Grupo de estudo das obras de andré luiz e




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Bioenergia - Embora não registrado nos dicionários, esse vocábulo se refere à energia psicofísica transmitida de uma pessoa a outra através da imposição de mãos ou dos passes magnéticos.

Brida - Rédea. A toda a brida: em disparada, à disparada.

Caldear - Tornar incandescente, pôr em brasa (o ferro etc.). Soldar, ligar metais (metais em brasa). Converter em calda ou massa. Amalgamar, misturar. Fig.: Mestiçar.

Canga - Peça de madeira que prende os bois pelo pescoço e os liga em carro, ou ao arado; jugo. Pau que carregadores põem aos ombros para suspender fardos. Antigo instrumento de suplício usado em parte da Ásia, formado por uma tábua com furos, onde se prendia a cabeça e as mãos dos condenados; ganga. Concentração de hidróxidos de ferro na superfície do solo sob a forma de concreções e que às vezes constitui bom minério de ferro. Fig.: Opressão, sujeição, jugo.

Canhestramente - De modo canhestro.

Canhestro - Feito às canhas, às avessas, desajeitadamente. Desajeitado, desengonçado. Acanhado, tímido.

Carraspana - Bebedeira. Repreensão.

Catarse - Purgação, purificação, limpeza. Efeito salutar provocado pela conscientização de uma lembrança fortemente emocional e/ou traumatizante, até então reprimida. Evacuação, natural ou provocada, por qualquer via. O efeito moral e purificador da tragédia clássica.

Cordato - Prudente, sensato, que tem bom senso. Que se põe de acordo.

Cordeiro - Filhote ainda novo de ovelha; anho. Fig.: Pessoa mansa e inocente.

Desaire - Falta de elegância, de distinção. Deselegância. Falta de decoro; inconveniência. Descrédito, desdouro, mancha.

Desar - Revés da fortuna; desgraça.

Doesto - Acusação desonrosa; insulto, vitupério, injúria. (Lê-se: doésto.)

Dúctil - Que pode ser reduzido a fios, estirado, distendido, sem se romper; flexível, elástico. Fig.: Dócil, amoldável, contemporizador.

Ébrio - Embriagado, alcoolizado; que se embriaga habitualmente; que é dado ao vício de beber; bêbedo ou bêbado, bebedor, beberrão, cachaceiro, biriteiro, borracho, ebrioso, temulento. Aturdido, estonteado, tonto. Fig.: Arrebatado por algo que enleva ou encanta; extasiado. Que se acha em estado anormal por efeito de paixão, ou de qualquer intensa perturbação emocional; alucinado. Sedento, sequioso, ávido.

Esculápio - Médico. (O vocábulo origina-se de Esculápio: deus da medicina na mitologia greco-romana.)

Gameta - Célula sexuada e haplóide dos seres vivos, encarregada da reprodução mediante a fecundação ou fusão nuclear. A célula feminina diz-se óvulo ou oosfera. A masculina, espermatozóide ou anterozóide. O produto de sua união é o ovo ou zigoto.

Indigitado - Indicado, apontado. Que está apontado como culpado de crime ou de falta.

Libação - Ato de libar. Entre os pagãos, ritual religioso que consistia em derramar um líquido de origem orgânica (vinho, óleo, leite etc.) como oferenda a qualquer divindade. Ato de libar ou de beber, mais por prazer que por necessidade.

Libar - Beber, sorver, tragar, delibar. Tragar o conteúdo de. Chupar, sugar. Experimentar, gozar. Fazer libações.

Lubricidade - Qualidade de lúbrico. Fig.: Lascívia, sensualidade, cabritismo.

Lúbrico - Escorregadio, resvaladiço. Úmido ou liso a ponto de fazer escorregar. Fig.: Lascivo, sensual.

Luxúria - Viço ou exuberância das plantas. Incontinência, lascívia; sensualidade. Dissolução, corrução, libertinagem.

Ovo - Corpo formado no ovário, resultante da fecundação do óvulo (ou célula reprodutora), e que se compõe de protoplasma, vesículas germinativas, albuminas, graxas e envoltórios protetores.

Paul, pauis - Pântano, pântanos. (Lêem-se: pa-úl, pa-úis.)

Relho - Chicote de couro torcido. (Lê-se: rêlho.)

Ressumar - Deixar cair gota a gota; gotejar, destilar; deixar transparecer; revelar; patentear; mostrar-se.

Sotaina - Batina de padre. Padre, sacerdote.

Vexilário - Porta-bandeira. (Lê-se: vec-silário.)

Vexilo - Bandeira, estandarte. (Lê-se: vec-silo.)

Vilegiatura - Temporada que se passa no campo, na praia, ou em digressão de recreio, na estação calmosa. Digressão recreativa, fora das grandes povoações, ou por estações balneares. Veraneio.


7a REUNIÃO
(Fonte: capítulos 21 a 23.)
1. O comparsa do adversário de Raulinda promete vingança - Não haviam faltado a Raulinda demonstrações de afetividade de ambos os planos da vida, nem as evidências da imortalidade e da interferência mediúnica na sua existência. A jovem médium optou, no entanto, espontaneamente, pelo sinuoso caminho dos sofrimentos, que a poderão beneficiar caso os aceite com elevação moral, mas que não estavam delineados daquela forma. Observando atentamente o adversário espiritual da jovem médium, Miranda percebeu que o Espírito, sentindo-se aprisionado pelo zigoto, que dava continuidade ao fenômeno da mitose celular, esbravejava, tentando, mentalmente, romper o vínculo magnético entre ele o futuro corpo somático, para produzir a anulação da vida física. Impossibilitado, começou a agir psiquicamente no comportamento da paciente, aumentando-lhe o arrependimento, exprobrando-lhe a conduta, induzindo-a ao suicídio como solução para a desonra a que se entregara. Interferindo nas tardias reflexões da moça, ampliava-lhe o pavor a respeito do futuro e das dificuldades no lar que desrespeitara, desconsiderando a confiança dos pais. Desse modo, ameaçando-a, atemorizava-a ainda mais ao dizer-lhe: “Serei teu filho, sem o desejar. Cobrarei, nos teus braços, o que me deves...” Como se irrompesse um vulcão, Raulinda, ouvindo-o e desarvorando-se, ia precipitar-se porta a fora, a gritar, quando Vicente começou a libertá-la das energias perniciosas que a envolviam, após o que lhe aplicou reforço magnético de calma e confiança, levando-a a um torpor benéfico. Passou então, de imediato, a interferir no processo da reencarnação do aturdido Espírito, que não se dava conta daqueles sucessos e experimentava os primeiros choques, resultantes da imantação ao ovo. Nesse instante, entrou no recinto uma Entidade de aspecto hediondo que, ao encontrar ali Vicente e seus companheiros, deteve-se a regular distância e, após ligeiro diálogo com o pré-reencarnante, dominado por incontida fúria, afastou-se blasonando desforço e providências severas a serem tomadas pelo Soberano das Trevas. Vicente, muito sereno, esclareceu: “Miranda, na ocorrência que acompanhamos podemos anotar inúmeros fenômenos, todos filhos do desequilíbrio humano e da ligeireza da fé religiosa quando não se estrutura na razão, fixando-se no comportamento. Não pretendemos, com isso, censurar a conduta da nossa Raulinda. Os nossos comentários objetivam propiciar-nos reflexões profundas. De início, desde os momentos que precederam à sua opção pela auto-entrega ao desfrutador inescrupuloso, a nossa amiga não recorreu à oração, à comunhão com Deus, tornando-se acessível à inspiração superior”. (Ocorrência Grave, pp. 200 a 202.)
2. A oração acalma as ansiedades do coração - O Benfeitor espiritual, prosseguindo seus esclarecimentos, lembrou então que Raulinda, deixando-se perturbar pelos apetites sexuais, não recorreu, sequer uma vez, à providência da prece, que por certo a acalmaria, ajudando-a a discernir melhor. Continuando o desalinho do comportamento mental, embora arrependida, não pensou no recurso da comunhão psíquica com o Pai, o que facilitou, na faixa vibratória em que permaneceu, a presença do adversário, que a estimulou e depois tornou-se vítima da própria trama. “A oração -- asseverou o Mentor -- faculta claridade mental, ampliando a capacidade do entendimento e acalmando as ansiedades do coração. No entanto, são poucos aqueles que a buscam nos momentos próprios e se deixam impregnar pelas suas dúlcidas vibrações.” Depois de ligeira pausa, acrescentou: “A cena que teve lugar no consultório médico foi brutal, sem qualquer envolvimento afetivo. O explorador da ingenuidade alheia, sem qualquer emoção, era apenas a sensação animal em busca de resposta. Iludida e inexperiente, a jovem deixou-se arrastar pelos estímulos vulgares, tornando-se objeto de uso, sem nenhuma consideração. Não houve tempo para recuar, porque as chamas das paixões infrenes são vorazes... Passados os primeiros momentos do conúbio, o constrangimento, a frustração e o choque fizeram-na fugir de retorno ao lar. Sofrerá, agora e mais tarde, o desencanto em torno do relacionamento afetivo, trazendo um conflito que a atormentará, mas que poderia ter sido evitado. Sintonizando mentalmente com o Soberano das Trevas, o enleado nos fluidos da próxima reencarnação pediu socorro, vindo vê-lo um dos emissários do terrível chefe, conforme acompanhamos. Prevendo a ocorrência, foi que cuidamos de mais imantá-lo ao futuro corpo, evitando a interrupção da gestação em começo”. Vicente ponderou que poderia parecer que o fracasso da reencarnação do obsessor fosse a melhor solução para Raulinda; contudo, se isso acontecesse, permaneceria a pugna obsessiva com menor possibilidade de futuro-próximo renascimento, em razão do repúdio que cresceria nela com relação a novas experiências sexuais. Cumpria-lhes, assim, tão-somente confiar em Deus e acompanhar pacientemente os acontecimentos, procurando auxiliar com bondade. (Ocorrência Grave, pp. 202 e 203.)
3. A mediunidade responsável jamais subirá aos palcos - Reencontrando, logo depois, o dr. Carneiro e Fernando, que haviam se ausentado para labores pertinentes ao socorro dispensado ao médium Davi, Miranda foi informado de que todas as exortações a este dirigidas permaneciam ignoradas, comprometendo-se Davi cada vez mais com a simonia, a sensualidade e os alcoólicos, que passaram a fazer parte do cardápio das lautas refeições que lhe eram oferecidas. A conduta do médium tornou-se de tal forma irregular, que o próprio dr. Hermann Grass compreendera a dimensão do seu desequilíbrio e não poucas vezes o advertira, sem conseguir, porém, os resultados esperados. (A descida aos porões do erro sempre faculta acesso à marginalidade nas sombras morais. Aquele que se corrompe, intoxicando-se com os vapores do triunfo ilusório, torna-se soberbo e passa a ver o mundo através de lentes distorcidas, de forma a preservar os hábitos licenciosos, equivocados.) No descaminho do médium alucinado, Adelaide, sua esposa, igualmente invigilante, cooperava com a sua venalidade e ambição desmedida, estimulando-o a aplicar o tempo sob vultosas recompensas materiais. Desconfiada de suas aventuras extraconjugais, quando o ciúme gerava discussões cada vez mais freqüentes, era ela silenciada com presentes caros, que resultavam do comércio nefário das faculdades mediúnicas. Diante da gravidade do caso, o dr. Hermann, que era antes refratário à presença do dr. Carneiro em suas atividades, recorreu-lhe à orientação e ajuda, razão por que o venerando amigo e Fernando voltaram a acompanhar os atendimentos na novel sociedade que Davi criara, após afastar-se da Casa Espírita. Inamistoso e arrogante em relação aos doentes pobres e malvestidos, que rotulava de questões cármicas, qual se a problemática na área da saúde dos ricos também não o fosse, Davi montara um esquema de pessoas ambiciosas, que passaram a assessorá-lo, explorando os incautos nos espetáculos que produzia. A mediunidade responsável jamais subirá aos palcos, estabeleceu o nobre Codificador do Espiritismo, sem conseqüências funestas para aquele que se deixa arrastar pelo sensacionalismo, pela audácia. Sem a presença dos Espíritos não ocorre o fenômeno mediúnico e, como os nobres não se submetem a tal ridículo, não faltam os levianos e maus que se comprazem com essas excêntricas demonstrações espetaculosas, normalmente resultando, em face do mau uso, em suspensão ou perda da faculdade. (Socorros de Emergência, pp. 204 e 205.)
4. Davi desce ainda mais, rumo às paisagens lúgubres - O padrão vibratório do psiquismo de Davi se tornara tão instável e inferior, que a comunicação do médico-cirurgião fazia-se agora penosa para ambos, entre espasmos e rictos nervosos, a fim de ser conseguida a sintonia, o acoplamento perispiritual. Vigiado pelo sicário do Soberano das Trevas, Davi por diversas vezes deu acesso à comunicação de hábil mistificador, que se passava pelo dr. Grass, ludibriando os aficionados desatentos e fascinados que transitavam na mesma faixa moral e psíquica. Logo depois começaram os insucessos, principalmente através de aplicação de antibióticos, quando terminadas as cirurgias, que passaram a provocar dores nos pacientes. É que o desgaste das energias genésicas de Davi nas noitadas de prazer, encharcando o perispírito de vibrações perniciosas, produzia a neutralização do conteúdo anestésico dos seus fluidos, diluindo igualmente, mais tarde, a ação bactericida, mesmo quando outros benfeitores espirituais tentavam intervir para manter a assepsia ou retirar a dor. O médium, sob terrível indução obsessiva, continuava, desse modo, a descida no rumo das paisagens lúgubres. Sem saber como agir, o dr. Grass buscou apoio e diretriz, indagando qual providência deveria ser tomada: se a interrupção ou a supressão da faculdade, a fim de evitar o tombo final na loucura moral. O sábio instrutor, após acompanhar a nova e infeliz fase de Davi, estabeleceu que as providências socorristas não cessariam, mas que, em razão da eleição do médium pelos comparsas inditosos, já se lhe definira o calvário. Sugeriu então ao dr. Hermann acompanhá-lo, aguardando quaisquer momentos favoráveis para inspirá-lo, sem contudo comunicar-se, desde que, mediante as afinidades de gostos e interesses, ele fora substituído pelo adversário, que iria lançar o medianeiro invigilante e presunçoso no caos, para o doloroso despertar. Em razão da mudança de comportamento, Davi passou a ter grande aptidão para fazer inimigos. Sempre de mau humor, exteriorizando cansaço e azedume, somente se sentia estimulado e jovial quando sua corte o cercava de bajulação e jovens mulheres, adredemente contratadas, apresentavam-se para as orgias nos hotéis e bordéis da moda. Podia-se, na decadência do médium imprevidente, encontrar algumas das regras propostas pelo Soberano das Trevas. Essa técnica, assegurava este, é mais valiosa, porque mais sutil e apetecível do que a perseguição desenfreada. “Deseja conhecer alguém? -- perguntara ele em certa ocasião -- conceda-lhe liberdade, poder, fortuna! Depois retirem-lhe tudo, caso ele não tombe na primeira fase.” (Socorros de Emergência, pp. 205 a 207.)
5. Não se pode ignorar os benefícios resultantes do sofrimento - De certo modo, a opulência nos fracos morais torna-os avaros, indiferentes, soberbos, assim como a miséria os faz agressivos e impiedosos, violentos e perversos. Nos indivíduos fortes, uma como outra circunstância não lhes altera a conduta, conforme expressou o apóstolo Paulo: “Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer o necessário” (Filipenses, 4-12). No exercício da mediunidade iluminada pelo Espiritismo, a renúncia aos destaques e às glórias humanas, a humildade natural, espontânea, a ação no bem, a gratuidade dos seus serviços, a honradez e seriedade moral constituem características essenciais ao bom servidor. Convidado o médium à auto-reparação, à auto-iluminação, a sua meta não são os bens que deixa ao desencarnar, mas os valores íntimos que sempre conduzirá. Enganam-se todos aqueles que fazem o contrário, ou estimulam, apóiam a insensatez, a ambição, a vaidade dos médiuns, tornando-se-lhes verdadeiros inimigos do crescimento espiritual e moral, mesmo que seu desejo seja outro. Não fazemos apologia do sofrimento, mas não podemos igualmente ignorar os benefícios que ele proporciona, quando compreendido e enfrentado com elevação, com sentimentos nobres. (Em conversa mantida com Fernando, a respeito de Davi, o amigo relatou a Miranda as dificuldades morais em que o médium se encontrava, a par da cilada que estava sendo urdida para pôr fim ao seu ministério, criando uma situação embaraçosa para os seus amigos e, de certo modo, para o bom nome do Espiritismo.) Utilizando-se da psicosfera da Casa Espírita, o irmão Ernesto (guia espiritual de Davi) e o dr. Hermann pretendiam trazê-lo, naquela madrugada, para um diálogo oportuno e sério, como última tentativa para despertá-lo, após o que, por livre opção, caso não aceitasse os alvitres, ficaria entregue a si mesmo. Para isso, dr. Carneiro iria consultar o irmão Vicente, pedindo-lhe licença para usar as instalações físicas e espirituais do recinto dedicado aos labores mediúnicos, face às suas defesas contra quaisquer agressões porventura premeditadas. Havia no companheiro Fernando inusitada preocupação com referência à tarefa programada, pois ele sabia da complexidade do caso, que envolvia interesses do chefe mongol, desejoso de desarticular as elevadas tarefas de libertação que cabe ao Espiritismo em relação às criaturas humanas, influenciando a sociedade do futuro na sua grande transformação, quando o planeta passará à condição de mundo de regeneração. (Socorros de Emergência, pp. 208 a 210.)
6. A vivência dinâmica dos postulados espíritas é essencial - Contra essa fatalidade evolutiva obstinam-se, ainda, os Espíritos perversos, exploradores das energias dos homens que permanecem vinculados aos prazeres asselvajados, em vampirismos cruéis, caracterizando a dualidade do Bem e do Mal em luta. Ora, o mal são os estados primitivos que conspiram contra a libertação do ser, os quais, não tendo existência real, são de duração efêmera, porque Deus é o Bem Infinito... A reunião fora programada para as duas horas e trinta minutos da madrugada, mas antes desse horário diversos trabalhadores já se encontravam a postos. Enquanto se esperava o início dos trabalhos, Fernando dirigiu-se a Miranda, dizendo: “Quando as criaturas encarnadas buscarem sintonizar conscientemente com as Esferas Superiores da Vida, muitos dos problemas que as angustiam serão solucionados, porquanto, ao retornarem ao corpo físico após a comunicação com os seus guias e protetores, guardarão lucidez da convivência e das instruções que receberam. Normalmente, mesmo entre aqueles que se dedicam aos estudos parapsíquicos e mediúnicos, embora se considerem espiritualistas e espiritistas, o comportamento é vinculado aos estratagemas e disfarces do materialismo. A incerteza da interdependência do Espírito ao corpo, o atavismo religioso mediante o qual inúmeros crentes aceitam o céu, porém preferem desfrutar a Terra, fazem que ao despertarem, ao invés de intentarem recompor as peças das lembranças, atirem-nas ao calabouço sombrio do esquecimento, informando tratar-se de sonhos, e, dessa forma, não merecendo consideração. Outros apelam para as explicações psicanalistas, bastante valiosas, mas não únicas, ou nem sempre convincentes”. Fernando disse isso para explicar que a experiência daquela reunião iria ficar impressa nos painéis da consciência de Davi, qual se dá com outros companheiros, mas os resultados dependeriam da interpretação que ele desse aos fatos, influenciando ou não o seu comportamento a partir de então. “O exercício correto da mediunidade -- acrescentou Fernando --, a vivência dinâmica dos postulados espíritas constituem recursos preciosos para o trânsito seguro e lúcido entre as esferas física e espiritual.” Dito isto, Ernesto e o dr. Hermann deram entrada no recinto, conduzindo Davi adormecido, que exalava odores pestilentos, resultado das libações alcoólicas e dos excessos sexuais. Imantado ao seu corpo espiritual, seguia-o um ser amorfo, lânguido, desagradável, que se apresentava igualmente intoxicado. “Trata-se de entidade viciada em bebidas alcoólicas e sexo promíscuo, que o companheiro encontrou num dos recintos de luxúria e com quem se afinou”, informou Fernando. (Socorros de Emergência, pp. 210 a 212.)
7. O mistificador se comunica - Logo que Davi chegou à Casa Espírita, adentrou a sala, teleconduzido pelo irmão Vicente, o Espírito mistificador que se fazia passar pelo dr. Hermann nas cirurgias mediúnicas. Golpeando o ar com gestos de extremada violência, ele agredia verbalmente Deus, os Espíritos nobres, a Vida. Em seguida chegaram também, visivelmente adormecidos, o Sr. Almiro, d. Armênia, Leonardo e Francisco. Após colocados à mesa, aplicaram-se-lhes recursos magnéticos de dispersão fluídica, com o que despertaram, sem dificuldade para readquirirem a lucidez, devido à sua experiência nos labores mediúnicos. Embora a irritação do adversário de Davi e de outros Espíritos trazidos à reunião, pairava no ambiente uma psicosfera de confiança e de paz quando dr. Carneiro assumiu a direção dos trabalhos. Ante o silêncio e a agradável expectativa geral, o médico baiano, tomado por grande unção, abriu a reunião com sentida prece dirigida a nosso Pai Misericordioso. “Apiedai-vos de nós!”, rogou o amorável Mentor, finalizando nestes termos a petição: “Nesta madrugada, que simboliza dia novo em vitória sobre a noite densa, ajudai-nos a esclarecer e a encaminhar-vos os companheiros que teimam na irresponsabilidade e parecem comprazer-se na ignorância, na rebeldia. Reconhecendo as nossas limitações, apelamos para a vossa magnanimidade e compaixão. Iluminai nosso caminho, Supremo Pai, e conduzi-nos em paz!” Quando o dirigente silenciou, vibrações suaves invadiram o recinto, envolvendo a todos em agradável sensação de paz. Dr. Carneiro acercou-se, então, de Davi e, auxiliado por Ernesto, valendo-se de recursos especiais, despertou-o, deslocando o vampirizador desencarnado que, a ele acoplado, lhe explorava e roubava preciosas energias. A Entidade foi deitada em uma maca, enquanto o médium, relanceando o olhar em volta, não teve dificuldade em dar-se conta da ocorrência, conquanto se encontrasse ainda um pouco entorpecido. Ernesto explicou-lhe, então, em rápidas palavras, o objetivo daquele encontro, enquanto o sequaz das Trevas foi conduzido ao psiquismo de d. Armênia, com quem quase fundiu-se, perispírito-a-perispírito, iniciando-se desse modo a violenta comunicação. (Socorros de Emergência, pp. 212 a 214.)
8. A única realidade existente é Deus, Causa do Universo e de tudo - O Espírito, sem delongas, deblaterou: “Que pretendem comigo? Eu sou apenas um funcionário modesto, agindo no programa de preservação da Terra. Admiro-me que os não-violentos, os discípulos do Cordeiro se utilizem da violência para atingirem os seus objetivos nefastos”. Telecomandado pelo dr. Carneiro de Campos, o Sr. Almiro respondeu, afável: “Pretendemos esclarecê-lo, libertá-lo de você mesmo, daqueles que o exploram na ignorância e o subjugam na perversidade. Não temos nada contra o amigo, somente a favor. E desde que se trata de um funcionário, esperamos, oportunamente, dialogar com o seu Chefe. Igualmente não nos estamos utilizando da força, mas da lei natural, que estabelece ligações por afinidades. Como o amigo permanece mentindo através do médium Davi, que lhe concede hospedagem psíquica, trazendo o sensitivo, igualmente o conduzimos”. -- “Esse farsante não escapará”, alardeou, irritado. “Poremos fim à sua exploração. Qualquer providência agora é tardia. Ele não nos escapará, repito, pois que optou espontaneamente por nós, concedendo-nos guarida e expulsando vocês. Não é verdade?” -- “A verdade, meu amigo -- respondeu o doutrinador --, apresenta-se sob vários aspectos: a sua, a minha e a legítima, que nem sempre detectamos. Por isso mesmo, pior do que a mentira são as meias-verdades, que apregoamos como únicas. Pelo seu ângulo de observação, o raciocínio parecerá correto, embora totalmente falso. Não era farsante o nosso comum irmão Davi, até que, vitimado pelas imperfeições que não vigiou, nem corrigiu, passou a sintonizar com você e outros semelhantes, tornando-se, a partir desse momento, desequilibrado e incorreto. O fenômeno prossegue verdadeiro, a qualidade, sim, é negativa, porque o agente do mesmo é inferior... Explorador, o pobre médium o é, havendo derrapado nos crimes da simonia e da usurpação de valores que, legitimamente, não lhe pertencem, mas que deixará, qual acontece com tudo que seja material. Quanto a providências tardias, a alegação também é falsa, porque jamais faltaram admoestações, chamamentos, lições e diretrizes ao invigilante companheiro. Não há muito, em reunião equivalente, foi-lhe levantada parcialmente a cortina do passado, liberando-lhe lembranças esquecidas.” Dito isto, o Sr. Almiro acrescentou: “Observe que a única realidade existente é Deus, Causa do Universo e de tudo. Como fugir-Lhe à presença, refugiando-se na fragilidade da violência? Acompanhe, por um momento mental, a força real das leis universais, no macro e no microcosmo. Dar-se-á conta, então, do absurdo que é a sua e a rebelião de outros pigmeus, que se revestem de fortes e esmagadores dos mais ignorantes, dos mais débeis”. (Socorros de Emergência, pp. 214 a 216.)
9. O dr. Hermann admoesta o médium Davi com severidade - Finalizando sua exortação ao perseguidor de Davi, o doutrinador foi enfático: Era-lhe preciso aproveitar aquele momento para mudar de diretriz, porque depois seria tarde demais... O que lhe constituiria, então, pequeno esforço, mais tarde lhe imporia pesado ônus. O agente das Trevas disse-lhe, porém, que não se arrependia de nada e que prosseguiria usando o médium até o momento da consumação do seu plano, que era matá-lo. “Ora, matá-lo!”, rebateu o Sr. Almiro, inspirado pelo Mentor. “Ninguém morre. É irônico você dizer-nos que seu chefe planeja matá-lo. Aqui estamos, todos imortais em apresentações diferentes e vivos.” O inimigo de Davi explicou, contudo, que não seria uma morte simples. Davi seria levado a provocar, ele mesmo, a cena de sangue, a fim de que fosse culpado da própria morte. “Calar-lhe-emos a arrogância, arrojando-o ao chão e o aguardaremos...”, completou o perseguidor, que foi, nesse momento, aplaudido por alguns companheiros que haviam sido também trazidos à reunião. A intempestiva manifestação em nada alterou a psicosfera reinante. O dr. Carneiro aproximou, então, o doutrinador do comunicante e, tocando-lhe o chakra coronário com forte indução magnética, ripostou, esclarecendo: “Tudo quanto nos acontece hoje, resultará em futuro bem para nós mesmos. Se o nosso Davi, que nos ouve, preferir retornar ao mundo espiritual assistido pelo caro irmão e seus sequazes, aprenderá inesquecível lição que o preparará para a Grande Luz em definitivo. A opção será dele. Quanto a nós, a decisão é prosseguir amando o companheiro desatento e você, a quem convidamos ao sono, ao repouso... Durma... Durma...” À medida que o induzia com palavras, o Mentor aplicava-lhe energias entorpecedoras, e ele adormeceu logo após, embora agitado. Em seguida, Francisco foi convidado a sintonizar com a outra Entidade que viera com Davi, cuja doutrinação ficou a cargo do irmão Vicente. Depois, outros Espíritos se comunicaram, inclusive o dr. Hermann, através de Leonardo, dirigindo-se a Davi e admoestando-o com severidade, ao tempo que lhe recordava os desmandos passados e o compromisso assumido para resgatá-los mediante a ação da caridade. Tão profundas foram as suas palavras e tão grave a situação, que o médico concluiu a comunicação entre lágrimas de ternura e preocupação com o destino do desatento, que acompanhou todas as cenas com alguma indiferença. O entorpecimento moral a que se entregara asfixiava-lhe o espírito, face à ilusão do mundo material... (Socorros de Emergência, pp. 216 a 218.)
10. Davi acorda preocupado, mas a esposa diz que Deus os protege - As entidades atendidas permaneceram no recinto, quando a reunião foi encerrada com nova e fervorosa oração de graças, enunciada pelo dr. Carneiro de Campos, enquanto os reencarnados foram conduzidos a seus lares. “Mudará Davi de comportamento?” A esta pergunta formulada por Miranda, respondeu Fernando: “O futuro dirá... As entidades que se lhe vinculam aqui permanecerão em repouso. Se ele voltar aos desconcertos morais, atraí-las-á de volta e tudo seguirá como antes... Em caso contrário, recambiá-las-emos a nosso campo de socorro”. “Cada um escolhe e frui o que lhe parece melhor, até o momento em que elege o lídimo amor e se liberta, e se torna feliz.” Na manhã que se seguiu à reunião, ao despertar, Davi comentou com a esposa o pesadelo de que fora acometido durante a madrugada, referindo-se à consciência de culpa a respeito das atividades mediúnicas remuneradas que se permitia... “Não há por que você preocupar-se com isso”, acudiu a ambiciosa consorte. “Houvesse algum problema e o dr. Hermann já se teria manifestado negativamente.” Davi disse-lhe, porém, que no pesadelo pareceu-lhe escutar o médico carrancudo, com expressões severas, admoestando-o... “O pior, porém -- acrescentou --, foram as ameaças que alguém me direcionava com azedume e rancor.” A esposa, sem compreender o que ocorrera, observou: “Certamente são as vibrações de inveja de muita gente despeitada ou talvez de alguns Espíritos perturbadores, que nos querem atingir. Nós estamos sob a proteção de Deus e nenhum mal nos acontecerá. Ademais, você atende também os pobres gratuitamente, e que não são poucos, aqueles que são socorridos duas vezes por semana, cansando-se e exaurindo-nos. Temos muitos compromissos sociais, filhos a educar, certo nível a manter na comunidade... Tudo isto são despesas e elas são pagas com dinheiro. Tire, portanto, essas sombras da mente, e recorde-se de que, à noite, você deverá atender uma pessoa muito importante, com a qual nos encontramos comprometidos. Desse modo, distraia-se, faça exercícios na piscina, lembrando-se de que hoje é sábado...” (Socorros de Emergência, pág. 218; e Sexo e Responsabilidade, pp. 219 e 220.)
11. A irreflexão responde por incontáveis males - As palavras da esposa foram como que uma ducha fria na consciência do leviano, colocando a atividade espiritual na pauta dos pesadelos, das ocorrências desagradáveis. Miranda e Fernando a tudo viram, porquanto se encontravam no dormitório da casa, a fim de providenciarem apoio, caso as instruções houvessem recebido consideração e o médium alterasse o campo mental através da sintonia com as forças positivas. Lamentavelmente, nem sequer uma oração ocorrera ao casal. Pouco depois, chegaram alguns amigos e, na piscina, hóspedes e anfitriões entregaram-se aos prazeres do whisky e dos salgadinhos... Não demorou muito e chegou também ao local o sicário vinculado às Trevas, exultante e esbravejando: “Livre novamente! Salvo dos desgraçados lobos em peles de ovelhas, que me desejavam reter. Eis-me de volta. Tudo retorna ao normal. É assim que todos queremos. Aleluia!” Fernando e Miranda envolveram a família em ondas de fraternidade e de paz, enquanto os alegres banhistas se divertiam, embriagando-se a expensas alheias. (A irreflexão responde por incontáveis males. Após as nefastas experiências, quando a irresponsabilidade alcança altos índices de desequilíbrios, queixam-se os nela incursos quanto ao auxílio superior, que dizem não haver recebido, entregando-se aos paroxismos da rebeldia, da alucinação. Através dos pensamentos e das ações, estamos programando sem cessar o nosso futuro. Cada ser retrata hoje o comportamento anterior e delineia na atualidade o que será no futuro. Esta regra é chave e modelo para o entendimento da reencarnação e da sua finalidade ético-moral no processo evolutivo.) De retorno à Sociedade Espírita, os dois companheiros a encontraram em preparativos para a reunião da noite, dedicada aos estudos e comentários da Doutrina. O expositor seria Francisco e o tema em pauta, a questão do sexo. O dr. Carneiro iria inspirar o sensitivo, encaminhando as considerações para o aspecto saudável das atitudes humanas em relação ao aparelho genésico, ao tempo em que pretendia alcançar a senhora Augusta, que se tornara motivo de perturbação para o companheiro. A fim de evitar dificuldades previsíveis, ele iria assistir, a partir daquela hora, o expositor, incumbindo Miranda e Francisco de inspirar a senhora atormentada e levá-la a ouvir a palestra, facilitando ao jovem o diálogo futuro, sugerido pelo Sr. Almiro. A visita à dama conflitada foi estabelecida para as quinze horas, de maneira a eliminar qualquer perturbação que a pudesse impedir de comparecer à atividade da noite. (Sexo e Responsabilidade, pp. 220 e 221.)
12. A depressão e suas múltiplas causas - Antes de seguir à casa de Augusta, Miranda decidiu recolher-se por alguns instantes à sua base de repouso, na residência da senhora Ernestina, cujo lar era verdadeiramente um santuário. Vibrações de paz envolviam-no e a psicosfera que se respirava era de renovadoras energias, que beneficiavam os corpos e os espíritos. Quando ele chegou, Ernestina recepcionava uma senhora visivelmente preocupada, em razão do quadro depressivo que lhe atormentava a filha, moçoila de aproximadamente dezesseis anos de idade. D. Apolônia acompanhava a conversação, inspirando a filha, e pediu a cooperação do visitante no socorro às duas pessoas presentes. Miranda observou, então, a presença de um ser infeliz que transmitia fluidos deletérios e pensamentos infelizes à jovem, ignorando sua situação de desencarnado. O fato fez o amigo recordar-se de lições ministradas oportunamente pelo amorável benfeitor dr. Bezerra de Menezes, ao referir-se às causas das depressões, as quais, segundo o Médico dos Pobres, podem ser endógenas e exógenas. As primeiras vincular-se-iam à hereditariedade, às seqüelas de várias doenças, como sífilis, câncer, tuberculose, hanseníase, distúrbios digestivos e, modernamente, de viroses como Aids, etc. As exógenas abarcariam os fatores psicossociais, sócio-econômicos, sócio-comportamentistas. O nobre benfeitor incluía aí, contudo, as psicogêneses obsessivas, vinculadas ao pretérito espiritual dos envolvidos na trama, em processo de ajustamento emocional e recuperação moral. Depois de rápida análise, Miranda percebeu que a jovem enfocada sofria um distúrbio mediúnico, de caráter obsessivo simples, provocado inconscientemente pelo desencarnado que a perturbava, absorvendo-lhe a energia e intoxicando-a, por sua vez, com os seus fluidos de pesadas cargas vibratórias. Sem dúvida, havia uma problemática originária do passado a pesar na economia da vítima, facultando-lhe esse doloroso processo de despertamento para a realidade da vida espiritual, eis que não existem efeitos sem causas equivalentes. No imo do ser dormem as razões da vida, com todos os elementos constitutivos da sua paisagem histórica. Na conversa com a mãe e sua filha, Ernestina explicou que os problemas na existência terrena originam-se no ser profundo, no Espírito, e nele se inicia a terapêutica, no caso das enfermidades, ou a solução, quando são de outra natureza. “Na questão em tela -- explicou -- o concurso médico faz-se indispensável, ao mesmo tempo a terapia espiritista: passes, água fluidificada, reuniões de esclarecimento, ao lado, naturalmente, da inestimável cooperação do paciente. Ao enfermo cabe o esforço maior, iniciando pela sua renovação moral mediante a oração, os exercícios de paciência, de humildade e de perdão, que terminam por sensibilizar e esclarecer o agente da perturbação que, conscientizado do mal que vem praticando, modifica-se e liberta a sua presa, liberando-se também.” (Sexo e Responsabilidade, pp. 222 e 223.)
13. Como superar os estados depressivos - Prosseguindo nas explicações, Ernestina leu uma página de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, aberto ao acaso, e, depois de proferir uma oração, colocou-se receptiva à influência espiritual para a aplicação de passes na jovem enferma. Miranda, além de concorrer para a ministração do socorro à moça, retirou o doente espiritual da fixação no perispírito da vítima, que bebeu em seguida a água magnetizada oferecida por Ernestina. Transpirando e emocionada, sentindo-se normalizar, a jovem chorou um pouco, mas, confortada pela anfitrioa, disse-lhe com voz débil: “Sinto-me sair de uma espécie de camisa-de-força e de uma nuvem escura, que me dificultavam raciocinar”. Ernestina disse-lhe que, a partir de então, era necessário que ela mantivesse um bom estado de espírito, e quando sentisse tristeza procurasse substituí-la por pensamentos otimistas. “É muito fácil -- asseverou Ernestina -- superar os estados depressivos, não cultivando as idéias negativas, pessimistas, fixando-se em outras, as que geram bom ânimo, alegria e paz.” Em seguida, acrescentou que esperaria ambas para o culto evangélico e nova terapia bioenergética, a se realizar no dia seguinte, domingo, em sua casa. Mãe e filha despediram-se, já sorrindo, prometendo retornar, enquanto Ernestina, exteriorizando júbilo, deteve-se em atitude de louvor e de agradecimento. D. Apolônia agradeceu a Miranda a sua cooperação, e passaram ambos a entretecer considerações variadas em torno dos distúrbios da depressão e da síndrome de pânico, que se tornaram graves dramas na área do moderno comportamento psicológico do ser humano. Freud afirmou que na raiz de toda neurose há sempre um problema da libido, mas esse pensamento do pai da Psicanálise -- diz Miranda -- está incompleto, podendo-se aduzir que na raiz de todo distúrbio da libido encontramos um fator causal determinante que responde pela distonia. Não iniciando o ser a sua história na concepção, sua origem perde-se nas remotas eras da Criação, quando o psiquismo foi gerado e começou a evoluir, atravessando os reinos mineral, vegetal, animal, hoje hominal e amanhã angélico, rumo ao porvir sem limite. A Natureza, que gastou bilhões de anos na elaboração das formas que a constituem, não gerou o ser humano a golpes de acasos perfeitos e determinantes, conforme pretendem algumas correntes materialistas, simplistas e ingênuas. Acima das causas filogenéticas, transformistas, mesológicas, paira a Causalidade Absoluta, que é Deus, seja qual for o nome que se Lhe dê, orientando o processus transformador, evolutivo. (Sexo e Responsabilidade, pp. 224 a 226.)
14. A importância da palestra no tratamento das criaturas - À noite, já na Casa Espírita, Miranda notou que o Mentor havia convidado para a palestra expressivo número de trabalhadores desencarnados, lúcidos e joviais, que cooperavam com o Grupo, durante as explanações públicas, esclarecendo as companhias espirituais infelizes dos encarnados, afastando as mais rebeldes e encaminhando aquelas que se encontravam predispostas à renovação. Tanto a palestra como o estudo funcionavam na condição de psicoterapia coletiva para os indivíduos e os Espíritos. Em razão de os encarnados raramente manterem sintonia elevada, interesse superior por muito tempo, eles se utilizavam da palavra do expositor para centralizar-lhes a atenção e fazê-los concentrar-se. Agiam então com dedicação e, ao término, ainda sob a psicosfera saudável, realizavam algumas cirurgias perispirituais, separando mentes parasitas dos seus hospedeiros, refundindo o ânimo nos lutadores, apoiando as intenções saudáveis dos que despertavam, enfim auxiliando em todas as direções, mediante os recursos terapêuticos dos passes individuais como coletivos. Realmente o repouso significa pobreza de captação dos nossos sentidos. Em toda parte estão o movimento, a ação, a vida. Na hora prevista, o Sr. Almiro proferiu a palestra de abertura e passou a palavra a Francisco, que pouco antes adentrara o recinto visivelmente telecomandado pelo dr. Carneiro. Nesse momento, a senhora Augusta, um tanto contrafeita, chegou à sala e sentou-se a distância, assistida por Fernando. A pobre senhora encontrava-se aturdida. A fixação no jovem, por viciação mental, e a indução obsessiva que estabelecia um plano macabro, afligiam-na. Sentindo-se frustrada nas tentativas do prazer vulgar com o médium, via no Espiritismo um adversário que, afinal, não existia. Dando-se conta de que a conduta cristã do médium era-lhe impedimento ao gozo e à futilidade, deixou-se arrastar por surda antipatia ao código ético da Doutrina Espírita. Depois das palavras convencionais, Francisco, fortemente inspirado, iniciou a palestra, esclarecendo: “O sexo é departamento divino para a preservação da vida na Terra. Ínsito em todas as criaturas, o mecanismo da reprodução é comandado pela Mente Suprema, que gera automatismos iniciais até o momento da conquista da razão, na Humanidade, quando o discernimento estabelece a ética do comportamento saudável para a dignificação dos seres, arrancando-os dos impulsos meramente instintivos para as eleições do amor, em ascese transcendente”. (Sexo e Responsabilidade, pp. 226 e 227.)
15. No sexo encontram-se as matrizes de muitos problemas da vida - O palestrante lembrou, a seguir, as finalidades elevadas a que se destina o sexo: a encarnação, as reencarnações, a permuta de hormônios físicos e psíquicos, a união dos sentimentos e a fixação dos afetos, asseverando que quaisquer desrespeitos às suas finalidades superiores tornam-se fatores de desequilíbrios, desajustes, perturbações, gerando ódios inomináveis, rudes embates, sofrimentos dolorosos e seqüelas espirituais demoradas. “No sexo -- afirmou Francisco -- encontram-se as matrizes de muitos fenômenos que se transferem de uma para outra existência, atando ou libertando os Espíritos conforme a pauta da utilização que se lhe faculte. Dessa forma, quanto mais lúcido o ser, mais responsável se torna pela função, conduta e exercício sexual. Infelizmente, em razão do prazer que proporciona, em todas as épocas e hoje, particularmente, o sexo tem sido instrumento de viciações ignóbeis, de explorações sórdidas, de crimes inimagináveis, tornando-se veículo de promoção social, comercial, artística e cultural, com graves e imprevisíveis conseqüências. Combatido tenazmente pelos preconceitos religiosos durante mais de mil anos, liberou-se enfim sob o estandarte das conquistas humanas, porém envilecendo-se, corrompendo-se, exaurindo vidas e se transformando em fator essencial a que quase todos aspiram. Conduzido corretamente e dignificado pelo amor, torna-se fonte de alegria, gerando felicidade, harmonizando e produzindo beleza ao lado das criações que proporciona.” O palestrante fez ligeira pausa em sua oportuna análise, ante um auditório absorvido por suas palavras, enquanto d. Augusta, sem sopitar o mal-estar que experimentava, desejava abandonar o recinto, fato que não se deu porque Fernando lhe aplicou energias calmantes, confortando-a com vibrações de reequilíbrio. Miranda notou nesse momento que se retirou da reunião, praguejando, um dos emissários do Soberano das Trevas, que tinha por tarefa produzir o escândalo, envolvendo-a com o médium dedicado. “A verdadeira castidade e nobre conduta sexual -- prosseguiu Francisco -- não se restringem ao não uso do aparelho genésico, mas, sim, à atitude mental e ao comportamento emocional. A simples abstenção física, acompanhada de tormento interior, é somente uma fuga da realidade, uma transferência no tempo. Faz-se indispensável considerar e compreender que o sexo é departamento do corpo -- como o estômago ou outro órgão qualquer --, uma sua função. A conscientização deve caracterizar-se pela disciplina mental, verbal, superando-se as fantasias eróticas muito do agrado das mentes viciosas. Habituando-se o indivíduo aos pensamentos equilibrados, os apelos orgânicos são facilmente bem dirigidos e tranqüilizados. O importante não é o exercício da sua função, o ato em si mesmo, porquanto os ases do prazer normalmente se encontram cansados do seu uso, nunca, porém, satisfeitos.” (Sexo e Responsabilidade, pp. 228 e 229.)
16. Em qualquer dificuldade devemos recorrer à oração - Dando seqüência à palestra, o orador afirmou que toda função se expressa através do respectivo órgão, como é evidente. “Desse modo -- asseverou --, não apenas mediante o exercício funcional nos relacionamentos orgânicos, indispensáveis à procriação, mas também na canalização das forças genésicas para os ideais do bem, do belo e do nobre, a função sexual se expressa e enriquece o ser, harmonizando-o e facultando-lhe amplas possibilidades nas áreas psíquicas, emocionais e físicas. O seu barateamento através da vulgaridade constitui grave empecilho ao equilíbrio do ser humano, que arde em falsas necessidades e variações, distante do respeito por si mesmo e pelo seu parceiro. Foi por essa razão que os Espíritos Nobres, respondendo à pergunta de Allan Kardec, em torno do efeito que teria sobre a sociedade humana a abolição do casamento, foram concisos, esclarecendo que isto seria uma regressão à vida dos animais, com o agravamento do uso da razão perturbada e insaciável. Nessa, como em outras áreas, e particularmente nela, em razão dos seus hormônios poderosos e suas vibrações no campo da emoção, merece ser considerado o intercâmbio com os Espíritos, respectivamente aqueles que se encontram aprisionados nas faixas grotescas da animalidade, das paixões vis. Atraídos pelas mentes encarnadas, fixam-se-lhes, produzindo fenômenos obsessivos de longo curso e vampirizando suas presas atormentadas. Vezes outras, necessitados de prosseguir nas manifestações tormentosas, inspiram os inadvertidos e passam a utilizar-se deles, voltando a fruir o prazer voluptuoso, enquanto o ser orgânico se sente frustrado, insatisfeito, qual ocorre também no alcoolismo, no tabagismo, na toxicomania, etc. A morte não liberta aqueles que se fizeram escravos, por livre opção, das paixões degenerativas.” Encaminhando-se para o final da palestra, Francisco acrescentou: “Em qualquer circunstância, e especialmente na análise desse fenômeno, como na ação sexual, consulte-se o amor, e ele dirá que se não deve fazer ao próximo o que não se gostaria que aquele lhe fizesse. E quando for necessário dirimir qualquer dificuldade, deve-se recorrer à oração, que é tônico de vida e fio invisível de luz que liga o indivíduo aos dínamos geradores de força vital e de paz”. O palestrante entreteceu outras considerações e, por fim, silenciou diante do auditório comovido. Muitos dos presentes permaneceram reflexionando em torno do profundo e delicado tema, enquanto a reunião avançava para o término. O diretor dos trabalhos preparava-lhes o encerramento, quando os especialistas em passes e socorros, que já vinham auxiliando os encarnados e os Espíritos, se uniram no centro da sala, formando pequeno círculo, uns de costas para os outros, e distenderam as mãos que derramavam energias luminosas sobre todos, enquanto era proferida a prece final. (Sexo e Responsabilidade, pp. 229 a 231.)
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