uma turbamulta constituída de desencarnados de vários portes: doentes, perturbados, zombeteiros, escarnecedores e obsessores, em um pandemônio ensurdecedor, em que não faltavam blasfêmias, motejos e agressões. O tráfego na rua era igualmente confuso. As duas esferas da vida misturavam-se, sem que os encarnados se apercebessem da ocorrência, uns atropelando aos outros. Logo que o grupo atravessou as fronteiras de defesa espiritual, as Entidades assaltaram os descuidados, umas arremetendo acusações insensatas, outras utilizando-se de arengas e zombarias -- e Davi era o alvo preferido, embora seus aficionados não escapassem à sanha geral. Davi, porque dotado de maior sensibilidade, experimentou a psicosfera pestífera e, ao absorver os fluidos de um adversário que se lhe acercou, sentiu-se ligeiramente aturdido. Os amigos não lhe perceberam o palor da face, nem a sudorese viscosa que subitamente o dominaram. O fenômeno vinha ocorrendo amiúde e ele sabia que algo estava em desajuste. Contudo, a fascinação de que era objeto e a prosápia que passou a fazer parte de sua conduta não lhe permitiram reagir positivamente, conforme deveria fazer, seguindo a recomendação do Evangelho a respeito da vigilância e da oração. No silêncio que se fez no veículo, o médium começou a reflexionar, direcionado por antigo Benfeitor espiritual que o emulara à tarefa. Lúcido, ele sabia dos gravames que colocava no ministério, mas se sentia hipnotizado pelo luxo e prazer. Sua jornada fora rápida, desde o lar modesto à mansão onde agora residia. Seus negócios prosperavam, os investimentos davam lucros, todos, no entanto, ou quase todos eram frutos ácidos da simonia a que se entregava. Assim mesmo, acreditava que seu sucesso era um sinal de apoio do Alto, porque, do contrário, o êxito material não o acompanharia... Davi confundia, desse modo, ostentação com triunfo, esquecido de que triunfo é o que o homem consegue sobre si próprio e se manifesta como harmonia e equilíbrio emocional. (Comprometimentos negativos, pp. 62 a 64.)
13. O Benfeitor procura ajudá-lo, mas o médium titubeia e depois se esquiva - O Amigo espiritual, valendo-se do momento, acercou-se mais e insuflou-lhe idéias positivas, afastando psiquicamente o adversário. Davi recordou-se, então, da genitora desencarnada, que foi atraída no momento, e ela -- que o conduzira nos primeiros tentames da mediunidade --, tocando-lhe o centro da memória, levou-o a recordar-se das experiências cirúrgicas iniciais, quando ele se havia comprometido à ação da caridade com as mãos limpas no serviço do bem. Com as lembranças ativadas por sua mãe e por Ernesto, o Amigo referido, Davi volveu ao momento da primeira recompensa em dinheiro. Havia terminado o socorro a uma jovem de família rica, portadora de neoplasia maligna, que operara com excelente resultado. Ao despedir-se dos seus genitores, o pai, acostumado a tudo comprar, ofereceu-lhe um cheque de alto valor. Tentando recusá-lo, foi vencido pelo argumento cínico do pagante: “Este valor corresponde a algo mais do que você ganha em um ano... Que não receba nada dos pobres, está certo; porém, com este dinheiro, você terá tempo de atender mais, sem necessitar esfalfar-se no trabalho rotineiro que lhe rende uma ninharia... Para mim não é nada, mas para você... Que lhe parece?” Adelaide, a esposa, que acompanhara a cena, acatou o parecer do negociante, dizendo: “É justo! Quem pode, retribui, a fim de que você se dedique de corpo e alma aos que não podem recompensar”. Fora encontrado o argumento, a desculpa para a descida espiritual. As recordações fizeram-no titubear.. Davi teve então desejo de retornar ao lar, livrar-se dos companheiros exploradores e até quis orar, mas o veículo chegara a seu destino -- um hotel de luxo onde iriam jantar com algumas jovens acompanhantes e seus amigos. Como se despertasse de um letargo, sentiu-se estimular e, aguçado nos apetites, atraiu novamente o parceiro espiritual, vampirizador de suas energias. (O dr. Hermann e seus cooperadores, embora não primassem pelo equilíbrio espiritual e se sentissem na atividade mais por dever, não concordavam com os disparates do médium e o ameaçaram, mais de uma vez, de criar-lhe uma situação pública constrangedora, caso não adotasse uma conduta morigerada.) Davi e seu grupo, recebidos no saguão do hotel pelas moças de encontros, foram envolvidos pelo entusiasmo reinante e entregaram-se às sensações que o ambiente propiciava, regalando-se no prazer, enquanto dr. Carneiro de Campos e Miranda ficaram a regular distância da mesa em que eles se encontravam. (Comprometimentos negativos, pp. 64 e 65.)
14. O triunfo mundano é grande empecilho para o progresso espiritual - Descoroçoado ante a reação de Davi, que não lhe aceitou a indução mental, Ernesto comentou: “O triunfo mundano, sem dúvida, é um terrível adversário do homem de bem e grande empecilho para o seu progresso espiritual. Constato que o médium, assoberbado por problemas e dificuldades, sempre se dedica ao ministério com mais fidelidade e renúncia. Por isso mesmo, não há como negar que entre as grandes provações do mundo estão incluídos o poder temporal, a fortuna, a beleza, a inteligência, porque do seu uso depende o futuro do Espírito”. “O nosso descuidado Davi -- acrescentou o Amigo espiritual -- necessita de uma advertência mais enérgica, embora desagradável, a fim de tentarmos despertá-lo.” Dito isto, afastou-se e, quase de imediato, deu entrada na sala de refeições o dr. Hermann, que relanceou o olhar pelo ambiente repleto e acercou-se do médium, no momento em que este ingeria mais uma dose de bebida, abraçado a uma moça atormentada pelo sexo, que já se encontrava estimulada pela bebida, em lastimável estado de parasitose obsessiva. Concentrando-se fortemente, dr. Hermann chamou o médium pelo nome. Este captou-lhe a onda mental e reagiu, negativamente, objetando que aqueles eram os seus momentos de prazer. Afinal, afirmava-se vivo e não desencarnado, portanto com necessidades humanas. Nesse momento, a moça arrastou-o para a pista de dança e, envolvendo-o em languidez, colou seu corpo ao dele. Os vapores alcoólicos tomaram a casa mental do invigilante, que, enquanto rodopiava com a parceira, sentiu aumentar a tontura que já o dominava. O dr. Hermann condensou, então, a energia psíquica e apareceu-lhe, repreendendo-o com veemência e disparando na sua direção uma onda vibratória que o atingiu, produzindo-lhe forte excitação, após o que ele deu um grito e tombou desmaiado. O local ficou tumultuado, mas, acudido pelos garçons e amigos, o infeliz despertou após haver vomitado, padecendo rude dor de cabeça e sem nada recordar do que lhe havia sucedido. Em seguida foi, de imediato, levado para casa, enquanto os demais lamentavam o lauto jantar que não pôde ser concluído. Em casa, uma outra surpresa o aguardava: o filho Demétrio, febril, estava quase delirante. Levado a uma clínica especializada, o pequeno -- portador de uma virose não definida -- ficou internado para observação. O Benfeitor e Miranda aplicaram-lhe recursos terapêuticos após a saída dos pais, que discutiam acaloradamente, recriminando-se um ao outro, ao saírem do estabelecimento. O infortúnio tomava, desse modo, corpo numa família que fora programada para a paz e o progresso, mas que a insensatez e a perturbação esfacelavam. (Comprometimentos negativos, pp. 66 e 67.)


15. Jesus também curava, mas não se detinha nesse exclusivo mister - O irmão Vicente, cientificado do que ocorrera a Davi, membro atuante da Casa que ele administrava espiritualmente, encontrou aí o motivo de que precisava para a tomada de saneadora decisão. Na primeira oportunidade, durante a reunião mediúnica da qual participavam vários diretores da Sociedade, ele foi explícito: “Para o bem de todos, sugerimos que ainda este mês retornemos aos trabalhos de origem que motivaram a criação da nossa Instituição. Consideramos que a caridade das curas do corpo é de grande relevância, mas o nosso compromisso é com a saúde espiritual das criaturas. O nosso é o programa de iluminação das consciências, a fim de que nos não divorciemos da atividade primeira, que é a transformação moral dos homens para melhor, permanecendo nos socorros aos efeitos da inadvertência, da desordem e do desrespeito às leis soberanas da vida. Quem desejar cooperar conosco sob a égide de Jesus, que também curava, mas não se detinha nesse exclusivo mister, fá-lo-á através do programa da caridade plena sem qualquer retribuição, direta ou indiretamente. Amando todos, não teremos exceções, nem exclusivismos. Avançamos para os níveis elevados de libertação, e a nossa é a conquista dos altiplanos íntimos e nobres da vida”. Ao fazer silêncio, um dos beneficiários das cirurgias mediúnicas, pedindo licença, interrogou o Amigo: “Teremos, então, que suspender os trabalhos realizados por Dr. Hermann? E se ele não concordar?” O bondoso Mentor respondeu: “Não pretendemos suspender qualquer atividade, senão volver ao programa inicial que abraçamos. As cirurgias continuarão, porém, de natureza psíquica, no corpo perispiritual, sem alarde, sem a presença dos pacientes, como sempre as houve, pois que o amor de Deus jamais se eximiu de socorrer-nos, mesmo quando a mediunidade ostensiva não realizava essas atividades”. “Quanto ao amigo Hermann não concordar conosco, ou o seu médium também discrepar, certamente eles tomarão providências fora do nosso recinto, que acataremos com prazer. Quando os dois companheiros chegaram aqui, buscando ajudar e ser ajudados, encontraram-nos a postos, de boa vontade, sem objeção. Desse modo, a decisão será deles, porquanto a nossa já está tomada.” Sem perda de tempo, o Diretor Espiritual prosseguiu, esclarecendo a respeito das novas metas a alcançar, enquanto diversos companheiros encarnados, que não concordavam com aquelas atividades cirúrgicas, sentiam-se aliviados, exultantes. (Serviços de desobsessão, pp. 68 e 69.)
16. Notificados da decisão de Vicente, Davi e dr. Hermann decidem fundar nova Casa - O incidente da véspera com o médium Davi ganhou corpo nos comentários maldosos, gerando mal-estar e abrindo mais o fosso da separação conjugal, porta alargada para mais lamentáveis ocorrências futuras. A resolução do irmão Vicente foi notificada a Davi pelo companheiro encarnado presente à reunião, que foi infeliz na forma de expor a questão. O médium, tomado de melindres, ao invés de meditar a respeito da sábia conduta, supondo-se expulso da Casa que o acolhera, sintonizou na faixa da vaidade ferida e aguardou o momento em que seria informado a respeito. Dr. Hermann, por sua vez, assumiu postura equivalente à do médium e inspirou-o à fundação de uma Entidade neutra, na qual pudessem ambos agir sem controle nem observação de outrem. Seriam os únicos responsáveis por ela em ambos os planos da vida, e, em face do livre-arbítrio de que dispunham, estabeleceram as bases para as realizações futuras. Davi considerou, junto a amigos a quem convidou para o tentame, que dinheiro e cooperadores não eram problemas... Não se recordou de referir-se à condição essencial, em empreendimento de tal monta, que é o respeito à vida em toda a sua magnitude, e este, sim, faltaria com certeza. Desse modo, quando os diretores da Casa notificaram ao amigo a decisão do Instrutor, foram surpreendidos pela sua arrogância e impetuosidade, quase os desacatando e esclarecendo que ali não mais retornaria. Ato contínuo, acompanhado por alguns poucos colaboradores, afastou-se ruidosamente, deixando os irmãos de crença aturdidos e apiedados da sua decisão. A clientela, conforme ele previra, mudou de endereço, em sua busca pelo miraculoso sem responsabilidade. Quando a ocasião lhe pareceu própria, Miranda inquiriu o dr. Carneiro de Campos: “Qual será o destino do médium, nessa nova Entidade?” O amigo sorriu e respondeu: “Conforme a direção que dê aos próprios passos, será levado à paz de consciência ou ao inferno das culpas. Cada caminho conduz a um tipo de objetivo. A eleição é do viajante. Caso, porém, persevere nas atitudes atuais, terá muitos problemas à frente”. Quanto ao inimigo desencarnado que o acompanhava, informou o Benfeitor: “Prosseguirá aguardando oportunidade para a agressão”. “Se as forças mediúnicas fossem canalizadas para a ação da caridade real, o exemplo moral do médium ajudaria o dr. Hermann a compreender melhor a finalidade do serviço que realiza, adquirindo as virtudes que lhe faltam, qual ocorre conosco, e estas envolvê-lo-iam em títulos de enobrecimento que sensibilizariam o inimigo, contribuindo para a pacificação de ambos.” (Serviços de desobsessão, pp. 70 a 72.)
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