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[Capítulo 10 Apostolado da Legião página 65]
como outro David, com a certeza antecipada da vitória, contra os mais provocadores Golias da descrença e do pecado.
É a força moral e não a material que manterá o seu apostolado e assegurará o seu triunfo. Não são os gigantes os que mais fazem. Como era pequenina a Terra Santa! Todavia conquistou o mundo. E que insignificante não era a Ática! Não obstante formou o espírito humano. Um só era Moisés; um só, Elias; um só, David; um só, Paulo; um só, Atanásio; um só, Leão! A graça atua sempre por intermédio de poucos. Os instrumentos do Céu são: visão penetrante, convicção firme, resolução que não se deixa dominar; o sangue do mártir; a prece do santo, a ação heróica, a crise momentânea, a energia concentrada numa palavra ou num olhar. Não tenham medo, pequeno rebanho, porque é onipotente Aquele que está no meio de vocês e por vocês realizará prodígios” (Newman: A posição atual dos católicos).
7. Formação apostólica pelo método mestre e aprendiz
A formação de apóstolos é para a maior parte das pessoas um problema de fácil solução, mediante uma série de conferências e o estudo de livros de texto. A Legião julga, pelo contrário, que não pode haver formação efetiva sem trabalho correspondente que a acompanhe. A palestra sobre o apostolado, sem a realização de um trabalho real, levaria, talvez, a resultados apostos. Notemos que, ao expor o processo de concluir o trabalho, torna-se necessário descrever as suas dificuldades e apresentar motivos ou normas superiores para a sua perfeita realização. Falar desta maneira aos candidatos sem lhes mostrar ao mesmo tempo, de modo concreto, que o trabalho é fácil e está ao alcance das próprias forças, serviria apenas para intimidar e afastar. O sistema de conferência produz o teórico e também os homens que pensam converter o mundo com a atividade da inteligência. Tais pessoas perderiam o desejo de se consagrar aos serviços humildes e ao prosseguimento dedicado dos contatos individuais dos quais tudo depende, e que o verdadeiro legionário, diga-se de passagem, abraça prontamente.
A formação, no entender da Legião, deverá ser feita conforme o método mestre e aprendiz. É este o processo ideal de formação usado em todas as profissões e artes, sem exceção. Em vez de longas conferências, o mestre coloca a obra dian-

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te do aprendiz e, por demonstração prática, indica-lhe como se faz, explicando cada ponto à medida que o trabalho prossegue. Depois, sob o olhar do mestre que lhe corrige os desacertos, o aprendiz tenta por si mesmo, o trabalho. De tal método de formação surge o homem competente, o profissional. As palestras hão de basear-se, por conseqüência, no próprio trabalho, e cada uma das palavras se referirá a uma ação concreta, senão pouco fruto se há de colher. É estranho, mas há pouco aproveitamento de conferências, mesmo por parte de estudantes, regularmente aplicados!
Acrescente-se que, propor a pessoas desejosas de se iniciar numa organização apostólica, o sistema de conferências, seria afastar inúmeros candidatos. Poucos estariam dispostos a sujeitar-se a semelhante prova. A maior parte, ao deixar os bancos escolares, prometeu a si mesma, não voltar. Gente simples do povo fica apavorada diante da idéia de ter que voltar às aulas, mesmo “santas”. Daqui, a fraca atração exercida sobre as almas pelos métodos de estudo da estratégia apostólica. O processo legionário é mais simples e psicológico. “Venham conosco e trabalharemos juntos” – dizem os legionários. Convidam-nos não para uma aula, mas para o trabalho que eles mesmos estão fazendo. Certos de que a tarefa não excederá as suas energias, os novos operários alistam-se com entusiasmo na organização, tornando-se em breve apóstolos competentíssimos. Além de verem como os outros membros trabalham, os candidatos tomam parte nas atividades comum, e aprendem pelos relatórios e respectivos comentários, o melhor meio de os levar a bom fim.
A Legião é muitas vezes criticada por falta de membros especializados ou por não insistir a que se dediquem a longos períodos de estudo. Digamos pois a este respeito: a) A Legião utiliza sistematicamente a contribuição dos seus membros mais bem qualificados. b) Evitando, embora, dar extrema importância ao estudo, esforça-se por preparar cada um dos seus membros, por métodos apropriados, para o seu apostolado particular. c) O objetivo dominante, porém, é apresentar uma estrutura com a qual a Legião possa dizer ao católico comum: ‘Venha, traga seu pouco talento e nós lhe ensinaremos a desenvolvê-lo e a usá-lo, por intermédio de Maria, para glória de Deus’. Não devemos esquecer que a Legião existe tanto para os humildes e desvalidos, como para os sábios e poderosos” (Padre Tomás O’Flynn, C.M., antigo Diretor Espiritual do Concilium Legionis Mariae).

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O PLANO DA LEGIÃO

1. A santificação pessoal: fim e meio
O meio comum e essencial de que a Legião de Maria se serve para atingir o seu fim, consiste na execução de um serviço pessoal sob o impulso do Espírito Santo, isto é, tendo como princípio motor e apoio, a graça divina e como último objetivo, a glória de Deus e a salvação das almas.
A santificação pessoal é assim não só o fim da Legião de Maria, mas, também o seu principal meio de ação: “Eu sou a videira, vós os ramos. O que permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5).
A nossa fé crê que a Igreja, cujo mistério, o sagrado Concílio expõe, é infalivelmente Santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é com o Pai “o único santo”, amou a Igreja como esposa, entregou-se por ela, para a santificar (cf. Ef 5, 25-26) e uniu-a a Si como Seu corpo, cumulando-a com o dom do Espírito Santo, para glória de Deus. Por isso, todos na Igreja, quer pertençam à Hierarquia ou quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: “esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts 4, 3; cf. Ef 1, 4). Esta santidade da Igreja incessantemente se manifesta, e deve manifestar-se, nos frutos da graça que o Espírito Santo produz nos fiéis; exprime-se de muitas maneiras em cada um daqueles que, no seu estado de vida, tendem à perfeição da caridade, dando bom exemplo ao próximo; aparece de um modo especial na prática dos conselhos chamados evangélicos. A prática destes conselhos, abraçados sob o impulso do Espírito Santo por muitos cristãos, quer particularmente, quer nas condições ou estados aprovados pela Igreja, leva e deve levar ao mundo, admirável testemunho e exemplo desta santidade” (LG 39).
2. Um sistema perfeitamente organizado
As grandes fontes de energia natural, se não forem canalizadas, perdem-se. De modo semelhante, o zelo sem método e o entusiasmo sem direção nunca produzem grandes resultados, quer interiores quer exteriores, e mesmo assim, a maior parte das vezes, são de pouca duração. Consciente disso, a Legião apresenta aos seus membros mais um modo de vida do que uma simples tarefa a realizar. Baseia-se, para tal, num sistema perfeitamente

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organizado, no qual, tem força de regra aquilo que em outras organizações é apenas aconselhado ou simplesmente sugerido, impondo, mesmo no que se refere a cada pormenor, a mais exata observância. Promete, como prêmio, a perseverança e um visível progresso nas virtudes da perfeição cristã, especialmente a fé, o amor a Maria, a intrepidez, a imolação de si próprio, a fraternidade, o espírito de oração, a prudência, a paciência, a obediência, a humildade, a alegria e o espírito apostólico.
O desenvolvimento do que comumente chamamos apostolado dos leigos é uma das manifestações especiais do nosso tempo, tendo por si, se atendermos unicamente ao número dos que a ele se podem dedicar, possibilidades ilimitadas de expansão. Apesar disso, como nos parecem insuficientes as disposições tomadas para a manutenção e progresso deste movimento colossal! Quando se compara o grande número de congregações religiosas tão admiravelmente concebidas para atender às necessidades daqueles que abandonam o mundo, com a maneira pela qual estão organizados os que no mundo permanecem, – que contraste impressionante! De um lado, que escrupuloso cuidado e que sábia precisão – para fazer render ao máximo a atuação de cada um! Do outro, como são elementares e superficiais as disposições empregadas! A organização exige dos seus membros, inegavelmente, a realização de uma tarefa; mas esta, para a maior parte deles, não passa, na roda da semana, de simples distração, que dificilmente chegará a representar algo mais importante. Devemos ter, quanto a este serviço, o mais elevado conceito. Não deveria ele constituir, para cada um dos membros, a base de toda a sua vida espiritual, e ainda ser o seu bordão de peregrino na caminhada para o céu?”
Sem dúvida, as congregações religiosas devem servir de modelo aos leigos que trabalham em comum. Não é ousado afirmar que, em igualdade de circunstâncias, a qualidade de trabalho realizado aumentará na medida em que mais se aproximar dos métodos das congregações. Surge, porém, uma dificuldade: até que ponto se deve impor uma regra? Por mais desejável que seja a disciplina para se trabalhar com eficácia, corre-se constantemente o perigo de exagerar, diminuindo assim o poder de atração do organismo. Nunca devemos esquecer que se trata de uma organização permanente de leigos. Não equivale, de forma alguma, a uma nova ordem religiosa, nem pretende vir a ser, como outrora aconteceu, e muitas vezes, com outras organizações.

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O fim que se pretende atingir é este e não outro: levar a uma organização eficiente as pessoas que têm uma vida comum – como nós a conhecemos – e nas quais devemos ter em conta as diferenças de gostos e ocupações, que nem sempre são de caráter puramente religioso. A regulamentação a impor não deve ultrapassar aquilo que possa ser aceito pela maior parte das pessoas, a que a organização é destinada, mas, também não deve ficar aquém” (Padre Miguel Creedon, primeiro Diretor Espiritual do Concilium).
3. A perfeição dos membros
Segundo a Legião, a perfeição dos seus membros deve avaliar-se, não pelo prazer causado pelos êxitos reais ou aparentes, mas pela fidelidade exata ao seu método. Só merecem o nome de legionários na medida em que obedecem ao sistema.
Exortam-se os Diretores Espirituais e os Presidentes dos Praesidia a relembrar constantemente este ideal de perfeição àqueles que lhes foram confiados. Constitui o ideal que todos podem atingir e que não está no êxito nem na consolação conquistada pelo trabalho. Só na sua realização encontrar-se-á o remédio eficaz contra a monotonia, o trabalho enfadonho, a falta de êxito real ou imaginário que, aliás, podem reduzir a nada, no campo do apostolado, as mais prometedoras esperanças.
Devemos notar que os nossos serviços à Sociedade de Maria se avaliam, não pela importância do cargo que nessa sociedade desempenhamos, mas pelo grau de espírito sobrenatural e de zelo por Maria, com que nos dedicamos ao dever que nos é imposto pela obediência, – por mais humilde e apagado que seja” (Pequeno Tratado de Mariologia, por um Marianista).
4. A obrigação principal
Como primeira obrigação e a mais importante no seu sistema, a Legião de Maria impõe aos seus membros a participação das reuniões. O que a lente é para os raios solares é a reunião para os membros: foco que os concentra, os incendeia, e inflama tudo quanto dele se aproxima. É a reunião que faz a Legião. Ela é o vínculo: se esse vínculo for partido ou relegado ao abandono, os membros desertam pouco a pouco e a obra desmorona.

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Pelo contrário, quanto mais a reunião for respeitada, tanto mais se intensificará o benéfico poder da organização.
As seguintes palavras, traçadas nos primeiros tempos da Legião, representam ainda hoje, como outrora, o seu modo de pensar sobre o organismo e, conseqüentemente, sobre a importância fundamental da reunião, – foco, como acima se disse, do sistema: “Numa organização, o indivíduo, por mais categorizado que seja, desempenha o papel de dente numa roda. Cede, em parte, a sua independência à máquina, isto é, ao conjunto dos seus associados que deste modo produzem cem vezes mais. Um sem-número de indivíduos que, de outra maneira, permaneceriam inativos ou inferiores à sua tarefa, entram em movimento; e cada um deles trabalha, não mais com a sua reduzida força pessoal, mas com o ardor e a potência incalculáveis que lhe são transmitidos pelas melhores qualidades de cada associado. Reparem em um bocado de carvão caído por terra, e o imaginem depois, transformados em brasa, em uma fornalha ardente. Assim é com os homens.
A organização possui, desta maneira, independentemente dos indivíduos que a compõem, uma vida própria. Mais que a beleza ou a necessidade do trabalho realizado, esta característica parece ser, na prática, o ímã que atrai os novos legionários. O organismo estabelece uma tradição, gera a lealdade, impõe o respeito e a obediência, e inspira poderosamente todos os membros. Interroguem-nos e verão que eles confiam na Legião como em uma mãe cheia de sabedoria e de prudência. E tem razão. Não é ela que os defende de todas as armadilhas: das imprudências do zelo, do desânimo nas dificuldades, do orgulho no êxito, da hesitação na defesa de idéias rejeitadas por todos, da timidez na solidão e, em geral, da areia movediça onde se afunda a inexperiência? É ela que se apodera da matéria bruta da boa intenção, trabalha-a e a transforma; é ela, enfim, que empreende a ação num plano regular e lhe assegura a expansão e a continuidade” (Padre Miguel Creedon).
Considerada em relação a nós, seus membros, a Sociedade de Maria é a extensão, a manifestação visível de Maria, nossa Mãe Celeste. Maria recebeu-nos na Sociedade, como em seu amoroso seio maternal, para nos formar à imagem e semelhança de Jesus e assim nos tornar seus filhos prediletos; para distribuir a cada um de nós uma tarefa apostólica, e associar-nos dessa maneira à sua missão de corredentora das almas. Para nós, a causa e os interesses da Sociedade identificam-se com a causa e os interesses de Maria” (Pequeno Tratado de Mariologia, por um Marianista).

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5. A reunião semanal do Praesidium
O Praesidium reúne-se semanalmente, numa atmosfera sobrenatural de oração, de práticas de piedade e de suave espírito fraterno. Nesta reunião, é marcada uma tarefa especial a cada membro e recebido o relatório do trabalho realizado. A reunião semanal é o coração da Legião, de onde jorra, para as veias e artérias, o sangue, que garante a vida, a fonte da luz e da energia; é um tesouro inesgotável que provê a todas as necessidades. É o grande exercício de comunidade, onde o Salvador, segundo a Sua promessa, assiste invisível, no meio dos Seus, e onde graças especiais são derramadas sobre o trabalho de cada um. É aí que os legionários são formados no espírito de religiosa disciplina que os leva, primeiro, a agir no propósito de agradarem a Deus e de se santificarem a si próprios; em seguida, a recorrer à organização como o meio mais apropriado para atingirem estes fins; e, por último, a entregar-se inteiramente à tarefa que lhes foi confiada, sem jamais a subordinar aos seus gostos pessoais.
Considerem os legionários a assistência à reunião semanal do Praesidium como o primeiro e mais sagrado dever para com a Legião. Nada a pode substituir. Sem ela, o trabalho será como um corpo sem alma. A razão mostra e a experiência comprova que o descuido no cumprimento deste dever primordial será seguido de um trabalho ineficaz e, em breve, de inevitáveis desistências.
Àqueles que não marcham com Maria aplicam-se as palavras de Santo Agostinho: ‘Bene curris, sed extra-viam’: corres bem, mas por fora do caminho. Aonde irás assim parar?” (Petitalot)
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FINS EXTERNOS DA LEGIÃO
1. O trabalho atualmente em curso
A Legião não se propõe este ou aquele trabalho especial: tem como objetivo principal a santificação dos seus membros. Para atingir esta finalidade apóia-se, em primeiro lugar, na assistência às diversas reuniões, em que a oração e outras práticas de

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piedade estão tão unidas e entrelaçadas que moldam com suas características toda a atividade legionária. Mas a Legião procura desenvolver a santidade de um modo peculiar, dando-lhe o caráter de apostolado, aquecendo-a até o ponto de sentir a necessidade de se comunicar. Esta difusão não é apenas o aproveitamento de uma força em desenvolvimento, mas, por uma espécie de reação, é um elemento necessário ao desenvolvimento dessa mesma força: nada contribui mais para o progresso do espírito apostólico do que o exercício do apostolado. Daí, o motivo por que a Legião impõe a cada membro uma obrigação essencial da máxima importância: a de realizar semanalmente um trabalho ativo, determinado pelo Praesidium. A execução desta tarefa constitui um ato de obediência ao Praesidium. Salvas as exceções adiante indicadas, o Praesidium pode aprovar qualquer trabalho ativo que satisfaça a referida obrigação. Todavia, a Legião exige que o trabalho obrigatório seja orientado para reais necessidades e, entre estas, as mais graves, pois a intensidade do zelo que a Legião se esforça por inflamar nos seus membros exige um objetivo digno. Um trabalho insignificante provocará reações desfavoráveis: corações prontos a sacrificar-se pelo próximo, a pagar a Jesus Cristo amor com amor e, em reconhecimento pelos Seus trabalhos e por Sua morte, prontos a dar-Lhe o seu esforço e o seu sacrifício – acabarão por instalar-se na pobreza de uma rotina e na perda de entusiasmo pelo trabalho apostólico.
Eu não fui recriado com a mesma facilidade com que fui criado. Deus disse uma palavra – e tudo foi feito; mas, se isto bastou para me criar, já para me recriar disse muitas palavras, obrou muitas maravilhas e sofreu muitas dores.” (São Bernardo).
2. O fim mais remoto e mais elevado: o fermento da comunidade
Por mais importante que seja o trabalho que esteja sendo realizado, a Legião não o considera como o fim último ou mesmo principal do apostolado de seus membros. O trabalho pode consumir uma, duas ou mais horas da semana do legionário; para a Legião, porém, que olha mais longe, cada hora deve constituir a irradiação do fogo apostólico aceso no seu lar. O sistema que inflama assim as pessoas lançou no mundo uma força poderosa. O espírito apostólico domina como senhor e tudo governa: pensamentos, palavras e ações. As suas manifestações externas não

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são limitadas pelo tempo nem pelo espaço. Os indivíduos mais tímidos e os menos dotados adquirem uma capacidade especial para influenciar os outros, de modo que, onde quer que estejam, e mesmo sem terem a intenção de exercer apostolado, conseguem dominar o pecado e a indiferença. É a experiência universal que no-lo ensina. Tal como o general que contempla, satisfeito, a sólida ocupação dos pontos estratégicos, a Legião vê com alegria os lares, as oficinas, as escolas, os estabelecimentos comerciais e os lugares dedicados ao trabalho e ao recreio, onde um verdadeiro legionário foi colocado pelas circunstâncias. Mesmo onde a falta de religião e o escândalo se encontram fortemente entrincheirados, a presença desta nova Torre de David impedirá o seu avanço e fará com que recuem. A Legião nunca dará seu apoio à corrupção: antes, deverá se esforçar em remediá-la, tornando-a objeto das suas orações, lamentando-a com mágoa, combatendo-a contínua e decididamente, em busca de um êxito que certamente há de alcançar.
Assim, pois, a Legião começa por reunir os seus membros a fim de que, perseverem em oração, juntamente com a sua Rainha. Envia-os em seguida aos lugares de pecado e de aflição, para aí praticarem o bem e para que fazendo-o, se inflamem na vontade de realizar maiores coisas; e, finalmente, estende o seu olhar para os largos caminhos e pequenos atalhos da vida de cada dia, a fim de neles descobrir campo de ação para missões, cada vez mais gloriosas. Conhecedora das realizações operadas por pequeninos núcleos legionários; ciente das possibilidades ilimitadas de recrutamento; e convicta de que o seu sistema, se vigorosamente utilizado pela Igreja, constitui um meio extraordinariamente eficaz para purificar o mundo pecador, a Legião deseja ardentemente que os seus membros se multipliquem e se tornem Legião no número, como o são no nome.
Unindo os legionários ativos, os auxiliares e aqueles que estão sob sua influência, a Legião conseguirá abranger uma população inteira e erguê-la do nível de negligência e da rotina a uma entusiasmada fidelidade à Igreja. Imagine-se o que isto significa numa aldeia ou cidade! Os fiéis deixam de ser um peso morto na Igreja, para constituírem uma força motriz, cujos impulsos, diretamente ou através da comunicação dos Santos, atingem os confins da Terra e, até os lugares mais sombrios. Uma população inteira organizada pela causa de Deus – que ideal sublime! Ideal não apenas teórico, mas possível e prático no mundo dos nossos dias, se todos resolverem levantar os olhos para o alto e a pôr mãos à obra.

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Sim, o laicado é uma ‘raça escolhida, um sacerdócio santo’, chamado a ser o ‘sal da terra’, e a ‘luz do mundo’. A sua missão específica é exprimir o Evangelho na vida pessoal e, desta forma, colocá-lo como fermento, na realidade do mundo, em que vive e trabalha. As grandes forças que moldam o mundo – a política, os meios de comunicação social, a ciência, a tecnologia, a cultura, a educação, a indústria e o trabalho – são precisamente as áreas em que os leigos gozam de uma especial competência no exercício da sua missão. Se estas forças forem guiadas por verdadeiros discípulos de Cristo, que sejam ao mesmo tempo inteiramente competentes nos conhecimentos humanos, podemos estar seguros de que o mundo será transformado, a partir de dentro, pelo poder redentor de Cristo.” (João Paulo II, Irlanda, Limerick, outubro de 1979).
3. A união de todos os homens
“Procurar primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça” (Mt 6, 33), ou seja, trabalhar diretamente na salvação das almas, eis a preocupação maior da Legião de Maria. Não se deve esquecer, no entanto, que outras coisas lhe foram dadas por acréscimo, como, por exemplo, o seu valor como elemento social. Torna-se, assim, a Legião de Maria um tesouro nacional para o país onde se encontra, e converte-se, para os seus habitantes, em um valioso elemento de riqueza espiritual.
O exercício frutuoso da máquina social exige, como qualquer outro mecanismo, a cooperação harmoniosa de todas as suas peças. Cada uma, isto é, cada indivíduo, deve cumprir rigorosamente a função que lhe foi confiada causando o menor atrito possível. Aliás, se o indivíduo não cumpre com a sua obrigação, surge o desperdício de energia, o bom andamento é perturbado e os dentes da roda da máquina social deixam de se ajustar uns aos outros. Reparar o mal é impossível, pois torna-se dificílimo descobrir-lhe a extensão ou as causas. Por isso, o remédio a adotar consiste em aumentar a força motriz ou lubrificar a máquina com mais dinheiro. Este remédio leva a um fracasso progressivo, pois diminui a noção de serviço ou de colaboração espontânea. Há sociedades com tal vitalidade que podem continuar a funcionar mesmo quando metade de suas partes se encontram mal engrenadas. Mas à custa de quanta pobreza, de quanta frustração e infelicidade! Não se poupam dinheiro nem esforços para pôr em

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ação peças que deviam mover-se sem dificuldade ou ser, até mesmo, fontes de energia. Resultado: problemas, desordens, crises.
Ninguém ousará negar que isto se passa mesmo nos Estados mais bem governados. O egoísmo é a regra da vida individual; o ódio converte a existência de muitos em forças puramente destrutivas, e cada dia que desponta traz consigo uma nova e universal demonstração da verdade que pode ser expressa rigorosamente nestes termos: “Os homens que negam Deus, que Lhe são traidores, atraiçoarão igualmente todas as pessoas e tudo quanto existe abaixo de Deus – no Céu e na Terra” (Brian O’Higgins).
A que alturas podemos esperar que se eleve o Estado, se ele não é mais que a soma das vidas individuais? Se as são um perigo e um tormento para si próprias, que poderão oferecer ao mundo senão uma parte da sua própria desordem?
Suponhamos agora que uma força nova surge na sociedade, comunicando-se de indivíduo a indivíduo, como que por contágio, e converte em centro de atração os ideais generosos de abnegação e de fraternidade: – que transformação não seria operada! As chagas vivas cicatrizam-se e a vida passa a ser vivida num nível superior. Imagine-se ainda o aparecimento de uma nação em que a vida se ajuste por estas elevadas normas e apresente perante o mundo o exemplo de um povo inteiro que pratica unanimemente a sua Fé, e resolve, em conseqüência, todos os seus problemas sociais. Quem põe em dúvida que tal nação passaria a constituir, para o mundo, um farol luminoso, a cujos pés se sentaria a Terra para alimentar-se da luz dos seus ensinamentos?
Ora é indiscutível que a Legião possui a força capaz de interessar os leigos na sua própria religião, de forma vital e também de comunicar um idealismo ardente aos que vivem sob a sua influência, fazendo-os esquecer as divergências, as distinções e as rivalidades e fazendo com que se resolvam a amar o gênero humano e a servi-lo devotadamente. Este idealismo, que se encontra enraizado na religião, não é um simples sentimento, não se evapora: disciplina o indivíduo, educando-lhe a vontade de servir; anima-o a sacrificar-se e torna-o capaz de maiores heroísmos.
Por quê? A razão está na causa motriz. A energia deve ter uma fonte. A Legião dispõe de um motivo que força a servir a comunidade. E o motivo é este: Jesus e Maria eram cidadãos de Nazaré. Amavam a sua aldeia e o seu país com religiosa devoção, pois para os judeus a fé e a pátria estavam tão divinamente enlaçadas que formavam apenas uma só coisa. Jesus e Maria viveram perfeitamente a vida comum de sua localidade. Cada pessoa, cada coisa ali era para eles objeto do mais profundo interesse. Se-

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ria impossível imaginá-los indiferentes ou descuidados sob qualquer aspecto.
Hoje, o seu país é o mundo e cada lugar, a sua Nazaré. Numa comunidade de batizados, Jesus e Maria estão mais intensamente unidos às pessoas do que outrora aos seus próprios parentes. Mas o Seu amor tem agora de se exercer por meio do Corpo Místico. Se os membros deste corpo se esforçarem por servir o lugar em que vivem, Jesus e Maria virão a esse lugar e derramarão a sua benéfica influência, não só sobre as pessoas como também no meio-ambiente. Haverá progressos materiais e os problemas hão de diminuir. Nem há verdadeiros melhoramentos que possam vir de qualquer outra fonte.
A atenção ao nosso dever de cristãos em cada localidade seria mais uma manifestação de patriotismo. Esta palavra não é bem compreendida: que vem a ser de fato o verdadeiro patriotismo? Dele não existe no mundo nem mapa nem modelo. Um exemplo aproximado é a dedicação e o sacrifício pessoal que se desenvolve em tempo de guerra. Mas neste caso, a dedicação e o sacrifício são motivados mais pelo ódio do que pelo amor e, por conseguinte, orientados para a destruição. É imperioso, pois, estabelecer um modelo correto de patriotismo pacífico.
É este serviço da comunidade, feito por motivos espirituais, que a Legião vem estimulando com o nome de Verdadeiro Amor à Nação. Não só deve este serviço ser empreendido por motivos espirituais, mas ele e tudo o que origina nele deve ser utilizado para promover o bem espiritual. Atividades que só produzissem progressos materiais falsificariam a idéia do Verdadeiro Amor à Nação. O Cardeal Newman exprime perfeitamente esta idéia básica, quando diz que um desenvolvimento material, que não é acompanhado por uma manifestação correspondente de ordem moral é quase para inspirar medo. É indispensável garantir o verdadeiro equilíbrio.
O Concilium tem à disposição de quem o desejar, um folheto sobre este assunto.
Reparem, povos da Terra! Se assim é a Legião, não parece que ela nos oferece, pronta para o combate, uma Cavalaria dotada do poder mágico de unir os homens num sublime empreendimento pela Causa de Deus, serviço que supera infinitamente as lendárias campanhas do Rei Artur, o qual, segundo Tennyson, “na sua ordem da Távola Redonda, juntou a Cavalaria Andante de seu reino e de todos os reinos numa Companhia gloriosa, elite da humanidade, para servir de modelo ao mundo poderoso e constituir o início sorridente de uma nova era?”

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A Igreja, que é ao mesmo tempo ‘agrupamento visível e comunidade espiritual,’ caminha juntamente com toda a humanidade, participa da mesma sorte terrena do mundo e é como que o fermento e a alma da sociedade humana, a qual deve ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus.
O Concílio incentiva os cristãos, cidadãos de ambas as cidades, a que procurem cumprir fielmente os seus deveres terrenos, guiados pelo espírito do Evangelho. Afastam-se da verdade os que, sabendo que não temos aqui na terra uma cidade permanente, mas que caminhamos em busca da futura, pensam que podem por isso descuidar dos deveres terrenos, sem atenderem a que a própria fé os obriga ainda mais, a cumprir esses deveres, segundo a vocação própria de cada um” (GS 40-43).
Uma resposta prática a esta necessidade e obrigação realçadas na Constituição Conciliar encontra-se no movimento legionário começado em 1960 e conhecido como o Verdadeiro Amor à Nação. A medida dos bons êxitos já alcançados mostra as vastas possibilidades de desenvolvimento. Mas, note-se bem, o que a Legião tem para oferecer à ordem temporal não é um conhecimento ou competência excepcionais, não é uma habilidade extraordinária, nem mesmo um grande número de trabalhadores – mas o dinamismo espiritual que a converteu numa força mundial que pode ser aproveitada para elevar qualquer setor do Povo de Deus, que tenha a inteligência e o bom senso de aproveitar essa força. A iniciativa, porém, deve vir da Legião. Afastando embora tudo o que possa sugerir mundanismo, a Legião há de recordar-se sempre do mundo, no sentido do Decreto anterior. Tome consciência de que o homem tem de viver no meio das coisas materiais, das quais depende em larga escala, a sua própria salvação” (Padre Thomas O’Flynn, C.M., antigo Diretor Espiritual do Concilium Legionis Mariae).
4. A grandiosa campanha pela causa de Deus
Esta é a cavalaria de que a Igreja precisa neste tempo de extraordinário perigo para a religião. A preocupação com as coisas do mundo e a falta de consciência religiosa, animados por hábil propaganda, difundem a sua influencia corruptora, em círculos cada vez mais vastos, ameaçando submergir o mundo.
Comparada com estas forças formidáveis, vemos como a Legião é uma organização modesta! Não importa. Esse mesmo contraste torna-a mais audaz. A Legião é formada por almas estreitamente unidas à Virgem poderosíssima; encerra em si gran-

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des princípios e conhece a forma eficaz de os aplicar. Tudo leva a crer, portanto, que o Onipotente se digne operar nela e por ela os maiores prodígios.
Os objetivos da Legião de Maria são totalmente opostos aos das legiões que negam “o nosso único Mestre e Senhor Jesus Cristo” (Jd 1, 4). O objetivo da Legião de Maria é levar Deus e a religião a todo o indivíduo; o das outras legiões é precisamente o contrário. Não se pense, no entanto, que o plano da Legião foi idealizado especialmente para opor-se a este império da descrença. As coisas passaram-se com extrema simplicidade. Um pequeno grupo de almas reuniu-se em torno de uma imagem de Nossa Senhora e disse-lhe: “Guiai-nos!” Unidos a Ela, começaram a visitar uma enorme enfermaria, cheia de aflitos, de doentes e miseráveis, de uma grande cidade, vendo em cada um deles o amado Filho de Maria. Compreenderam que Jesus estava presente em cada membro da humanidade e que deviam ajudar Maria na tarefa maternal de cuidar d’Ele. De mãos dadas com Ela, iniciaram o seu trabalho simples e humilde, e ei-los tornados Legião. Esta Legião entrega-se a atos simples de amor de Deus, no homem, e de amor dos homens por amor de Deus; em toda a parte este amor revela o seu poder de ganhar os corações.
Também os sistemas materialistas professam amar e servir o homem. Pregam um evangelho vazio de fraternidade, em que milhões e milhões de pessoas acreditam. Para o abraçar abandonam a religião que julgam sem vida. No entanto, esta situação não é desesperada. Há um meio de trazer de novo à fé estes milhões de homens e de salvar outros milhões incontáveis. A esperança baseia-se na aplicação de um grande princípio que São João Maria Vianney, o Santo Cura de Ars, formulava nestes termos: “O mundo pertence a quem mais o ama e melhor lhe testemunha o seu amor.” As pessoas não deixarão de ver e de ser impressionadas por uma fé real que atua, movida por um amor heróico a todos os homens. Convencei-os de que a Igreja os ama mais do que os outros, e hão de regressar à fé, apesar de todas as dificuldades e, se for preciso, derramar por ela o próprio sangue.
Para realizar uma conquista assim, não basta um amor vulgar, nem um Catolicismo pobre que dificilmente se agüenta a si mesmo. Tal obra só pode ser levada avante por um Catolicismo que ame de todo o coração a Jesus Cristo, seu Senhor, e saiba vê-lo e amá-lo em todos os homens, sem distinção. Mas esta suprema caridade de Cristo deve ser praticada em tão alto grau que leve os que a observam a considerá-la como uma verdadeira ca-

[Capítulo 12 Fins Externos da Legião página 79]
racterística da Igreja e não como manifestação isolada de alguns de seus membros. Deve manifestar-se na vida do conjunto dos leigos.
Não será demasiada ambição querer inflamar toda a Igreja neste sublime ideal? Sim, a tarefa é heróica. Os horizontes do problema são tão extensos e tão numerosas as hostes que dominam os povos, que até o coração mais valente pode ser levado a desanimar. Mas Maria é o coração da Legião, e este coração é fé e amor sem igual. Com esta firme convicção, a Legião estende os seus olhares sobre o mundo com inabalável esperança: “A terra pertence a quem mais a ama.” E voltando-se para a sua excelsa Rainha, diz-lhe como no princípio: “Guiai-nos!”
A Legião e o materialismo que age na sociedade enfrentam-se mutuamente. Vamos compará-los. A verdadeira energia motriz do sistema materialista é a sua disciplina implacável, exercendo-se através de uma rede de espiões e denunciantes. Isto está de tal modo desenvolvido que os cidadãos em geral sentem que tudo quanto fazem ou dizem será denunciado. Utilizando este instrumento de terror universal, uma autoridade que oprime pode impor a sua vontade a uma nação inteira. É um sistema eficiente, mas horrível. A submissão completa a este controle absoluto significa a extinção da liberdade e finalmente da própria faculdade moral.
Nada consegue resistir a este domínio a não ser a mobilização total dos católicos. A Legião possui, para este fim, a engrenagem perfeita, fato admitido pelo exército contrário. Mas essa engrenagem por si, é inútil se lhe falta uma força que a movimente. Essa energia motriz reside na espiritualidade legionária, que consiste num real apreço pelo Espírito Santo e pela Verdadeira Devoção à Sua Esposa, a Bem-aventurada Virgem Maria, e numa verdadeira confiança nos mesmos, espiritualidade esta que se alimenta do Pão da Vida, a Eucaristia.
Quando estas duas forças, a Legião e o materialismo, entram em luta, este último pode matar e perseguir, mas falhará na tentativa de esmagar o espírito da Legião. Os legionários suportam os maus tratos e, mantendo vivas as chamas da liberdade e da religião, acabam, finalmente, por triunfar” (Padre Adão MacGrath, S.S.C.).

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