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Primeiro Grau: Os Auxiliares



Esta categoria, cujos membros são chamados Auxiliares, é a ala esquerda do exército legionário que reza. O serviço legionário que lhes corresponde consiste na reza diária de todas as orações da Tessera, a saber: a invocação e oração ao Espírito Santo; o terço do Rosário e as invocações que se lhe seguem; a Catena e as orações finais. Podem distribuir-se pelas diferentes horas do dia, como mais convier.
As pessoas que costumam rezar diariamente o terço por qualquer intenção particular podem ser membros Auxiliares sem a obrigação de acrescentar novo terço.
Quem reza “presta auxílio a todas as almas. Socorre e ampara seus irmãos, pela salutar e poderosa força de atração de uma alma que crê, conhece e quer. Cumpre o que acima de tudo nos pede S.Paulo: orações, súplicas, e ações de graça por todos os homens.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 95]
Não cesseis de orar e de suplicar em todos os tempos, no Espírito Santo” (Ef 6, 18). E não vos parece que, se deixais de vigiar, de insistir, de vos esforçar, de vos manter firmes, tudo há de enfraquecer, o mundo há de recuar e os vossos irmãos hão de sentir em si mesmos menos força e amparo? Sim, certamente. Cada um de nós, até certo ponto, leva o mundo aos ombros e os que deixam de trabalhar, de vigiar, sobrecarregam os demais” (Graty: As fontes).
Grau Superior: Os Adjutores

São eles a ala direita da Legião que reza, formada por todos aqueles que diariamente: a) rezam as orações da Tessera; b) e participam da santa Missa, comungam e rezam um ofício aprovado pela Igreja (Veja-se o valor especial de um Ofício no capítulo sobre o Pretoriano).
Segue-se, portanto, que os Adjutores estão para os simples Auxiliares como os Pretorianos para os simples membros Ativos. As obrigações acrescentadas são as mesmas.

O fato de alguém falhar a estas obrigações uma ou duas vezes por semana não se considera falta grave aos seus deveres de membro Adjutor.
Não se exige a reza do Ofício aos Religiosos que não são obrigados a rezá-lo pelos seus Regulamentos próprios.
Esforcem-se por levar o simples Auxiliar a tornar-se Adjutor, pois esta categoria oferece-lhe um verdadeiro modelo de vida. O que se diz para os Pretorianos, no que se refere à união do legionário à oração da Igreja e ao valor especial de um ofício, aplica-se igualmente aos Adjutores.
Fazemos um apelo especial aos Sacerdotes e Religiosos para que se tornem Adjutores. A Legião deseja vivamente unir-se a estas almas consagradas, especialmente dedicadas a uma vida de oração e estreita intimidade com Deus e que constituem na Igreja, poderosas usinas de energia espiritual. Ligada eficazmente a estas geradoras de força, a máquina legionária desenvolverá um potencial irresistível.

Se refletirem um pouco, verão como é pequeno o encargo que com isso acrescentam às suas obrigações de costume; – nada mais do que a Catena, a Oração da Legião e algumas invocações; uma questão de alguns minutos apenas. Mas, através deste laço com a Legião, podem tornar-se a sua força motriz.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 96]
“Dai-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu levantarei a própria Terra”, dizia outrora Arquimedes. Unidos à Legião, os Adjutores encontrarão nela o ponto de apoio indispensável da longa alavanca da suas fervorosas orações que, deste modo, se tornarão suficientemente fortes para levantar as almas oprimidas do mundo inteiro e afastar para longe, montanhas de dificuldades.
No cenáculo, onde pela vinda do Espírito Santo a Igreja foi definitivamente fundada, Maria começa a exercer visivelmente no meio dos Apóstolos e dos discípulos reunidos, uma função que continuará a exercer pelos séculos afora, de um modo íntimo e oculto: a de unir corações na oração e de vivificar as almas pelos méritos da sua intercessão todo-poderosa: “Todos animados de um mesmo espírito perseveravam na oração com as piedosas mulheres e Maria, Mãe de Jesus e os irmãos d’Ele”(At 1, 14) (Mura: O Corpo Místico de Cristo).
Observações gerais relativas aos dois graus de Auxiliares

1. Serviço complementar. A Legião suplica aos Auxiliares dos dois graus que considerem as suas estritas obrigações de membros, não como máximo mas antes como o mínimo exigido pelo serviço legionário que eles terão a generosidade delicada de completar com outras orações e boas obras, feitas especialmente nesta intenção.
Sugerimos aos sacerdotes Adjutores um “Memento” especial em todas a missas e o oferecimento do Santo Sacrifício de tempos a tempos pelas intenções de Maria e da Legião. Exortamos também os outros Auxiliares a mandarem celebrar de vez em quando uma missa, ainda que com algum sacrifício, pelas mesmas intenções.

Por mais generoso que se mostre o Auxiliar para com a Legião, recebe dela em retorno infinitamente mais. O motivo é claro. A Legião dá a conhecer aos Auxiliares – tanto como aos Membros Ativos – as grandezas de Maria, alista-os como soldados ao serviço de tão maravilhosa Rainha e leva-os a amá-la como devem. Estas vantagens são tão elevadas que nenhuma palavra lhes pode traduzir o valor. A Legião eleva a vida espiritual dos seus membros a um plano superior, garantindo-lhes deste modo uma eternidade mais gloriosa.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 97]

2. Quem ousará recusar a Maria este presente? Não esqueçamos que Aquela que é a Rainha da Legião é igualmente a Rainha do Universo, de todas as suas partes, e de tudo quanto ao mundo interessa. Dar a Maria, portanto, é ir de encontro às mais urgentes necessidades, é aplicar as orações onde produzem maior fruto.
3. Na administração dos bens espirituais colocados em suas mãos, Maria Imaculada nunca esquecerá as numerosas exigências e deveres da nossa vida normal e todas as nossas obrigações atuais. Poderá desculpar-se: “Eu bem queria ser Auxiliar, mas dei tudo, desinteressada e completamente, a Maria ou às almas do Purgatório ou às missões. Fiquei sem nada; não tenho nada para a Legião. Que proveito lhe resultará da minha presença no Serviço Auxiliar?” A Legião responde: há maior vantagem no alistamento de pessoas tão generosas. A sua boa vontade em ajudar a Legião é já em si uma oração a mais, uma prova de especial pureza de intenção, um apelo irresistível à generosidade ilimitada da guardiã dos divinos tesouros. Fiquem certos de que, se se alistarem como Auxiliares, Maria corresponderá aos seus desejos: lucrarão suas novas intenções e as antigas não hão de perder. É que esta maravilhosa Rainha e Mãe tem tal arte que nos enriquece de forma maravilhosa, ao mesmo tempo que aproveita a nossa oferta para socorrer generosamente os outros com os nossos tesouros espirituais. A sua intervenção produz um trabalho a mais, realiza uma maravilhosa multiplicação, que S. Luís Maria de Montfort chama segredo da graça. É preciso notar – diz ele – que as nossas boas obras, ao passarem pelas mãos de Maria, aumentam em pureza e conseqüentemente em mérito e valor de reparação e de súplica. Tornam-se assim mais poderosa para aliviar as almas do Purgatório e converter os pecadores do que no caso de não passarem pelas mãos virginais e liberais de Maria”.

Todas as vidas necessitam da força que provém desta admirável transação, através da qual nos é tirado o que temos para ser colocado a juros, transformado em trabalho proveitoso e devolvido depois com lucro. Esta força encontra-se no dom que fizermos a Maria, da oração fiel dos Auxiliares.
4. A Legião parece ter recebido de Maria um pouco do seu dom de atrair irresistivelmente os corações, talvez devido ao grande número de almas aflitas com as quais está em contato. Os legionários não terão, pois, grandes dificuldades em alistar os

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 98]
seus amigos no Serviço Auxiliar, tão essencial para a Legião e tão vantajoso para os próprios Auxiliares que, associados à Legião, participam das suas orações e trabalhos.
5. Tem-se verificado que o Serviço Auxiliar da Legião, (a ala que reza), tem a capacidade de encantar as almas tanto como a qualidade de Membro Ativo. Pessoas que de outro modo não pensariam em rezar diariamente o terço, cumprem fielmente as obrigações do Serviço Auxiliar que exige a reza diária de todas as orações da Tessera. Quantas almas desanimadas, recolhidas em asilos e hospitais ou em outros estabelecimentos, ganham ânimo e interesse pela vida, entrando como Auxiliares na Legião! Inúmeros católicos, perdidos nas suas aldeias, vivendo em circunstâncias propícias a tornar a religião sem gosto, quando não rotineira, compreenderam afinal como Auxiliares que desempenham papel importante na Igreja; quantos, tendo chamado a si como coisa própria os interesses da Legião, lêem com grande interesse qualquer escrito que a ela se refira e lhes venha às mãos! Reconhecem-se como parte nas lutas assumidas ao longe pela Legião em prol das almas, luta cuja sorte depende das suas orações. As notícias procedentes de diversos lugares acerca de nobres e emocionantes trabalhos a favor das almas enchem-lhes a vida monótona de apaixonante interesse por estes atos heróicos. As suas existências acham-se assim transformadas pelo mais sublime dos ideais: o ideal de cruzado. Mesmo as almas mais santas precisam de semelhante estímulo.
6. Um dos objetivos do Praesidium será o Alistamento de todos os católicos da sua área nas fileiras do Serviço Auxiliar. Desta maneira se prepararia um terreno favorável a outras formas de apostolado legionário. As visitas neste sentido serão por todos recebidas como uma honra e de antemão podem ser consideradas frutuosas.
7. Na medida em que os membros das outras organizações ou atividades católicas se alistarem como Auxiliares, conseguir-se-á uma desejável integração das atividades a que pertencem. Ficariam assim unidos na oração, na simpatia, no ideal, sob a proteção de Maria, e isto sem nenhum prejuízo da autonomia ou das características próprias dos diversos organismos e sem retirar deles as orações próprias dos seus membros. Note-se que as orações dos Auxiliares não são oferecidas nas intenções da Legião, mas simplesmente em honra de Nossa Senhora.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 99]
8. Um não-católico não pode ser Membro Auxiliar normal. Se acontecer, porém (e acontece, de fato, de vez em quando), que uma tal pessoa deseje rezar diariamente as orações da Legião, entregue-se-lhe a Tessera e anime-se no seu generoso propósito. Tome-se nota do nome para poder manter contato com ela. Nossa Senhora estará atenta, com certeza, às necessidades dessa pessoa.

9. Mais do que as necessidades locais, devem apresentar-se aos Auxiliares, como objeto das suas orações, os trabalhos da Legião e as difíceis batalhas por ela travadas a favor do ser humano, através do mundo inteiro. É certo que não tomam parte direta na luta; desempenham, porém, um papel essencial, comparável ao dos trabalhadores das fábricas de munições e ao dos serviços de abastecimento, sem os quais as forças combatentes nada podem.
10. O recrutamento de Auxiliares, não deve ser feito levianamente. Antes de os admitirmos, devemos instruí-los perfeitamente em todas as suas obrigações e ter uma razoável garantia de que serão fiéis aos compromissos que assumirem.
11. Com o fim de interessar cada vez mais os Auxiliares pela perfeita execução dos seus compromissos, e ao mesmo tempo: a) em relação ao presente, melhorar a sua qualidade e garantir a sua perseverança, b) e no que toca ao futuro levá-los a ingressar nas fileiras dos Adjutores e dos Membros Ativos, – seria aconselhável contar-lhes alguns dos trabalhos da Legião .
12. É necessário manter-se em contato constante com os Auxiliares a fim de os conservarem na Legião e avivar neles o interesse pela organização; trabalho admirável para certos legionários, cujo ideal devia ser o progresso espiritual daqueles que lhes estão confiados.
13. Dar-se-á conhecimento aos Auxiliares das enormes vantagens resultantes da sua entrada na Confraria do Santíssimo Rosário. Visto rezarem já mais orações do que as prescritas pelos Estatutos da Confraria, só lhes resta inscreverem-se nela.
14. Da mesma maneira, com a intenção de desenvolver plenamente a vida espiritual dos soldados Auxiliares de Maria, seria bom ao menos explicar-lhes a “Verdadeira Devoção” ou consagração total da vida a Maria. Muitos deles hão de sentir-se felizes

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 100]
por poderem servi-la de uma forma mais perfeita, que exige a doação dos seus tesouros espirituais Àquela, a quem Deus escolheu como sua própria Tesoureira. E por que hesitar, se as intenções de Maria são os interesses do Coração de Jesus? Abrangem todas e cada uma das necessidades da Igreja e do apostolado. Estendem-se ao mundo inteiro. Descem mesmo às santas almas que sofrem no Purgatório. O zelo pelas intenções de Maria significa portanto carinho compreensivo pelas necessidades do Corpo do Senhor. É que, notemos, Maria não é agora Mãe menos compreensiva do que foi nos dias de Nazaré. Quando nos conformamos com as suas intenções, vamos diretamente ao fim, que é a vontade de Deus. Se quisermos alcançar este mesmo objeto apenas por nossa iniciativa, que caminho tortuoso não seguiremos! E quem nos diz que atingiremos o fim da caminhada?

Não faltará quem possa ser levado a pensar que tal devoção é própria só de pessoas avançadas em espiritualidade. É importante lembrar que foi a pessoas que acabavam de se libertar do pecado, e às quais se tornavam necessário recordar as verdades elementares do Catecismo, que S. Luís Maria de Montfort recomendou o Rosário, a devoção a Maria e a Santa Escravidão de Amor.

15. É desejável e, de fato, essencial estabelecer entre os Auxiliares, uma organização de regulamento suave com reuniões e festas próprias. Uma tal rede estendida sobre a comunidade teria como efeito a penetração desta pelo ideal legionário de apostolado e oração, a ponto de em breve, todos maravilhosamente o porem em prática.

16. Falando bem claramente: uma associação baseada no Serviço Auxiliar da Legião não seria menos importante que qualquer outra, tendo a mais, a vantagem de ser a própria Legião com todo o seu fervor e características. As reuniões freqüentes de tal associação garantiriam aos membros o contato com o espírito e as necessidades da Legião e iriam torná-los mais fervorosos no seu serviço.

17. Deve-se fazer o esforço de levar cada um dos Auxiliares a ingressar nos Patrícios, pois as duas associações completam-se de maneira ideal uma à outra. A reunião dos Patrícios cumprirá o fim da reunião periódica recomendada para os Auxiliares. Ajudará a mantê-los em contato com a Legião e contribuirá para o seu progresso em importantes aspectos. Por outro lado, se os Patrícios forem recrutados para Auxiliares, representará isso para eles mais um passo em frente.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 101]

18. Não se devem empregar os Auxiliares nos trabalhos ativos habituais da Legião. O contrário parece, à primeira vista, muito atraente. Com efeito, não será bom incentivar os Auxiliares a maiores realizações? Mas, se refletirmos um instante, veremos que se trataria da execução de um trabalho legionário sem a respectiva reunião semanal, o que significaria pôr de lado a condição essencial de Membro Ativo da Legião.

19. Os Auxiliares poderão tomar parte na Acies, quando isso se julgar conveniente ou possível, por ser esta uma cerimônia para eles excelente, pois os ligará intimamente aos Membros Ativos da Legião. Os Auxiliares que desejassem fazer o Ato de Consagração individual à Santíssima Virgem deveriam fazê-lo depois dos Membros Ativos.

20. A invocação na Tessera a ser rezada pelos Auxiliares será: “Maria Imaculada, Medianeira de todas as graças, rogai por nós”.

21. O convite insistente da Legião a todos os Membros Ativos: “sempre de serviço pelo próximo” – estende-se igualmente aos Auxiliares.

Os Auxiliares, tanto como os Membros Ativos, devem dedicar todos os esforços para recrutar novos membros para o serviço da Legião, de tal modo que, ajuntando um elo a outro elo, a Catena Legionis possa transformar-se numa rede dourada de orações que envolva o mundo inteiro.
22. Não falta quem proponha freqüentemente a redução ou substituição das Orações dos Auxiliares em consideração aos cegos, às crianças e às pessoas que não sabem ler.

Sem considerar o fato de uma obrigação perder parte da sua força, quando se torna menos exata, é evidente que o atendimento de tais pedidos é absolutamente impossível. Admitidas estas exceções, não tardaria o momento em que seria preciso estendê-las a pessoas de pouca leitura, de vista defeituosa ou muito ocupadas; seria abrir a porta ao relaxamento que, com o tempo, se tornaria regra geral.
Não, a Legião deve insistir na observância das normas estabelecidas. Se certas pessoas não são capazes de cumprir as obrigações prescritas, não podem ser Auxiliares. Entretanto podem prestar à Legião serviços incalculáveis, orando por ela como lhes for possível e a isto devem ser incentivadas.

[Capítulo 16 Graus Suplementares da Legião página 102]

23. É permitido pedir ao Auxiliar que pague a Tessera e o certificado de inscrição, mas nada mais se pode exigir dele.

24. Cada Praesidium terá em seu poder um Registro dos Membros Auxiliares com os respectivos nomes e endereços, subdividido em duas seções, uma para os Adjutores e outra para os simples Auxiliares. Este Registro será submetido periodicamente à Curia ou aos seus representantes autorizados. Será examinado atentamente para verificar se está bem conservado, se há cuidado no recrutamento de novos membros e se, de vez em quando, são visitados os Auxiliares existentes para se ter certeza de que, depois de terem colocado a mão no arado, não voltem para trás (Lc 9, 62).
25. Uma pessoa torna-se Membro Auxiliar pela inscrição do seu nome no Registro dos Membros Auxiliares de qualquer Praesidium. Este Registro ficará aos cuidados do Vice-Presidente.

26. Os nomes dos que desejam tornar-se Auxiliares serão escritos numa lista provisória até decorrerem os três meses de provação. Antes de os inscrever no Registro dos Auxiliares, o Praesidium deve certificar-se de que cumprem fielmente obrigações que deles são esperadas.
“Que recompensa não dará o bom Jesus a quem lhe entrega heróica e desinteressadamente, pelas mãos de sua Santíssima Mãe, todo o valor das suas obras? Se dá cem vezes, mesmo neste mundo, àqueles que por seu amor deixam os bens exteriores, temporais e perecíveis, que não dará Ele ao homem que lhe sacrifica mesmo os bens interiores e espirituais?” (São Luís Maria de Montfort).
17
AS ALMAS DOS LEGIONÁRIOS FALECIDOS
Terminada a caminhada da vida, eis o legionário gloriosamente reclinado no leito da morte. Agora, é ele confirmado no serviço legionário e por toda eternidade. Esta eternidade foi a Legião que o ajudou a conquistar. Ela formou a essência e o molde de toda a sua vida espiritual. Pelo poder das suas orações, rezadas

[Capítulo 17 As Almas dos Legionários Falecidos página 103]
cada dia fervorosamente num só coração por todos os legionários Ativos e Auxiliares, a fim de que a Legião pudesse reunir-se no céu sem uma perda, ela ajudou-a a vencer os perigos e dificuldades de toda a sua longa vida. Que pensamento suave e consolador para todos os legionários! Neste momento, sofremos por termos perdido um companheiro e um amigo. Apressemo-nos a orar para que a alma deste soldado seja prontamente libertada do Purgatório.
Imediatamente depois do falecimento de um membro ativo, o Praesidium mandará rezar uma missa pelo seu eterno descanso; e todos os membros do Praesidium devem rezar ao menos uma vez as Orações da Legião, incluindo o Terço, pela mesma intenção. Estas obrigações, porém, não se estendem aos parentes dos legionários. Todos os legionários que o puderem fazer, e não só os do próprio Praesidium, deverão tomar parte na santa missa e no enterro.
Recomenda-se a reza do Terço e das outras orações legionárias durante o enterro. Isto poderá fazer-se imediatamente a seguir às orações oficiais da Igreja. Este costume, extremamente proveitoso ao falecido, é profundamente consolador para os seus parentes entristecidos, para os próprios legionários e para todos os amigos presentes.
Esperamos com confiança que as mesmas orações sejam rezadas mais de uma vez, durante o velório, e que não limitaremos a isto a nossa piedosa lembrança.
No mês de Novembro, cada Praesidium mandará celebrar uma missa pelos legionários falecidos, não só do Praesidium, mas de todo o mundo. Nesta ocasião como em todas as outras em que se reza por eles, incluiremos nessas intenções os diversos graus de membros da Legião.
O Purgatório faz parte do Reino de Maria. Lá se encontram também alguns dos seus filhos que, em dolorosos momentos de aflição, esperam o nascimento para a glória eterna. S. Vicente Ferrer, S.Bernardino de Sena e Luís de Blois e outros, declaram explicitamente que Maria é Rainha do Purgatório; e S. Luís Maria de Montfort convida-nos a pensar e agir de acordo com esta crença. Quer que ponhamos nos braços da Maria o valor das nossas preces e satisfações. Promete-nos em recompensa, um benefício mais abundante a favor das almas que nos são queridas, do que no caso de lhes aplicarmos diretamente as nossas orações” (Lhoumeau: Vida Espiritual na Escola de S. Luís Maria de Montfort).

[página 104]
18
ORDEM A OBSERVAR NA REUNIÃO DO PRAESIDIUM
1. Em todas as reuniões, a disposição deve ser uniforme. Os membros deverão sentar-se em volta de uma mesa, numa das extremidades da qual se preparará, sobre uma toalha branca, de dimensões convenientes, um pequenino altar com a imagem (de cerca de 60 cm de altura) da Imaculada Conceição na atitude de distribuidora de todas as graças, ladeada de duas jarras de flores, e dois castiçais com velas acesas. Em frente da imagem, mas um pouco à direita, será colocado o Vexillum, cuja descrição vem no capítulo 27.
Neste Manual encontrará o leitor fotografias da disposição do altar e do Vexillum.
O objetivo de uma tal disposição é representar a Rainha no meio dos seus soldados; por isso, o altar não deve estar separado da mesa da reunião, nem colocado fora do círculo dos membros.
O amor filial que devemos à nossa mãe celeste exige que o material e as flores sejam de qualidade tão boa quanto possível. A despesa com o material não deve oferecer dificuldades, visto não ser freqüente. Talvez se encontre um benfeitor ou uma pessoa de posses que ofereça ao Praesidium, vasos e castiçais de prata. Alguém, entre os legionários, deverá assumir a responsabilidade de conservar limpos e reluzentes, os vasos e os castiçais e devidamente enfeitados de flores e de velas, compradas à custa do Praesidium.

Se for absolutamente impossível obter flores naturais, é permitido o uso de flores artificiais, a que se ajuntará algumas folhas verdes para termos assim um elemento da natureza viva.

Em regiões, onde seja necessário defender a chama das velas para que não se apague, coloque-se na parte superior das mesmas globos transparentes de vidro.
Na toalha poderão ser bordadas as palavras Legião de Maria, mas não o nome do Praesidium. Importa pôr em relevo a unidade e não a distinção.
A mediação de Maria está intimamente ligada à sua maternidade e possui caráter especificamente maternal, que a distingue da mediação das outras criaturas que, de diferentes modos e sempre subordinados, participam da única mediação de Cristo; também a mediação de Maria permanece subordinada. Se, na realidade, “nenhuma criatura pôde jamais colocar-se no mesmo plano

[Capítulo 18 Ordem a Observar na Reunião do Praesidium página 105]
que o Verbo Encarnado e Redentor”, também é verdade que “a mediação única do Redentor não exclui, antes desperta nas criaturas cooperação multiforme, participada dessa única fonte”; e assim, “a bondade de Deus, sendo uma só, difunde-se realmente, de diferentes modos, pelos seres criados” (RMat 38).
2. A reunião começará pontualmente à hora marcada. Nesse momento todos os membros devem estar nos seus lugares. Esta pontualidade, tão necessária ao bom andamento do Praesidium, só é possível, se os Oficiais chegarem alguns minutos antes, o tempo suficiente para fazerem os preparativos indispensáveis.

Nunca se começará uma reunião de Praesidium sem um programa escrito, chamado Folha de Trabalho. Esta deve ser feita antes da reunião e por ela se orientará o Presidente ao tratar dos diversos assuntos. Nela serão registrados pormenorizadamente todos os trabalhos que estão sendo feitos pelo Praesidium com a indicação dos membros que deles foram encarregados. Não é necessário seguir sempre a mesma ordem de assuntos, em todas as reuniões; mas todos os membros devem ser chamados, um por um, a dar conta do trabalho de que foram incumbidos, ainda que dois ou mais tenham participado da mesma atividade.

Providencie-se, antes do fim da reunião, para que cada membro receba o trabalho para a semana seguinte.

O Presidente deverá ter um livro encadernado no qual escreverá todas as semanas a Folha de Trabalho.

Por mais fervoroso e absorvente que o ideal, nunca deve servir para justificar um sentimentalismo vazio e sem utilidade prática. Como já foi notado, o gênio de Santo Inácio consistia em explorar cuidadosa e organizadamente, as energias religiosas. O vapor é inútil, mesmo incômodo, enquanto não for aproveitado por um cilindro e por um êmbolo. Que desperdício de fervor espiritual, só porque não se sujeita a um exame minucioso, e não se aplica isso a casos práticos! Mal aproveitados, quatro litros de gasolina podem fazer ir pelos ares um automóvel; utilizados com competência, farão subir o carro até ao cimo do monte” (Monsenhor Alfredo O’Rahilly: Vida do Padre Guilherme Doyle).
3. A reunião abre com a invocação e oração ao Espírito Santo, fonte daquela graça, vida e amor, de que tanto nos alegramos em considerar Maria como canal.

[Capítulo 18 Ordem a Observar na Reunião do Praesidium página 106]

Desde a hora em que concebeu o Filho de Deus em seu casto seio, Maria foi, por assim dizer, revestida de uma espécie de autoridade de jurisdição sobre as ações temporais do Espírito Santo, de tal sorte que nenhuma criatura recebe qualquer graça de Deus, a não ser por seu intermédio. Todos os dons, virtudes e graças do Espírito Santo por Ela são distribuídos a quem lhe agrada, quando lhe agrada e da maneira e na quantidade que lhe agrada” (São Bernardino de Sena: Sermão sobre a Natividade).

[Nota: a última parte desta citação encontra-se quase ao pé da letra nas obras de Santo Alberto Magno (Bíblia Mariana , Livro de Ester I), que viveu 200 anos antes de S. Bernardino].

4. Segue-se a reza de cinco dezenas do Rosário. A primeira, terceira e quinta são iniciadas pelo Diretor Espiritual. A segunda e quarta, pelos membros. Todos rezarão em voz alta e com tanta dignidade e respeito, como se a Virgem Maria, a quem dirigem as suas súplicas, estivesse visivelmente presente no lugar da imagem.

A devida reza da Ave-Maria exige que não se comece a segunda parte, antes de terminada a primeira e de o nome de Jesus ter sido pronunciado com todo respeito. Visto que o Rosário desempenha, quer como ponto de obrigação, quer como ato de piedade, papel importantíssimo na vida dos legionários, fiquem eles aconselhados a inscreverem-se na Confraria do Santíssimo Rosário (Cf. Apêndice 7).

O Papa Paulo VI insiste no dever de conservar o Rosário. É verdadeira oração. O seu conteúdo é verdadeiramente bíblico. Resume efetivamente toda a história da salvação e cumpre o propósito essencial de apresentar Maria nas diversas funções que desempenhou nessa história.

Entre as diversas formas de oração, nenhuma há mais excelente que o Rosário. Resume todo o culto devido a Maria. É o remédio para todos os males e a raiz de todas as bênçãos” (Leão XIII).

De todas as orações, o Rosário é a mais bela, a mais rica em graças e a mais agradável a Maria, a Virgem Santíssima. Amai, portanto, o Rosário e rezai-o devotamente todos os dias da vossa vida; eis o testamento que vos deixo para que vos recordeis de mim” (S. Pio X).

Para os Cristãos, o Evangelho é o primeiro dos livros e o Rosário a síntese do Evangelho” (Lacordaire).



Disposição do Altar Legionário

O altar não deve ficar fora do círculo da reunião

[Capítulo 18 Ordem a Observar na Reunião do Praesidium página 107]
É impossível que as orações de muitos não sejam ouvidas, se essas orações formam uma só oração. (S. Tomás de Aquino: Comentário ao Evangelho de S. Mateus, 18).

5. Após o Terço, segue-se imediatamente a Leitura Espiritual, feita pelo Diretor Espiritual ou, na sua ausência, pelo Presidente. A sua duração não deve ultrapassar cinco minutos. Embora a escolha da Leitura Espiritual seja livre, recomenda-se vivamente, ao menos durante os primeiros anos de existência do Praesidium, a leitura do Manual, a fim de familiarizar os membros com seu conteúdo e os animar a estudá-lo seriamente.

No fim da leitura, é costume fazer-se, em conjunto, o Sinal da Cruz.

“Maria é digna, sem dúvida alguma, de tais palavras de bênção, pelo fato de se ter tornado Mãe de Jesus segundo a carne (“Ditoso o ventre que te trouxe e os peitos a que foste amamentado”); mas é digna delas também e sobretudo porque, logo desde o momento da Anunciação, acolheu e acreditou na palavra de Deus e sempre foi obediente a Deus. Ela, com efeito, “guardava” a palavra , meditava-a “no seu coração” (Cf. Lc 1, 38-45; 2, 19-51) e cumpriu-a em toda a sua vida. Podemos, portanto, afirmar que as palavras de bem-aventurança pronunciadas por Jesus não se contrapõem, apesar das aparências, às que foram proferidas pela mulher desconhecida; combinam, antes com elas na pessoa desta Mãe Virgem, que a si mesma se designou simplesmente como “serva do Senhor” (Lc 1, 38) (RMat 20).

6. Lê-se a ata da reunião anterior que, se aprovada pelos presentes, é assinada pelo Presidente. A ata não será longa nem breve demais mas de bom tamanho; as reuniões serão designadas pelo número correspondente.

Salientamos já, no capítulo referente ao Secretário, a importância da ata. Sendo esta um dos primeiros assuntos a ser apresentado na reunião semanal do Praesidium, ocupa, digamos assim, uma posição estratégica. Pelo seu conteúdo e pela forma como é lida, exerce uma influência decisiva, positiva ou negativa, sobre o resto da reunião.

Atas bem feitas são como o bom exemplo; como o mau exemplo, se são mal feitas. Redigidas com perfeição, se não se lêem como devem, têm de ser classificadas como sem merecimento. O exemplo arrasta; e as atas, perfeitas ou imperfeitas, influenciam a atenção e os relatórios dos membros, de tal modo

[Capítulo 18 Ordem a Observar na Reunião do Praesidium página 108]
que pode depender delas o bom êxito ou fracasso da reunião que, por sua vez, influenciará o trabalho da semana.

Que o Secretário pondere estes motivos, enquanto se entrega ao trabalho silencioso da preparação das atas; e que o Praesidium, para garantia da força da sua ação, exerça neste assunto a máxima atenção.

“Seria certamente vergonhoso que, neste ponto, se verificassem as palavras de Cristo: “Os filhos deste século são mais hábeis que os filhos da luz” (Lc 16, 8). Vede com que zeloso cuidado aqueles tratam dos seus negócios e quantas vezes, e com que rigor, fazem o balanço das suas contas, como lamentam as perdas e se resolvem energicamente a recuperá-las” (S. Pio X).

7. Ordem Permanente. A seguinte Ordem Permanente deve figurar na Folha de Trabalho ou em outro lugar, de maneira a não passar despercebida no devido tempo e ser lida em voz alta pelo Presidente, na primeira reunião de cada mês, imediatamente depois da assinatura da ata.

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