Grupo de estudo das obras de andré luiz e




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Ágape - Refeição que os primitivos cristãos tomavam em comum. P. ext.: Banquete, almoço ou outra refeição de confraternização por motivos políticos, sociais, comerciais etc.

Antropossociologia - Parte da antropologia que estuda o homem no seu meio social. Estudo dos fenômenos sociológicos com base exclusivamente antropológica.

Antropossociológico - Referente à antropossociologia.

Charcot - Jean Martin Charcot (1825-1893): médico francês que introduziu profundas reformas no estudo da patologia nervosa. Suas aulas na Salpêtrière tiveram grande influência. Deve-se a ele a primeira descrição dos sintomas da histeria.

Diamantino - Que lembra o diamante, pela dureza e sobretudo pelo brilho. Estimável em alto grau; precioso. Adamantino.

Esfervilhar - Remexer-se muito; revolver-se com rapidez; fervilhar.

Freud - Sigmund Freud (1856-1939): neurologista e psiquiatra austríaco; criador da psicanálise. Freqüentou as aulas de Charcot na Salpêtrière, sobre histeria, por cujo estudo se interessou. Publicou em 1895, em colaboração com Breuer, a obra “Estudos sobre a Histeria”, que marcou o início de suas investigações psicanalíticas.

Gônada - Glândulas genitais de um ou de outro sexo -- testículos e ovários.

Hebetação - Ato ou efeito de hebetar; hebetamento.

Hebetado - Aparvalhado, atoleimado, apalermado; hebetizado. Embotado, obtuso, bronco.

Hebetar - Tornar bronco, embotado, obtuso. Tornar-se boto ou obtuso.

Higidez - Estado de saúde.

Histeria - Neurose que se caracteriza pela transformação de conflitos psicológicos em sintomas orgânicos.

Intimorato - Sem temor; destemido. (N.R.: Não confundir com intemerato: íntegro, puro, incorruto.)

Mitomania - Tendência mórbida para a mentira.

Paradoxo - Conceito que é ou parece contrário ao comum; contra-senso, absurdo, disparate. Contradição, pelo menos na aparência. Afirmação que vai de encontro a sistemas ou pressupostos que se impuseram como incontestáveis ao pensamento. Paradoxo socrático: Tese socrática que afirma: “Ninguém faz o mal voluntariamente, mas por ignorância, pois a sabedoria e a virtude são inseparáveis”.

Paráfrase - Desenvolvimento do texto de um livro ou de um documento conservando-se as idéias originais; metáfrase. Tradução livre ou desenvolvida. Comentário malevolente.

Psicótico maníaco-depressiva - Portador de psicose maníaco-depressiva: aquela em que a excitação se alterna com a depressão, podendo apresentar intervalos de aparente higidez mental; mania.

Ressumar - Deixar cair gota a gota; gotejar, destilar; deixar transparecer; revelar; patentear; mostrar-se.

Síndrome - Síndroma. Conjunto de sintomas ligados a uma entidade mórbida e que constitui o quadro geral de uma doença.

Trampa - Ardil, trama, tramóia. Ninharia. Excremento, fezes. No RS, armadilha para apanhar caça.

Ultriz - Ultrice. Que vinga. Mulher vingadora; mulher que se vinga.

Verruma - Instrumento cuja extremidade inferior é lavrada em hélice e acaba em ponta, usado para abrir furos na madeira; broca, tradinha.


5a. REUNIÃO
(Fonte: capítulos 14 a 17.)
1. Davi desperta e, pensando haver desencarnado, chora de medo - Dava pena ver Davi naquele estado, mas era ele responsável pelo que lhe sucedia. Conhecendo a Doutrina Espírita e recusando-se a viver-lhe a moral, sabia da gravidade do compromisso mediúnico; contudo, preferira seguir pelos atalhos perigosos da fascinação, da cegueira. Não lhe faltaram advertências, insistentes convites ao retorno ao dever, mas ele recusara todos e caminhava agora, quase a sós, por eleição pessoal, no rumo das companhias inferiores, que desejavam arrastá-lo para a alucinação total, o malogro da reencarnação. Liberado do sono anestesiante pelo Dr. Grass, relanceou o olhar em volta e atemorizou-se, julgando que estivesse desencarnado... A criatura humana, via de regra, valoriza sempre o que deixou de ter, o que ainda não possuiu, o que desperdiçou. Na vida moral, o fenômeno é equivalente. À aproximação da morte, ou em suspeita disso, formulam-se planos de enobrecimento, de realizações superiores, para logo abandoná-los, assim que passa o perigo, voltando-se à insensatez com redobrada volúpia. Foi o que Miranda observou em Davi. O despertar no plano espiritual levou-o às lágrimas e fê-lo retorcer as mãos em sinal de desespero, mas ele não orou nem buscou elevar-se em pensamento a Deus. A falta de unção e seriedade moral no trato com os desencarnados desalojara-lhe a mente das atitudes corretas. O Dr. Grass tranqüilizou-o com palavras gentis, explicando-lhe onde se encontravam e para o que ali estavam. Nesse momento, Leonardo, incorporado, abriu os olhos e acusou: “Não reconheço aqui ninguém com autoridade para constranger-me à submissão. Sou independente. Embora tenha amigos entre os Gênios, não faço parte do grupo. A minha é uma ação solitária e com meta bem definida”. Dr. Campos falou-lhe, dizendo não possuir efetivamente qualquer autoridade sobre ele e afirmando que a única que existe e direciona nossas vidas é Jesus. Quanto ao seu relacionamento com os Gênios do Mal, o Mentor informou-o de que cada pessoa é livre para eleger as companhias que deseja e, sendo assim, era ele livre para agir e colher os resultados de sua ação. (Guillaume e Gérard, pp. 136 e 137.)
2. É da Lei que ninguém foge de si mesmo, nem impede o progresso - O comunicante disse, então, que ali viera para interromper a farsa do seu infame inimigo, apontando o dedo em direção a Davi, que estremeceu, tornando-se lívido. Prosseguindo, explodiu: “É muito bom esse reencontro lúcido, porque desejo refrescar a memória do bandido, que se traveste de benfeitor dos ignorantes que o rodeiam em busca de migalhas, a troco da bajulação, da sórdida propaganda do seu nome. O infeliz está vendendo a própria alma a Satanás, enriquecendo, a fim de tudo abandonar, quando eu e outros consumarmos o plano que temos em mira...” O Dr. Campos lembrou-lhe existir um detalhe que não lhe havia ocorrido: a Providência Divina, mas o obsessor foi rápido na resposta, afirmando: “Ela não interferirá, porque o próprio dissipador não o permitirá. Odiento, é um poço de vaidade; frio emocionalmente, é a personificação do egoísmo refinado. Qualquer socorro que lhe seja dirigido, ele, comprometido como se encontra, recusará, porque não está disposto a fazer nenhuma concessão de referência a mudança de conduta. Se duvida, pergunte-lhe, e ouça a resposta do presunçoso. Somente pensa em acumular haveres, que os abandonará com o corpo, logo mais, quando tudo estiver consumado”. O doutrinador interveio dizendo que é da Lei que ninguém foge de si mesmo, nem se impede o progresso, que é inexorável. A vítima de hoje é o apoio do perseguidor amanhã, quando permite que brilhe no íntimo o amor. Quando permanece a animosidade, a vítima transferida para a posição de algoz mais se infelicita, porque jamais alcançará o seu final -- a destruição do adversário. “As vidas -- lembrou o Dr. Campos -- encontram-se tão mescladas, umas nas outras, que sempre voltam aos mesmos sítios e pessoas até que se superem através do amor, que arrebenta as algemas e une os corações. Por isso, quem perdoa se eleva e se fortalece, enquanto aquele que permanece no ódio, rebaixa-se e desidentifica-se, por largo período, da Realidade Superior.” O perseguidor de Davi respondeu ao Mentor, dizendo que pouco lhe importava o que viesse a suceder-lhe após vencer o covarde. Com certeza, não seria pior do que o ódio que o consumia, havia quase um século ou um pouco mais... Dr. Campos propôs-lhe, então, que recordassem os fatos do passado, convidando Davi a se aproximar do médium incorporado. Uma tela de substância alvinitente apareceu, em seguida, na parede fronteira aos litigantes, enquanto o Mentor propunha: “Recordem-se, recordem-se da batalha de Sedan (França). Era o dia 31 de agosto de 1870 e a guerra franco-prussiana chegava ao momento culminante. O marechal Mac-Mahon está diante da volumosa cavalaria do exército alemão do outro lado do rio Mossa... O medo assalta os corações e aguarda-se com alta tensão a ordem para atacar”. (O doutrinador descreveu então, na seqüência, as peripécias daquele ataque e as pesadas baixas sofridas pelo exército francês, inclusive a do seu próprio comandante. ) (Guillaume e Gérard, pp. 138 a 140.)
3. O ódio do obsessor por Davi tinha raízes no passado - À medida que o Mentor ia delineando os fatos, começaram a surgir as cenas das lutas, permitindo a Miranda e aos demais ali presentes acompanhá-las, como ocorre no cinema. Milhares de homens em retirada, sob o fogo pesado da artilharia, que provocava crateras no chão e consumia vidas preciosas a cada explosão, formavam um triste espetáculo. Simultaneamente, a cavalaria, avançando e subjugando os atrasados, estripava os caídos, sob a gritaria infrene da soldadesca asselvajada, das vítimas exangues e do relinchar dos animais atingidos ou estimulados a seguir pela espora. No fragor da luta surgem dois soldados franceses que também fugiam, quando um deles, alcançado por um petardo de obus, tomba, quase fulminado. O outro, com visível risco de vida, arrasta-o e logra salvá-lo. (As cenas se sucedem e apresentam depois uma área suburbana de Paris, onde o enfermo convalesce na casa do seu salvador, atendido por jovem mulher, que o cerca de carinho. Era ela a esposa de Guillaume, o herói; o enfermo chama-se Gérard. A França havia perdido a guerra para os germanos e pagaria alto preço por isso. Estabeleceu-se naquele lar uma afinidade muito grande entre o enfermo e sua benfeitora; o adultério que se seguiu foi mera conseqüência. Depois, descoberto o envolvimento dos amantes, aparecem na tela cenas de Guillaume enfurecido e sua morte: reagindo à fúria do amigo, Gérard o matou.) A Entidade que ora desejava vingar-se era Guillaume, o protetor que o outro traíra, indignificando-lhe o lar e roubando-lhe a vida. Eis a causa do seu ódio e o porquê da impossibilidade do perdão. O doutrinador, porém, ponderou, imperturbável: “Não negamos a hediondez da ingratidão, que é superlativa. No entanto, se recuarmos no tempo, iremos detectar desalinhos do amigo, que produziram esse golpe rude e macerador... Chega o momento de pormos um ponto final na pugna. A Divindade uniu-os como amigos para que superassem antigas rixas, porém Gérard não resistiu aos ímpetos da sua inferioridade, descambando na alucinação. Cabe a você refazer o caminho e abrir novas estradas para o futuro de ambos”. A reação do Espírito foi previsível, mas incisiva: ele nunca perdoaria os atos de Gérard, agora reencarnado como Davi, nem da mulher que o atraiçoara, reencarnada agora como a esposa recatada do médium, a qual lhe pagaria no momento próprio. (Guillaume e Gérard, pp. 140 e 141.)
4. A força sexual, quando desgovernada, espalha pânico e aflições - Pedindo licença para falar, Gérard/Davi tentou justificar-se: “Foi em defesa própria que cometi o crime. A Justiça reconheceu-o. Você estava enfurecido...” Guillaume replicou: “E não era para tanto? Albergar a serpente no próprio lar, para ser picado e por ela envenenado?” “A Justiça o absolveu -- aduziu o perseguidor --, porque aqueles, como estes, eram e são dias de iniqüidade, a mim cumprindo-me o direito de corrigir as leis ignóbeis.” Após o desabafo do perseguidor, o Benfeitor acercou-se dele e interferiu, dizendo: “Agora que as lembranças são mais nítidas, repense os seus planos. Conceda-se novas reflexões. Há tempo; no entanto, ele urge. Adormeça, a fim de descansar um pouco...” Dito isto, aplicou-lhe energias balsâmicas e repousantes, e Guillaume asserenou-se, adormecendo profundamente. Miranda ficou surpreso com a interrupção brusca da doutrinação, mas nada pôde perguntar ao Mentor, em face das atividades socorristas que prosseguiam na noite. Aquele drama era, porém, mais um dentre os casos derivados do sexo em desalinho, que, sob o comando do egoísmo, responde por grande número de aflições que atormentam a criatura humana. Remanescente dos impulsos primitivos da reprodução animal, escravizado às paixões do orgulho pessoal, constitui uma herança pesada no processo da evolução do ser humano. A força sexual, à semelhança de uma torrente impetuosa de água, deixada à solta, espalha pânico e morte; canalizada, preserva a vida. Desse modo, conduzi-la de forma segura para ser útil deve ser o pensamento e o desejo do ser inteligente, que assim vai superando seus limites, mediante as sábias conquistas do sentimento e da razão. (Guillaume e Gérard, pp. 141 e 142; e Advertências Salvadoras, pág. 143.)
5. O exercício da mediunidade deve ser realizado santamente - Raulinda e Leonardo se haviam recomposto e chegara a vez de Francisco oferecer a instrumentação mediúnica à psicofonia atormentada. A mesma Entidade, que fora trazida pelo amigo Fernando, incorporou-o então, transpirando azedume. Davi, que se encontrava sob a assistência do dr. Grass, foi chamado nominalmente pelo sofredor espiritual, que informou ter sido orientado pelo Soberano das Trevas para influir-lhe na conduta, contribuindo para a sua desestruturação, assim como a do seu trabalho. O comunicante disse, ainda, que o enfrentamento da Entidade zombeteira com o dr. Grass era parte do esquema, tanto quanto o plano da expulsão do médium da Casa Espírita, em razão do seu comportamento rebelde e insensato. Surpreso e tomado de receios injustificáveis, Davi começou a chorar. O dr. Campos acercou-se e falou-lhe com ternura paternal, enquanto o irmão Almiro dialogava com o semeador de pânico. “Davi -- disse-lhe o Mentor -- é necessário despertar para os compromissos espirituais. A mediunidade é faculdade cujo exercício deve ser realizado santamente, com altas cargas de responsabilidade e respeito. Ninguém aplica uma função destinada à elevação do ser, de maneira irregular, que não venha a sofrer as funestas conseqüências da atitude leviana. Ademais, você não desconhece que exercitá-la para o Bem é um dever, e que a amplitude dos fenômenos que lhe proporciona tem por meta facultar-lhe a reabilitação moral. De leviandade em leviandade, você mais tem agravado os compromissos que lhe cumpre ressarcir. A oportunidade de edificação passa rapidamente e é necessário aproveitá-la.” Após ligeira pausa, o Mentor prosseguiu: “A simonia é crime catalogado nos Códigos Divinos. A vida é muito valiosa em todas as expressões da Natureza, particularmente a humana, que você tem cuidado de forma irresponsável. Você é saudável, conseguiu uma profissão invejável, tem um lar rico de bênçãos. Por que negocia com a faculdade mediúnica, cujos recursos lhe são concedidos gratuitamente? Que tem feito da consciência, além de anestesiá-la nas ilusões mundanas? Você assumiu graves obrigações com a Vida, no que tange à caridade, que deve esparzir com as mãos cheias de amor. Não pense que o apoio cirúrgico do dr. Hermann, nos atos negociados, significa anuência ao erro. Ele assim procede em respeito aos enfermos, ludibriados pelos métodos ignóbeis que você estabeleceu para chegarem até ele. Dando vazão ao seu mau procedimento, quanto ganha o Autor das atividades socorristas, sem cujo concurso você nada pode? Como se permite um comportamento execrando de tal porte, que leva a outros extremos morais, desrespeitando o lar, as concessões da saúde e a conduta mediúnica? Não pense que aqui estamos somente para exprobrar-lhe o comportamento. Nosso objetivo é ajudá-lo”. (Advertências Salvadoras, pp. 144 a 146.)
6. Ninguém consegue enganar-se a si mesmo por muito tempo - Dr. Campos explicou-lhe, então, que aquela reunião tinha, entre outros objetivos, a finalidade de despertá-lo para a verdade e o bem e desintoxicá-lo dos vapores morbíficos a que se permitira, quando transitava pelos antros morais de luxo, mas nem por isso menos perturbadores. A presença de Guillaume tinha o propósito de fazê-lo compreender os perigos que o rondavam. “Esta sua atual reencarnação -- informou o Mentor -- é de resgate, de formosas provações e não de licenças morais. Não está previsto para você o mediunato, por enquanto, mas sim, a estrada redentora que o levará a esse labor elevado, caso se submeta aos imperativos do dever. Hoje são muitos os adversários que você tem granjeado pelo caminho, em ambos os planos da Vida. Mentes encarnadas e desencarnadas maldizem-no, vibram violentas na sua direção, atingindo os sutis equipamentos da sua mediunidade, que dá os primeiros sinais de falhas, de erros lamentáveis. Não há médiuns irreprocháveis. A Terra é planeta ainda inferior, porque nós que lhe estamos vinculados somos Espíritos inferiores, salvo as exceções compreensíveis. Recomece o trabalho do Bem, nas bases ensinadas por Jesus e reconfirmadas por Allan Kardec. Volte à simplicidade. Reparta o excesso, que lhe chegou de forma equivocada, com os que padecem carência. Ninguém consegue enganar-se a si mesmo por muito tempo.” No apelo do Benfeitor havia a vibração de ternura, mas também de severidade, sem margem a interpretações errôneas. “Não esqueça -- concluiu o Benfeitor -- que depois das alucinações em França você desencarnou, vitimado pela negligência moral, reencarnando-se quase de imediato na Romênia... Lá conheceu, mais tarde, o dr. Grass, ajudando-o em experiências nefastas com cobaias humanas, na condição de seu enfermeiro, aferrados ambos ao mais cruel materialismo. Passada a Primeira Grande Guerra e desencarnando em grande indigência espiritual, um e outro comprometeram-se a reparar os crimes auxiliando vidas, diminuindo-lhes a aflição e amparando os sofredores, o que hoje deveria ocorrer com amplitude, conforme a proposta inicial, quando do despertar da faculdade. O futuro você o escreverá, conforme lhe aprouver.” Concluindo, dr. Campos abraçou-o com afeto, adindo, emocionado: “Que o Divino Médico nos cure interiormente!” O dr. Hermann Grass, visivelmente emocionado, abraçou então o Mentor e pediu licença para expressar-se, enquanto ao lado a palavra de Almiro havia acalmado o infeliz comunicante, que, desligado do médium Francisco, foi levado a sono profundo, para futuras terapias. (Advertências Salvadoras, pp. 146 e 147.)
7. Dois seres vinculados pelas ações negativas do passado - Dr. Grass aproveitou então o ensejo e falou assim ao seu comparsa do passado e médium no presente: “Davi, não há outra alternativa para nós, a partir deste momento, senão a da edificação moral. Aliás, nunca houve outra antes. Nós a tomamos com mãos incapazes e lhe alteramos o rumo no passado, e os efeitos danosos ainda remanescem em nosso mundo íntimo. Estamos vinculados pelas ações negativas, e o pranto, a dor, o desespero de muitas vidas que amarguramos, limitamos e ceifamos, permanecem clamando pela reparação. Jesus-Cristo nos convidou à retificação dos nossos delitos: a mim, pela condição de verdugo do próximo e a você, pela de comparsa igualmente cruel. Eu prossigo médico, utilizando-me dos seus órgãos físicos e manipulando-os, tendo-o como auxiliar, que me deve ser maleável, acessível...” (Dr. Grass lembrou-lhe então os primeiros tempos do trabalho realizado, em que atendiam os infelizes mais desventurados, porque, além das dores que os dilaceravam, padeciam da injunção rude da miséria econômica.) “Recebíamos -- disse o cirurgião desencarnado -- os seus sorrisos ingênuos e agradecidos, suas vibrações de amor e suas preces intercessórias por nós, ensejando-nos o equilíbrio e a saúde da alma. Como éramos felizes então!” A emoção embargou-lhe a voz. Conhecido pela forma rude com que tratava a clientela, o dr. Grass agora se desnudava. Certamente, sua habitual maneira de apresentar-se era um mecanismo de autodefesa, um cuidado para não revelar-se. Mesmo nos círculos espirituais, onde era respeitado, alguns o tinham como um companheiro áspero, desidentificado dos sentimentos fraternos e do Evangelho, e, todavia, ele ali tentava agora reerguer o amigo invigilante, argumentando com a lógica da razão e a vibração do afeto. Reconhecendo terem ambos perdido o rumo, dr. Grass explicou-lhe que, a continuar com a mesma conduta, em breve não haveria campo no seu psiquismo mediúnico para a continuidade do intercâmbio que até então mantinham. Neste caso, ele, Hermann Grass, seria constrangido a prosseguir com outros, onde, quando e conforme o Senhor lhe facultasse. Concluindo, dr. Grass asseverou: “Vejo-o, não poucas vezes, assessorado por seres malfazejos que já se utilizam de você fingindo tratar-se de mim... Porque a sua sensibilidade está ficando embotada, não se dá conta da diferença das energias deles e das minhas. A mistificação toma-lhe espaços largos e os sinais de alarme são detectados: os pacientes pioram; para alguns são receitados produtos inadequados ao pós-operatório, às ocultas; outros adquirem infecções depois da cirurgia; mais outros sofrem riscos de vida... Quando você vai parar? Agora é a sua existência física tornando-se exposta. Você quase nada conhece do mundo dos Espíritos onde estamos. Todo cuidado é pouco. Aproveite este momento, Gérard...” (Advertências Salvadoras, pp. 147 a 149.)
8. Em toda parte o trabalho e o movimento são incessantes - Seguiu-se um silêncio geral após a fala do dr. Grass, sendo até possível, segundo Miranda, ouvir-se as vibrações do Bem que pairavam no ar. Encerrada a reunião com prece proferida pelo irmão Almiro, dr. Hermann conduziu Davi ao corpo em sono profundo, e os demais companheiros encarnados foram, de igual modo, encaminhados aos respectivos lares. O relógio assinalava quatro horas da manhã. A reunião, além dos benefícios propiciados aos comunicantes desencarnados, ensejara a Miranda material excelente para estudos e reflexões. A primeira diz respeito ao amor de Deus por todos nós, facultando-nos o serviço de iluminação incessante, graças ao qual o processo de ascensão faz-se mais suave e enriquecedor, sem a aspereza das provas que elegemos em conseqüência da rebeldia sistemática. Como não existe repouso significando ausência de realização, o trabalho e a ação edificante permanecem constantes, proporcionando a conquista de recursos preciosos, o que é ignorado por grande parte de homens e mulheres, que avançam descuidados pela senda das lutas terrestres. Considerando a vida como sendo apenas o automatismo biológico e a fatalidade das ocorrências humanas, tais pessoas pensam exclusivamente em desfrutar das oportunidades, assinalados por terrível hedonismo. Mesmo entre muitos espiritualistas, persiste o desconhecimento das realizações fora do corpo, acreditando-se que as horas do sono são apenas de refazimento para o organismo e a alma. Os movimentos da vida, contudo, não cessam, do mesmo modo que não param os labores espirituais. O vácuo absoluto, o silêncio total e o repouso pleno resultam de percepções nossas, inadequadas, porque em toda parte o trabalho e o movimento são incessantes, impulsionando o progresso ilimitado. (Advertências Salvadoras, pp. 149 e 150; e Diálogos Esclarecedores, pp. 151 e 152.)
9. A importância da terapia holística - Confirmando o pensamento de Miranda, dr. Campos asseverou que, realmente, tudo em a Natureza serve, obedecendo a imperativos inalteráveis das Leis Cósmicas. Nas primeiras expressões da vida, os automatismos da evolução propõem crescimento e transformações incessantes. À medida que a consciência adquire lucidez, mais se ampliam as perspectivas de ação. Se houvesse o repouso, tudo volveria ao caos do princípio. Desse modo, na atividade contínua, o Espírito transfere suas metas para patamares mais altos e mais nobres, atraído pela perfeição que anela. Miranda aproveitou a oportunidade que se apresentava, para indagar sobre a médium Raulinda. Essa irmã poderia ser classificada como obsidiada, não obstante as disfunções ovarianas e os distúrbios assinalados pelos neurotransmissores que a levavam à depressão? Dr. Campos esclareceu: “As conseqüências das leviandades cometidas estão impressas pelo Espírito nos seus equipamentos físicos, caracterizando-a hoje como uma enferma do aparelho genésico e vítima de transtornos psicológicos. Em face do exposto, ela necessita de assistência ginecológica e psiquiátrica. Todavia, porque se encontra assinalada pela consciência de culpa, que gera a auto-obsessão, e pela perseguição da sua vítima, em processo de perturbação obsessiva, diagnosticamos uma parasitose espiritual”. O Mentor explicou que os dois distúrbios se mesclam, sendo difícil estabelecer as fronteiras onde um começa e o outro termina. É por isso que, em casos dessa natureza, em que se misturam os fenômenos perturbadores, os pacientes necessitam de uma terapia holística, que engloba a participação das diferentes áreas da ciência médica e espírita: leitura educativa, passes, água fluidificada, desobsessão e renovação íntima aplicada ao bem. “Recorreríamos, também, à contribuição da Sociologia, amparando o grupo familial, indiretamente envolvido na problemática”, acrescentou o dr. Campos. “Alongando a análise, buscaríamos a ajuda da Ecologia, em considerando o envenenamento do ar que se respira; da Agricultura, respeitando as técnicas naturais da adubação e conseqüente diminuição dos agrotóxicos...” O Médico lembrou, a propósito disso, que a aplicação desordenada de hormônios em aves e animais, a fim de que se desenvolvam mais rapidamente, alterando-lhes o ciclo biológico da postura, da reprodução e do crescimento, tem causado danos ao organismo humano. “Em uma sociedade justa, realmente cristã, antes se pensará no ser propriamente dito, do que nos lucros que se pretenda obter dissociados do dever ético para com a vida”, asseverou o Mentor, reconhecendo, no entanto, que estão distantes os dias em que esses comportamentos vicejarão. (Diálogos Esclarecedores, pp. 152 e 153.)
10. Não se resgatam dívidas apenas com boas intenções - Feitos esses esclarecimentos a respeito da valiosa contribuição que a ciência e a tecnologia podem prestar em favor da saúde e do bem-estar, dr. Campos deteve-se no caso específico de Raulinda. Miranda perguntou-lhe se o afastamento do Espírito perturbador propiciar-lhe-ia a desejada recuperação da saúde. O Mentor assim respondeu: “Devemos ter em mente que a nossa irmã encontra-se incursa em vários itens das Leis que desrespeitou, estando gravados em seu íntimo os imperativos da necessidade de reparação. Ocorrendo a mudança de comportamento do seu atual perseguidor, a atitude será, para ele, salutar, por libertar-se da injunção do ódio, mas para ela será apenas amenizadora dos sofrimentos, não liberadora. Terá a carga de aflições diminuída, porém os sintomas perturbadores permanecerão, desaparecendo à medida que se submeta às terapias referidas. Os órgãos citados encontram-se lesados no perispírito e no corpo físico, requerendo assistência especializada, como é natural”. Dito isto, dr. Campos observou: “Pensa-se, com leveza, que o simples afastamento do obsessor faculta a recuperação plena do obsidiado. Em todo aquele que sofre perseguição espiritual, encontramos os resíduos maléficos dos seus atos desvairados, aguardando superação. Não se resgatam dívidas somente com boas intenções. Elas são o primeiro passo para as ações dignificadoras, que liberam, não porém suficientes para a sua quitação. O caminho de quem deslustra o dever é estreito e difícil. Por isso, é melhor atender as obrigações, do que as defraudar. Educar é fácil, mesmo com os empecilhos que se apresentam; reeducar é mais complicado, corrigindo os hábitos malsãos e instalando os dignificantes”. Nada mais justo. Afinal, o delito por ela cometido fora muito grave... Quando as criaturas assimilarem a idéia de que o mal é pior para quem o pratica, evitá-lo-ão com energia. Ter-se-á chegado, então, a um período em que o bem predominará, desaparecendo a pouco e pouco as chagas morais que decompõem o ser e afligem o organismo social. O combate, portanto, ao egoísmo deve ser constante e de emergência, sem margem a escapismos. Esclarecido o caso Raulinda, Miranda indagou ao Mentor qual a razão de não se haver insistido na doutrinação de Guillaume, o adversário espiritual de Davi, liberando-o antes de tê-lo conscientizado do seu erro. Dr. Campos esclareceu: “O nosso objetivo, naquele momento, era o despertamento moral do médium leviano, não do seu antagonista. Esclarecido o último, e permanecendo os desequilíbrios do primeiro, viriam outros celerados afins e o problema mudaria apenas de mãos, continuando inalterado”. (Diálogos Esclarecedores, pp. 154 a 156.)
11. O sentimentos nobres, quando feridos, cicatrizam mais facilmente - Referindo-se a Guillaume, o Mentor afirmou que a experiência lhe foi muito proveitosa, por ensejar-lhe realizar uma catarse das mágoas retidas na alma. A terapia produzir-lhe-ia efeito lentamente, preparando-o para a autocura e o conseqüente perdão dos males que o amigo ingrato e a antiga esposa lhe causaram. Os sentimentos nobres, quando feridos, cicatrizam com facilidade, em razão da qualidade de que são constituídos. Quando escasseiam, mais demorada se faz a remoção das mágoas e dos rancores preservados. Por aí se vê que, em tudo e todos, o amor é o grande gerador de soluções. Quanto a Davi, lamentavelmente tudo estava a indicar que ele necessitaria de uma terapia de choque mais forte... “Inegavelmente -- explicou dr. Campos --, aqueles que têm uma vida psíquica e mediúnica mais ativa podem recordar-se das experiências extracorpóreas com mais facilidade que os outros. Não obstante, em face da conduta a que se tem entregue o amigo invigilante, os seus sensores psíquicos estão muito impregnados dos interesses que vem cultivando e fixando no inconsciente, a prejuízo das idéias e pensamentos elevados. Assim sendo, apesar do susto experimentado e das graves admoestações ouvidas, assomarão à consciência apenas alguns vestígios das ocorrências. Ele identificará o fenômeno como de natureza mediúnica, por sentir-se extenuado durante todo o dia, porém, com os estímulos do corpo viciado e das ambições em crescimento, buscará esquecê-lo.” (O Mentor disse, ainda, que Davi perceberia estar em perigo, mas atribuiria o fato a perseguições de pessoas invejosas da sua faculdade e fugas psicológicas outras. A afeição aos prazeres perturbadores intoxica o psiquismo e o corpo da pessoa que se torna dependente, fazendo lamentáveis quadros de depressão e amargura quando não mais pode neles exaurir-se. Além disso, Davi estava se acostumando, por livre escolha, aos vapores anestesiantes da luxúria, da concupiscência e do poder.) Depois de breve reflexão, o Benfeitor informou: “Estamos muito interessados, todos que nos movimentamos nas atividades das terapias holísticas sob as luzes do Espiritismo, e outros trabalhadores do Bem, no estudo das quatro legítimas verdades com que o Soberano das Trevas denominou ironicamente suas estratégias de perseguição às criaturas, por considerarmos de alta gravidade a programação em pauta. É claro que não o responsabilizamos pelo desbordar das paixões asselvajadas que varrem a Terra em nossos dias, o que seria atribuir-lhe demasiado valor e poder, que não correspondem à verdade. Todavia, chama-nos a atenção o volume dos despautérios que ora dominam as pessoas vinculadas ao Espiritualismo”. (Diálogos Esclarecedores, pp. 156 a 158.)
12. Os descalabros morais prenunciam para a Terra muita dor - O dr. Campos explicou que, de sua parte, não havia nenhum interesse em impor a essas pessoas normas de conduta e ação. “Reconhecemos -- disse ele --, como já foi ventilado anteriormente, que a inferioridade moral e o primitivismo, que levam as criaturas aos extremos das paixões, são fase natural do seu processo evolutivo. A nossa preocupação é com aqueloutros que já deveriam ter ultrapassado essa faixa e que nela se fixam, ou a ela retornam com ardor indisfarçado. Por isso mesmo, não cessaremos de abordar o tema, de divulgar as informações que, por uns subestimadas e ridicularizadas, noutros indivíduos encontrarão ressonância e abrigo, ajudando-os na luta contra as sutis interferências obsessivas, assim como na epidêmica situação a que quase todos se encontram expostos.” A preocupação do Mentor não era, pois, somente com Davi, mas com todos os envolvidos no surto que se alarga entre as pessoas. Miranda anuiu completamente a tudo quanto o Benfeitor dissera, porquanto a evidência do acerto das suas palavras está na alucinada descoberta do sexo pela atual sociedade. Os descalabros morais são crescentes e, associados à volumosa onda de violência que estarrece, ameaçam todas as construções éticas e civilizadas das gerações passadas, prenunciando uma fase de grande renovação da Humanidade terrena, através da dor. O esquecimento propositado das estruturas éticas tem facilitado, segundo Miranda, a morte de nobres conquistas humanas através dos séculos: a monogamia, a família, o amor aos filhos e a recíproca dos filhos para com os pais, o respeito ao próximo, o equilíbrio sexual. “Os ventos do desespero e da anarquia -- assevera Miranda -- sopram em todas as direções, ameaçando de destruição tudo quanto encontram. Concomitantemente, por efeito do desastre, aumenta o egoísmo, e a solidão assinala as vidas; a tristeza e a frustração se unem em clima de amargura; a fuga pelos tóxicos se torna lugar comum; o suicídio multiplica-se nas estatísticas; o desespero estiola preciosas florações da vida humana; o aborto aumenta os seus índices...” (Diálogos Esclarecedores, pp. 158 e 159.)
13. As impressões do que acontece à noite variam de pessoa a pessoa - Evidentemente, não se ignora o heroísmo de milhões de seres que se erguem para impedir o desastre, deter a onda da alucinação, diminuir a miséria, encontrar terapias para as enfermidades dilaceradoras e fomentar a paz entre os indivíduos e as Nações. Suas vozes, às vezes, parecem soar nos desertos dos sentimentos. Eles, porém, prosseguem. “Juntamo-nos -- esclarece Miranda -- a esses construtores do progresso, interessados em contribuir com as nossas experiências do além-túmulo, chamando-lhes a atenção para o fenômeno psicopatológico das parasitoses por obsessão, tão graves e cruéis quanto as outras que eles já identificaram e combatem.” Feito esse registro, Miranda conta que, horas depois, ao amanhecer, foi, juntamente com Fernando, acompanhar o despertar de alguns dos amigos que participaram das atividades espirituais em parcial desprendimento, com objetivos de observação e estudos. O Sr. Almiro apresentava-se bem disposto e otimista, e recordava-se fragmentariamente dos acontecimentos da noite, fato que lhe proporcionava imensa alegria. Mais tarde, foi chamado ao telefone por Leonardo, que narrou parte das lembranças que lhe perduravam na memória, entretecendo considerações oportunas e dizendo-se muito gratificado. Diferente era a situação de Raulinda, que, pelo hábito de fixar os fatos desagradáveis em detrimento dos bons, acreditava ter sido vítima de cruel pesadelo, no qual era perseguida por odiento adversário ameaçador, que a exaurira durante a noite. Ressumando mal-estar e pessimismo, e vacilante quanto aos próprios recursos, a jovem não considerava os de origem superior, colocados em seu auxílio, e desse modo -- queixando-se dos sintomas habituais -- iniciou o seu dia sem esforço pela renovação íntima. (Diálogos Esclarecedores, pp. 159 e 160; e Prejuízos e Conquistas Espirituais, pág. 161.)
14. Como se forma e se acessa a memória - Enquanto Francisco guardou algumas reminiscências das atividades, que passaram a estimulá-lo para mais cuidadoso treinamento e educação da mediunidade, o médium Davi despertou com vivas impressões dos sucessos. Tentou concatenar as idéias, dando ordem racional ao desdobramento, porém não se interessou em aprofundar o conteúdo da mensagem recebida. Acreditando ser um missionário salvador de vidas, perdeu-se na presunção e supôs que fora alguma trama para impressioná-lo. Sentindo-se algo debilitado, ao invés de admitir como sendo conseqüência das suas leviandades, considerou o caso como de origem espiritual, decorrente do sonho desagradável. Recorreu então a breves exercícios físicos, olvidando-se da oração, e, prelibando o dia repleto de compromissos promissores, procurou banir da memória as lembranças positivas. O hábito salutar da oração, da reflexão ao despertar matinal, propicia o conscientizar das ocorrências espirituais durante a noite, de modo a se incorporarem ao patrimônio mental, favorecendo o enriquecimento da emoção. Inquirido por Miranda a respeito dos registos mentais, dr. Carneiro de Campos elucidou: “A questão que diz respeito à memória, à fixação dos acontecimentos, é bastante complexa. Normalmente, a memória é formada por experiências vivenciadas sob diferentes aspectos: a) através dos sentidos, embora não se memorize tudo, havendo uma seleção de aspectos ou conteúdos que mais chamaram a atenção e que permanecem; b) não se gravam as memórias de maneira global, terminante, tornando-se acessíveis ou não, após captadas as informações, sendo mais facilmente evocadas aquelas mais recentes do que as anteriores, dando-se um fenômeno de fixação logo após o seu evento, pela transferência de uma faixa superficial para outra de caráter permanente; c) as memórias podem ampliar-se, acumulando novas informações após os momentos iniciais em que adquiriram as impressões, às vezes por circunstâncias endógenas que têm lugar no organismo, sob a ação da experiência, quais sejam a Bendorfina, a adrenalina e outras; d) as memórias, em si mesmas, são globais e não parciais; os fatores que as trazem à evocação variam e respondem pela sua fragmentação ou inteireza. Desse modo, o hábito de registrar convenientemente as informações, através da atenção, muito contribui para os resultados positivos. Os demais elementos são de natureza orgânica, encontrando-se no hipocampo e na amígdala”. Prosseguindo, acrescentou o Instrutor: “A memória tem sido muito estudada, todavia os conhecimentos a respeito dos seus mecanismos permanecem reduzidos, como nos casos do armazenamento das informações, da classificação de tipos, não sendo factíveis de momento as investigações diretas. No entanto, as suas conseqüências têm sido bem detectadas e catalogadas. O cérebro, onde se arquivam, é o equipamento orgânico de maior complexidade que se conhece, cujas funções múltiplas deslumbram ainda os maiores conhecedores dos seus mecanismos. Não apenas responde pela exteriorização da vida mental, mas é responsável também por quase todas, senão todas as manifestações e ocorrências físicas. Resistente e delicado ao mesmo tempo, é o conjunto eletrônico mais sensível e completo que o homem jamais conheceu”. (Prejuízos e Conquistas Espirituais, pp. 162 a 164.)
15. Os sonhos englobam estados parciais de desdobramento da alma - Na seqüência, o Mentor falou sobre os sonhos e as superstições que os cercam, vendo neles, muitas vezes, o prenúncio de acontecimentos futuros. Amplamente estudados por Freud, Jung e pelos psicanalistas em geral, os sonhos refletem estados íntimos profundos, distúrbios orgânicos, sexuais e outros, sendo também um amplo capítulo para pesquisas pelas Ciências Psicobiofísicas e pelo Espiritismo, por englobarem os estados parciais de desdobramento do ser durante o sono natural. “Muitos estudiosos, assim como alguns charlatães -- disse o Mentor --, organizaram todo um esquema de símbolos para interpretá-los, apresentando significados hipotéticos, sem qualquer sentido de realidade, porém muito do agrado da ingenuidade. Não se nega, à luz da psicanálise, o conteúdo de muitos desses símbolos e sinais, que respondem pela realidade do ser. A conscientização das memórias espirituais, dos acontecimentos, na dimensão extrafísica, decorre de disciplinas mentais, morais e do desprendimento paulatino das paixões mais grosseiras, aquelas que entorpecem as percepções do Espírito nos equipamentos orgânicos.” Quando dr. Campos silenciou, Miranda pôs-se a reflexionar, concluindo, mais uma vez, que o cultivo da vida psíquica exige disciplina e educação mental, de modo a possibilitar a vida em faixas vibratórias compatíveis. Desse modo, o ser fisiológico cede lugar ao psicológico, cujas atividades têm preponderância espiritual. A mediunidade, por isso mesmo, em sua expressão orgânica, é faculdade do Espírito, que se veste de células para permitir a exteriorização dos fenômenos de origem espiritual. A sua educação exige, entre outros fatores, a interiorização do indivíduo, silenciando tormentos, para melhor perceber, na interação mente-corpo, o que acontece à sua volta. Sem o equilíbrio psicofísico mui dificilmente se captam corretamente as paisagens e a vida fora da matéria. A sensibilidade mediúnica encontra-se presente em todas as criaturas que, vez por outra, apresentam os pródromos da faculdade, sem maiores conseqüências. Entretanto, a manifestação ostensiva é propriedade somente de alguns organismos, que expressam necessidades do ser reencarnado no processo de evolução. Em razão disso, descortinamos variadíssima gama, assim como graus, da percepção mediúnica. À medida que o homem e a mulher dêem atenção às suas faculdades psíquicas, desenvolvendo-as com cuidado e atenção, desdobrá-las-ão, favorecendo-se para o futuro, quando a mediunidade se tornará normal, deixando a classificação de paranormalidade para se fixar como um sexto sentido, qual a denominou o professor Charles Richet. A criatura humana do futuro será portadora consciente de mais essa percepção, que hoje se lhe apresenta ainda envolta em mistérios e superstições, mas que o Espiritismo aclara e conduz com segurança. (Prejuízos e Conquistas Espirituais, pp. 164 e 165.)
16. Quase cem Espíritos participam do culto cristão no lar - Lembra Miranda que já encontramos na sociedade a telepatia inconsciente, a premonição, a intuição, a clarividência, entre os fenômenos anímicos, e a obsessão, direta quanto indireta, ensaiando a psicofonia, embora ainda tumultuada. O processo de evolução é irreversível e a conquista de valores enobrecedores é inevitável. À medida que o ser evolui torna-se menos grotesco, menos material, sutilizando as suas manifestações, que decorrem das aspirações cultivadas. No lar de Ernestina, onde ele e Fernando se hospedavam naqueles dias, era domingo, o dia reservado ao estudo espírita do Evangelho no lar, de alto significado para a dona da casa e para os participantes habituais, quanto para os que, como Miranda, ali estavam de passagem. A partir das dezessete horas começaram a chegar os desencarnados amigos, procedentes de comunidades diferentes. A ocasião era propiciatória a muitos júbilos, em razão das vibrações refazentes que ali se experimentavam. Verdadeiro santuário, o lar era o protótipo dos futuros ninhos domésticos de onde se irradiarão harmonias para a humanidade. A dimensão física da sala de reuniões desaparecera, cedendo lugar a um espaço amplo e acolhedor, onde quase uma centena de Espíritos podiam acomodar-se sem atropelos, embora os encarnados não devessem ultrapassar a vinte. Às dezenove horas, deram entrada os primeiros sofredores desencarnados, sob carinhoso amparo de familiares zelosos, a fim de que se beneficiassem com a psicosfera reinante, ouvissem os estudos, recebessem as vibrações de paz e ânimo para o despertar, o prosseguir em confiança. No passado da humanidade, no tempo em que não havia a conscientização lúcida sobre a vida espiritual, os Benfeitores se utilizavam dos cultos religiosos, quando se reuniam com unção para orar, ou de lares nos quais a presença de Jesus se fazia constante. Nem todos os religiosos, assim como seus pastores, eram desonestos ou irresponsáveis, tratando-se, muitas vezes, de indivíduos afetuosos, nobres, verdadeiros exemplos de dignidade e exemplificação. Por causa da defecção de alguns, não se pode generalizar o conceito negativo contra os religiosos e as religiões. Dispomos agora da Doutrina Espírita, que, no entanto, ao ser praticada, encontra muitas dificuldades e impedimentos, porque é comum, entre os indivíduos, a tentativa de se submeter as mensagens à própria interpretação, impondo seus caprichos e gerando dissídios, incompatibilizando-se uns contra os outros em tristes espetáculos de exibição do egoísmo. Quinze minutos antes do horário marcado para o início do culto, chegaram os membros da reunião, que aguardavam aquele encontro hebdomadário com certa ansiedade, tais os benefícios que hauriam, assim como os planos que formulavam para as atividades da semana. À hora convencional, os convidados estavam sentados em torno da mesa, e os Espíritos, igualmente acomodados, aguardavam a abertura do evento, quando dona Apolônia, num gesto de cortesia e distinção, convidou o dr. Carneiro de Campos a dirigir os serviços espirituais da noite. (Prejuízos e Conquistas Espirituais, pp. 165 a 168.)
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