Grupo de estudo das obras de andré luiz e




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Acólito - Aquele que recebeu a ordem do acolitato: a quarta e última das ordens menores na Igreja latina. Aquele que acompanha e serve, na Igreja Católica, aos ministros superiores. Aquele que acompanha, que ajuda; auxiliar, ajudante, assistente.

Airado - Desvairado, alucinado, louco. Leviano, irresponsável. Vadio, vagabundo, doidivanas, estróina. Constipado, resfriado.

Apologia - Discurso para justificar, defender ou louvar. Encômio, louvor, elogio.

Apologista - Que ou quem faz apologia. Que ou quem é prosélito ou admirador exaltado.

Arenga - Alocução; discurso. Discurso enfadonho; aranzel. Altercação, disputa. Intriga, mexerico, enredo. Arengada.

Calceta - Indivíduo condenado à calceta; grilheta; forçado. Argola de ferro fixada no tornozelo do prisioneiro. P. ext.: A pena de trabalhos forçados.

Cefalalgia - Cefaléia. Dor de cabeça.

Estrugir - Fazer estremecer com estrondo; atroar; estrondear. Refogar. Vibrar fortemente.

Estrugiu - Forma verbal do verbo estrugir.

Facies - Vocábulo latino que significa: aspecto em geral, como de um corpo; diferentes alterações da fisionomia.

Fototropismo - Tropismo determinado pela luz.

Hebetado - Aparvalhado, atoleimado, apalermado; hebetizado. Embotado, obtuso, bronco.

Holismo - Tendência, que se supõe seja própria do universo, a sintetizar unidades em totalidades organizadas.

Malta - Conjunto ou reunião de gente de condição inferior. Bando, grupo, súcia. Rancho de trabalhadores que se transportam juntos de um para outro ponto em busca de trabalhos agrícolas. Vida airada; tuna.

Marionete - Títere. Fantoche.

Mastim - Cão para guarda de gado. Cão bulhento. Fig.: Pessoa de má língua, difamadora, maledicente. Beleguim.

Meirinho - Antigo funcionário judicial, correspondente ao oficial de diligências de hoje. Antigo magistrado, de nomeação régia, que governava amplamente um território ou comarca. Beleguim: agente de polícia; esbirro, mastim, tira, quadrilheiro.

Mongol - Natural ou habitante da Mongólia. Da, ou relativo ou pertencente à Mongólia. Língua falada pelos mongóis.

Patibular - Relativo a patíbulo: estrado ou lugar onde os condenados sofrem a pena capital. Fig.: Que tem aspecto de criminoso ou dá a impressão de ser criminoso. Que traz à idéia o crime ou o remorso.

Pódio - Muro baixo que nos anfiteatros circundava a arena e separava-se das arquibancadas. Tribuna situada junto desse muro. Embasamento no interior de um aposento, sobre o qual se dispunham urnas, ânforas etc. Espécie de pedestal, na fachada de um edifício, destinado a suportar pilares. Plataforma existente nos estádios, onde os concorrentes classificados nos primeiros lugares numa prova são apresentados ao público

Redil - Curral (sobretudo para gado lanígero e caprino); aprisco. Fig.: Uma comunidade cristã; rebanho.

Ripostar - Replicar, retrucar, retorquir, redargüir. Em esgrima: rebater a estocada.

Ripostou - Forma verbal de ripostar.

Sandeu - Idiota, parvo, tolo, néscio, estúpido. (Feminino: sandia.)

Sicário - Assassino pago para cometer toda a sorte de crimes.

Solferino - A cor escarlate, ou entre o encarnado e o roxo, que é usada nas vestes episcopais.

Sudorese - Suor abundante; transpiração excessiva.

Taciturno - Silencioso, calado; que fala pouco. Triste, tristonho.

Tropismo - Movimento de orientação realizado pela planta ou parte dela sob a ação de um estímulo exterior que opera unilateralmente.

Tuna - Vadiagem; ociosidade; vadiação. Grupo musical organizado por estudantes.

Turbamulta - Grande turba agitada; tropel, turbilhão. Grande ajuntamento de pessoas.

Ultramontanismo - Doutrina e política dos católicos franceses, e outros, que buscavam inspiração e apoio além dos montes, os Alpes, isto é, na Cúria Romana. Sistema dos que defendem a autoridade absoluta do Papa em matéria de fé e disciplina.

Ultramontano - Transmontano. Que ou aquele que é partidário do ultramontanismo.


4a REUNIÃO
(Fonte: capítulos 10 a 14.)
1. As quatro verdades segundo o Soberano das Trevas - Dr. Carneiro calou-se por ligeiro espaço de tempo, e em seguida prosseguiu: “Pode parecer que o Pai Misericordioso permanece indiferente ao destino dos filhos sob o domínio das sombras de si mesmos. No entanto, não é assim. Incessantemente Sua Voz convida ao despertamento, à reflexão, à ação correta, usando os mais diversos instrumentos, desde as forças atuantes do Universo aos missionários e apóstolos da Verdade, que não são escutados nem seguidos. Os líderes da alucinação tornam-se campeões das massas devoradoras, enquanto as vozes do bem clamam no deserto. Milhares de obreiros desencarnados operam em silêncio, nas noites terrestres, acendendo luzes espirituais, em momentosos intercâmbios que são considerados, no estado de consciência lúcida, no corpo, como sonhos impossíveis, fantasias, construções arquetípicas, em conspiração sistemática a favor das teses materialistas. Essas explicações, algumas esdrúxulas, travestidas de científicas, são aceitas, inclusive, pelos religiosos, que aí têm seus mecanismos escapistas para fugirem aos deveres e responsabilidades maiores”. O Mentor asseverou, na seqüência, que as nobres conquistas das ciências da alma, inclusive as abençoadas experiências de Freud, de Jung e outros eminentes estudiosos, fundamentam-se em fatos incontestáveis. “Algumas das suas conclusões -- afirmou o Benfeitor -- merecem, porém, reestudo, reexame e conotações mais modernas, nunca descartando a possibilidade espiritualista, hoje considerada pelas novas correntes dessas mesmas doutrinas. Quando as criaturas despertarem para a compreensão dos fenômenos profundos da vida, sem castração ou fugas, sem ganchos psicológicos ou transferências, romper-se-ão as algemas da obsessão na sua variedade imensa, ensejando o encontro do ser com a sua consciência, o descobrimento de si mesmo e das finalidades da existência corporal no mapa geral da sua trajetória eterna.” Feita nova pausa, o Mentor retomou o relato da eleição em que as Trevas definiram seu novo comandante. As reuniões ali sucederam-se tumultuadas e violentas, acalmadas sempre pela agressividade do Soberano, que, ciente do advento do Consolador na Terra e do seu programa de estudo e vivência do Cristianismo, decidiu escutar fracassados conhecedores do comportamento das criaturas, tanto na área sexual como na econômica e na social, após o que estabeleceu o seu programa, que ironicamente denominou como as quatro legítimas verdades, em zombeteira paráfrase do código de Buda em relação ao sofrimento. (Os Gênios das Trevas, pp. 103 a 105.)
2. Os planos das Trevas se baseiam nas quatro verdades - Eis as verdades relacionadas pelo novo Soberano das Trevas, com suas respectivas conseqüências: 1a - O homem é um animal sexual que se compraz no prazer. Deve ser estimulado ao máximo, até a exaustão, aproveitando-se-lhe as tendências, e, quando ocorrer o cansaço, levá-lo aos abusos, às aberrações. Direcionar esse projeto aos que lutam pelo equilíbrio das forças genésicas é o empenho dos perturbadores, propondo encontros, reencontros e facilidades com pessoas dependentes dos seus comandos que se acercarão das futuras vítimas, enleando-as nos seus jogos e envolvimentos enganosos. “Atraído o animal que existe na criatura, a sua dominação será questão de pouco tempo. Se advier o despertamento tardio, as conseqüências do compromisso já serão inevitáveis, gerando decepções e problemas, sobretudo causando profundas lesões na alma. O plasma do sexo impregna os seus usuários de tal forma que ocasiona rude vinculação, somente interrompida com dolorosos lances passionais de complexa e difícil correção. 2a - O narcisismo é filho predileto do egoísmo e pai do orgulho, da vaidade, inerentes ao ser humano. Fomentar o campeonato da presunção nas modernas escolas do Espiritualismo, ensejando a fascinação, é item de alta relevância para a queda desastrosa de quem deseja a preservação do ideal de crescimento e de libertação. O orgulho entorpece os sentimentos e intoxica o indivíduo, cegando-o e enlouquecendo-o. 3a - O poder tem prevalência em a natureza humana. Remanescente dos instintos agressivos, dominadores e arbitrários, ele se expressa de várias formas, sem disfarce ou escamoteando, explorando aqueles que se lhe submetem e desprezando-os ao mesmo tempo, pela subserviência de que se fazem objeto, e aos competidores e indomáveis detestando, por projetar-lhe a sombra. O poder é alçapão que não poupa quem quer que lhe caia na trampa. 4a - O dinheiro, que compra vidas e escraviza almas, será outro excelente recurso decisivo. A ambição da riqueza, mesmo que mascarada, supera a falsa humildade, e o conforto amolenta o caráter, desestimulando os sacrifícios. O Cristianismo começou a morrer, quando o martirológio foi substituído pelo destaque social, e o dinheiro comprou coisas, pessoas e até o reino dos céus, aliciando mercenários para manter a hegemonia da fé. “Quem poderá resistir a essas quatro legítimas verdades?”, perguntou o comandante. “Certamente -- acrescentou --, aquele que vencer uma ou mais de uma, tombará noutra ou em várias ao mesmo tempo.” Gargalhadas estrepitosas sacudiram, então, as furnas, e a partir de então os técnicos em obsessão, além dos métodos habituais, tornaram-se especialistas no novo e complexo programa que em todos os tempos sempre constituiu veículo de desgraça, agora mais bem aplicado, redundando em penosas derrotas. (Os Gênios das Trevas, pp. 105 a 107.)
3. A vitória tem a grandeza da dimensão da luta - Concluído o relato, Miranda registrou a seguinte advertência feita pelo Mentor: “Precatem-se, os servidores do Bem, das ciladas ultrizes do mal que tem raízes no coração, e estejam advertidos. Suportem o cerco das tentações com estoicismo e paciência, certos de que o Pai não lhes negará socorro nem proteção, propiciando-lhes o que seja mais importante e oportuno. Ademais, não receiem as calúnias dos injuriadores que os não consigam derrubar. Quando influenciados pelos assessores dos Gênios, mantenham-se intimoratos nos ideais abraçados. A vitória tem a grandeza da dimensão da luta travada”. “Este desafio, que nos tem merecido a mais ampla e minudente consideração, qual ocorre com inúmeros Benfeitores do Mundo Maior, é uma das razões de nos encontrarmos em atividade com o irmão Vicente e os membros da Casa que ele dirige.” A profusão de revelações e o esfervilhar de pensamentos que agitavam a mente de Miranda não lhe permitiram formular perguntas. Contudo, a narração do Instrutor amigo fornecia-lhe explicações para melhor entender vários acontecimentos infelizes que pairavam agitando a economia moral da sociedade, particularmente dos cristãos novos, dos espiritualistas modernos e dos estudiosos da mente que, interessados nos padrões éticos e superiores do comportamento, subitamente naufragavam nos ideais ou os abandonavam, padecendo graves ulcerações espirituais. Ele podia compreender melhor a irrupção do sexo desvairado a partir dos anos 60, o alucinar pelas drogas, a mudança dos padrões morais, o crescimento da violência, o abandono a que as gerações jovens foram atiradas, as falsas aberturas para a liberdade sem responsabilidade pelos atos praticados, a música ensurdecedora, e tantas outras ocorrências... Claro lhe ficava, também, que o processo antropossociológico da evolução, às vezes, deve arrebentar determinados compromissos para abrir novos espaços experimentais, que irão compor o quadro das necessidades evolutivas do homem e da mulher. (Os Gênios das Trevas e Reflexões Necessárias, pp. 107 a 110.)
4. Um exemplo da aplicação das quatro verdades - A moral social, geográfica, aparente, deve ceder lugar à universal, à que está ínsita em a Natureza, àquela que dignifica e promove, superando e abandonando as aparências irrelevantes e desacreditadas. A transição histórica de um para outro período -- observou Miranda -- é semelhante a um demorado parto, doloroso e complexo, do qual nascem novos valores e a vida enfloresce. Não seriam os períodos de convulsão danosa gerados por mentes destruidoras sediadas no Além? Não teriam gênese em programas semelhantes as súbitas alterações sociais que sacudiram até ao desmoronamento nações e povos, abalando a Humanidade? Partindo do princípio de que a vida real e causal é a que tem origem e vigência na Erraticidade, suas matrizes desencadeadoras estão no mundo espiritual e dali partem, por indução, inspiração ou interferência direta, através da reencarnação de membros encarregados de perturbar a ordem geral. Supondo estar agindo por vontade própria, ei-los sob o Comando Divino, que os utiliza indiretamente para despertar as consciências adormecidas para as altíssimas finalidades da vida. Miranda lembrou, ainda, nesse momento de reflexões, os amigos que haviam reencarnado com tarefas específicas e nobres, e derraparam lamentavelmente, alguns sendo retirados de cena antes de maiores comprometimentos e outros abraçando condutas esdrúxulas, fazendo-se crer superiores, auto-suficientes, revoltados... O caso Davi, mais especificamente, tornava-se um exemplo concreto da consumação das quatro legítimas verdades perturbadoras. Todo o empenho de seus Mentores e de alguns amigos encarnados não resultou positivo, intoxicado que estava pela presunção narcisista, atraído pelo sexo irresponsável, fascinado pelo dinheiro e, no íntimo, ambicionando o destaque e o poder... O labor de Jesus, o Cordeiro sacrificado, é todo de abnegação e renúncia, de amor e humildade, de persuasão afetuosa, jamais de imposição arbitrária. Meditando em tudo isso, Miranda compreendia melhor, a partir daquele momento, que as imperfeições da criatura humana são as responsáveis pelo fracasso de planos bem organizados, pelas perturbações que se generalizam, pelas opções extravagantes, pelo desdobrar das paixões asselvajadas, em razão do nível inferior de consciência no patamar em que transita a maioria das pessoas. (Reflexões Necessárias, pp. 110 e 111.)
5. A Sabedoria Divina jamais nos deixa sós - Diante dessas considerações, fica fácil entender a loucura avolumada na Terra, a falência dos padrões éticos e o anseio pelo retorno às manifestações primevas do ser. Raciocinando sobre os planos do Soberano Gênio das Trevas, tornavam-se lógicas as ocorrências que antes pareciam absurdas, quase impossíveis de acontecer. No momento em que a cultura atinge as suas mais altas expressões; quando a Ciência mais se aproxima de Deus, auxiliada pela Tecnologia, e o homem sonha com a possibilidade de detectar vida fora da Terra, igualmente campeiam a hediondez do comportamento agressivo; a excessiva miséria de centenas de milhões de pessoas, social e economicamente abandonadas à fome, às doenças, à morte prematura; o erotismo extravagante em generalização; a correria às drogas e aos excessos de toda natureza, tornando-se tudo isso um verdadeiro paradoxo da sociedade. Conhecendo tais planos, não é difícil compreender a luta ancestral, quase mitológica, entre o Bem e o Mal. Miranda diz que já observara a conduta de pessoas dedicadas ao Espiritualismo e que, no entanto, se apresentam portadoras de idéias materialistas-utilitaristas, usando sempre a verruma, a acidez e a zombaria contra os seus confrades, por pensarem de forma diferente e não se lhes submeterem à presunção, aos caprichos, ao comando mental. Pugnando sempre contra, e atacando, descobrem erros em tudo e todos, apresentando-se com desfaçatez como defensores do que chamam a Verdade, somente eles possuindo visão e interpretação correta do pensamento que vitalizam e divulgam. Estariam tais pessoas a soldo psíquico dos manipuladores de obsessores? ou seriam alguns deles membros desses grupos, ora reencarnados? Sem qualquer censura a eles, alguns certamente sinceros na forma de se conduzirem, Miranda pergunta: Por que não concedem o direito aos demais de serem conforme lhes aprouver, enquanto eles seguiriam na sua maneira especial de entendimento? Existem, sem dúvida, muitas complexidades no processo da evolução, que se vão delineando e explicando lentamente, à medida que os Espíritos galgam degraus mais elevados. É por isso que as revelações se fazem gradativamente, dando cada uma tempo para que a anterior seja digerida pelas mentes e aplicada nos grupos sociais. A Sabedoria Divina, contudo, jamais deixou a criatura sem os promotores do progresso, que vêm arrancando o ser da ignorância para o conhecimento. (Reflexões Necessárias, pp. 111 a 113.)
6. Há muito que fazer por nosso próximo - Miranda afirma ser crescente o seu afeto a Allan Kardec, por haver ele facultado à mediunidade esclarecida elucidar o comportamento humano e permitir a penetração do entendimento no mundo espiritual. Graças ao Espiritismo, novos descortinos e constantes informações ajudam o ser humano a compreender a finalidade da sua existência na Terra e as metas que lhe cumpre alcançar através de contínuos testes e desafios. Percebendo-lhe as reflexões silenciosas, o dr. Carneiro de Campos enlaçou-lhe o ombro e disse: “Há muito por fazer em favor do nosso próximo, onde quer que se encontre. Aqueles que já despertamos para a compreensão da Vida, temos a tarefa de acordar os que se demoram adormecidos, sem lhes impor normas de conduta ou oferecer-lhes paisagens espirituais que ainda não podem penetrar. Se alguns pudessem conhecer a realidade que ora enfrentamos, enlouqueceriam de pavor, se suicidariam, tombariam na hebetação... O nosso dever induz-nos a ajudá-los a elevar-se, a pouco e pouco, identificando as finalidades existenciais e passando a vivê-las melhor”. Fazendo uma pausa oportuna, o Benfeitor continuou: “Em nossa esfera de ação encontramos, a cada instante, irmãos equivocados, iludidos pelas reminiscências terrestres, defendendo os interesses malsãos dos familiares e afetos, preocupados com as querelas do corpo já diluído no túmulo, negando-se à realidade na qual se encontram. Agimos com eles pacientemente, amorosamente, confiando no tempo. Ora, em relação aos encarnados, a questão faz-se mais complexa, exigindo-nos maior quota de compreensão e bondade. O anestésico da matéria, que bloqueia muitas percepções do Espírito, terá que ser vencido vagarosamente, evitando-se choques danosos ao equilíbrio mental e emocional dos indivíduos”. “Assim -- concluiu o Mentor --, prossigamos confiantes, insistindo e perseverando, sem aguardar resultados imediatos, impossíveis de ser atingidos.” (Reflexões Necessárias, pp. 114 e 115.)
7. Um lar genuinamente espírita - A sede terrestre para nosso repouso após os trabalhos na Sociedade Espírita situava-se em bairro próximo da capital de X... Era o lar de uma afeiçoada trabalhadora da Doutrina Espírita, que cultivava o Evangelho e vivia-o intensamente. Não se havendo consorciado matrimonialmente, superou o clima de solidão tornando-se companheira dos que necessitavam de apoio e de amizade. Portadora de aguçada sensibilidade mediúnica, percebia a presença dos Espíritos, com os quais dialogava mentalmente. Dotada de caráter diamantino, trabalhava em uma empresa de grande porte, de onde retirava os recursos para a sua própria manutenção, auxiliando alguns familiares e os irmãos do Calvário com generosidade e júbilo. Contribuía em favor da divulgação do Espiritismo mediante o seu ensino, nos cursos ministrados na Sociedade que freqüentava. Discreta, era severa no trajar e no comportar-se, inspirando simpatia e afeto. Retirava, periodicamente, do seu tempo escasso, horas valiosas para visitar e confortar os enfermos, especialmente os internados na Colônia de hansenianos em cidade do interior do Estado, acompanhada por dois abnegados amigos, José e Ângelo, também solteiros e dedicados à Causa do Bem. Aos domingos, à noite, alguns amigos e poucos convidados reuniam-se no seu lar, para estudo do Evangelho à luz do Espiritismo e vibrações intercessórias pelos sofredores. Nesses momentos, abnegados Instrutores desencarnados, que se lhe afeiçoaram, acorriam ao clima doméstico para auxiliar e conduzir, por inspiração, os temas postos em discussão. A sua mãezinha, em Espírito, recepcionava as Entidades, desde o cair da tarde, quando vinham participar do ágape espiritual. Respirava-se, ali, desse modo, uma psicosfera saturada de amor e de espiritualidade, rica de benefícios gerais. Por isso, o dr. Carneiro elegera o ninho doméstico de Ernestina para o repouso de sua equipe durante as atividades programadas. Quando Miranda e os demais ali chegaram, foram recebidos pela veneranda senhora Apolônia, a genitora da dona da casa, que lhes explicou ser aquela a data de aniversário da filha, que comemorava naquele dia o qüinquagésimo ano de vida física. Convidados de ambos os planos estavam tranqüilos, quando Ernestina, parcialmente desligada do corpo, e sua mãe penetraram na sala de refeições, onde se realizavam os labores dominicais dedicados ao Evangelho. (Ensinamentos Preciosos, pp. 116 e 117.)


8. É preciso pensar duas vezes antes de agir - Todos envolviam a aniversariante em vibrações de ternura, augurando-lhe felicidades durante as provas abençoadas no corpo físico. A reencarnação, lembra Miranda, é teste severo para aprendizagem superior, assinalada por incontáveis riscos e desafios constantes, que a podem pôr a perder de um para outro instante. O véu carnal, que obscurece o discernimento da realidade maior, impede muitas vezes -- se a pessoa não é afeiçoada à reflexão -- que se adote o comportamento correto diante das inúmeras pressões que confundem a razão e o sentimento, gerando muitas dificuldades. Eis por que o hábito da meditação, da análise cuidadosa antes de determinadas decisões, senão de quase todas, tornam-se indispensáveis. Pensar duas vezes antes de agir, como assevera o refrão popular, é atitude de equilíbrio. Miranda pensava nisso, quando deu entrada no recinto o venerando dr. Bezerra de Menezes, que viera atendendo ao especial convite que lhe encaminhara a senhora Apolônia. Após saudar a todos, o Benfeitor, a pedido da anfitriã, exorou ao Divino Mestre: “Senhor, Tu, que homenageaste os nubentes felizes durante as suas bodas em Caná, participa da nossa festa de ação de graças e enriquece-nos de paz. Agradecemos-Te os anos que se passaram, prósperos, para nossa querida Ernestina, ensejando-lhe crescimento espiritual, abnegação e iluminação da consciência. Sabemos como é áspera e difícil a ascensão, e quanto é inçado de escolhos o roteiro carnal. A cada momento, um novo encontro, ou um reencontro de conseqüências imprevisíveis, pode transformar-se em tormentoso desencontro. Ciladas são propostas por adversários inescrupulosos, e a sordidez das paixões, que ainda predominam em a natureza humana, gera dificuldades de difícil superação, tentando imobilizar aqueles que se afeiçoam ao bom combate. Vícios, que remanescem no comportamento, ressumam, arbitrariamente, e provocam desassossegos, constituindo-se inimigos severos do progresso. Interferências psíquicas negativas, que procedem da Erraticidade inferior, alteram a visão dos acontecimentos, propelindo a desventuras e insatisfações. No entanto, não faltam a inspiração contínua dos Mensageiros do Bem, os convites da Natureza à harmonia, a dádiva dos amigos afetuosos, a Tua ajuda serena! Graças a esses contributos, a Tua servidora alcança a metade de um século, no corpo físico, avançando sem ruído nem perturbação pela senda que palmilhaste. Ampara-a nos futuros cometimentos e defende-a do mal como e onde quer que se lhe apresente. Agradecemos-Te os júbilos desta hora, e, louvando-Te, entregamo-nos em Tuas mãos para a execução do programa da evolução a que nos convocaste”. (Ensinamentos Preciosos, pp. 118 e 119.)
9. Os problemas de Raulinda remontavam ao passado - Quando dr. Bezerra silenciou, suave melodia dominou o ambiente, enquanto pétalas coloridas de rosas perfumadas desciam sobre todos, desfazendo-se no contato com os presentes, aromatizando-os. Logo depois, porque deveres imediatos o aguardassem, dr. Bezerra despediu-se e saiu, seguindo para a desincumbência de suas nobres tarefas. Dr. Carneiro, Fernando e Miranda retornaram, então, à Casa espírita, onde as realizações de socorro espiritual teriam desdobramentos, programadas que estavam para as duas horas da manhã. Irmão Vicente ali já estava, comandando os serviços com presteza e ordem, auxiliado por vários Espíritos amigos, enquanto alguns dos médiuns encarnados e assistentes, bem como o adversário espiritual de Raulinda, aguardavam em silêncio. A jovem médium, parcialmente desdobrada, mantinha-se sob tensão, notando-se em seu semblante conturbado as marcas dos conflitos que a aturdiam. Quando terminou a reunião e retornou ao lar, ao invés de manter o clima de otimismo do trabalho, voltara aos pensamentos pessimistas e derrotistas. Anteriormente diagnosticada como uma psicótica maníaco-depressiva por um psiquiatra, e por outro identificada como histérica, aceitara as duas hipóteses, sem esforçar-se para dar novo rumo à própria existência. Reconhecia que a freqüência aos labores espíritas fazia-lhe um grande bem, contudo não conseguia a harmonia íntima que almejava. Apesar de crer nas manifestações espirituais, supunha que o fenômeno, por seu intermédio, era anímico, o que a levava a dúvidas atrozes. Lamentavelmente, ainda viceja entre pessoas que acreditam na reencarnação, conhecendo portanto a causalidade dos sofrimentos humanos, uma idéia equivocada quanto às próprias problemáticas. Tais pessoas parecem anelar pelas soluções de fora e, porque estas não chegam conforme gostariam, entregam-se ao desânimo ou à dúvida. Raulinda não era exceção. E esperava que o Espiritismo lhe resolvesse o problema de saúde emocional e lhe brindasse um companheiro fiel, amoroso, para sempre, sonho esse que é, aliás, acalentado por muitas pessoas de ambos os sexos, resolvendo-se-lhes desse modo a questão basilar da afetividade. Acercando-se dela, o dr. Carneiro observou: “Sem dúvida, como decorrência de atitudes levianas no pretérito, nossa paciente apresenta algumas síndromes do fenômeno histérico, associado ao transtorno psicótico maníaco-depressivo”. (Ensinamentos Preciosos, pp. 119 a 121.)
10. Não se pode dissociar o paciente da sua enfermidade - Para explicar o caso da jovem médium, informou o dr. Carneiro: “O seu perseguidor foi-lhe vítima da insensatez moral, que se imprimiu nas tessituras sutis do perispírito e que ora se manifesta como insatisfação, crises periódicas de contrações, paralisias e nevralgia uterina... O fenômeno fisiológico está intimamente ligado ao distúrbio psicológico, derivado da consciência de culpa. Esta impõe a autoflagelação e perturba as atividades nervosas normais, dando surgimento aos estados de desequilíbrio. Do ponto de vista médico, a opinião mais antiga a respeito da histeria pertence a Freud, como recordamos, que a considerava como de referência às emoções sexuais que estão recalcadas no subconsciente desde a infância, procurando ressurgir, assim dando lugar a satisfações substitutas das anormais impelidas pelo eu. Charcot, por sua vez, estudou-a detidamente, chegando a conclusões hoje não aceitas por algumas escolas, após as observações de Babinski e outros, que demonstraram ser a histeria o resultado de sugestões provocadas ou auto-sugestões, denominando tais fenômenos como pitiatismo. Outros estudiosos ainda, como Dupré, afirmam que a histeria está muito vinculada à mitomania, enquanto os professores Janet e Claude asseveram que a mesma não passa de uma crise de nervos banal. Outros mais, como o dr. Dezwarte, conferem-lhe uma base fisiológica...” (N.R.: Sobre o assunto, Miranda sugere se consulte o cap. XII do livro Grilhões Partidos, de sua autoria.) Prosseguindo em seus esclarecimentos, dr. Carneiro disse: “O importante é verificarmos que todas as teorias abrem espaço para os conflitos que remontam à reencarnação, que os nobres cientistas não estudaram. Se o conflito histérico dorme no subconsciente desde a infância, no conceito de Freud, seria de pensar-se na possibilidade da sua preexistência ao berço, como herança do Espírito para si mesmo. Na hipótese de ser uma sugestão transmitida ou auto-sugestão, no conceito de Babinski, verificamos que essa sugestão procede do mundo espiritual, da vítima do gravame sofrido... Na visão de Dupré, sendo a decorrência de uma organização mitômana, encontramos as reminiscências morais deficientes do caráter do enfermo, que procedem das experiências transatas. Por fim, ante os conceitos de Janet e Claude, tais crises nervosas são resultado dos conflitos da consciência culpada, e, mesmo nos casos de Dezwarte e outros que lhe conferem gênese fisiológica, o psiquismo é fator preponderante para a sua manifestação...” Na verdade, aditou o Benfeitor, seja qual a for causa detectada pelos cientistas, “não podemos dissociar o paciente da sua enfermidade”. “Concluímos que os fenômenos perturbadores da nossa irmã têm suas matrizes no perispírito, decorrentes da conduta irregular de ontem e de severa obsessão atual, conforme estudaremos.” Dito isto, dr. Carneiro acrescentou que somente uma visão holística na área médica, examinando o enfermo como um ser global -- Espírito, perispírito e matéria --, poderá ensejar-lhe uma terapia de profundidade, erradicando as causas preponderantes das enfermidades e dos transtornos de comportamento. (Ensinamentos Preciosos, pp. 122 e 123.)
11. As muralhas do materialismo vêm caindo aos poucos - Na visão do Benfeitor, o ser humano tem que ser estudado como um conjunto de vibrações que se apresentam sutis, semimateriais e físicas. A análise de uma parte da sua constituição, como matéria ou como Espírito apenas, será sempre incompleta. “Graças à Física Quântica, à Biologia Molecular, à Psicobiofísica e outras modernas ciências que estudam o ser integral, vão tombando -- diz o dr. Carneiro -- as muralhas do materialismo, que cede lugar ao espiritualismo.” Diante do universo, entendem todos, desaparecem o observador e o observado, conforme a equívoca visão da Física newtoniana, já que aquele que observa é também observado. Um não está lá e outro cá. Fazem todos parte do mesmo conjunto, porquanto um somente passa a existir para o outro, quando é percebido e, por sua vez, também percebe. Desse modo, a pouco e pouco, luz entendimento novo da realidade e as concepções antigas de venerandas doutrinas espiritualistas de épocas recuadas são trazidas à atualidade, sendo aceitas sob modernas denominações. Concluídos os esclarecimentos feitos pelo Mentor, Miranda informou que entre os Espíritos costuma-se também celebrar inúmeros acontecimentos, qual se dá na Terra. O fato pode causar estranheza, mas -- do mesmo modo que os Espíritos perversos se reúnem para a execução de planos macabros e vivências de prazeres sórdidos, de que não se liberaram em relação aos homens --, as Entidades elevadas cultivam as emoções superiores, estimulando as reuniões edificantes evocativas de ocorrências felizes. Os Espíritos não são seres indefinidos, insensíveis, como algumas pessoas consideram, mas vibrações inteligentes, idealistas, desdobrando todas as potencialidades latentes de que são constituídos e buscando sempre novas conquistas dignificadoras. Assim sendo, como as dores dos seres amados os pungem, suas vitórias também os alegram. (Ensinamentos Preciosos e O caso Raulinda, pp. 123 a 125.)
12. Não se foge aos automatismos das Leis da Vida - A sala onde se realizara a atividade mediúnica de horas antes encontrava-se organizada para o prosseguimento do trabalho espiritual. À cabeceira da mesa estava, lúcido, o amigo Almiro. Depois da prece proferida pelo irmão Vicente, iniciou-se a sessão. Diversos desencarnados faziam-se presentes, assim como alguns trabalhadores que estiveram na reunião anterior. Raulinda apresentava-se, porém, inquieta. Buscando identificar com lucidez o que se passava, sentia o raciocínio tardo e a memória algo apagada. Como Vicente havia solicitado a ajuda do dr. Carneiro de Campos, pedindo-lhe que dirigisse o trabalho especial, o bondoso Guia convocou Miranda à aplicação de passes, com finalidade dispersiva dos fluidos entorpecentes que anestesiavam a médium, o que ele fez, de imediato. Pouco a pouco, a jovem recuperou o discernimento e, vendo que se encontrava em parcial desprendimento do corpo através do sono, acalmou-se sentindo-se amparada. O semblante, então, asserenou-se e ela buscou sintonizar o pensamento com as vibrações agradáveis . Fernando foi destacado para conduzir à psicofonia o perseguidor atormentado, que igualmente recobrou a consciência plena e, fazendo graves ameaças, foi imantado ao perispírito da intermediária. Raulinda experimentou um choque nervoso como efeito da assimilação dos fluidos do comunicante, congestionou a face e tornou-se-lhe um verdadeiro símile, em perfeita identificação psíquica. Agitando-se, perturbado, o Espírito indagou, com rebeldia: “Por que a violência? Terão desaparecido dos mansos e humildes de coração a paciência e a bondade?” O dr. Carneiro, sem se aborrecer, interrompeu-o, elucidando: “As Leis da Vida funcionam por automatismos naturais para todos os seres. A princípio, a liberdade do indivíduo leva-o a agir como lhe apraz, inclusive mediante violência contra si próprio e o seu próximo, qual vem ocorrendo com o amigo. É a utilização errada do livre-arbítrio. Porque o mau uso dessa opção complica o destino do imprevidente, este tomba no determinismo inevitável, que o elege para a evolução, conclamando-o, com amor ou através do sofrimento, ao despertar da consciência. Desse modo, não nos estamos utilizando de qualquer recurso de violência, mas de uma terapia enérgica, objetivando a sua felicidade...” Com uma gargalhada de mofa, o Espírito ouviu essas palavras, mas o doutrinador continuou, imperturbável: “Compreendemos a alucinação que o domina, e tendo-a em vista, é que nos acercamos de você com carinho”. “Considere-nos, portanto, como amigos, que o somos, e que se compadecem do seu problema, da sua aflição.” (O caso Raulinda, pp. 126 a 128.)
13. Ninguém escapa da correção, quando erra - Em resposta ao doutrinador, o Espírito disse que quem merecia compaixão não era ele, mas Raulinda; ela é que era criminosa. “Eu estou recorrendo à justiça do desforço, a que têm direito todas as vítimas”, acrescentou o comunicante. Dr. Carneiro replicou: “Infelizmente, a palavra justiça é usada por muitos indivíduos de forma incorreta. Os criminosos assumem postura de inocência e clamam pelo seu nome; os perseguidores impiedosos e os vingadores desalmados recorrem-lhe ao apoio, desfigurando-a. A única justiça real, porém, é a que promana de Deus, que a inseriu nos códigos do amor, em igualdade de condições para todos...” -- “Eu sou-lhe a vítima”, alegou o Espírito. “Não tenho direito a reivindicar justiça?” -- “Certamente que sim -- respondeu o Mentor --, e a justiça lhe será feita, não por você, que se encontra cego da razão e, talvez, com responsabilidade também nos infelizes acontecimentos em que foi envolvido, mas pela Vida.” A Entidade informou, então, que ele havia amado aquela mulher com devoção, entregando-lhe a vida, e em troca ela ofereceu-lhe adultério, traição e homicídio. “Desconhecendo-lhe a pusilanimidade -- prosseguiu o infeliz --, confiei, e fui traído miseravelmente pela desleal, que me substituía por outros no leito, inclusive pelos servos, que me censuravam às ocultas. Quando me dei conta e ela percebeu-me a desconfiança, antes que a desmascarasse, tramou e executou a minha morte, envenenando-me. Será que alguém pode avaliar o rio escaldante de lágrimas de dor e revolta que tenho vertido?” Dr. Carneiro disse-lhe não desconhecer seu sofrimento e explicou que era por isso que ali se encontrava, realizando uma tentativa de reverter seu caudaloso curso. “Até este momento -- lembrou o Mentor -- , desde que você a reencontrou, tem-se-lhe transformado em algoz, lentamente dominando-lhe a área do discernimento e agindo diretamente no seu centro genésico, molestando-a, enfermando-a. Sabemos que ninguém escapa da correção, quando erra. Não é necessário, porém, que outrem se lhe faça cobrador, tornando-se candidato, por sua vez, a futuras reparações. Cada qual imprime na consciência os próprios atos, e as Leis se encarregam de trabalhar a retificação dos incursos nos seus Estatutos.” O comunicante, contudo, insistiu: “Jamais a perdoarei!...” Diante dessa assertiva, o doutrinador asseverou que não pode haver nada mais frustrante do que a sensação de perda que sucede ao ato da vingança. E indagou: “Já examinou a hipótese de haver sido co-responsável pelos funestos acontecimentos de que se diz vítima?” Como o Espírito não compreendesse a profundidade da pergunta, alegando que cumpria todos os seus deveres, inclusive os conjugais, dr. Carneiro acrescentou: “Refiro-me a sucessos anteriores a essa existência. Ninguém sofre imerecidamente. Não tinha ela o direito de ser instrumento de cobrança, de dor, para o amigo, como igualmente essa permissão de hoje não lhe é concedida”. (O caso Raulinda, pp. 128 e 129.)
14. Toda causa desencadeada produz um efeito equivalente - Na seqüência do diálogo, o perseguidor de Raulinda observou: “Não acredito que lhe devesse nada, porquanto a amava”, ao que o Mentor replicou: “O amigo usa o verbo amar como instrumento de autodefesa e de acusação. O verdadeiro amor encontra-se acima e além das conjunturas de tempo e lugar, sem nada exigir, nem condicionar. É provável que você a amasse, ou melhor dizendo, cobiçasse-lhe o corpo, a companhia, as sensações, que não são mais do que o desejo animalizado, herança do primitivismo...” (A conversação continuou por mais algum tempo. De um lado, o obsessor informava que seu objetivo era maltratá-la, a pouco e pouco, conflitá-la e até mesmo levá-la à morte. De outro, o Mentor procurava demovê-lo dessas idéias, explicando que a morte não existe, mas que, matando-lhe o corpo, ela se depuraria e ele a perderia, ficando a sós, desestruturado. Por que não seguir, assim, a diretriz da Vida, libertando-se do ódio e deixando-a por conta de si mesma?) Dito isto, o dr. Carneiro valeu-se então de um último e decisivo argumento. “Quando ela despertar -- disse-lhe ele --, e isso ocorrerá em breve, em relação a todos os erros praticados, empenhar-se-á por recuperar-se, e é provável que lhe distenda braços maternos acolhedores, a fim de que os sentimentos se refaçam e se sublimem no amor. Conceda-se tal oportunidade, pois dela você necessita.” Colhido de surpresa pelas perspectivas desenhadas nas frases finais, o Espírito inquiriu: “Renascer nos braços da assassina?” Respondeu o Mentor: “Não, da mulher que você diz que amou e que se converterá em mãe abnegada, mesmo padecendo os efeitos das dissipações que o organismo brevemente exteriorizará. Crucificada nas dores excruciantes que estabeleceu através da insensatez, buscará no filhinho querido o refúgio e o lenitivo para redimir-se.” (O doutrinador explicou então que o afastamento dele não significava a liberação dela, porquanto as conseqüências dos desequilíbrios permaneceriam e é assim que funciona a Lei: toda causa desencadeada produz um efeito equivalente.) O Espírito, conturbado com a proposta, exclamou então: “Não sei, não sei! Estou aturdido, muito confuso. Nunca pensei num desfecho desta ordem. Não sei...” (O caso Raulinda, pp. 129 a 131.)
15. Em nosso passado demoram-se muitas sombras perturbadoras - Nesse momento, dr. Carneiro dirigiu a Miranda uma onda mental específica, e ele, juntamente com Fernando, acorreu a aplicar energias calmantes no comunicante, que foi acometido de forte emoção e pôs-se a chorar num misto de angústia e frustração. Prosseguindo com o concurso de aplicação de energias, ele acabou se asserenando, até que adormeceu, sendo retirado, para receber assistência especializada em lugar próprio. Raulinda retornou à consciência lúcida e percebeu o que houvera acontecido. Tentando recordar-se, vieram-lhe à mente alguns clichês das infelizes experiências passadas, identificando as causas dos seus atuais conflitos e sofrimentos. Dr. Carneiro acercou-se dela e induziu-a às recordações, elucidando-a a respeito dos delitos perpetrados, assim como das futuras possibilidades de reabilitação. Embora as evocações fossem pessoais, sintonizado com a sua onda mental Miranda pôde acompanhar o desenrolar dos fatos mais graves, que culminaram no assassinato do esposo. Incontinenti, ante a visão do sucedido, ela começou a apresentar sinais de desequilíbrio, que foram interceptados pelo Amigo experiente, que a exortou à mudança de atitude, explicando: “A recordação dos erros tem como finalidade despertar a consciência para o conveniente resgate. No passado de todos nós demoram-se muitas sombras perturbadoras, que o amor de Nosso Pai nos faculta diluir. Desse modo, despertados para a realidade dos objetivos da reencarnação, que têm caráter educativo, reparador, devemo-nos propor o dever de nos iluminarmos, auxiliando aqueles que deixamos tombados na retaguarda. Assim, à queixa contumaz, à rebeldia sistemática, sobreponhamos a paciência e a resignação com irrestrita confiança em Deus, reabilitando-nos diante de quem prejudicamos, a fim de sermos felizes”. Após dizer isto, o Mentor envolveu-a em vibrações de equilíbrio, enquanto convidou Fernando a trazer seu pupilo à psicofonia através de Francisco, prosseguindo o labor interrompido com o encerramento da sessão realizada poucas horas atrás. É que o amigo do Soberano das Trevas, após a comunicação e a ameaça de que iria pedir providências aos Gênios, não conseguiu evadir-se do recinto em razão das barreiras vibratórias, ali permanecendo, discretamente vigiado pelos assessores do irmão Vicente. Passando da revolta à agressividade, e gerando tumulto no campo vibratório em que permanecia ilhado, aguardou, então, o momento para novo diálogo, agora com maior profundidade. (O caso Raulinda, pp. 131 a 133.)
16. Davi é levado à reunião em estado espiritual deplorável - Médium sonambúlico, Leonardo era dotado de belas faculdades propiciatórias ao intercâmbio. De caráter nobre e sentimentos elevados, tornara-se espírita em plena adolescência, quando os fenômenos espirituais irromperam, levando-o a um período de contínuas perturbações, que foram confundidas, no princípio, como de natureza psicológica. Após ser medicado mais de uma vez, alguém, amigo da família, alvitrou a hipótese de tratar-se de distonia espiritual. Conduzido pela genitora àquele Núcleo Espírita e recebendo conveniente assistência através dos passes e da vinculação às atividades juvenis do Grupo, amainaram-se-lhe os distúrbios. Compreendendo o conteúdo da Doutrina, passou a freqüentar as reuniões práticas, nas quais deu atendimento à mediunidade, educando-se e educando-a. Mais tarde, concluiu o curso de Odontologia e consorciou-se com Helena, jovem militante da Casa. Nessa oportunidade, contava ele 28 anos de idade e possuía já expressiva folha de serviços em favor dos sofredores. No momento em que Francisco dava passividade ao amigo dos Gênios, deu entrada no recinto o dr. Hermann Grass, trazendo adormecido, em estado espiritual deplorável, o médium Davi, que foi colocado entre os assistentes. O cérebro de Davi encontrava-se envolto por densa escuridão, decorrente dos pensamentos vitalizados nos últimos tempos, emanando vibrações de baixo teor. Da região genésica, como do estômago, do fígado e do baço, irradiavam-se, em ondas excêntricas, energias viscosas e enfermiças. O hábito dos alcoólicos, nas reuniões sociais e noutros momentos, já o vitimava pela dependência dos mesmos em instalação, apresentando os primeiros sintomas para uma futura cirrose hepática com atuais perturbações digestivas, altas taxas de colesterol, hipertensão arterial, apesar da juventude orgânica... Da área sexual também se exteriorizavam fluidos densos, carregados do magnetismo pernicioso deixado pelos parceiros encarnados, viciosos, e pelos Espíritos de igual psiquismo, que se mesclavam nas orgias elegantes a que o sensitivo se entregava. Apurando a observação, podia-se ver que as vesículas seminais se encontravam comprometidas, como resultado das vibrações que as estimulavam, e que das gônadas jorravam energias sutis de qualidade inferior, alimentadas pela mente de Davi e dos desencarnados que a ele se associavam durante o desdobrar das paixões sexuais. A próstata, em processo de aumento, denotava desarmonia celular, avançando para a futura neoplasia maligna... Adormecido, Davi produzia ruídos e espasmos, característicos dos distúrbios do comportamento psicológico que eram liberados, naquele período, demonstrando uma situação aflitiva. (Guillaume e Gérard, pp. 134 a 136.)
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