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Capítulo 14
Obtendo a dilação de prazo para mais amplos estudos no «Almas Irmãs», acompanhei o irmão Félix até que se retirasse da chefia para entregar-se à preparação das novas tarefas.

O instrutor escolhera a Casa da Providência para se despedir da comunidade.

Na data prefixada, desde cedo, as portas do edifício jaziam abertas para quantos quisessem di­zer adeus ao querido orientador, que todos os resi­dentes no Instituto consideravam herói.

Ministros da cidade, admiradores situados em lugares vizi­nhos, comissões de vários órgãos de serviço, todas as autoridades da organização, amigos, discípulos, beneficiários e companheiros outros, que procediam de longe, ali se reuniam, irmanados numa só vibra­ção de agradecimento e de amor.

Informara-se Régis de que o chefe estimaria rever os doentes nas últimas horas de ação administrativa, mas, convencido de que não conseguiria ele satisfazer a esse propósito, por escassez de tem­po, recomendou-nos selecionar, nos setores de ir­mãos hospitalizados, aqueles que se evidenciassem capazes de comparecer à transmissão de poderes, sem dano para as atividades em pauta.

Alinhamos, para logo, duzentos que não cria­riam problemas e, aspirando a salientar a dedicação incessante de Félix para com os menos felizes, determinou Régis fossem acomodados na primeira fila do auditório, como homenagem silenciosa àque­le que os amava tanto... Destacavam-se, quase todos eles enfraquecidos e trêmulos, simbolizando vanguarda de saudade e sofrimento na assembléia, portando ramalhetes nas mãos... Contemplava-os, enternecido, quando Félix chegou, por fim, deno­tando a firmeza e a serenidade que lhe marcavam as atitudes. Instalou-se, tranqüilo, entre o Ministro da Regeneração, que representava o Governador, e o irmão Régis, que o substituiria; contudo, ao re­lancear os olhos pelos milhares de circunstantes que repletavam entradas, saídas, escadas e galerias, com os enfermos à frente, estampou no semblante abalo inexprimível.

Quinhentas vozes infantis, de antemão prepa­radas por irmãs reconhecidas, cantaram em coro dois hinos que nos arrebataram a culminâncias de sentimento, O primeiro deles se intitulava «Deus te abençoe», executado por oferenda dos compa­nheiros mais velhos, e o outro se subordinava à expressiva legenda «Volta breve, amado amigo!», preito de reverência endereçado ao instrutor pelos mais jovens. Emudecidos os derradeiros acordes da orquestra, que imprimira ignota beleza às me­lodias, os duzentos enfermos desfilaram diante de Félix, em nome do “Almas Irmãs”, que delegava aos companheiros menos afortunados o júbilo de apertar-lhe as mãos, ofertando-lhe flores.

A transferência de autoridade foi simples, com a exposição e leitura respectiva de um termo re­ferente à modificação. Cumprido o preceito, o Mi­nistro da Regeneração abraçou, em nome do Go­vernador, o irmão que partia e empossou Régis que ficava.

O novo diretor, com a voz de quem chora­va por dentro, expressou-se, breve, suplicando ao Senhor abençoasse o companheiro de regresso à reencarnação, hipotecando-lhe, simultaneamente, vo­tos de triunfo nas lides que esposava. Confundido e humilde, acabou convidando Félix não só a usar da palavra, como também a prosseguir exercendo o comando daquela Casa, por direito que ele, Régis, julgava imprescritível.

Intensamente comovido, o interpelado levan­tou-se e, qual se nada mais tivesse a ditar àquela instituição que lhe recolhera mais de meio século de trabalho, alçou a fala em prece:

— Senhor Jesus, que te poderia rogar, quando tudo me deste no carinho dos amigos que me cer­cam na luz do amor que não mereço? Entretanto, Mestre, em nos colocando sob tua bênção, temos algo ainda a implorar-te, confiante!... Agora que novas realizaçôes me chamam na Terra, auxilia-me, por piedade, para que eu seja digno do devota­mento e da confiança desta casa, onde, por mais de meio século, recebi a magnanimidade e a tole­rância de todos!... Diante da alternativa de tomar novo corpo, no plano físico, a fim de resgatar dé­bitos contraídos e curar as velhas chagas interio­res que carrego por doloroso rescaldo de minhas transgressões, induze, por misericórdia, os amigos que me escutam a me socorrerem com a benevolência de que sempre me cercaram, para que eu não resvale em novas quedas!... Senhor, abençoa-nos e sê glorificado para sempre!...

Félix pronunciara as últimas palavras, sobres­tando, dificilmente, a emotividade que o traía, mas, como se o firmamento lhe respondesse, de ime­diato, à apelação, amigos das esferas superiores ali presentes, conquanto se nos mantivessem ina­cessíveis ao olhar, valendo-se das forças espirituais de todo o auditório, positivamente orientadas numa só direção, materializaram farta chuva de pétalas luminosas, que desciam do teto a se desfazerem, tão logo nos tocavam a fronte, em vagas de perfume inesquecível.

A expectação prosseguia por instantes de jubi­loso silêncio, quando um carro estacou, à porta do foro repleto, e, logo após, certa mulher penetrou o recinto, revestida de luz.

Num átimo, todos os circunstantes se levan­taram, inclusive o Ministro da Regeneração, que a envolveu, para logo, num olhar de fundo respeito.

Hesitei um momento só. Reconheci-a, feliz. Era a Irmã Damiana, que integra em Nosso Lar o quadro de campeões da caridade, nas regiões das trevas, de quem conservava Félix o retrato e a quem se ligava por entranhados laços de afeto... A benfeitora, que revelava imensa modéstia, trajara-se de esplendor — daquele esplendor que, de­certo, tantos sacrifícios lhe custara —, tão-só para mostrar o regozijo com que vinha receber e apron­tar para novo renascimento aquele a quem amava por filho do coração!...
Quatro anos passaram, celeremente.

Esperança, esforço, trabalho, renovação...

Embora nunca me esquecesse de Félix, vários instrutores nos haviam recomendado o afastamen­to temporário da nova incumbência de que se in­vestia, para não sermos tentados a prejudicá-lo por excesso de mimos. No entanto, quando menos esperava, o irmão Régis enviou-me fraterna men­sagem, avisando que cessara o impedimento. Félix vencera todas as lutas no ajustamento ao veículo físico. Alguns dias depois, Cláudio, Percília e Mo­reira, em serviço no Rio, convidaram-me, em me­morando afetuoso, a rever o inolvidável amigo, que todo o «Almas Irmãs até hoje cerca de infatigável carinho.

Revivendo comovedoras lembranças, tornei ao Flamengo; contudo, o tempo tudo alterara. Famí­lia diversa ocupava o apartamento que se me vin­culava às recordações. Um amigo desencarnado, por solicitação de Moreira, que o cientificara de minha visita eventual, me forneceu, prestativo, o novo endereço, explicando que Gilberto e Marina se viram na contingência de vender a moradia, a fim de atenderem a questões de inventário, meses após a desencarnação de Cláudio.

A família morava agora em Botafogo, para onde me dirigi, ansiosa­mente.

Nenhuma frase terrestre para delinear a ven­tura do reencontro. Cláudio e Percília estavam lá. Moreira, ausente em serviço, chegaria mais tarde. Enleado nas vibrações balsâmicas do acolhimento de meus anfitriões espirituais, revi o casal em pa­lestra com Dona Justa, reavistei Marita, na forma de menina bonita e chorona... Profundamente sen­sibilizado, contemplei Félix, que passara a chamar-se Sérgio Cláudio, na rósea ternura dos quatro anos de idade. Temperamento visceralmente diver­so da irmãzinha, já entremostrava serenidade e lu­cidez nos pensamentos e nas palavras. Quedara-me impressionado, ignorando como externar a ale­gria... Era ele mesmo!...

Encantado, divisava novamente a chama daqueles olhos inesquecíveis, conquanto brilhasse num corpo de criança despreo­cupada...

Cláudio e Percilia informaram-me que Nemé­sio fora conduzido ao plano espiritual, um ano antes, em seguida a escabrosos padecimentos. Con­taram que verdadeiras maltas de obsessores amea­çavam o apartamento de Botafogo, quando o pobre companheiro se achava prestes a partir. Percilia, porém, acompanhara o movimento intercessório que se levantara em favor dele, no “Almas Irmãs”. Amigos devotados interpunham recursos, deprecan­do caridade e misericórdia, quando se soube que a Justiça, no Instituto, o considerava incurso em definitivo banimento. Antigos companheiros, em apelos calorosos, mencionavam os gestos de bene­ficência que praticara, ao tempo de Dona Beatriz, somados ao triênio de enfermidade e paralisia que suportara, resignado. Diante dos empenhos multi­plicados, de que o próprio Irmão Régis partilhava, já que, seguindo a orientação administrativa de Félix, inclinava o poder à benevolência, os magis­trados permitiram a reabertura do processo para debates amplos. Reposto o assunto em exame, a Casa da Providência enviara dois notários a Botafogo, para instruir com segurança as petições que se adensavam; todavia, os serventuários tinham chegado exatamente na ocasião em que Nemésio, parcialmente desencarnado, enlouquecera ao desco­brir, em derredor do refúgio doméstico, a presença das companhias infelizes que irrefletidamente cul­tivara. Verificando-se o inesperado, os juizes, por espírito de eqüidade, recomendaram se lhe conser­vasse a demência por benefício, no que, aliás, tinham sido referendados pelo Irmão Régis, porqüanto essa era a única fórmula pela qual se lhe podia dar uma guarda conveniente, de modo a subtrai-lo à sanha de malfeitores desencarnados, que anela­vam possuir-lhe o concurso em vilezas, tão logo alijasse o corpo destrambelhado. Em vista dessa bênção, obtivera a internação num manicômio res­peitável, mantido pelo “Almas Irmãs em região purgatorial de trabalho restaurativo, onde conti­nuava em tratamento vagaroso, incapaz de assu­mir compromissos novos com as Inteligências das trevas.

Quanto a Márcia, andava doente, mas arredia. Nunca mais retornara ao convívio familiar, não obstante o interesse incansável de Gilberto e Ma­rina para reaver-lhe a confiança. Dizia detestar parentes. Apesar de enferma, bebia e jogava com desatino. Cláudio acentuava, porém, que os filhos espreitavam ensejo, a fim de apresentar-lhe os netos. E Percília aditava que eu chegara justamente na véspera de tentativa promissora. Naque­le sábado, pela manhã, o casal se inteirava de que ela freqüentava diariamente a praia de Copacaba­na, descansando na areia a fim de inalar os ares puros do mar alto, a conselho médico. No dia ime­diato, domingo, Gilberto e a companheira contavam com tempo bastante para nova investida à conquis­ta da suspirada reconciliação. Estava convidado a cooperar. Descansasse ali, junto deles. Aguar­dasse.

Entretivemo-nos largo tempo, em torno das ma­ravilhas da vida. Percilia comparou a experiência terrestre a um tapete precioso, de que o Espirito reencarnado, tecelão do próprio destino, somente conhece o lado avesso.

Noite avançada, apareceu Moreira, acrescen­tando-nos a cordialidade reconfortante.

Recolhido, por fim, ao repouso, aspirei a apro­ximar-me de Sérgio Cláudio, para auscultar-lhe a posição espiritual naquela fase da infância, mas sufoquei o impulso. Prometera, de minha parte, no “Almas Irmãs”, nada praticar, em nome do amor, que lhe arriscasse o desenvolvimento tran­quilo.

Vali-me dos momentos de calmaria para estu­dar, refletir, recordar...

Manhãzinha, achávamo-nos a postos.

Marina, madrugadora, movimentou-se às seis e, às oito horas, sob os desvelos de Dona Justa, a família se reunia à mesa, em ligeiro repasto, prelibando os divertimentos da praia. Marita que­ria o maiô verde e a lata de bolo. Sérgio Cláudio preferia sorvete.

Antes da saída, a esposa de Gilberto, revelan­do admirável madureza, pensou na missão que de­mandavam, lembrou-se de Cláudio, sentindo-se es­piritualmente assistida por ele, e pediu aos dois garotos orassem juntos.

O pequeno empertigou-se no meio da sala e recitou a prece dominical, seguido pela irmãzinha que, embora mais taluda, gaguejava numa ou nou­tra expressão.

Em seguida, Marina solicitou ao pequerrucho:

— Meu filho, recorde em voz alta a oração que ensinei a você ontem...

— Esqueci, mãezinha...

— Comecemos outra vez.

E, erguendo a fronte para o Alto, na atitude reverente que lhe conhecíamos, o menino repetiu, uma a uma, as palavras que ouvia dos lábios ma­ternos:

— Amado Jesus... nós pedimos ao senhor tra­zer vovozinha... para morar... conosco...

A pequena caravana, acompanhada por nós, desceu do ônibus nas adjacências da praia. Nove da manhã. Sol esplêndido. Éramos quatro compa­nheiros desencarnados, junto aos quatro.

Para que Dona Márcia não lhes prejulgasse as intenções, Gilberto e Marina resolveram mergulhar, imitando as crianças. Em torno, milhares de ba­nhistas que compartilhavam, risonhos, a festa per­manente da Natureza. O bancário e a mulher, a se entreolharem, de maneira significativa, vasculha­vam recantos, aqui e acolá... Pesquisaram, até que enxergaram Dona Márcia, em maiô, estirada sob tenda acolhedora. Parecia cansada, triste, con­quanto sorrisse para o bando álacre das amigas.

Cláudio, emocionado, ponderou que dispúnha­mos da possibilidade de envolvê-la em reminiscên­cias edificantes.

Acercamo-nos dela, enquanto Gilberto e Mari­na, com os rebentos, se aproximavam, guardando aparente despreocupação.

Sob nossa influência, a viúva Nogueira come­çou, inexplicavelmente para ela, a pensar na fi­lha...

Marina! Onde estaria Marina? Que sauda­des! Como lhe doía agora a separação!... Como lhe tinha sido espinhoso o caminho!... Rememo­rava o lar, de ânimo opresso, revia o princípio...

Cláudio, Aracélia, as filhas e Nemésio rearticula­vam-se-lhe na imaginação, reintegrando quadros de amor e dor que jamais pudera esquecer!... Tanta amargura seria a vida? E indagava-se, de alma inquieta, se teria valido a pena existir para alcan­çar a velhice em tamanha solidão...

Nisso, percebe que a turma se avizinha, er­gue-se, assustada, e reconhece o grupo, observando-se apanhada de surpresa. Atônita, fixou Mari­na, Gilberto e Marita, de relance; entretanto, ao esbarrar com os olhos de Sérgio Cláudio, que-dou enlevada!... «Oh! Deus, que estranha e linda criança!... — monologou no íntimo.

O menino largou, apressado, a destra materna, após lhe haver Marina cochichado algo aos ouvidos, e atirou-se a ela, gritando, comovedoramente:

- Ah! vovó! Vovozinha!... Vovozinha!...

Márcia estendeu maquinalmente os braços para acolher aqueles braços diminutos que a enlaçavam... O minúsculo coração, que passou a bater de encon­tro ao dela, figurou-se-lhe um pássaro de luz que descia dos céus a pousar-lhe no tórax abatido. Fez menção de oscular o pequenino, mas recôndi­tas impressões de felicidade e de angústia lhe in­fundiam sensações de amor e medo. Por que lhe despertava o netinho tão contraditórios pensamen­tos? Antes, porém, que se decidisse a acariciá-lo, Sérgio Cláudio levantou a cabeça que lhe entrega­ra por momentos ao ombro nu, e cobriu-lhe o rosto de beijos... Não houve mecha de cabelos que não alisasse com dedos ternos e nem ruga que não afa­gasse com os lábios enternecidos. Enleada, Márcia recolheu as saudações dos filhos, abraçou a menina, que via igualmente pela primeira vez, referiu-se à saúde e, quando entrou a comentar, quanto à viva­cidade dos netos, Marina recomendou ao filhinho declamasse a prece da vovozinha, que pronunciara em casa, antes de sair.

Sérgio, com a noção inata do respeito que se deve à oração, despencou-se do regaço a que se agarrara, perfilou-se diante de Dona Márcia. fin­cando os pés rechonchudos na areia... E, cerran­do os olhos, em laboriosa diligência de imaginação para ofertar de si mesmo aquela manifestação de carinho, repetiu, firme:

— Amado Jesus, nós pedimos ao senhor trazer vovozinha para morar conosco...

Dona Márcia prorrompeu em lágrimas copio­sas, enquanto o pequenino se lhe asilava, de novo, nos braços que tremiam de júbilo...

— Que é isso, mamãe? a senhora chorando?

— Inquiriu Marina, carinhosa.

— Ah! minha filha! — respondeu Dona Már­cia, aconchegando o neto ao peito — estou ficando velha!...

Logo após, despedia-se das companheiras, avi­sando que naquele domingo almoçaria em Botafo­go, mas, intimamente, estava persuadida de que não mais largaria a residência da filha em Botafogo, nunca mais...

O menino prendera-lhe o coração.

Acompanhei o grupo até o asfalto. Gilberto, feliz, chamou um táxi. Cláudio, Percília e Moreira, que seguiriam, de volta, me abraçaram em festa. Contemplei o carro que deslizou na direção do Lido, para seguir adiante...

Sozinho em espírito, diante da multidão, con­fiei-me às lágrimas de enternecimento e regozijo.

Ansiei abraçar aquela gente generosa e espontâ­nea, que brincava entre o banho e a peteca, en­saiando a fraternidade por família de Deus...

Cambaleando de emoção, tornei ao local em que Márcia e o neto tinham fruido o reencontro sublime, a simbolizarem para mim o passado e o presente, urdindo o futuro na luz do amor que nun­ca morre. Osculei o chão que haviam pisado e orei, rogando ao Senhor os abençoasse pelos ensinamen­tos de que me enriqueciam... Dos milhares de companheiros reencarnados, em risonha agitação, nenhum me assinalou, de leve, o culto de reconhe­cimento e de saudade. O mar, entretanto, qual se me visse, compadecido, o gesto medroso, arremes­sou extenso véu de espuma sobre o trato de areia que eu beijara, como se quisesse guardar a nota apagada de minha gratidão e reverência, na pauta das ondas, incorporando-a à sinfonia imponente com que não cessa de louvar a beleza sem-fim.
Fim
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