Grupo de estudo das obras de andré luiz e




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(Fonte: capítulos 12 a 16.)
1. Notícias alvissareiras - Dr. Armando Passos estava ciente de que adiar informações redundaria em tornar mais complexa e difícil a tarefa para o futuro. Contudo, nada disse à mãe de Lisandra acerca da gravidade de sua enfermidade mental, procurando, ao contrário, acalmar a veneranda sofredora, tocado de verdadeira unção evangélica. O sofrimento consegue irmanar as criaturas, dá-lhes uma visão de profundidade em torno da vida, e reveste-as de resignação, digna tranqüilidade que se converte em vitória pessoal sobre as vicissitudes. A hanseníase da jovem dava mos­tras de estacionamento, com possibilidades de regressão em breve tempo. Artêmis e Hermelinda ficaram emocionadas quando o médico lhes deu ciên­cia desse fato e não puderam sopitar as lágrimas. Afinal, a alegria que conforta diminui a carga da amargura que asfixia o coração. Depois de vários anos de infortúnio e aflições, surgiam esperanças alvissareiras. O pão que restaura as forças do sofredor deve ser preparado com o fer­mento do otimismo, a fim de nutrir interiormente. Na Colônia, o enfer­meiro Cândido passara a oferecer mais ampla assistência espiritual a Ra­fael, registrando pela intuição aguçada o drama precedente que envolvia aquela família e a propelência de Entidades Espirituais Superiores inte­ressadas no auxílio ao enfermo. Seu esforço não era em vão, porquanto, graças à lógica e robustez dos postulados espíritas e à sua paciência e dedicação fraternal, Rafael assimilava a Doutrina libertadora com a mente e os sentimentos, procurando incorporá-la ao dia-a-dia da existên­cia. Evidentemente, ante seus propósitos de modificação espiritual, os inimigos desencarnados aumentaram o cerco nos painéis mentais do antigo sicário, que, advertido antecipadamente por Cândido, embora sofrendo, passou a armar-se com a vigilância e a prece. (Cap. 12, págs. 103 a 105)

2. Como agem os obsessores - Cândido explicou a Rafael, em ocasião pró­pria, qual a técnica utilizada pelos perseguidores invisíveis nos dife­rentes processos obsessivos. Quando seu hospedeiro se volta para os pro­pósitos superiores e se impõe aos princípios evangélicos de renovação, passam a agredir violenta e desapiedadamente as suas vítimas, a fim de fazê-las duvidar do resultado da terapêutica espírita, induzindo-as à desistência, sob a alegação de piora no estado em que se encontravam. Conseguindo desencorajar o obsidiado, dão-lhe trégua aparente, masca­rando a sintomatologia infeliz e fazendo crer na melhora, como decorrên­cia do afastamento do compromisso recém-assumido. Quando o invigilante se supõe livre, eis que eles retornam mais solertes, vigorosos e perti­nazes, dominando, inexoravelmente, os que lhes padecem a conjuntura per­niciosa. Sabem eles muito bem que a melhor forma de escravizar alguém ainda é manietá-lo à ignorância, mantê-lo no obscurantismo no qual se transita sempre com dificuldades crescentes. Além disso, investem tam­bém, simultaneamente, contra os que distendem ao enfermo mãos amigas, provocando a irrupção de problemas no lar, no trabalho, na rua, com que objetivam descoroçoar o ânimo desses abnegados agentes da caridade. Ati­ram-lhes petardos mentais; inspiram-lhes desânimo; empestam a psicosfera de que se nutrem os lidadores do bem; utilizam-se de pessoas frívolas, que lhes servem de instrumentos dóceis; despertam sentimentos contradi­tórios; açulam paixões; instalam a dúvida; criam  áreas de atritos e impõem, quando possível, sucessão de acontecimentos desagradáveis... Al­guns trabalhadores, pouco adestrados ao culto dos deveres de enobreci­mento, agasalham essas idéias perturbadoras, deixando-se desanimar ou intoxicando-se pela revolta que delas decorre. Não lhes passa pela mente que todos mantemos vínculos de sombra com o passado e que nos acontece somente o que merecemos ou a nossa insensatez engendra, sendo que as provações, em qualquer circunstância, constituem aprendizado valioso e desconto de títulos em débito, postos em cobrança, no transcurso da oportunidade com que se libera o homem das responsabilidades negativas, inditosas. (Cap. 12, págs. 105 e 106)

3. Como os Benfeitores nos ajudam - Ninguém jornadeia à mercê do acaso, sujeito a ocorrências de dor e sombra sem que as mereça. Assim, é fácil compreender que os credenciados pelo esforço pessoal ao serviço edifi­cante recolhem maior quota de ajuda, conforme o ensino evangélico de que "mais recebe aquele que mais dá ". E' por isso que os Benfeitores Espiri­tuais, interessados na ascensão dos seus tutelados, não os deixam à pró­pria sorte, quando identificam as graves teceduras das redes de que se utilizam os maus. Sabendo que toda aflição bem recebida produz conquista de relevo para quem a aceita de bom grado, reconhecem que a dor de­fluente da obra do amor propicia maior soma de aquisições, impulsionando a sublimação dos propósitos e a liberação do passado. Os Benfeitores alentam, pois, os que com eles sintonizam; resguardam-nos do mal; indu­zem-nos à perseverança no trabalho da auto-iluminação; sustentam-lhes a fé; promovem encontros circunstanciais edificantes; conduzem-nos a Esfe­ras de luz e a Escolas de sabedoria, quando ocorre o desprendimento par­cial pelo sono; dão informações preciosas; irrigam a mente de idéias elevadas; produzem euforia interior... Não afastam, porém, os problemas nem as lutas, por saberem que, através deles, as pessoas melhormente se purificam e elevam. Como a Terra é também preciosa Escola, tudo aqui se transmuda em ensinamento, em cuja conquista se devem investir todos os valores possíveis. Dessa maneira, a luta pró-renovação no caso de Rafael se fazia mais difícil, em face dos interesses de seus inimigos invisí­veis, obrigando a que Cândido também, como deve sempre acontecer com os que lidam com a desobsessão, se revestisse de maior vigilância. Os mes­mos ardis tenebrosos eram utilizados pelos verdugos de Lisandra, que, todavia, ante a assistência direta de sua mãe, hauria forças morais, considerando-se a hierarquia e ascendência espiritual de Artêmis. Esta, por sinal, com as boas novas sobre o estado da filha, sentia-se então quase jubilosa... Refletindo sobre tudo o que lhe acontecera, nenhuma mágoa nem revolta lhe passavam pela mente. Artêmis sabia que o matrimônio como a maternidade são compromissos santificantes, através de cujas responsabilidades a mulher, especialmente, se eleva e sublima os senti­mentos. (Cap. 12, págs. 106 a 108)
4. Os Espíritos também têm saudades - Naquela noite, após um longo mo­mento de meditação refazente e da prece, Artêmis recolheu-se ao leito, logo adormecendo, magnetizada por sua mãe, ali presente, responsável pe­las graças hauridas, que criara a psicosfera ambiente e a impregnara de fluidos superiores, a fim de ajudá-la a transpor as barreiras e as den­sas vibrações que se interpõem entre o mundo físico e o espiritual. O desprendimento superior não era para Artêmis um tentame novo. Vivendo mais para o dever, para o espírito, com débeis fixações materiais, fácil lhe era, durante o repouso, afrouxar os liames que retêm o espírito ao corpo e correr, célere, na busca dos interesses da esfera espiritual. Logo que se desembaraçou das forças densas da carne, Artêmis defrontou a senhora Adelaide, num recinto em luz, florido e belo, não sopitando as exclamações de surpresa e felicidade. Seguiu-se um diálogo encantador, em que a Entidade lhe afirmou que elas jamais estiveram separadas. "Temos estado juntas, embora nem sempre te possas recordar", disse-lhe a veneranda senhora. Artêmis perguntou-lhe se no Céu, onde Adelaide se en­contrava, a saudade fazia morada. A mãe explicou-lhe: "Não nos encontra­mos no Céu, querida. Não o merecemos. Ainda estamos na Terra, e os Cír­culos de Luz onde muitos seres felizes operam, no ministério de ajuda aos homens, estão longe de ser o Paraíso, que nenhum de nós, por en­quanto, merece". Ela informou então que a saudade também existe entre os Espíritos; contudo, os desencarnados que já  possuem responsabilidade em face dos compromissos não se deixam azorragar pela amargura ou pela re­beldia. "Aprendemos a esperar em confiança e a amar sem exigência ou precipitação", complementou Adelaide. (Cap. 12, págs. 109 e 110)
5. O encontro com Rafael - A Entidade explicou-lhe que, toda vez que ela, Artêmis, a chamava, a ouvia e misturava suas preces com as dela e as de Hermelinda, filha também pelo coração, suplicando a Jesus coragem, paciência e fé, para poderem prosseguir no dever até o momento final de conclusão da provação. A filha disse então o quanto a presença de Herme­linda a seu lado era importante. Adelaide esclareceu que foi por isso que ela solicitara ao Senhor que encaminhasse a cunhada ao seu lar. Ar­têmis falou também sobre a saudade que sentia do esposo, impossibilitada que estava de vê-lo, em face da proibição feita pelo próprio marido. A genitora elucidou o delicado problema, dizendo: "A saudade incontida, que convertemos em dor resignada, procede de te encontrares na Terra, em exílio purificador, que solicitaste, a fim de liberares velhas dívidas junto àqueles que hoje te compartem o lar". Ela teria, contudo, naquela noite, uma grande surpresa... Naquele momento, graças à intercessão da generosa entidade, Rafael deu entrada na sala acolhedora, em parcial desdobramento pelo sono fisiológico. Conduzido a um assento confortável, os enfermeiros espirituais que o trouxeram aplicaram-lhe passes de des­pertamento. Correndo o olhar perplexo pela sala, o esposo de Artêmis não pôde esconder a alegria quase infantil quando identificou no recinto a sua esposa, igualmente em espírito, ao lado de Adelaide, que se lhe afi­gurava um ser angelical. Foi um encontro emocionante: "Artêmis! Minha adorada Artêmis, onde nos encontramos? Deus meu, quanta saudade, quanta dor!" A esposa, com a permissão da mãe, avançou e abraçou o companheiro em lágrimas de incontida alegria, e os dois, após o abraço mudo, demo­rado, interrogaram-se apressados, como se receassem a interrupção do mo­mento feliz, que pretendiam alongar indefinidamente. Rafael trazia no corpo espiritual as marcas da cruz redentora da hanseníase, em face da plasticidade do perispírito ainda encharcado das vibrações pesadas que experimentava. Em dado momento, ele perguntou por Lisandra, mas, antes que Artêmis dissesse algo, Adelaide informou que logo mais ela estaria ali, a fim de serem examinadas em conjunto as graves responsabilidades que lhes diziam respeito. "Somos jornaleiros de longos roteiros do tempo -- esclareceu Adelaide --. Erramos e reencetamos o cometimento, caímos e tentamos o soerguimento, acumpliciando-nos com o crime e eis-nos reti­dos, aguardando resgate inadiável, a fim de avançarmos". (Cap. 12, págs. 111 a 113)
6. Causas das enfermidades na família - Adelaide fez um breve resumo com referência aos delitos cometidos no passado por Lisandra, Rafael e Gil­berto, reunidos no mesmo lar à impostergável reabilitação perante as leis soberanas que regem a vida. Informou-os também de que diversas ví­timas de suas arbitrariedades encontravam-se jungidas aos seus Espíri­tos, em razão dos impositivos crime-castigo, dívida-resgate que cada um elaborou para si mesmo. Elucidou, por fim, que Artêmis e Hermelinda se lhes vinculavam por processos menos danosos e se propuseram ajudá-los, com o que se liberavam de velhos e complexos dramas que carregavam n'alma, mas advertiu: "Vossas dores não alcançaram o clímax... Necessá­rio lograr o acume do monte para conseguir-se maior horizonte visual. Assim, também, é imprescindível alcançar o  ápice do sofrimento para po­der superar a complexidade dos gravames infelizes. As enfermidades físi­cas e psíquicas que vos avassalam têm as suas patogêneses nos recessos da alma endividada, que faculta, por desarmonia vibratória, se desenvol­vam os agentes mórbidos, favorecendo-os com a fácil proliferação, me­diante a ausência ou diminuição das defesas orgânicas que foram destruí­das pelo comportamento moral-espiritual..." A Benfeitora esclareceu ainda que o intercâmbio psíquico com os adversários do passado agravava mais os problemas, derivando daí processos variados e difíceis de solu­cionar-se, a curto ou médio prazo. "Enquanto não se reabilitem os infra­tores, atestando a excelência dos seus propósitos, não diminui a sanha dos seus perseguidores", aduziu a veneranda senhora, com o que mostrava a importância da renovação espiritual de todos. (Cap. 12, págs. 113 e 114)
7. Começa a desvendar-se o mistério - Artêmis e Rafael dilatavam o en­tendimento ante os oportunos esclarecimentos. O hanseniano, que já se iniciara no estudo do Espiritismo, lembrou-se de Cândido, evocando assim a figura generosa do enfermeiro. Adelaide percebeu-lhe o pensamento e informou que Cândido ali também se encontrava. Fora ele um dos enfermei­ros que ajudaram Rafael a chegar até aquele recinto. Nominalmente ci­tado, o enfermeiro pôs sua destra no ombro de Rafael, e este, erguendo a cabeça, deparou-se com o caridoso tutor e amigo, que lhe explicou ter sido Adelaide quem os aproximara e inspirava as suas conversações. A mentora prosseguiu, serena, convidando o casal a predispor-se ao ressar­cimento de suas dívidas com otimismo e resignada atitude perante os tes­temunhos que adviriam, cientes de que havia causas ponderáveis em suas dores atuais. Dito isso, deram entrada no recinto Hermelinda, que ampa­rava Lisandra meio inconsciente, e dedicado Benfeitor desencarnado que as conduzia. Rafael percebeu na filha os sinais da enfermidade devasta­dora e não se pôde conter: "Então, ela está contagiada?" Adelaide res­pondeu: "Não por você, meu amigo, mas por ela mesma, pelos próprios atos. Observe, atentamente. Acalme-se e conclua por si mesmo". A jovem relanceou o olhar pela sala, atônita, sem reconhecer os circunstantes. "Quem me chama?", interpelou, com expressão perturbada. "Que quer de mim? Por que me chama de Annette? Quem? Ermínio Lopez? Onde está , onde? Não, deixe-me em paz, você morreu... Oh! que horror, ‚ você!?..." Em seguida, tomada por invencível pavor, agitou-se e tombou numa perfeita convulsão epiléptica. Hermelinda sustentou-a, enquanto o vigilante Ben­feitor que a trouxe socorreu-a com passes. Rafael disse então, visivel­mente irritado, que conhecia Annette e Ermínio Lopez: "Eu os conheço, os desgraçados. Eles morreram..." Adelaide interveio, dizendo: "Ninguém mor­re, caro Rafael. Troca-se de trajo, muda-se de vibração, renasce-se em outra dimensão. Annette é Lisandra reencarnada". E esclareceu, ato contínuo, que Ermínio era o Espírito que a perseguia, cuja presença, as­sociada à consciência de culpa da jovem, era responsável pelas crises que Lisandra sofria. Rafael informou que não os perdoara, ainda, e, to­mado da mesma atitude temperamental antiga, vociferou, transtornado: "Traidores infames! Eu sabia, sim, que no meu amor por esta filha des­graçada um surdo ódio e uma terrível desconfiança me infelicitavam. Ban­didos!" Adelaide socorreu-o e levou-o ao sono, para que ele viesse a re­cordar daquele encontro apenas o que lhe fosse agradável. Depois, abra­çando Artêmis e Hermelinda, orou com unção, enquanto energias revigoran­tes restabeleciam o clima de paz e beleza espiritual do ambiente. (Cap. 12, págs. 115 a 117)
8. O sonho - No dia seguinte, Artêmis comentou com Hermelinda o sonho que tivera na noite anterior. Sua recordação era nítida e ela registrara não apenas as pessoas que encontrou, mas as palavras de exortação à co­ragem e à perfeita confiança em Deus que ali ouviu. Lembrou-se de quando Lisandra penetrou o recinto e da crise que a acometeu, e seu despertar fora acompanhado de inefável bem-estar. Hermelinda também tivera um sonho parecido, no qual conduzira Lisandra a um local, onde estavam a cunhada, o irmão e outras pessoas, como numa reunião de família. A se­nhora Adelaide, disse Hermelinda, parecia ter sido a anfitriã, tal o contentamento que dela se irradiava. Hermelinda lembrou-se até da con­vulsão de Lisandra e da pessoa cujo nome ela chamava, um certo senhor Ermínio... E descreveu a cena do médico que as acompanhara na viagem e, na hora da crise, socorreu a sobrinha. Na verdade, como Adelaide havia planejado, ambas conservavam lembrança quase integral dos momentos vivi­dos na noite anterior. Hermelinda despertara também com uma visão dife­rente acerca do Espiritismo, tendo certeza absoluta de que os chamados mortos interferem realmente em nossas vidas. "Estou muito inclinada a crer que, em todo esse processo, há  uma terrível vingança de alguém in­visível...", acrescentou a tia de Lisandra. (Cap. 13, págs. 119 a 121)
9. Pesadelos - Hermelinda confessou, ainda, que sentia a presença no lar da senhora Adelaide: "E' tão forte a impressão, que experimento a sensa­ção de vê-la, não com os olhos, é claro, mas com a alma. Percebo-lhe o balbuciar, que não consigo entender; todavia, experimento a inefável paz que somente os bem-aventurados, consoante penso, podem transmitir". O encontro daquela noite produziu em ambas uma transformação muito grande, auxiliando-as a sair do labirinto de incertezas e de dificuldades em que viviam até então. Artêmis, pouco depois, foi levar a primeira refeição do dia a Lisandra, encontrando-a imersa em reflexão. Havia no seu sem­blante, normalmente vago, uma expressão de lucidez inusitada. As duas então conversaram e Lisandra relatou ter tido, na noite passada, um es­tranho pesadelo. "Eu me encontrava, não sei bem em que lugar... Certo que era um local muito agradável", disse a filha. "Havia várias pessoas de que não me recordo, conversando a meu respeito, como se fossem médi­cos discutindo o meu problema de saúde. Eu me achava algo anestesiada, com o raciocínio tardo, embora o prazer que experimentava, interior­mente, por encontrar-me ali, quando ouvi alguém chamar-me de forma acu­sadora e temerosa. Receando, não sei o quê, desmaiei..." Lisandra contou então que sempre sonhava com um homem horrível, que ameaçava destruí-la aos poucos, como ela fizera com ele... Artêmis disse-lhe que não se pre­ocupasse. Eram pesadelos... Lisandra respondeu: "Não, mamãe. Eu creio que há nisso alguma verdade. Não que eu o haja destruído, pois você sabe que nunca fiz mal a ninguém. Nem sequer odeio quem quer que seja, ex­ceto..." Artêmis pediu que ela concluísse a frase, pois isso lhe faria bem, e Lisandra revelou então que havia momentos, antigamente, em que a presença de seu pai lhe inspirava muito ódio... "Eu experimentava a sen­sação -- disse a jovem -- de que ele me havia destruído algo muito caro, dentro de mim... Procurava, então, reagir e superava. Meditando, concluo que esse homem horroroso tem alguma coisa a ver com isto, ou nós temos algum problema muito sério com ele, não sei". (Cap. 13, págs. 122 e 123)
10. Cândido explica o sonho a Rafael - Artêmis disse à filha que sua in­formação era muito esclarecedora, porque também ela e Hermelinda tiveram um sonho mais ou menos parecido; contudo, não havia motivo para afligir-se com isso. A Divina Misericórdia sempre dispõe de meios para solucio­nar todas as incógnitas. Contou-lhe então que o Dr. Armando estava oti­mista com a sua recuperação, existindo boas possibilidades próximas. A jovem ficou feliz com as novidades, e o ambiente no lar dos Ferguson continuou impregnado dos bons fluidos, em clima de paz, otimismo e irrestrita fé em Deus. Na Colônia, a recordação do encontro da noite era, no entanto, bem diferente. Enquanto Cândido contou a Rafael haver sonhado com ele, o hanseniano aludia a uma certa cena que, na verdade, acontecera no passado: "Tratava-se de um sedutor que espoliava minha filha", disse com azedume, "a quem tive de matar ali mesmo". Cândido ex­plicou-lhe então que os Bons Espíritos conduziram a ambos a uma região de bênçãos, onde Rafael pôde rever a esposa e confraternizar com a famí­lia. Recomendou-lhe, por isso, deixar de lado aquelas reminiscências amargas, acrescentando que, como já  haviam conversado anteriormente, to­dos nós possuímos delitos no passado que devem ser ressarcidos no pre­sente. "Certamente, a cena que lhe fez ressuscitar lembranças se funda­menta em ocorrência real, não, porém, como você a recorda", acentuou o enfermeiro. Dito isto, ele revelou a Rafael ter tido uma idéia. "Diga-a, homem, por favor", propôs o enfermo. Cândido informou-o então de que es­tava disposto a visitar os seus familiares, para levar uma mensagem de sua parte e, em caráter de visita informal, dar-lhes notícias suas, fa­zendo uma delicada abordagem em torno da Doutrina Espírita. Rafael con­cordou no ato: "Bravos! A idéia me parece acertada. Não há  por que adiar mais o momento e é melhor agora, antes que tardiamente. Irei escrever a Artêmis e lhe darei ciência dos seus cuidados para comigo, conforme já lhe narrei antes..." Rafael pretendia contar à esposa o bem que a luz do Evangelho trouxera aos seus atormentados dias... (Cap. 13, págs. 123 a 125)
11. A visita - Era outubro, um mês muito querido para os espiritistas, pois nele ocorreram o nascimento de Allan Kardec, nascido a 3-10-1804, e o auto-de-fé de Barcelona, que aconteceu em 9-10-1861, quando foram queimados em praça pública 300 volumes de obras e opúsculos espíritas, um atentado que comoveu a opinião pública da cidade, do país e do mundo. Num domingo radioso, tal como fora combinado, Cândido evocou desde cedo a figura ímpar do Codificador na prece matinal, rogando a proteção dos Numes Tutelares para a família Ferguson, que deveria visitar à tarde, o que de fato ocorreu. Cândido levou consigo Clarice, sua esposa, e foram ambos recebidos cordialmente, com manifestas expressões de contenta­mento. Depois de dar notícias de Rafael, que passava por um período ex­celente, narrou, sem artificialismo nem falsa modéstia, os esforços en­vidados junto a ele no sentido de aliviá-lo das cargas de animosidade e dos conflitos que o mortificavam, concluindo por asseverar que o ini­ciara no estudo e na meditação da consoladora Doutrina dos Espíritos. Com voz pausada e clara, o enfermeiro explicou a finalidade precípua do Espiritismo, no contingente da reforma moral do indivíduo e na sua real posição perante a vida. "A quem acredita na imortalidade -- argumentou, conciso --, o Espiritismo consegue consolidar essa fé, e, a quem não acredita, a esmagadora cópia dos fatos espíritas impele ao exame da rea­lidade imortalista, auxiliando lograr a sua aceitação". Na seqüência, teceu considerações oportunas sobre a reencarnação, utilizando argumen­tação simples e profunda, com que os interlocutores, sinceramente con­cordes, anuíam de bom grado. Comentou as tramas obsessivas como sendo decorrências dos conflitos e consórcios inditosos do passado, demons­trando, mediante as informações do Evangelho de Jesus, a longa e tormen­tosa história dos que hão caído nas redes da alienação por interferência dos desencarnados. E exaltou, por fim, a ação da prece, da oração em fa­mília e do estudo das lições espirituais em conjunto, de que se recolhem resultados inesperados, comprovando a excelsa bondade de Deus, através do mecanismo das "leis de causa e efeito". (Cap. 14, págs. 127 e 128)
12. Novo ataque epiléptico - Gilberto e os familiares que ouviam Cân­dido, atentos, não ocultavam a emoção. Aquilo lhes era um belo mundo novo. Nada que produzisse choque em relação à fé anteriormente abraçada. Antes, aquelas informações clareavam os mistérios das afirmações nebulo­sas e elucidavam os complexos temas que perturbavam, em face das incóg­nitas em que se ocultavam. Lisandra não participou da palestra, que vez por outra suscitava de Clarice algum complemento, como decorrência de sua experiência no Espiritismo. A certa altura, o enfermeiro perguntou por Lisandra. A mãe disse que ela prosseguia indisposta, em virtude de velho problema psíquico que a atormentava, razão por que não participara da conversação edificante. Nesse momento, ouviu-se um baque surdo, pre­cedido por um grito. Artêmis, empalidecendo de súbito, levantou-se e foi, apressada, na direção do quarto da filha, que se encontrava caída, em convulsão. A mãe, procurando ampará-la, ouviu-a pronunciar nitida­mente o nome Ermínio, tal como informara Hermelinda. Olhar esgazeado, rosto com manchas arroxeadas, gemidos e conseqüente prostração sucede­ram-se, como de hábito. Cândido ofereceu seus préstimos, como enfermeiro que era, e, como a pulsação da jovem estivesse normal, pediu licença para aplicar a única terapêutica que lhe parecia útil no momento: o passe. Adelaide, sempre presente, forneceu-lhe o auxílio necessário à ministração de recursos de energias refazentes. Logo que Lisandra se aquietou, ele tornou à sala, onde Clarice e Gilberto oravam. Cândido no­tou os sinais da hanseníase na jovem, mas manteve, a respeito, discreto silêncio. Artêmis estava perturbada com o acontecimento e explicou que as crises da filha estavam menos violentas. Aquela fora uma das mais graves... Pediu, pois, a Cândido que nada revelasse a Rafael, para poupá-lo de sofrimentos desnecessários. Cândido deixou-a tranqüila quanto a isso. Ele agiria como se nada houvesse acontecido. (Cap. 14, págs. 129 e 130)
13. Acende-se no lar uma luz diferente - Artêmis resolveu, contudo, re­velar-lhe a verdade sobre a doença da filha, explicando que desde que foi descoberta a lepra o Dr. Armando Passos tratava da jovem em sua pró­pria casa. Ela decidira, então, nada dizer ao pai, para evitar-lhe idéias erradas e injustificáveis complexos de culpa... O enfermeiro disse-lhe compreender perfeitamente sua decisão e prometeu unir as suas preces às preces da família, com que esperava que todos recebessem do Alto a ajuda necessária para vencer tantas provações. Depois, ofereceu a Artêmis um volume d' O Evangelho segundo o Espiritismo, de Kardec, acrescentando que se tratava de exemplar igual ao que Rafael possuía, e que lhe estava dando muito conforto. Antes das despedidas, ele se ofere­ceu para voltar àquela casa, vez por outra, a fim de aplicar passes em Lisandra e conversar sobre os tesouros do Mundo Maior. A esposa de Ra­fael aceitou a oferta e lhe disse que a casa estaria sempre à sua dispo­sição. Os novos amigos despediram-se com legítima afetividade espontâ­nea. A ponte da verdade estava sendo lançada entre as bordas que se se­paravam num abismo de sombra e dor. Ao se acenderem as lâmpadas que su­peravam em luz as trevas da noite, naquele lar, era como se a partir de então uma diferente luz, esparzida do Livro da Vida, clareasse definiti­vamente a teimosa noite que se agasalhava naquele recinto. Certo, os so­frimentos prosseguiriam, mas ao lado deles se erigiria um altar ao amor e à fidelidade ao Pai, em holocausto de fé e resignação, de que já  davam mostras aqueles corações crucificados nas traves da expiação redentora. (Cap. 14, págs. 131 e 132)
14. Os frutos do Evangelho no lar - Cândido passou a freqüentar, com re­lativa assiduidade, o lar dos Ferguson. Cada visita fazia-se mais auspi­ciosa. Sua palavra simples e fluente sabia elucidar as interrogações e aclarava as questões nebulosas em torno da fé, com naturalidade fasci­nante. Os passes aplicados em Lisandra redundavam em melhora orgânica perceptível. Ela, porém, permanecia, psiquicamente, refratária às ins­truções espirituais, fechada em si mesma e aturdida pelas construções mentais e evocações infelizes de que dificilmente se liberava. Acedendo à telementalização do verdugo desencarnado, que urdiu um plano nefasto, deu acolhida às induções de antipatia ao enfermeiro, ensimesmando-se em característico mutismo com que demonstrava seu desagrado. Cândido com­preendeu a situação e dissimulou, educadamente. Sabe-se que em todo pro­cesso desobsessivo, quiçá  na quase totalidade dos problemas de saúde, a parte mais importante está  sempre reservada ao paciente. Sua obstinação em manter-se no desequilíbrio, preferindo inspirar compaixão a despertar amizade, constitui óbice de difícil remoção na terapia do seu refazi­mento. A manobra do obsessor de Lisandra não atingiu, contudo, os demais familiares, que, incluindo Gilberto, encontraram na Doutrina Espírita um fulgurante luzeiro que passaram a estimar. Cândido instituiu o culto Evangelho no lar, lendo e comentando as preciosas lições d' O Evangelho segundo o Espiritismo, de Kardec, bem como as demais obras básicas da Codificação, e os resultados em forma de bênçãos espirituais e recursos morais não se fizeram esperar, o que confortava Rafael, feliz com as aquisições espirituais dos seus. (Cap. 15, págs. 133 e 134)
15. Epifânia - Passados alguns meses, Cândido sugeriu que a família pas­sasse a freqüentar uma Sociedade Espírita organizada, na qual a parasi­tose psíquica de Lisandra pudesse ser examinada em profundidade, com mais profícua colheita de resultados. Indicou então a Casa em que ele prestava sua cooperação. Como Lisandra não podia afastar-se de seu quarto, e a fim de não ficar sozinha, organizou-se um programa de assis­tência, através do qual, revezando-se os familiares, sempre alguém lhe poderia fazer companhia. Naquele Centro espírita trabalhava como médium uma jovem de trinta e cinco anos que chegara à Doutrina Espírita em de­corrência de tormentosa distonia mediúnica. Era Epifânia, que se fizera membro atuante na referida instituição, entregando-se com afinco e fer­vor ao ministério do socorro espiritista, a que se ofertava até à exaus­tão. Epifânia não era bela, mas sua juventude e simpatia contagiantes cativavam quantos dela se acercavam. Jamais a ouviram queixar-se, pois sua boca se abria somente para ajudar e agradecer ao Senhor. Artêmis e Gilberto, em data adredemente aprazada, dirigiram-se à Casa Espírita, onde Cândido os esperava. Era a primeira vez que eles iriam participar de uma tarefa espiritista. Epifânia foi convidada a fazer os comentários da noite, que versariam sobre o cap. XII d' O Evangelho segundo o Espi­ritismo, "Amai os vossos inimigos", particularmente o tópico: "Os inimi­gos desencarnados". Após tecer comentários em torno da imortalidade, foi visível a transfiguração que se operou na palestrante. Sem perder a man­suetude, o metal de voz modificou-se, a expressão da face aureolou-se de diáfana beleza e os olhos tornaram-se luminosos. E Epifânia prosseguiu sua fala, aludindo, sob inspiração de uma Entidade superior, à importân­cia do conhecimento espiritual para a ascensão do indivíduo. (Cap. 15, págs. 135 a 137)
16. Para desencarnar bem é preciso viver bem - Em sua palestra, a Enti­dade, por via mediúnica, lembrou que a desencarnação não anula, nem sim­plifica as dificuldades. Os sentimentos cultivados, as aspirações não realizadas, as fixações, os resíduos morais transferem-se de uma para a outra posição da realidade espiritual. "A morte apenas realiza o pro­cesso cirúrgico de longo curso", asseverou a palestrante, "libertando a ave cativa que é o espírito, ou segurando, em tormentoso constrangi­mento, a alma que se deseja evadir..." O comportamento mental é tão im­portante para a desencarnação quanto para vivência física. "Cada um de­sencarna conforme se encontra reencarnado. Os conflitos não equaciona­dos, como os ódios e os amores, prosseguem com maior volúpia", explicou a oradora. E ela continuou: "Desarticulado o corpo e sentindo-se sem o invólucro em que se sustentava para expressar as sensações, o recém-de­sencarnado, em alucinação, experimenta o impositivo das cargas magnéti­cas da matéria e acompanha-lhe a desintegração, experimentando toda a decomposição do corpo, como se ela estivesse ocorrendo nas fibras mais íntimas da sua organização espiritual. Alguns seres recém-libertos, em tal estado, convidados insistentemente pelos pensamentos do afeto dese­quilibrado, da mágoa ou do ódio injustificáveis que ficaram na reta­guarda, são arrancados da sepultura e se imantam às mentes que os sevi­ciam, mesmo não intencionalmente, produzindo infinito mal-estar, e, por­que ignorem o que ocorre, passam a sofrer indescritível turbação espiri­tual..." A Entidade que se valia de Epifânia afirmou, no entanto, que outra é a situação dos Espíritos felizes, cuja vida se padronizava nos sentimentos superiores, os quais são recebidos pelos seus afetos, que os precederam ou os aguardavam, responsáveis ou não pelo investimento reen­carnatório, então concluído. "Não bastassem as ocorrências da leviandade que ligam os trêfegos e irresponsáveis entre si, formando grupos e colô­nias de parasitas, de viciosos e perniciosos a se locupletarem na insâ­nia e nas obsessões simples com tendência a agravamento, em decorrência da sintonia que lhes facultem os cômpares encarnados, exigindo vigilân­cia e cuidados, especial atenção merecem os inimigos desencarnados", as­severou a palestrante. (Cap. 15, págs. 137 e 138)
17. Os efeitos maléficos do ódio - Feita ligeira pausa, os ouvintes aguardavam, atentos, o prosseguimento da lição, enquanto Artêmis exul­tava, perguntando a si mesmo como pudera obstinar-se em adiar por tanto tempo o contacto com o Espiritismo. A palestrante continuou: "O ódio, o ciúme, a inveja, o despeito que intoxicam a vida por longos anos não po­dem, a passe de mágica, desaparecer dos painéis mentais e dos sentimen­tos morais de quem lhes deu guarida insensatamente". Referiu, então, que o ódio, em particular, açoda os instintos e faz daquele que o hospeda um tresvariado, que, despertando para as novas realidades da vida post-mor­tem, que não deseja, investe contra quem detesta, convertendo-se em ver­dadeira sombra imantada à sua vítima. "Esse inditoso conúbio -- asseve­rou a expositora -- não ocorre, apenas, durante uma existência. E' mais nefasto quando procede dos ódios pretéritos, em que o litigante infeliz, que se supõe prejudicado, esclarece-se quanto aos recursos que pode mo­vimentar no estado em que se encontra, articulando planos cavilosos, programando perseguições implacáveis, detendo-se à espreita de brechas morais, incansável e insensível ate lograr o tentame que prefere..." A médium, visivelmente inspirada pela Entidade desencarnada, relanceou seu olhar pelo recinto e advertiu: "Ninguém se equivoque, porém. O ódio ter­mina sempre por calcinar aquele que o gera e conserva, qual o escorpião que sucumbe em face do veneno que carrega consigo e um dia o aplica em si mesmo... A sanha dos inimigos desencarnados somente se aplaca ao preço da renúncia e da auto-iluminação dos que transitam no corpo". Em seguida, ela falou sobre os constrangimentos decorrentes do ódio entre desencarnados, que se atiram, tresloucados, uns contra os outros, adver­tindo que o espírita não está  isento de tais inimigos, pelos quais deve envidar esforços espirituais, a fim de os dulcificar e aplacar-lhes a ira, mediante exemplos de renovação e humildade, elevação pelo trabalho nobre e aprendizagem das técnicas iluminativas e salutares, bem como de estudos e conversações edificantes, que podem induzir os que os odeiam a mudar de comportamento, realizando a edificação própria. (Cap. 15, págs. 138 a 140)
18. O amor é o único antídoto a qualquer mal - A expositora lembrou tam­bém que a oração e a prática da caridade criam uma psicosfera favorável que favorece a própria criatura e atua nos seus sicários como clima re­fazente de terapia eficaz. "Não são poucos os invejosos, os ciumentos e os perversos -- acentuou a Entidade -- que, em estado espiritual, se comprazem em destilar sua peçonha enfermiça nos homens honestos, aos quais combatem por motivos óbvios, desejando comprazer-se ante os sofri­mentos que lhes impõem..." "Interpenetram-se e se comunicam os dois mun­dos -- do espírito e da matéria, e seus membros, homens e Espíritos -- mais do que se pensa ou se supõe." Os espíritas defrontam, pois, além do próprio passado donde provêm, os Espíritos ociosos e perturbados que os anatematizam, porque, em considerando os propósitos elevados a que se dedicam, consideram-nos erroneamente como inimigos, por lhes obstarem a sanha perseguidora e a insensatez. A palestrante então arrematou: "Por essa razão, o amor é o único eficiente antídoto a qualquer mal. Sinteti­zando no amor todos os deveres e aspirações que nos devemos impor, foi imperativo Jesus, na sua inapelável sabedoria: Amai os vossos inimigos. Da mesma forma como a morte do desafeto não lava a honra do ofendido, um inimigo desencarnado é muitas vezes pior do que encarnado. Pacificar-se com os inimigos, enquanto se está  no caminho com eles, é medida de ur­gência. Ideal, portanto, não ter inimigos, não estar contra ninguém, não se rebelar... Se alguém não nos quer bem, o problema é dele; porém, se damos motivo para que tal ocorra, já  é nosso o problema. Pacificados em Cristo, apaziguemos com a nossa atitude caridosa, que transforma todo ódio em amor, tenhamos esperança e alegria de viver". Concluída a mensa­gem, aragem balsâmica adentrou-se pelo recinto. Sem ruído ou contração de qualquer natureza, a jovem Epifânia sentou-se, apoiou a mão direita à cabeça e recompôs-se, retornando à normalidade objetiva. Em seguida, iniciou-se a terapêutica dos passes. A reunião ali se encerrava, na sua primeira parte e Artêmis e Gilberto transferiram-se, juntamente com Cân­dido, para outra sala, onde algumas pessoas já  se postavam em seus luga­res. (Cap. 15, págs. 140 a 142)
19. Adelaide comunica-se - Na câmara, Cândido apresentou os Ferguson à médium Epifânia, que osculou a destra de Artêmis e saudou cortesmente Gilberto. Em seguida, pediu-lhes que se sentassem, conservando-se em atitude de prece. Aplicou-lhes então passes individuais, após o que fa­lou com naturalidade: "Os senhores estão muito bem acompanhados, espiri­tualmente, o que traduz o equilíbrio íntimo que se reservam. Vejo entre ambos, em atitude maternal, veneranda Entidade que me diz chamar-se Ade­laide... Nepomuceno Vieira, afirmando ser a genitora e a avó, respecti­vamente, da senhora e do jovem". Artêmis e Gilberto não dominaram a emo­ção, e o rapaz debulhou-se em lágrimas convulsas. A médium, transmitindo as palavras da Benfeitora desencarnada, mediante aguçada audiência, disse-lhe: "Chore, filho! Necessário romper os diques da mágoa para que as águas generosas e refrescantes da esperança possam acalmar o coração. Muito solitária tem sido sua jornada. No entanto, fite o amanhã e avance, encorajado, no rumo do porvir. Mantenha os espinhos do pretérito cravados no coração, tentando adubá-los com o sacrifício, e eles flores­cerão, abençoados. O sofrimento, a soledade não são penas impostas pela Divindade; antes constituem corrigenda salvadora, com que a criatura se arma para cometimentos elevados. Quem não é capaz de superar pequenos óbices de sombra, não merece contemplar os horizontes infinitos da be­leza. Jesus lhe ofertou por agora a colheita de frutos azedos, em decor­rência da má  sementeira do seu pomar de realizações. Todavia, faculta-lhe novo ensejo de produção. Use a lucidez e plante a messe da paz com que enriquecer  os companheiros de lutas, adquirindo preciosos valores para entesourar no espírito. Os seus dias apenas começam. Não recue, a relacionar insucessos. Avance a produzir oportunidades, abençoando sua atual existência com a alegria de sofrer e servir. Estão-lhe reservadas realizações profícuas. Prepare-se e ame, sirva ao bem, indistintamente, e aguarde. A hora máxima da noite é, também, o prelúdio do instante pri­meiro do dia. Siga o rumo da madrugada". (Cap. 16, págs. 143 e 144)
20. O calvário é a véspera da felicidade - Com as palavras da Entidade, ditas através de Epifânia, Gilberto readquiriu o controle da emoção. A médium voltou-se então para Artêmis, de quem tomou as mãos frias entre as suas, em atitude de acolhimento e ternura. A Sra. Ferguson recordou que esse era um hábito de sua mãe, sempre que aconselhava os filhos. "Pede-me a nossa bondosa Adelaide -- disse a médium -- para dizer-lhe que toda cruz é símbolo de libertação. As duas traves que se conjugam hoje para o sacrifício convertem-se, depois, em asas para a ascensão vi­toriosa". Seguiu-se então uma mensagem confortadora em que Adelaide re­petiu o que já  dissera à sua filha no encontro espiritual, em momento de sono do corpo físico. Elas estavam juntas; na esfera dos sonhos encon­travam-se regularmente; Lisandra e Gilberto se redimem. "O calvário é uma estação que precede à ressurreição em triunfo, à comunhão em júbilo entre os amigos e à ascensão em glória para todos nós", asseverou a ve­nerável Entidade. "Não tenhamos pressa para que passe o cálice, antes nos encorajemos para sorvê-lo trago a trago, gota a gota, até secar-lhe o conteúdo e fel e vinagre." Em seguida, Adelaide referiu-se de modo afetuoso à Doutrina Espírita: "O Espiritismo é a prova cabal do amor de Nosso Pai pelos homens em agonia, vencidos, ainda, pelo egoísmo. E' a simbólica Escada de Jacó para quem deseja abandonar os peraus pantanosos dos erros e erguer-se aos céus da felicidade, sequer sonhada". (N.R.: perau ‚ caminho-falso, barranco, declive  áspero junto à costa de um rio.) E, por fim, estimulou a filha a perseverar na paciência e na fé, agradecendo a Deus o quinhão de bênçãos que, na forma de aparente infor­túnio, constituíam a porta de acesso de todos à paz. Artêmis e Gilberto tornaram ao lar, com as almas luarizadas e em paz. Nada comentaram no percurso, nem poderiam fazê-lo. Só os profundos silêncios falam as gran­des, as intraduzíveis gratidões. (Cap. 16, págs. 145 e 146)
21. A iniciação de Epifânia - O mediunato de Epifânia transcorria em clima de bênçãos, após sucessivos embates. De formação católica a prin­cípio, sofreu por muitos anos, procurando explicação para os fenômenos mediúnicos de que era objeto e que a afetaram muito com a sua carga de aflições. Crente na interferência diabólica, supunha serem demônios maus os Espíritos que lhe apareciam, embora a negativa destes... Assustada pelo sacerdote quanto às armadilhas satânicas de que se devem livrar as almas, por meio de penitências, jejuns e orações, mais se lhe aumentavam as percepções sob a rigorosa dieta espiritual. Com a adolescência, de­frontando antigos adversários, sofreu tormentosas e complexas investidas dos malfeitores desencarnados e por diversas vezes planejou auto-aniqui­lar-se, fugindo assim aos constrangimentos e às dores. Tornou-se então arredia, embora amável, silenciosa e triste. Registrava, nessa época, a presença de venerável religiosa desencarnada, que a sustentava com dire­trizes e conselhos sábios e, com sacrifícios e renúncias, acabou supe­rando as dificuldades de entendimento espiritual, passando a confiar na aristocrática Benfeitora. Ao completar catorze anos, desencarnou-lhe uma irmã, vitimada por soez obsessão, que culminou em espetaculoso e infeliz suicídio. O choque desarticulou-a, levando-a ao leito. Foi então que um amigo da família fez com que a jovem recorresse ao Espiritismo, ini­ciando-se assim o exercício e o desdobramento correto de suas faculdades mediúnicas. Conseguiu libertar-se das perseguições dos inimigos desen­carnados, adquirindo com grande esforço o necessário equilíbrio dos sen­timentos e da razão, mas as dificuldades não pararam aí; antes aumenta­ram. Calúnias lhe rondavam os passos; censuras por conservar-se sol­teira, "correndo perigos desnecessários", eram-lhe freqüentes, e mais de um cavalheiro pretendeu-lhe a mão para o matrimônio. "A mulher somente se realiza quando se consorcia e se torna mãe", diziam-lhes os familia­res e os confrades impertinentes, mas Epifânia se escusava, fazendo-se desentendida e prosseguia, inalterável, a sua tarefa. (Cap. 16, págs. 147 e 148)
22. Uma médium exemplar - Na verdade, seus companheiros ignoravam seu calvário íntimo. Epifânia sabia que sua tarefa era ajudar, socorrer através da maternidade do espírito, sem amarras que lhe dificultassem o avanço, sem outros deveres que a impedissem de desincumbir-se do minis­tério espiritual. Ela sentia-se só, e desejava encontrar um afeto, mas fora informada por seus abnegados mentores de que esse afeto ainda se encontrava no Além, aguardando-a... Esforçava-se, assim, por superar a tristeza, quando esta lhe tentava tisnar a alegria; vencer a perturba­ção, quando se via acicatada pela vigília dos Espíritos malévolos; re­sistir ao desânimo, quando sitiada pelo cansaço; afastar a antipatia, ante os maledicentes e censuradores, os pusilânimes e exploradores da mediunidade... A caridade era sua ginástica preferida, a fim de manter as formas do espírito em ritmo de amor, no pensamento e na vontade. Nin­guém lhe compartia as horas de soledade, nem ela apresentava qualquer reclamação ou tristeza. Complôs foram organizados reiteradas vezes, a fim de a levarem ao desânimo. Epifânia, contudo, orando e arrimada aos seus abnegados Amigos Espirituais, a tudo resistia, chorando às vezes intimamente, mas permanecendo no posto do seu dever. Granjeara, por­tanto, por todos os títulos de serviço e à humildade no desempenho dos deveres no lar, no trabalho, na vida pública e no santuário espírita, a afeição dos Irmãos Maiores da Espiritualidade, seus Tutores e Guias, que a defendiam das ciladas do mal e a socorriam sempre. Epifânia tornou-se, assim, um exemplo digno de ser imitado, verdadeira cristã e legítima es­pírita, que muitos médiuns admiravam, enquanto outros invejavam, em conseqüência da invigilância a que se permitiam. São os que desejam recur­sos expressivos no campo espiritual, não, porém, as condecorações da dor e da soledade, os testes de renúncia e sacrifício incessantes, esqueci­dos de que a mediunidade não é uma graça injustificável, que nenhum es­forço exige dos que pretendam preservá-la. Epifânia firmou-se, pois, no conceito da Espiritualidade graças aos serviços executados e à fideli­dade com que deles se desincumbia, humilde e irreprochável, merecendo incondicional ajuda dos seus Mentores em prol das tarefas em curso. (Cap. 16, págs. 149 a 151)
4a. REUNIÃO
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