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Capítulo 4
Debaixo da agressão, Marina experimentou irre­primível mal-estar. Empalideceu. Sentia-se sufocar. Registrava todos os sintomas de quem recebera pan­cada forte no crânio. Jogou a cabeça para trás, na poltrona, esforçando-se por esconder a indispo­sição, mas debalde. Os Torres, pai e filho, perce­beram-lhe a vertigem e acorreram, pressurosos.

Nemésio tomou a palavra, atribuindo o des­maio à fadiga de quem se movimentara durante a noite inteira, sem o mínimo descanso no decor­rer do dia anterior, ao redor da dona da casa, cujo corpo se consumia com dolorosa lentidão, ao passo que Gilberto trazia água fresca, antes de telefonar para o médico.

No ambiente espiritual, o impacto não foi me­nos constrangedor.

Neves fitou-me, irrequieto, como a rogar so­corro para não explodir. Conhecia Moreira, de nos­sa primeira visita ao Flamengo; entretanto, igno­rava os acontecimentos que nos apoquentavam, desde a antevéspera. Pelo olhar de censura que nos arremessou, concluí que julgava o aposento da filha invadido por malfeitores desencarnados, numa investida sem qualquer significação, incapaz de ajuizar quanto às causas que impeliam o ex-con­selheiro de Cláudio àquele gesto de revolta, para o qual arrebanhara colegas infelizes, efetuando um ataque categorizado por ele à conta de empreitada punitiva e justiceira.

Uma das senhoras desencarnadas, que aguar­dava o momento de acolher Beatriz, liberta, abor­dou-me, pedindo providências.

Moreira e os aderentes despejavam ditérios e obscenidades, injuriando a dignidade do recinto, depois de haverem burlado a vigilância mantida em torno da casa. Não formulava o pedido para que se articulasse a contenção deles, a propósito de preconceitos humanos. Aceitava os recém-che­gados na posição de credores da maior comisera­ção; no entanto, a senhora Torres estava nas der­radeiras orações, em vias de partir. Esmolava tranqüilidade, silêncio.

Em determinadas terapêuticas, não se pode restabelecer a normalidade orgânica senão remo­vendo o centro de infecção, e, ali, o pivô da desar­monia era Marina.

Afastada a moça, retirar-se-iam com ela os agentes da desordem.

Abeirei-me da menina carecedora de piedade. Supliquei-lhe saisse. Fosse repousar. Não teimasse ante a solicitação nossa em seu proveito.

Ela obedeceu a contragosto.

Pediu licença aos amigos, a fim de esperar o médico na dependência dos fundos, e acompanhei-a.

O bando, porém, renteou comigo e Moreira interpelou-me. Queria saber de minha simpatia pela jovem que ele hostilizava. Indagava, desabrido, se eu não a conhecia suficientemente, se não lhe assis­tia às bacanais entre pai e filho e por que me in­teressava de modo tão especial por aquela a que ele chamava bisca, bonita por fora e devassa por dentro.

Ironizando-me a escassa inclinação à conversa, reportou-se, com enérgicas rabecadas, à dama que nos havia rogado a execução de medidas para afas­tá-lo do quarto, declarando que não era covarde para incomodar moribundos, e perguntou, insolen­te, por que razão as entidades veneráveis e amigas, que ele apelidava por «aquelas mulheres», nos compeliam a retirá-lo, quando ali deixavam Marina res­pirar à vontade, acentuando que, por ser franco e áspero, não se considerava pior.

Crivou-me de objurgações repassadas de fel. Desafiando-me, por fim, a enunciar o meu ponto de vista, utilizando palavras que colocavam em jogo a confiança com que me honrava, desde a véspera, arrisquei-me a ponderar que Marina, ape­sar de tudo, era filha de Cláudio Nogueira e irmã de Marita, aos quais tributávamos ambos calorosa afeição. Qualquer fracasso em prejuízo dela seria desastre para eles. Não me cabia reprovar corri­gendas, capazes de lhe fortalecer a vigilância, com manifesta vantagem para ela; no entanto, por ami­zade aos Nogueiras, não concordaria em que fosse massacrada.

Ele sorriu e obtemperou que as apreciações não eram de todo desprovidas de senso, prometen­do que amainaria o desforço, mas não desistiria da correção.

Despachou os cooperadores, recomendando aos quatro lhe aguardassem as ordens no pátio lateral, e acompanhou-nos, segurando-a, descortês.

Indiferente a qualquer idéia de companhia es­piritual, Marina penetrou na câmara, encostou a porta e ajeitou-se no leito, cerrando os olhos.

Relaxou-se.

Aspirava a dormir, descansar... Mas não con­seguiu.

Moreira, insensível, indicando o propósito de arrasar em mim qualquer simpatia pela contadora indefesa, participou-me que ia submetê-la a inter­rogatório, em torno de Marita, para que eu lhe ou­visse o depoimento inarticulado e avaliasse o caso por mim mesmo.

Suspirei pela obtenção de respostas que eno­brecessem o inquérito mental em preparo; contudo, minhas esperanças se desvaneceram no nascedouro.

O indesejável patrocinador de Marita, erguido por si mesmo à condição de juiz, pespegou um pe­jorativo contundente aos ouvidos da moça e recla­mou-lhe a opinião, sobre a irmã hospitalizada.

Que se manifestasse, que expusesse o seu ponto de vis­ta, quanto àquele suicídio comovedor.

Marina, embora debilitada, conjeturou-se tan­gida pelos próprios pensamentos a lhe buscarem atenção para a irmã acidentada e, presumindo mo­nologar, deixou que os pensamentos lhe pululassem do cérebro, sem o travão da autocrítica.

Compadecia-se da irmã — parafusava, cal­culista —, no entanto, confessava-se agradecida ao destino por se ver livre dela. Indiscutivelmente, não teria tido coragem de impeli-la à morte; todavia, se ela própria deliberara desaparecer, cedendo-lhe posição, sentia-se aliviada. Gilberto inteírara-a de um telefonema que recebera na noite da antevés­pera. Confiara-lhe as impressões.

Nada de trote. Pelo jeito, deduziram que Marita lhe imitara a voz, efetuando sondagem...

Convencida de que o ra­paz não a desejava, preferira morrer. Gilberto fora claro. Pelos tópicos da conversação pelo fio, dos quais lhe transmitira os mínimos pormenores, Ma­rita investigara-lhe os sentimentos, no intuito de arrancar-lhe uma declaração indireta. Desiludida, optara pela renúncia. Em razão de tudo isso, não lhe cabia perder-se em divagações. Se o jovem Torres a amava, no mesmo grau de carinho com que se lhe entregara, e se a outra resolvera sumir, nenhum motivo para ralar-se, O próprio Gilberto, semanas antes, perguntara-lhe, de estranha manei­ra, pelas esquisitices da irmã. Julgava-a desequi­librada, neurótica, ao que se lhe referira à pater­nidade anônima. O filho de Nemésio acreditava em sífilis na cabeça, asseverando que Marita não servia para casar.

Após ligeira pausa no pensamento, como quem apaga uma luz e a reacende, alterando o cenário, a jovem do Flamengo seguiu pensando, memori­zando...

Telefonara para casa, durante a noite, e a mãezinha informara que Manta ainda não havia morrido; contudo, o médico esclarecera a ela, Dona Márcia, em ligação confidencial, que a Ciência não dispunha de meios para recuperá-la e que o óbito era questão para da! a alguns dias. O facultativo solicitara-lhe atenções especiais para Cláudio, es­magado de angústia. Recomendara-lhe nada dizer ao marido, quanto à opinião aberta que expunha, parecer que formulava apenas para com ela, ao re­conhecê-la mais calma, diante do sofrimento. Que ela, na condição de mãe, se premunisse contra emo­ções muito fortes, a fim de sustentar a família, no transe que sobreviria, a qualquer momento.

Aquelas elucidações, no silêncio, feriram Mo­reira nas últimas fibras.

As notícias médicas, assim desdobradas, porta­vam para ele os efeitos de um tiro.

Não se resignava à idéia de perder Marita, no plano físico. Ela, inconscientemente, despendia re­cursos fluídicos que se casavam com os dele, for­necendo-lhe sensações de euforia, robustez.

Retirava dela os estimulantes mentais que lhe vigorizavam a masculinidade, tanto quanto se valia habitual­mente de Cláudio, para viver sobre a Terra como qualquer ser humano.

Entre a frustração e a inconformidade, desig­nou Marina com um nome chulo e justificou-se, diante de mim, quanto à determinação de puni-la. Infantilizado, colérico, bradou que nós ambos vía­mos, juntos, o regozijo com que cismava no infor­túnio da outra; que eu não lhe podia negar a frie­za de sentimentos; que a minha palavra apoiasse a dele, em momento oportuno; que eu lhe servisse de testemunha.

Marina, porém, continuava meditando, aclaran­do, qual se aditasse, espontaneamente, impressões marginais ao tema que Moreira lhe propusera.

Amava a Gilberto, sim. Apenas a ele. Desco­briria recursos para desvencilhar-se de Torres, pai. Quanto mais corria o tempo, com maior segurança afiançava a si mesma pertencer ao rapaz.

Ane­lava desposá-lo, ser-lhe a mulher em casa e mãe de seus filhos...

No entanto, quando o esboço do lar futuro se lhe configurou na imaginação, o meu interlocutor arremeteu-se contra ela e bramiu:

— Nunca!... Você nunca será feliz!... Você matou sua irmã... Assassina! assassina!...

Agredida sem que me fosse permitido prote­gê-la, porqüanto a minha interferência isolada se fazia desaconselhável, a benefício dela mesma, a jovem experimentou-se invadida de estranho mal-estar.

Aquelas incriminações percutiam-lhe fundo, qual se alguém lhe varasse o pensamento.

Ofegou em desassossego.

Começou a refletir, acerca de Marita, sob no­vos aspectos, estabelecendo confrontos. Debalde es­grimia idéias, tentando impugnar o remorso que se lhe infiltrava na consciência. Julgava contraditar-se. Gemia em desconforto. Ignorava-se em luta com uma Inteligência que se lhe mantinha invisível, a pedir-lhe contas do proceder. Á medida, porém, que o adversário martelava as censuras, às quais aderia por saber-se culpada, passou a perder posi­ção. Enevoava-se-lhe o raciocínio, mobilizou todas as energias para não desmaiar, temia a loucura...

O contendor desafiara a fortaleza, proclaman­do-lhe as brechas. A fortaleza resistiria, incólume, se fosse inteiriça; entretanto, as brechas existiam e, por elas, o inimigo lançava petardos de maldição e sarcasmo, gerando a demência e invocando a morte.

Em vão, diligenciei no silêncio, articulando agentes mentais de auxílio para que a vítima se libertasse; contudo, a menina, bastante hábil para movimentar-se, entre os homens, sem comprome­ter-se na superfície das circunstâncias, jazia desar­mada de conhecimento enobrecedor, com que se advertisse, recuando na trilha percorrida para ado­tar direção diferente.

Marina, à mercê da força que lhe espatifava os recursos psíquicos, sentia-se derrotada...

Da impassibilidade ante o desastre ocorrido com a irmã, transferiu-se à opressão, ao temor...

Ao toque do inquisidor que lhe vasculhava a cabeça, começou a imaginar que Marita, em verdade, não intentaria o suicídio, se nela houvesse achado uma companheira honesta e piedosa.

Rememorou a noite em que divisara Gilberto pela primeira vez. O jovem saía de um cinema, em companhia da irmã, amparando-a contra a chuva. Tamanha a doçura daqueles olhos, tão grande o carinho daqueles braços!... Julgou encontrar Ne­mésio mais moço. Comprometida com Torres, pai, presumia enxergar no filho os atributos de juve­nilidade que lhe faltavam... Capricho ou afeição, apaixonara-se pelo rapaz, cortejara-o abertamente. Enlaçara-o com os dotes de inteligência, até acen­der-lhe na alma entusiasta o anseio de comparti­lhar-lhe sonhos e emoções.

Convidara-o a entre­tenimentos, agarrara-lhe o coração. Instalara nele a necessidade dela, tornara-o dependente, escravo. Manobrava-o, inteiramente, o que a irmã, inexpe­riente e sincera, não se animara a fazer, conquan­to lhes conhecesse, através dele próprio, o com­promisso oculto.

Ao sabê-lo aprisionado à outra, requintara-se, aliás, nos processos de sedução. Aca­riciava-o, impunha-se, maníetava-o, à maneira da aranha entretecendo o fio veludoso para cativar o inseto que se dispõe a devorar...

Perante o libelo do juiz inesperado, perguntava­-se pela tranqüilidade própria. Examinando escru­pulosamente, as atitudes que assumira, verificava, espantada, que lesara a si mesma. O remorso fi­gurou-se-lhe trado invisível a verrumar-lhe o crâ­nio. Lágrimas abundantes lhe subiram do peito aos olhos, lembrando jorros de água que a broca somente consegue arrancar, ao subsolo, ao tatear lençóis mais fundos.

O médico, assistido pessoalmente pelo dono da casa, apanhou-a em crise de pranto. Não obstante apreensivo, consolou-a, erguendo-lhe o ânimo. Fa­lou em cansaço. Elogiou-lhe a pontualidade e o devotamento de enfermeira, prescreveu-lhe tranqüi­lizantes. Que ela repousasse, que não desampa­rasse a si mesma.

Marina, porém, não ignorava que a consciência se debatia em pânico, que era inútil qualquer ten­tame para largar o foro íntimo. Quando o facul­tativo se despediu, retomou o choro convulso, dian­te de Nemésio que, intimidado, trancou a porta e se abicou, junto dela, no intuito de confortá-la e confortar-se.

Constrangido a facear com a cena de ternura, sem fundamentos de afeição recíproca, inquietei-me por Moreira, que zombeteava, lançando frases ultrajantes.

Nemésio rogava à moça tratar-se, refazer-se. Tivesse paciência, que se regozijassem ambos.

Nada além de mais alguns poucos dias e estaria em pes­soa, no Flamengo, para os derradeiros arranjos do casamento. Contava com ela e queria fazê-la feliz. Encantado, beijava-lhe o rosto molhado, qual se aspirasse a sorver-lhe as lágrimas, enquanto que a jovem, francamente conturbada, lhe arremessava olhares de esguelha, entremeados de compaixão e repulsa.

Convidei Moreira à retirada. Ele, porém, de­sapiedado, indagou se me falhava a coragem para conhecer Marina, tanto quanto ele, e, porque me inclinasse a defendê-la, acrescentou que não se achava ali na posição de carrasco. Escarninho, re­comendou-me não acusá-lo, asseverando que deti­nha tanta culpa na indisposição da jovem quanto aquela que teria um bisturi na ablação de um tumor.

Pedi-lhe, em consideração a Cláudio, nos auxi­liasse a proteger-lhe a filha, menina recruta na guerra contra o mal, embora se acreditasse sufi­cientemente sabida.

Por que não nos conservarmos a porta, resguar­dando-a? Um momento talvez chegasse em que passaríamos a rogar-lhe concurso. Não obstante alegar que nunca se acomodara à alcovitice, que não tinha vocação para capa de malfeitores, aquies­ceu e saímos. Do lado externo, porém, à vista de referir-me à hipnose, no campo afetivo, expendendo considerações ao redor da paciência, que nos toca exercer, junto de todas as pessoas em distúrbios do sexo, ele riu-se abertamente e comentou, galho­feiro, que não me adiantava falar grego, diante de obscenidades que para ele possuíam nomes pró­prios, e advertiu-me que quando o pai se retirasse viria o filho e que eu perderia a graça e o latim de qualquer jeito.

Efetivamente, quando o chefe da casa se re­tirou, o rapaz, cansado da vigília noturna, veio em nossa direção e entrou no quarto.

O colega endereçou-me olhar significativo; con­tudo, antes que se desregrasse na crítica, apareceu alguém com bastante simpatia e piedade para des­focar-nos a mente.

Era o irmão Félix.

Através da expressão, dava-me a perceber que se inteirara de todos os sucessos em curso; no en­tanto, abriu os braços para Moreira, à feição do pai que reencontra um filho. O amigo, que volvera ao desequilíbrio sentimental, por sua vez, reconhe­ceu-se invadido por eflúvios regenerativos e recor­dou, sensibilizado, o primeiro encontro em que o benfeitor lhe solicitara colaboração para Marita, e enterneceu-se.

Félix, sem um gesto que lhe exprobrasse a deserção, apelou para ele com absoluta confiança:

— Ah! meu amigo, meu amigo!... Nossa Ma­rita!...

E, ante as indagações do interlocutor, que o tratava como de igual para igual, esclareceu que

a menina piorara. Dores agudas lhe mortificavam o corpo. Afligia-se, fatigada. Desde o momento em que ele, Moreira, se afastara, tudo indicava que a pobrezinha entrara em regime de carência. A so­fredora criança necessitava dele, esperava por ele, a fim de aliviar-se.

Ante as frases sinceras que o atingiam no fun­do, o ex-assessor de Cláudio acudiu, incontinenti, regressando em nossa companhia para o hospital, onde realmente a moça se estirava em situação lastimável.

Quatro horas haviam escoado, modificando-nos a tela de serviço.

Averiguamos que o pedido de Félix não se ali­cerçava num artifício piedoso. Escorada por Telmo, que lhe insuflava energias, Marita não lhe assi­milava a influência com tanta segurança.

Sem qualquer propósito de censura, é licito registrar que faltava entre eles aquela harmonia necessária às crenas das rodas de engrenagem deter­minada, num plano de sustentação. Telmo, rico de forças, apoiando-a, lembrava um sapato novo e precioso em pé doente. Cedendo lugar ao recém-chegado que o rendeu, pronto, verificou-se, de ime­diato, alguma desopressão. Marita ajustou-se, me­canicamente, aos cuidados que Moreira lhe oferecia. Ainda assim, a peritonite instalava-se, dominante.

Aumentara o mal-estar.

A filha de Aracélia gemia sob a atenção atri­bulada de Cláudio, que a observava, azorragado de sofrimento íntimo. Entretanto, agora, o ex-vampi­rizador do Flamengo encontrava enorme diferença. Acicatada pelos padecimentos físicos, Marita não dispunha de facilidades para pensar senão nas pró­prias dores, contundida, suarenta, amarfanhada... E o martírio corporal que lhe transfundia todos os impulsos, num gemido que não conseguia arti­cular, provocava em Moreira, unicamente, simpatia e compaixão.
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