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O LEGIONÁRIO E A EUCARISTIA



1. A Santa Missa
Como já acentuamos, a santidade dos membros é de fundamental importância para a Legião. Além disso é também o seu principal meio de ação. É que o legionário não pode ser canal

[Capítulo 8 O Legionário e a Eucaristia página 45]
de graças para os outros, senão na medida em que ele próprio as possui. Por isso, ao ingressar na Legião, cada membro pede insistentemente por intermédio de Maria a plenitude do Espírito Santo e a graça de ser instrumento do Seu poder divino, que há de renovar a face da terra.
As graças assim pedidas brotam todas, sem exceção, do Sacrifício de Jesus no Calvário. É pela Santa Missa que o Sacrifício da Cruz se perpetua entre os homens. A Missa não é, pois, uma simples representação simbólica do passado: ela torna real e atualmente presente no meio de nós essa ação sublime que Nosso Senhor consumou no Calvário e pela qual remiu a humanidade.
A Cruz não vale mais do que a Missa, porque são um e mesmo sacrifício, afastados o tempo e o espaço pela mão do Onipotente. O Sacerdote e a Vítima são idênticos, difere apenas o modo de oferecer o Sacrifício. A Missa contém tudo quanto Jesus Cristo ofereceu a Deus e tudo quanto alcançou para os homens; e o oferecimento dos que participam da Missa torna-se um só com o próprio sacrifício do Salvador.
O legionário deverá recorrer à Missa, se deseja, para si e para os outros, uma participação abundante nas riquezas da Redenção. A Legião não impõe aos seus membros qualquer obrigação concreta sobre a participação na Missa, pois as ocasiões e circunstâncias da vida de cada membro são muito diferentes. Todavia, preocupada com eles e com seus trabalhos, insiste com todos e suplica-lhes que tomem parte nela, com freqüência – diariamente se for possível – e recebam nessa ocasião a Sagrada Comunhão.
Se os legionários são obrigados a agir sempre em união íntima com Maria, é sobretudo no ato solene da participação na Santa Missa que o devem fazer.
Como sabemos, a Missa compõe-se de duas partes principais, a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. É importante ter presente que estas duas partes estão tão intimamente unidas que formam um só ato de culto (SC 56). Por isso, os fiéis devem tomar parte na Missa inteira, onde estão a mesa da Palavra e a mesa do Corpo de Cristo, para que por elas sejam instruídos e alimentados (SC 48, 51).
O sacrifício da Missa não é tão somente uma recordação simbólica da Cruz. Ao contrário, a Missa torna atualmente presente o sacrifício do Calvário, como uma excelsa realidade não sujeita a tempo e a espaço. O espaço e o tempo desaparecem, pela mão do Onipotente. O mesmo Jesus que morreu na Cruz está ali presente. Os participantes unem-se à Sua vontade santíssima e sacrifical; e,

[Capítulo 8 O Legionário e a Eucaristia página 46]
por Jesus presente no meio deles consagram-se ao Pai celeste como uma viva oblação. A Santa Missa é, pois, uma tremenda realidade, a realidade do Gólgota: torrente de dor e de arrependimento, de amor e de devoção, de heroísmo e de espírito de sacrifício, que brota do altar e corre sobre a comunidade em oração” (Karl Adam: O Espírito do Catolicismo).
2. Liturgia da Palavra
A Missa é, acima de tudo, a celebração da fé, daquela fé que nasceu em nós e foi alimentada pela audição da Palavra de Deus. Recordemos a este respeito as palavras da Instrução Geral sobre o Missal (nº 9): “Quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura, é o próprio Deus que fala ao Seu povo, é Cristo presente na Sua palavra quem anuncia o Evangelho. Por isso, as leituras da Palavra de Deus, que oferecem à Liturgia um dos elementos de maior importância, devem ser escutados por todos com veneração”. A homilia é também de grande importância: parte necessária da Missa nos Domingos e Dias Santos, e também desejável nos outros dias. Pela homilia, o sacerdote explica o texto sagrado à luz dos ensinamentos da Igreja, para o crescimento da fé dos presentes.
Nossa Senhora é o modelo da nossa participação na palavra, porque “é a Virgem que sabe ouvir, que acolhe a palavra de Deus com fé, fé que foi para Ela a preparação e o caminho para a maternidade divina” (MCul 17).
3. A Liturgia da Eucaristia em união com Maria
Nosso Senhor não começou a obra da Redenção, sem o consentimento de Maria, solenemente pedido e livremente dado; nem a completou no Calvário, sem a sua presença. “Por esta comunhão de sofrimentos e de vontades entre Maria e Cristo, mereceu ela, com justíssima razão, tornar-se a Restauradora do mundo perdido e a Despenseira de todas as graças, que Jesus alcançou com a Sua morte e com o Seu sangue” (AD 9). Junto a Cruz do Salvador esteve Maria, representando o gênero humano; também agora, em cada Missa está presente, cooperando com Jesus, como sempre, ela, a Mulher anunciada desde o princípio, Aquela que esmaga a cabeça da Serpente infernal. Por isso, uma amorosa união a Maria deve fazer parte de toda a Missa bem participada.

[Capítulo 8 O Legionário e a Eucaristia página 47]
Com Maria, no Calvário, estiveram também os representantes de uma Legião – o centurião e a sua coorte – que desempenharam um fúnebre papel no oferecimento da Vítima, embora não soubessem que estavam crucificando o Senhor da Glória (1Cor 2, 8). E ó maravilha! a graça desceu, em torrentes, sobre os seus corações. “Contemplai e vede”, diz S. Bernardo, “como a fé tem o olhar penetrante. Reparai bem nos seus olhos de lince! Por ela, no Calvário, o Centurião reconheceu a vida na morte; e, num último suspiro, o Espírito soberano”. Contemplando a sua Vítima morta e desfigurada, os legionários romanos proclamaram-na Verdadeiro Filho de Deus (Mt 27, 54).
A conversão destes homens grosseiros e cruéis foi o fruto repentino e inesperado das orações de Maria. Estranhos filhos, os primeiros que a Mãe dos homens recebeu no Calvário e que lhe tornaram para sempre tão querido, o nome de legionários. Depois disto, quem poderá duvidar de que ela, quando os seus legionários – unindo-se às suas intenções, elemento integrante da sua cooperação – participam todos os dias da santa Missa, os reúna à volta de si e lhes dê aqueles olhos penetrantes de fé e o seu Coração transbordante para que, assim, tomem parte de maneira mais íntima e proveitosa na continuação do sublime sacrifício do Calvário?
Quando virem levantar o Filho de Deus, os legionários hão de unir-se a Ele, para com Ele formarem uma só Vítima. A Missa, sacrifício de Jesus Cristo, é também o deles. Deveriam, em seguida, receber o Corpo adorável do Senhor: para obter a plenitude dos frutos do Divino Sacrifício é absolutamente necessário que os participantes comunguem com o sacerdote a carne da Vítima imolada.
Hão de compreender então, a parte essencial de Maria, a nova Eva, nestes mistérios sagrados – parte e cooperação tão íntima que, “quando o seu amado Filho consumava a Redenção do gênero humano no altar da Cruz, lá estava a Seu lado, sofrendo e remindo com Ele” (Pio XI). Ao se retirarem, Maria acompanhará os legionários, dando-lhes parte das suas graças e da distribuição que se segue, derramando através deles, em todos quantos encontrarem ou, naqueles por quem trabalharem, os infinitos tesouros da Redenção.
A sua maternidade é particularmente notada e vivida pelo povo cristão no Banquete Sagrado – celebração litúrgica do mistério da Redenção – no qual se torna presente Cristo, no seu verdadeiro Corpo, nascido da Virgem Maria.

[Capítulo 8 O Legionário e a Eucaristia página 48]
Com muita razão, a piedade do povo cristão percebeu sempre uma ligação profunda entre a devoção à Virgem Santíssima e o culto da Eucaristia: pode-se comprovar este fato, na liturgia tanto ocidental como oriental, na tradição das Famílias religiosas, na espiritualidade dos movimentos contemporâneos, mesmo dos movimentos juvenis e na pastoral dos santuários marianos: Maria conduz os fiéis à Eucaristia (RMat 44).
4. A Eucaristia, nosso tesouro
A Eucaristia é o centro e a fonte da graça: por isso, deve constituir também a pedra angular do sistema legionário. A mais ardente atividade não fará nada que preste, se esquecer, por um só momento, que o seu motivo principal é o estabelecimento em todos os corações do reino da Eucaristia. Deste modo será atingido o fim para que Jesus veio ao mundo: comunicar-se às almas, para as fazer uma só coisa com Ele. Ora, o meio principal para conseguir tal união é a Eucaristia. “Eu sou”, diz Jesus “o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu darei é a minha carne, para a salvação do mundo” (Jo 6, 51-52).
A Eucaristia é o bem infinito. Neste sacramento, com efeito, está o próprio Jesus tão presente como outrora em Nazaré ou no Cenáculo de Jerusalém. A Sagrada Eucaristia não é o símbolo da Sua pessoa ou um instrumento do Seu poder: é o mesmo Jesus, vivo e inteiro. Por isso, Aquela que O concebeu e nutriu “encontrava na hóstia adorável o fruto bendito do seu ventre, e renovava na sua vida de união com Jesus Sacramentado os ditosos dias de Belém e Nazaré” (S. Pedro Juliano Eymard).
Muitos, para quem Jesus não passa de um homem inspirado, O honram e imitam; e maiores homenagens Lhe renderiam, se n’Ele vissem algo de mais elevado. Como deveríamos nós nos comportarmos, visto possuirmos o inestimável benefício da fé? Como são indesculpáveis os católicos que crêem mas não praticam. Aquele Jesus, que os outros tanto admiram, possuem-n’O os católicos, vivo, na Eucaristia. Têm livre acesso a Ele; podem e devem recebê-l’O, mesmo todos os dias, como alimento das suas almas.
À vista disto, como é triste verificar a vergonhosa negligência com que é tratada tão rica herança e como pessoas que crêem na Sagrada Eucaristia, por pecados e desleixos, se privam deste alimento vital da alma, que Jesus, desde o primeiro instante da

[Capítulo 8 O Legionário e a Eucaristia página 49]
Sua existência terrestre, pensava em dar-lhes. Logo em Belém (Casa do Pão) foi reclinado na palha de que Ele era o Trigo Divino, destinado a tornar-se em breve o Pão Celeste que havia de unir a Ele todos os homens (e uns aos outros), no seu Corpo Místico.
Maria é a Mãe deste Corpo Místico. E assim como outrora cuidava dedicadamente de todas as necessidades de Jesus Menino, assim deseja agora ardentemente nutrir o Corpo Místico, do qual é Mãe, tanto quanto o é de Jesus. Que angústias para o seu Coração maternal, ao ver a fome – às vezes extrema – de seu Filho, no Seu Corpo Místico, porque poucos se alimentam como devem do Pão Divino, e muitos, absolutamente nada. Que todos quantos desejam de fato unir-se a Maria, para participar dos seus cuidados maternais para com as almas, partilhem também das suas angústias e se esforcem, com ela, por matar a fome do Corpo Místico de Jesus. O legionário deve aproveitar todos os recursos para despertar nas pessoas com quem realiza o seu apostolado, o conhecimento e o amor ao Santíssimo Sacramento, e também aproveitar para destruir o pecado e a indiferença que d’Ele afastam tanto, os homens. Cada comunhão obtida representa um lucro incomensurável, porque, alimentando a alma individual, nutre todo o Corpo Místico de Cristo e o faz crescer em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens (Lc 2, 52).
Esta união da Mãe com o Filho na obra da Redenção alcança o ponto culminante no Calvário, onde Cristo ‘se ofereceu a si mesmo, vítima sem mácula, a Deus’ (Hb 9, 14), e onde Maria esteve de pé, junto à Cruz (Cf. Jo 19, 15), ‘sofrendo profundamente com o seu Unigênito e associando-se com ânimo maternal ao seu sacrifício, consentido amorosamente na vítima que havia gerado’, e oferecendo-a também ela, ao eterno Pai. Para perpetuar ao longo dos séculos o Sacrifício da Cruz, o divino Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico, memorial da sua Morte e Ressurreição, e confiou-o à Igreja, sua Esposa, a qual, sobretudo aos domingos, convoca os fiéis para celebrar a Páscoa do Senhor, até que ele volte: o que a mesma Igreja faz em comunhão com os Santos do céu e, em primeiro lugar, com a bem-aventurada Virgem Maria, de quem imita a caridade ardente e a fé inabalável” (MCul 20).

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O LEGIONÁRIO E O CORPO MÍSTICO DE CRISTO
1. O serviço legionário é baseado nesta doutrina
Já na primeira reunião de legionários ficou bem claro o caráter sobrenatural do serviço a que iam se dedicar. A sua convivência com o próximo devia transparecer cordialidade, não por motivos meramente naturais, mas porque deveriam ver nesse próximo a mesmíssima Pessoa de Cristo, tendo sempre presente que tudo o que fizessem aos outros, ainda que de maneira fraca ou desprezível, o faziam Àquele mesmo Senhor que afirmou: “Em verdade vos digo que o que fizestes ao mais pequeno dos meus irmãos, a mim próprio o fizestes” (Mt 25, 40).
Ora, o que se deu com a primeira reunião tem-se dado com todas as que se lhe seguiram. Nenhum esforço tem sido poupado na intenção de fazer ver aos legionários que tal critério deve ser, não só a pedra basilar do seu serviço, mas o alicerce da disciplina e da harmonia na vida interna da Legião. O legionário deve ver e respeitar nos Oficiais e nos companheiros, o próprio Cristo. Que ele tenha sempre presente esta verdade transformadora. Para ajudá-lo a atingir tal fim é que se inscreve esse princípio na Ordem Permanente, lida mensalmente na reunião do Praesidium. Essa Ordem insiste ainda neste outro princípio fundamental da Legião: devemos trabalhar em tão estreita união com Maria que seja ela quem de fato, por meio do legionário, execute a sua obra.
Estes princípios básicos da Legião não são mais, afinal, do que a conseqüência da Doutrina do Corpo Místico de Cristo, doutrina que constitui o tema principal das Epístolas de São Paulo: e isto nada tem de singular, sabendo-se que a conversão do Apóstolo se deve à declaração dessa doutrina. Perante o clarão que baixara do céu, o grande perseguidor dos cristãos caiu por terra, cego, e ouviu estas aterradoras palavras: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” E Saulo interrogou: “Quem é tu, Senhor?” E uma voz respondeu-lhe: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At 9, 4-5). Que maravilha que estas palavras ficassem gravadas a fogo vivo na alma do Apóstolo e que este se sentisse a todo momento compelido a falar e a escrever sobre a verdade nelas contida.

[Capítulo 9 O Legionário e o Corpo Místico de Cristo página 51]
São Paulo compara a união entre Cristo e os batizados àquela que existe entre a cabeça e os outros membros do corpo humano. Neste, cada membro tem a sua finalidade, a sua função especial; uns são mais nobres, outros menos, mas todos, dependendo uns dos outros, são animados pela mesma vida. Deste modo, o dano sofrido por um deles reflete-se em todos; mas, se um recebe benefício, todos dele participam.
A Igreja é o Corpo Místico de Cristo e a Sua plenitude (Ef 1, 22-23); Cristo é a Cabeça, a parte principal, indispensável e perfeita, onde todos os membros vão buscar as suas energias e a sua própria vida. O batismo une-nos a Cristo com laços de tal forma estreitos, que ninguém poderá imaginá-los. O termo “místico” não significa, de forma alguma, irreal. De acordo com as vibrantes palavras da Sagrada Escritura – “somos membros do Seu corpo, formados da Sua carne e dos Seus ossos” (Ef 5, 30). Daqui resultam certos deveres sacratíssimos de amor e de serviço, não só entre os membros e a Cabeça, mas entre os próprios membros (1Jo 4, 15-21). A comparação do corpo ajuda-nos poderosamente a compreender esses deveres, e tal conhecimento constitui já meio caminho andado para o seu cumprimento.
Com razão se tem afirmado ser este o dogma central do Cristianismo. De fato, toda a vida sobrenatural, todas as graças concedidas ao homem são fruto da Redenção. Esta se baseia no fato de Cristo e a Sua Igreja constituírem uma única pessoa mística; e assim é que as reparações operadas por Cristo, a Cabeça, e os méritos infinitos da Sua Paixão pertencem também aos Seus membros, os fiéis. Deste modo se explica como é que Nosso Senhor pôde sofrer pelo homem, conseguindo o perdão de culpas que não cometera. “Cristo é a Cabeça da Igreja, Seu Corpo, do qual ele é o Salvador” (Ef 5, 23).
A atividade do Corpo Místico é a do próprio Cristo. Os fiéis são n’Ele incorporados e n”Ele vivem, sofrem e morrem, e, em Sua Ressurreição, ressuscitam. O batismo santifica, precisamente, porque estabelece, entre Cristo e a alma, essa comunicação de vida, por onde flui, da Cabeça para os membros, a santidade. Os outros Sacramentos, sobretudo a Divina Eucaristia, destinam-se a estreitar a união entre o Corpo Místico e a Cabeça. Tal união, entre a cabeça e os membros, intensifica-se ainda pelo exercício da fé e da caridade, pelos vínculos da autoridade e do serviço mútuo na Igreja, pelo trabalho e pelo sofrimento, aceitos com resignação; resumindo: por qualquer ato de vida verdadeiramente cristã. Tudo isto, porém, será mais eficaz, se a alma atuar decididamente sob a proteção de Maria Santíssima.

[Capítulo 9 O Legionário e o Corpo Místico de Cristo página 52]
Maria, pelo seu privilégio de Mãe da Cabeça e dos membros, passa a ser um eminente laço de união do Corpo Místico. Se é certo que “somos membros do Seu Corpo, formados da Sua carne e dos Seus ossos”, somos também, com igual verdade e plenitude, filhos de Maria, Sua Mãe. A Santíssima Virgem foi criada para conceber e dar à luz o Cristo total, quer dizer, o Corpo Místico com todos os seus membros, perfeitos e ligados entre si (Ef 4, 15-16), e unidos com a Cabeça, Jesus Cristo; e ela cumpriu seu destino, em colaboração e mediante o poder do Espírito Santo, que é a vida e a alma do Corpo Místico. No seio maternal de Maria, e dócil aos seus cuidados, a alma irá crescendo em Cristo, até chegar à idade perfeita (Ef 4, 13-15).
Maria desempenha um papel único e sem igual na economia divina. Ela preenche, entre os membros do Corpo Místico, um lugar à parte – o primeiro depois da Cabeça. Neste organismo divino do Cristo Total, a sua função está intimamente ligada à vida de todo o Corpo. É o Coração... Servindo-nos de uma imagem mais popular, ela assemelha-se, por motivo da sua função – é o que diz S. Bernardo – ao pescoço, que liga a cabeça aos membros do Corpo. A figura suficientemente clara demonstra o porquê da mediação universal de Maria, entre Cristo – a Cabeça Mística – e os Seus membros. No entanto, a comparação do pescoço é menos vigorosa que a do coração, para significar a enorme importância da influência de Maria e do seu poder, o maior depois de Deus, nas operações da vida sobrenatural; e isto, porque o pescoço não passa de simples ligação, nada fazendo para iniciar ou influenciar a vida. O coração, pelo contrário, é um centro de vida, o primeiro a receber os tesouros que imediatamente distribui a todo o organismo” (Mura: O Corpo Místico de Cristo).
2. Maria e o Corpo Místico
Os cuidados postos por Maria na alimentação, no cuidado e no carinho do Corpo físico do seu Divino Filho, continuam a ser dispensados agora, em favor de todos e de cada um dos membros do Corpo Místico, dos mais humildes aos mais nobres. E assim é que, “agindo os membros com mútua solicitude” (1Cor 12, 25), jamais o fazem independentemente de Maria, mesmo quando deixem, por descuido ou ignorância, de reconhecer a sua presença. Nada mais fazem do que unir os seus esforços aos esforços de Maria. É uma

[Capítulo 9 O Legionário e o Corpo Místico de Cristo página 53]
obra que lhe pertence e à qual se tem entregado por completo desde a Anunciação até hoje. Considera-se, assim, que não são propriamente os legionários que se valem do auxílio da sua Rainha para melhor servir os restantes membros do Corpo Místico, mas é ela que se digna utilizá-los. E, por tratar-se de uma obra que pertence a Maria, ninguém pode cooperar nela, sem que a Senhora benevolente, se digne permiti-lo. Tal fato, conseqüência lógica da doutrina do Corpo Místico, deve ser meditado por todos os que se dedicam ao serviço do próximo, mas não reconhecem o lugar e os privilégios de Maria. Constitui, além disso, uma boa lição para os que confessam acreditar nas Escrituras, mas desconhecem e menosprezam a Mãe de Deus. Cristo – fiquem todos sabendo – amou Sua Mãe, sujeitando-se a ela (Lc 2, 51); e o seu exemplo obriga todos os membros do Seu Corpo Místico a fazerem o mesmo: “Honrarás... tua Mãe” (Ex 20, 12). Por mandamento divino, cabe a nós amá-la filialmente. Todas as gerações hão de bendizer tão boa Mãe (Lc 1, 48).
Portanto, assim como ninguém poderá pensar em colocar-se a serviço do próximo a não ser com Maria, assim também não poderá realizar dignamente tal missão, se não tiver , ainda que imperfeitamente, as mesmas intenções de Maria. Quanto maior for a nossa união com ela, tanto mais perfeitamente cumpriremos o divino preceito de amar a Deus e de servir o próximo (1Jo 4,19-21).
A função própria dos legionários dentro do Corpo Místico é guiar, consolar e esclarecer os outros. Tal missão, note-se, só será devidamente cumprida, quando os legionários se compenetrarem por completo, da doutrina do Corpo Místico e da identificação deste com a Igreja. A posição e os privilégios da Igreja, a sua unidade, a sua autoridade, o seu desenvolvimento, padecimentos, milagres, triunfos, o seu poder de conferir a graça e o perdão dos pecados: tudo isto não será apreciado no seu justo valor, se não se compreender que Cristo vive na Igreja e que é por intermédio dela, que continua a Sua missão na terra. A Igreja reproduz verdadeiramente a vida de Cristo.
Cada membro da Igreja é intimado por Cristo, sua Cabeça, a desempenhar determinada missão dentro do Corpo Místico.
“Jesus Cristo” – lemos na Constituição Lumen Gentium – “comunicando o Seu Espírito, fez dos Seus irmãos, chamados de entre todos os povos, o Seu Corpo Místico. Nesse corpo a vida de Cristo difunde-se naqueles que nEle crêem...” Como todos os membros do corpo humano, apesar de serem muitos, formam, um só corpo, assim também os fiéis em Cristo”

[Capítulo 9 O Legionário e o Corpo Místico de Cristo página 54]
(Cf. 1Cor 12, 12). “Na organização do Corpo Místico de Cristo existe igualmente diversidade de membros e funções. É um único Espírito que distribui os seus vários dons para bem da Igreja, na medida das riquezas e exigências dos serviços” (Chl 20).
Para saber a forma de serviço que deve caracterizar os legionários na vida do Corpo Místico, fixemos os olhos em Maria. Ela foi-nos apresentada como o coração do Corpo Místico. A sua função, como a do coração humano, é fazer circular o sangue de Cristo, levando às diversas partes do corpo, a vida e o crescimento. Acima de tudo, é um trabalho de amor. Por conseguinte, os legionários, ao exercerem o seu apostolado em união com Maria, são chamados a fazer uma só coisa com Ela, no Seu papel vital de coração do Corpo Místico.
“Não pode dizer a vista à mão: não preciso da tua ajuda; nem a cabeça aos pés: não me sois necessários” (1Cor 12, 21). Tais palavras revelam ao legionário, a importância da sua cooperação na obra do apostolado. E isto, não devido apenas à sua união com Cristo, com o qual forma um só Corpo e de quem depende, mas ainda porque o próprio Cristo, que é a cabeça, depende verdadeiramente do legionário a quem bem poderia se dirigir nestes termos: “Eu necessito da tua ajuda na Minha obra de santificar e salvar as almas”. São Paulo destaca, a propósito, a dependência em que se encontra a cabeça em relação ao corpo, quando fala de completar em sua carne, o que falta à Paixão de Cristo (Cl 1, 24). A frase, estranha, não significa de modo algum que a obra de Cristo ficasse imperfeita; ela salienta apenas a idéia de que, cada membro do Corpo Místico tem de contribuir, na medida do possível, para a própria salvação e para a salvação dos restantes membros (Fl 2, 12)
Essa doutrina instrui o legionário sobre a sublime vocação, a que foi chamado, como membro do Corpo Místico: a de completar o que falta à missão de Nosso Senhor. Maravilhoso pensamento este: Jesus Cristo necessita de mim para levar a luz e a esperança aos que vivem nas trevas, o consolo aos aflitos, a vida aos mortos no pecado. Inútil seria acrescentar, conseqüentemente, que o legionário tem de agir dentro do Corpo Místico, copiando de modo singular o amor e a obediência incomparáveis que Cristo, a Cabeça, dedicou à Sua Mãe; amor que o Seu Corpo Místico tem de reproduzir.
Assim como São Paulo nos assegura completar em seu próprio corpo a medida dos sofrimentos de Cristo, assim podemos afirmar que um verdadeiro cristão, membro de Jesus e a Ele unido pela grã-

[Capítulo 9 O Legionário e o Corpo Místico de Cristo página 55]
ça, continua e vai até o fim, através do seu trabalho comprometido com o espírito de Jesus, as ações do próprio Salvador, durante a Sua vida mortal. E isto de tal forma que, quando um cristão reza, dá continuidade à oração iniciada por Jesus sobre a terra; quando trabalha, completa o que faltou à vida apostólica de Jesus. Temos de ser assim outros tantos Cristos sobre a terra, continuando-O na Sua Vida e nas suas ações, agindo e sofrendo tudo, no espírito de Jesus, isto é, com santas e divinas disposições” (São João Eudes: O Reino de Jesus).
3. O sofrimento no Corpo Místico
A missão dos legionários coloca-os em íntimo contato com todos os homens, especialmente com os que sofrem. Necessário é, pois, que conheçam a fundo aquilo que o mundo é inclinado a chamar, o problema do sofrimento. Ninguém pode fugir nesta vida à sua Cruz. A maior parte revolta-se contra ela, procurando desviá-la dos seus ombros, e, porque isso é impossível, ficam esmagados sob o seu peso. Inutilizam assim os planos da Redenção, que exigem o complemento da dor para que a vida resulte frutuosa, do mesmo modo que, qualquer tecido exige o cruzamento de fios para se obter o tecido. A dor só aparentemente contraria e impossibilita a vida do homem. Na realidade, ela a favorece e a aperfeiçoa. Assim o ensina a Sagrada Escritura, em cada uma das suas páginas, quando proclama a necessidade “não só de crer em Cristo, mas também a de sofrer por Ele” (Fl 1, 29); e ainda: “Se morrermos com ele, com Ele viveremos; se com Ele padecermos, com Ele reinaremos” (2Tm 2, 11-12).
A nossa morte em Cristo, de que fala o Apóstolo, está representada por uma cruz salpicada de Sangue – aquela em que Cristo, nossa Cabeça, acaba de consumar a Sua obra. Ao pé da Cruz e imersa em tal desolação que parecia impossível continuar a viver, estava a Mãe do Redentor e dos remidos, aquela de cujas veias tinha vindo o sangue que tão abundantemente molhava a terra, para resgate da humanidade. Este Sangue Precioso é o mesmo que é destinado a circular pelo Corpo Místico, conduzindo a vida até as mais pequenas células; levando à alma a perfeita imagem de Cristo, de um Cristo completo; não apenas do de Belém e do Tabor, feliz e refulgente de glória, mas também do Cristo doloroso, do Cristo vítima, do Cristo do Calvário. Para que os maravilhosos frutos desta torrente redentora possam ser aplicados às almas devemos conhecê-los.

[Capítulo 9 O Legionário e o Corpo Místico de Cristo página 56]
Saibam todos os cristãos que não podem selecionar em Cristo o que agrada e rejeitar o restante. Saibam-no tão bem como o soube Maria nas alegrias da Anunciação. Ela já então sabia que não era convidada a ser somente mãe venturosa, mas também mãe dolorosa; tendo-se entregado a Deus sem a menor reserva desde sempre, aceita o Cristo completo. Ao acolher o Menino no seu seio, ela tinha perfeito conhecimento de tudo quanto estava contido no mistério; estava disposta tanto a esgotar com o seu Filho o cálice da amargura, como a compartilhar com Ele, as Suas glórias. Nesse momento, se uniram aqueles dois Corações Sacratíssimos tão estreitamente, que chegaram quase a identificar-se. Foi, então, que começaram a pulsar em conjunto dentro do Corpo Místico e em seu benefício; e, Maria se tornou a Medianeira de todas as Graças, o Vaso Espiritual que recebe e espalha o Precioso Sangue do Senhor. Ora, o que aconteceu à Mãe, acontecerá com aos filhos. O homem será tanto mais útil a Deus, quanto mais íntima for a sua união com o Sagrado Coração, a fonte, onde ele irá beber o Sangue Redentor, para o derramar com grande fartura sobre as almas. É necessário porém, que esta união com o Sangue e o Coração de Cristo, abranja totalmente a vida de Jesus; não basta que se aproprie de uma ou de outra fase. Seria tão leviano como indigno receber de braços abertos o Rei da Glória e rejeitar o Homem das Dores, porque Um e Outro são o mesmo Cristo. Aquele que não acompanhar o Cristo sofredor, não tomará parte na Sua missão junto das almas nem participará da Sua glória.
Conclui-se, portanto, que sofrer é sempre uma graça: graça que, quando não cura, fortifica. Nunca podemos conceber o sofrimento como castigo do pecado. “Fica sabendo” diz S. Agostinho, “que as aflições do gênero humano não são uma lei penal, pois o sofrimento tem caráter terapêutico”. Por outro lado, a Paixão do Senhor transborda, por privilégio todo especial, sobre os santos e os justos, a fim de os tornar mais semelhantes ao Redentor. Este intercâmbio e esta fusão de sofrimentos é a base de toda a mortificação e reparação.
Uma simples comparação com a circulação do sangue no corpo humano dá a idéia perfeita da função e da finalidade do sofrimento. Tomemos para exemplo a mão. A pulsação que ali se nota corresponde ao bater do coração – fonte do sangue quente que nela circula. É que a mão está unida ao corpo de que faz parte. Se a circulação diminui, as veias se encolhem e o sangue encontra maior dificuldade em correr; e essa dificuldade aumenta à medida que o frio se torna mais intenso. Se o frio for de tal

[Capítulo 9 O Legionário e o Corpo Místico de Cristo página 57]
intensidade que faça cessar a pulsação, a mão gelará e os seus tecidos morrerão. Ficará caída, sem sangue e não tardará a surgir a gangrena, caso esta situação se prolongue.
Estes diversos graus de frio ajudam-nos a compreender melhor as possíveis situações espirituais do Corpo Místico. Em alguns a capacidade de receber o Precioso Sangue é tão limitada, que correm perigo de morte, como membros gangrenados que têm de ser amputados. O remédio para um membro gelado é evidente: provocar de novo a circulação para que recupere a vida. Introduzir o sangue à força, nas veias e artérias constitui, sem dúvida processo doloroso, mas a dor é anúncio de futura alegria. Acontece que a maioria dos católicos praticantes não são de fato membros gelados; contentes consigo, dificilmente se considerarão até membros frios. No entanto, o Precioso Sangue não circula neles no grau desejado pelo Senhor, o que o obriga a introduzir neles à força, a Sua vida.
O Sangue Divino, circulando e dilatando as veias endurecidas, causa dores ao paciente: são os sofrimentos da vida. Estas dores, porém, bem compreendidas, não deveriam constituir uma fonte de alegria? A consciência da dor converte-se, então, na consciência da presença real e íntima de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Jesus Cristo sofreu tudo quanto tinha de sofrer, nada faltou para fazer transbordar a medida dos Seus padecimentos. No entanto, a Sua Paixão não terminou ainda... Terminou, sim, no que ser refere à Cabeça, mas continua nos membros do Seu Corpo. Com muita razão, pois, Nosso Senhor, que ainda sofre no Seu Corpo, deseja ver-nos tomar parte no seu sacrifício redentor. Exige-o a nossa união com Ele: porque, se somos o Corpo de Cristo e membros uns dos outros, tudo quanto sofra a Cabeça, os membros também deveriam sofrer em solidariedade com ela” (Santo Agostinho).
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