Grupo de estudo das obras de andré luiz e




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títuloGrupo de estudo das obras de andré luiz e
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fecha de publicación09.03.2016
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Uma tela reproduz as cenas da tragédia - No momento em que Annette mencionou o nome do cavalariço Rondelet, Gilberto, semilúcido, pôs-se a balbuciar: "Rondelet? Sim, eu sou Jean-Marie de Rondelet..." Natércio aproximou-se e, procurando tranqüilizar o jovem, recomendou: "Mantenha-se calmo... Pense em Jesus e confie com tranqüilidade". Artêmis e Herme­linda, que a tudo assistiam, estavam amarguradas. O mentor espiritual, então, socorreu-as, esclare­cendo que muitas vezes é necessário punçar o abscesso, fazê-lo drenar, ceifar as carnes apodrecidas, para auxiliar na cicatrização. "Confiemos. Tudo está  sob controle e interferiremos no mo­mento próprio...", recomen­dou o dirigente. Annette continuou a dizer ao ex-esposo que ninguém notara a falta do cavalariço, sendo atribuída sua morte à embriaguez... No caso de Ermínio, o jovem espanhol, foi dife­rente. "Ora, seria a minha pela vida dele. Tu não me perdoarias" -- disse ela a Georges, o senhor de Dax --, "e eu não suportaria a chacota dos servos e do povo, àquela altura da minha vida. Se ao menos eu fora jovem!... Demais, eu já  me cansava das tuas carícias e exploração..." Ermínio confirmou tudo o que ela disse, acrescentando que sempre que o esposo saía ela o chamava à sua alcova. A princípio, ele pensou apenas nas vantagens, depois quase a amou... Georges perguntou-lhe então por que, quando eles foram surpreendidos juntos, ele não fugiu, e Ermínio confessou que con­tava com a ajuda dela, que não lhe veio, motivo pelo qual agora a odiava sem remissão. Seguiu-se um grande silêncio. Os liti­gantes, exauridos e surpresos entre si com as revelações, refaziam-se para prosseguir a pe­leja. Natércio aproveitou então a pausa e, bem calmo, propôs-lhes: "Repassemos os acontecimentos daquela noite, em or­dem, sem interrupções. Recordem". Uma tela transparente, de substância evanescente, em estado de condensação, adrede colocada em lugar de des­taque, recebendo o in­fluxo mental dos interessados na tragédia em foco, passou a registrar as cenas. Via-se uma ampla alcova, alcatifada, onde estavam Annette e Ermí­nio. Alguém bate à porta e eles se assustam. O ra­paz se esconde dentro de um imenso armário de roupas, ao fundo da recâ­mara. Quando ela abre a porta, Georges pergunta-lhe, com mau humor, por que a demora, e se di­rige ao roupeiro para guardar a valise que carre­gava. Com o semblante lívido, Annette se interpõe entre o esposo e o mó­vel, pedindo, com difi­culdade: "Dá-me a maleta... Eu a guardarei..." O marido estranha o com­portamento da esposa: "Por que não posso eu mesmo guardar os meus obje­tos? Qual a razão deste súbito zelo por mim?" (Cap. 22, págs. 213 e 214)
10. Ermínio foi emparedado vivo - Annette permaneceu calada, mas, quando Georges se dispôs a abrir o roupeiro, ela, tendo os olhos quase fora das órbitas, advertiu-o: "Não prossigas. Se o fizeres te arrependerás". As cenas na tela eram vivas e traduziam em cores expressivas as emoções das persona­gens. O esposo então recuou e, tentando acalmar-se, perguntou-lhe por que não podia ele mesmo abrir o móvel. Annette disse que é porque ela não queria. "Muito bem, atenderei. Há  alguém dentro do roupeiro?", indagou Georges, já  desconfiado de toda aquela encenação. A mulher disse-lhe que não, jurando por Deus e pela santa Bíblia. "Acredito", afirmou Georges, e, numa atitude fria, fatal, chamou pela camareira, or­denando-lhe que trouxesse os pe­dreiros do castelo, naquele momento. Quando os homens chegaram, ele deter­minou fosse erguida uma parede ali mesmo, à frente do roupeiro. "Comecem já . Eu espero aqui mesmo", ordenou Georges. E assim se fez. Enquanto a noite avançava, foi erguida a pa­rede-túmulo até o teto, ante o olhar es­gazeado de Annette, emudecida, sentada ao lado do esposo. Ao amanhecer, quando o trabalho funesto es­tava concluído, ele disse à serva: "Durante os próximos dias, eu e minha esposa não sairemos deste quarto, fazendo as refeições aqui mesmo. Esta­mos ambos indispostos..." Annette gritou, blasfemou, descontrolou-se, enquanto Georges lhe dizia: "Não vejo razão para deses­pero, querida. Eu já  detestava o móvel. Compraremos outro e o substitui­remos..." As cenas, nesse ponto, esmaeceram, diluíram-se, ouvindo-se en­tão o desabafo de Er­mínio, que mostrava estar clara ali a sua inocência, enquanto Annette acompanhara sua morte sem uma palavra. "Como não a amaldiçoarei para sempre?! Esta é minha hora de vingança..." Natércio interrompeu-o: "Enganas-te, irmão e amigo", e contou-lhe que, embora seus pensamentos não fossem retratados na tela, pôde acompanhar suas lembranças, nas quais viu que ele receava por um crime que praticara em Roncesvalles, quando matara uma donzela de sua aldeia, que lhe recusou licenciosi­dade... Essa fora a razão de sua ida para Dax. Natércio acrescentou: "Posso acompanhar-te a fuga pelos Pireneus, atravessando o desfiladeiro de Puerto Ibaneta, tentando vencer os escassos oito quilômetros que te facultavam entrar em terras de França... Que fizeste da tua vítima, para atrever-te a falar em inocência, propondo-te justiça com as próprias mãos?" Ermínio, em pranto, suplicou: "Não me recordeis essa loucura. A recordação dela me infelicitou por algum tempo, depois..." (Cap. 22, págs. 215 e 216)
11. Ermínio se afasta de Lisandra - Ermínio não completou a frase, que Natércio concluiu, dizendo: "Depois te impuseste a vilania de justi­ceiro. Com que direito, se através da­quela circunstância foste o justi­çado? Houvesses perdoado de pronto e outra seria a tua situação. Os teus algozes não estão impunes e não fi­carão esquecidos. À tua semelhança, expungirão lentamente, sorvendo toda a amargura que a ti e a outros im­puseram, irresponsáveis. Entrega-os a Deus e a Deus te entrega, também. Ajudar-te-emos a sair da situação em que te encontras e na qual sofres sem consolo". "Aproveita a dádiva da oportunidade feliz ou se dobrarão os séculos de desdita sobre as tuas desgraças atuais, cada vez mais di­laceradoras, até que sejas recambiado à reencarnação compulsória. Não dilates a pró­pria dor." Ermínio interrogou, então: "E os outros... as outras vítimas? quem as vingará ?" O Instrutor respondeu: "A consciência dos culpados. Além disso, o problema não é teu". Ermínio pediu ajuda e socorro, porque sofria num inferno que não cessava. Natércio, paternal­mente, o confortou: "Dorme, filho de Deus, dorme, meu irmão, dorme..." Lisandra e Rafael, ainda com a aparência ideoplástica de Annette e Geor­ges, não conseguiram entender as instruções dadas pelo Mentor a Ermínio Lopez e, quando Natércio deles se aproximou, tiveram medo: "Deixai-nos! Sois o Anjo Celeste no dia do Juízo Final?" "De maneira alguma!", res­pondeu-lhe o Instrutor. "Sou vosso irmão de lutas e provas, tentando a ascensão com Jesus-Cristo." E propôs-lhes: "Temei o erro e fugi das paixões perniciosas, não da consciência do bem. Dia novo começará  para vós am­bos. Muita urze, ainda, pelo caminho a recolher, porém luzem as oportu­nidades de ascensão, convidativas, adiante, esperando, chamando por vós. Agora, repousai e esquecei o que aqui se passou". Ato contínuo, aplicou-lhes energias anestesiantes, lentamente, enquanto os dois Espí­ritos, consórcios no matrimônio, no crime e na redenção, adormeceram. Adelaide acolheu a neta. Cândido e Genésio toma­ram Rafael. Em seguida, Natércio e Dr. Armando Passos acercaram-se de Lisandra, já na sua forma atual. Apontando o encéfalo da enferma, o Men­tor explicou: "Apesar de havermos separado Ermínio, que rumará  noutra trilha, a partir deste mo­mento passaremos a remover os fulcros da obses­são, imantados ao perispí­rito de Lisandra. Considerando-se, porém, as próprias fixações advindas do inconsciente, em razão dos débitos que ocultou, a psicose maníaco-de­pressiva exigirá  tratamento especializado, em Casa de Saúde própria. Além do mais, é imperioso termos em vista que a constante, demorada in­dução hipnótica exercida por Ermínio contra ela, a intoxicação produzida pelos seus fluidos deletérios, a quase simbiose psíquica, perturbaram o equilíbrio da delicada tecelagem mental". Em face disso, o internamento para o tratamento próprio fazia-se inadiável, acrescentou o Instrutor, e Dr. Armando, que não ocultava o júbilo, concordou plenamente. (Cap. 22, págs. 217 a 219)
12. O porquê da vampirização espiritual - Logo após os socorros minis­trados a Ermínio Lopez, foram to­madas providências especiais para auxi­liar Lisandra no pro­cesso depurador. Devido aos seus atos levianos do passado, não era Ermí­nio o único comensal junto à sua organização fi­siopsíquica. Tendo os centros da emotividade seriamente desconectados e os registros da memó­ria inconsciente em desgoverno, ela se entregava fácil ao comando direto dos adversários desencarnados que a exploravam. A vampirização espiri­tual se desenvolvia, pois, dominadora, minando as de­fesas mentais e or­gânicas da enferma, numa problemática destrutiva, com que suas vítimas do pretérito se vingavam dos padecimentos sofridos. Ocorre que, obsi­diando Lisandra, as Entidades passavam a depender dos seus fluidos, que lhes eram tonificadores, a fim de prosseguirem fruindo as sensações do tônus físico... Como se lhe diminuíssem as resistências, o grupo infeliz responsável pela parasitose espiritual passara a lutar entre si, a dis­putar, na simbiose obsessiva, as fracas e escassas reser­vas de energias da paciente desequilibrada. Inicialmente, eles se manco­munaram para a agressão em que se empenhavam. Depois, vendo a predomi­nância de Ermínio, passaram à disputa entre si, rancorosos e prepoten­tes, estabelecendo no campo mental da jovem verdadeiro sítio de malsi­nada batalha. Nos proces­sos obsessivos graves, os perturbadores absorvem alimento com que sus­tentam as débeis forças em desalinho. Assim, a ví­tima se lhes transforma também em fonte de vitalidade, de que não se conseguem apartar com faci­lidade. Não podemos, pois, olvidar, no trata­mento da obsessão, as ne­cessidades em que se debatem os obsessores. En­tidades enfermas são nos­sos irmãos da retaguarda ascensional, que aguar­dam o socorro da nossa benevolência e a elucidação evangélica, para re­fazerem-se interiormente, mudando os centros de interesse pessoal para outras direções. Afastá-los, pura e simplesmente, sem os orientar e so­correr cristãmente, redun­daria em fracasso da empresa, de vez que a luz da caridade e o pão do amor são para todos, encarnados ou não. Outros­sim, não se pode esquecer que o verdugo frio e calculista assim se en­contra por causa da pusilani­midade ou imprevidência de sua atual presa... (Cap. 23, págs. 221 e 222)
13. Importante iluminar o Espírito que obsidia - Na desobsessão, como em tudo na vida, amor e caridade são como cimentos divinos para o alicerça­mento das bases, na edificação mo­ral e espiritual que se tenha em vista. A obsessão, mesmo na sua feição mais simples, revela uma anterioridade causal e possui raízes que não podem ser erradicadas com facilidade, sem que se reportem os esforços às suas matrizes legítimas. A terapia desob­sessiva sempre assume vulto e exige responsabilidades, impondo regras indispensáveis para o êxito. Na­turalmente, mediante a evangelização do paciente -- fator preponderante para qualquer empreendimento socorrista --, a oração conjunta e o minis­tério fluidoterápico pelo passe podem-se conseguir resultados opimos. Mas, muitas vezes, isso não basta. Sem o labor iluminativo do parasito espiritual, removem-se apenas os efeitos, porque a Entidade, ligada por sutis processos de sintonia psíquica, re­sultantes da afinidade de hábi­tos, das vibrações viciosas, dos costumes transatos, sempre retorna, atraída poderosamente pelo vórtice psíquico a que se imanta, no imposi­tivo da regularização dos débitos. Nesse sen­tido, a mudança de fixação mental da vítima, ora transformada em algoz, esquecendo e perdoando a ofensa, libera-a do propósito nefando, embora o devedor somente se exima ao sofrimento quando cresça em valores morais, nas conquistas íntimas pelo bem desenvolvido ou pela dor bem supor­tada... Deve-se lembrar ainda que, nos processos obsessivos, Entidades irresponsáveis, alheias ao ob­sidiado, são atraídas pela turbulência da alienação que os desperta, passando a engrossar o número dos perturbado­res. Iniciados os labores socorristas, estes são logo afastados. Manoel Philomeno, observando, a convite de Natércio, as zonas cerebrais de Li­sandra, notou que o dese­quilíbrio obsessivo não havia alcançado o está­gio da subjugação, porque o algoz preferia acompanhar-lhe o depereci­mento, mediante o conhecimento da própria desdita com que a anatemati­zava por meio dos conflitos inter­nos. Os vários centros do cérebro re­sistiram à insidiosa agressão fluí­dica, mas apresentavam alguns desequi­líbrios como conseqüência natural da pertinácia do pensamento obsidente. O "centro de Broca" parecia inva­dido por uma aluvião larval que, em de­corrência, impedia que a jovem se exteriorizasse com a facilidade natu­ral, impelindo-a ao mutismo prolon­gado em que se refugiava. (Cap. 23, págs. 223 e 224)
14. Uma rede especial envolve a casa - Natércio tivera o cuidado de transferir da Casa Espírita imenso véu, de tecedura especial, com subs­tância elaborada no plano es­piritual, que foi distendido sobre a casa dos Ferguson como verdadeira cobertura sutil, cuja finalidade era impe­dir que retornassem os ociosos desencarnados, em necessidades dolorosas, agravando assim o estado da enferma. Dois enfermeiros especiais foram colocados a serviço da defesa do lar, a fim de afastarem as mentes per­niciosas que vivem à cata de identificação com os encarnados que lhes são afins. Embora naquele lar o culto da oração, os pensamentos e atos salutares engendrassem uma cober­tura vibratória natural, impedindo a in­vasão por hordas de salteadores espirituais, o processo obsessivo, não raro, violentava as defesas, em face da anarquia mental que Lisandra se permitia. A rede protetora tinha a finalidade de produzir emissões de teor elétrico desagradável, seme­lhantes a choques, nos que tentassem rompê-la, atraídos pela desordem psíquica da paciente. Facilmente iden­tificável em razão de suas caracte­rísticas, a rede já  era conhecida de muitos desses Espíritos, que, rece­osos, a evitavam. Quando os protetores espirituais se fizeram visíveis aos comensais da perturbação, muitos destes reagiram com insultos e di­tos mordazes, enquanto outros enfrenta­ram os missionários do bem, sendo preciso afastá-los por meio de apare­lhos especiais, que foram levados e instalados na recâmara de Lisandra. Somente dois outros inimigos de Li­sandra passaram a merecer tratamento especial, por mais de uma semana, sendo convenientemente esclarecidos quanto ao erro em que perseveravam, pernicioso para eles mesmos. Essa tarefa, que se alongou por quase dez dias, contou com a cooperação de mais de vinte seareiros espirituais, bem como da eficiente contribuição dos familiares, que, informados do que ocorria, redobraram a vigilância, mantendo-se, quanto possível, em realizações elevadas pela oração, pelo pensamento e pelos atos cristãos. (Cap. 23, págs. 225 e 226)
15. Desobsessão exige um imenso labor de todos - Em noites sucessivas, durante o parcial desdobramento pelo sono, os companheiros da equipe me­diúnica foram conduzidos ao prossegui­mento do socorro, no qual partici­pava Rafael, atendido igualmente por mecanismo equivalente, em que Ade­laide desempenhava tarefa importante. A aquisição de um problema é muito simples, mas sua solução sempre exige complexo mecanismo, mesmo quando resulta de fácil aparência. Não é por outra razão que as advertências evangélicas "livra-nos do mal", "resistir à tentação" merecem-nos regime de urgente reflexão... Ninguém se pode considerar vitorioso, enquanto não conclua a tarefa iniciada. Numa jornada, há  sempre o perigo de não se conseguir vencer os últimos metros... Assim, nos processos obsessivos não se pode improvisar, espe­rar o milagre, iludir-se. Quando ocorre a melhora do enfermo, na esfera física, um imenso labor foi executado no plano espiritual. Lentamente, o perispírito de Lisandra, com seus cen­tros de ação reestimulados, passou a exigir do espírito maior soma de atividades no corpo carnal. A luta, contudo, não estava concluída. As dívidas do passado exigiam-lhe novas renúncias e martírios com que se libertaria dos gravames passados, caso aproveitasse as lições... Dora­vante, Natércio iria utilizar a persuasão de Epifânia e seus fluidos car­regados de emanações físicas para revitalizar a jovem enferma. Gil­berto, envolvido na trama de seus familiares, passou a receber assistên­cia espiritual mais direta, em ra­zão de suas responsabilidades futuras, bem como por causa do esforço ho­nesto que fazia por acertar, desde que conhecera o Espiritismo. A suave e doce presença de Tamíris acalmava-o, e ele era estimulado a insistir no bem e a encarar pai e irmã à luz da reencarnação, auxiliando-se a si mesmo. Sabe-se que na terapia desobses­siva a contribuição dos encarnados é sempre valiosa, porque, investidos das responsabilidades cristãs e sinceramente interessados no auxílio fraternal, emitem eles raios men­tais de teor específico que os Espíritos utilizam para atingir os resul­tados superiores. Cada mente é um dínamo gerador de energias, cuja in­tensidade e procedência canalizam forças po­derosas, conforme a direção que se lhes dá . Portadora de energias ainda desconhecidas até para os desencarnados, a onda mental agrega como de­sarticula as moléculas que compõem a matéria em suas múltiplas e com­plexas expressões. Na energia pura está  a base de todas as coisas. A mente, por sua vez, constituída por energia especial, emitindo raios e ondas continuamente, quando diri­gida com objetivos próprios, sincroniza com as vibrações que constituem o mecanismo geral, podendo alterar-lhe o conteúdo e o potencial dinâ­mico. (Cap. 23, págs. 226 a 228)
16. O papel do doutrinador e do passista - O médium doutrinador, em face disso, é precioso colaborador nas tarefas desobsessivas, graças à sua perfeita identificação com o programa de libertação, por emitir e exte­riorizar as vibrações especiais que são próprias à vida física, atuando como recurso ideoplástico ex­pressivo, bem assim funcionando na qualidade de força energética mais carregada de potencial humano resultante da filtragem pelo corpo físico. No conjunto dos cooperadores encarnados, o médium passista, disciplinado e vigilante, pode ser comparado a um inter­ruptor que aciona a passagem de forças, através das suas próprias potencialidades, funcionando entre os desencarnados e os portadores de quaisquer distúrbios. Ao filtrar as energias procedentes do plano espi­ritual, ele as transmite carregadas das forças pessoais, mais facilmente assimiláveis pelos necessitados, em função do estágio na conjuntura fi­siológica. Verdadeiro transreceptor, é-lhe indispensável gerar energias puras, salutares, de que os Espíritos se utilizam para os complexos mis­teres de restauração de perispíritos enfermos e organizações somáticas lesadas. E' que, por mais alto poten­cial curador disponha o homem, se este não se vincula aos labores da santificação e não se engrandece in­teriormente, mediante a vivência do Cristianismo em sua pureza, torna-se detentor de graves recursos destru­tivos, que são utilizados por mentes infelizes e impiedosas com as quais sintoniza por processos especiais de identificação de propósitos, de in­consciência e irresponsabilidade, que passam a comandá-lo em dominação perniciosa. Cada criatura emite as vi­brações que lhe são próprias, ca­bendo-lhe o dever inadiável de aprimorar tais energias, colocando-se a serviço do bem operante. Para isso, são indispensáveis o conhecimento e a vivência do Evangelho de Jesus em toda a sua eloquência. (Cap. 23, págs. 228 a 230)
17. Rafael cria o "Grupo do Otimismo" - Sem a constrição obsidente de Jules, Rafael experimentou significativas melhoras. Sua mente atribu­lada, submetida agora às re­flexões espirituais, passou a reagir com mais ampla lucidez. Ele passava horas lendo e anotando n'alma a Revelação Es­pírita, e sua fé revelou-se de forma eficiente, com a dignificação dos sentimentos. Embora as ampu­tações não lhe permitissem a realização de serviços, ele compreendia que a laborterapia não apenas lhe renovava as disposições íntimas, mas lhe facultava ser útil à comunidade onde vivia. Assim, com esforço, cul­tivando as idéias positivas, impôs-se algum tempo diário a visitar os mais infelizes e oferecer-se ao Diretor para coope­rar em qualquer mister junto aos companheiros. Sua nova conduta não per­maneceu despercebida, especialmente quando começou a movimentar-se para criar o que denominou "Grupo do Otimismo", que objetivava ser um tipo de Clube Social dife­rente, dedicado à recreação mental e aos estímulos mo­rais, iniciando-se a criação, também, de uma Biblioteca. A idéia recebeu ótimo acolhimento dos administradores da Colônia, que se movimentaram em apoio da realiza­ção. Pouco a pouco a saúde física foi-lhe voltando, o que era saudado auspiciosamente por Cândido, pelos familiares e por seu médico. No lar, o estado de Lisandra apresentava contradições perturba­doras. De início, re­solveu não freqüentar a Casa Espírita. Depois, aquinhoada pelos passes ministrados por Cândido e, às vezes, por Epifâ­nia, ela já  não padecia das violentas crises epilépticas. O afastamento de Ermínio Lopes e dos outros obsessores redundou em significativa me­lhora. Se isso não ocor­resse, a jovem ficaria exaurida antes do tempo natural previsto para a sua desencarnação. A menina louçã perdera a be­leza da infância e chegou à idade adulta marcada pelos desaires ínti­mos... Insculpiam-se-lhe na face, no corpo, os atos pretéritos, que a afeavam, dificultando-lhe uma exteriorização psíquica que cativasse pela simpatia. Embora não mais re­agisse contra Cândido e sentisse com a pre­sença de Epifânia um inefável bem-estar, Lisandra tinha ainda a mente desarmonizada em si mesma, deno­tando a presença de distúrbios ameaçado­res. Os estados primitivos de agressividade ou descontrole não mais se repetiram, mas a psicose, que se agravava, impedindo-a de conviver com os outros, fazia-a refugiar-se em sombras, ou verter copioso e contínuo pranto. (Cap. 24, págs. 231 a 233)
18. Decidida a internação de Lisandra - Nada retirava a jovem desses estados depressivos, e o médico, receando a perda total da razão, acon­selhou seu internamento. Convidada por Epifânia a participar, ao menos uma vez por semana, dos trabalhos doutrinários, a jovem aquiesceu. As palestras melhoraram seu mundo íntimo, em­bora tivesse dificuldade em re­ter o conteúdo e meditá-lo. A vontade sub­metida por longo tempo, sem a autodisciplina desejável, não respondia como de esperar, fazendo-a re­troceder à posição primitiva. Ar­têmis notificou ao esposo as perspecti­vas sombrias que pesavam sobre a filha, que se curara da hanseníase, mas não tivera o mesmo sucesso no problema psíquico. Rafael reagiu conforme os padrões da fé augusta que o libertara das paixões belicosas. Sofria, mas confiava no futuro, entre­gando-se e recomendando os seus à Divin­dade. Sugeriu então à esposa que, antes de uma decisão sobre a filha, procurasse aconselhar-se com os Ami­gos Espirituais, consultando Epifâ­nia. Esta, logo que procurada por Ar­têmis, traduziu o pensamento do Men­tor Natércio, mediante audiência lú­cida: "Nosso Amigo indica o interna­mento de Lisandra como de resultado salutar, por cujo meio recuperar  o equilíbrio da razão. Naturalmente, isto não significar  uma liberação dos compromissos cármicos a que todos nos encontramos submetidos. Toda­via, a reconquista da saúde mental for­talecê-la-á  para outros embates com redobradas energias... Reconhece que isto lhes custará  a todos um imenso contributo de renúncia, porquanto ele próprio recomendaria o in­ternamento num Sanatório Espírita, onde re­ceberia o tratamento especia­lizado, a par de constante assistência espi­ritual. O futuro, que per­tence ao Senhor, dirá  do acerto da providência, acreditando, mesmo, que a medida não deve ser protelada". A genitora da jovem não pôde conter a dor. O afastamento da filha esfacelava-lhe a alma e valia por tormentoso exílio; mas ela não se rebelou, porque sabia que a medida resultaria em benefício de sua amada. "Não se aflija demasiadamente", disse Epifânia, traduzindo o pensamento de Natércio. "O amor nunca se aparta. A ausência da presença física será  compensada pela certeza da alegria e da renova­ção que a paciente fruir ." E o Instrutor informou que em breve Rafael voltaria ao lar, compensando com sua pre­sença a ausência da filha. No momento, seria conveniente que eles não compartissem o mesmo teto. Remi­niscências não definidas na mente da jo­vem poderiam conduzir a um impre­visível resultado. (Cap. 24, págs. 233 e 234)
19. Lisandra segue para um Hospital Espírita - Reconhecida, Artêmis agradeceu e rogou a ajuda de Natércio para o cometimento futuro, bem como a sua inspiração para o prossegui­mento do dever. Hermelinda, pre­sente à palestra, não escondia também sua pungente amargura ante o tes­temunho vigoroso, mas, como Artêmis, não se queixava, por compreender a necessidade da reparação imposta. Epifânia, na seqüência do encontro, perguntou a Artêmis, de forma delicada, quais eram as suas possibilida­des financeiras para a internação da filha. A senhora meditou um pouco e revelou que a família não dispunha de recur­sos para esse empreendimento, que, além de muito caro, seria de demorado curso, não lhe sendo possível também recorrer a seus irmãos, que no mo­mento lutavam com dificuldades no tratamento do pai. Epifânia ofereceu-se então para ajudar. Se ela concordasse, escreveria para conhecido Diretor de um Nosocômio Espírita, com quem mantinha laços de mútua estima e que, com certeza, solucionaria a dificuldade... Assim foi feito. Transcorrido algum tempo, veio a res­posta do Diretor do Hospital Espírita, que colo­cava à disposição da pa­ciente as possibilidades de sua Casa. Artêmis foi logo avisada, ini­ciando-se os preparativos da viagem. Gilberto acompanha­ria a irmã, se­guindo em aeronave, autorizados por Dr. Armando, que faci­litaria o transporte de Lisandra, aplicando-lhe um sedativo. Por essa época, Gil­berto tinha acusado expressiva melhora. A luz da fé ajudava-o a entender e apiedar-se da irmã sofredora, aproximando-o da mesma e fa­zendo que vencesse a mórbida indiferença, que por pouco não se transfor­mara em aversão. Ele podia contar também com o apoio da doce e meiga Ta­míris, fervorosa espiritista que amava a Doutrina e se dedicava à obra de socor­ro aos sofredores com acendrado carinho. (Cap. 24, págs. 235 a 237)
20. Lisandra é carinhosamente recebida - Tamíris e Gilberto acalentavam o mesmo ideal e aliaram-se para o serviço da caridade, mantendo os vín­culos do afeto que pretendiam selar, futuramente, com o matrimônio, ob­jetivando as tarefas espiritis­tas que almejavam manter e desdobrar. Gil­berto já  havia narrado à futura noiva os dramas de saúde no seu lar, evitando negar-lhe o testemunho da lealdade e da confiança, recebendo dela perfeita compreensão, em sólida argumentação e consolo vazados nos conceitos espíritas. Artêmis e Herme­linda receberam a jovem na condição de filha das suas almas, presente dos céus, como compensação às suas lu­tas e acerbas dores. Lisandra se­guiu viagem, na companhia de Gilberto. No local do destino, estava sendo aguardada pelo Diretor do Hospital e sua filha Lisabete, enfermeira di­plomada que se entregara a cuidar dos atormentados da razão. Espírita dedicada, Lisabete sentiu imensa afini­dade por Lisandra, que passou a receber desde aquele momento sua devo­tada e terna assistência. O carinho espontâneo e o interesse cristão de­monstrado pelos administradores da Casa, particularmente por Lisabete, cativaram Gilberto, que, após conhe­cer a Instituição e assistir a irmã nos primeiros dias, retornou, encan­tado, traduzindo à família tudo quanto observara e sentira. "Lisandra está no lar -- referiu-se jubiloso --, prosseguimento do nosso, mais eficazmente atendida. Receberá  passes, usará   água fluidificada e parti­cipará  das reuniões que ali se efetuam, destinadas aos pacientes que po­dem usufruir os resultados advindos da palavra iluminada e das lições do Evangelho". Todos ficaram muito con­tentes com as notícias confortadoras e Epifânia alegrou-se, com justas razões, porque não ignorava o poder da mensagem espírita, quando penetra os homens e os aciona no bem. (Cap. 24, págs. 237 e 238)
21. Annette e Rose se reencontram - Psiquicamente, Epifânia estava in­formada da excelência dos métodos aplicados naquele verdadeiro Templo da Saúde e do refazimento, tendo em vista as qualidades morais e espiri­tuais de seus administrado­res e trabalhadores abnegados, conduzidos pela necessidade de vivência da Doutrina, antes que levados pelos escusos in­teresses de auferir lucro pessoal ou de transformar a Entidade numa So­ciedade a mais, disputando recursos e açodada pelas ambições argentá­rias. Ali se pensava primeiro no paciente, nas suas necessidades impe­riosas, no socorro que poderia ser dispensado à sua família, para depois se examinarem as possibilida­des econômicas. E o argumento de que se pre­cisava de dinheiro para a ma­nutenção, como é lógico, e disso se fazem justificativas para negar-se a assistência gratuita ou, pelo menos, acessível a bolsas de poucos recur­sos, não tinha nenhuma expressão, por­que o Senhor a tudo previa, pro­vendo com os meios abundantes para a ma­nutenção do programa, a ampliação de obras e a conservação dos compro­missos e das construções... Ameni­zava-se, assim, a expiação da família Ferguson. Rafael, passados os cho­ques iniciais e informado de como a filha se encontrava, estrugiu em inesperada satisfação, reconhecido à interferência de Natércio, de Epi­fânia e do Dr. Armando, que pensara na providência, e principalmente à misericórdia divina que de ninguém es­quece e soluciona com sabedoria os mais complexos problemas, quando se sabe confiar, aguardar e obedecer... Três semanas depois após a sua in­ternação, chegaram as primeiras notí­cias de Lisandra: um delicado cartão colorido, de próprio punho, diri­gido à mãe e aos familiares, envolto em saudades e gratidões, pedindo que tranqüilizassem o pai... Uma carta de Lisabete, carinhosa, dava conta de toda a ocorrência e do interesse de seu pai quanto dela mesma, no sentido de se responsabilizarem pela pa­ciente. Que os Ferguson não se preocupassem com qualquer coisa, escu­dando-se confiantes nos augustos mananciais do socorro divino! "Lisandra é-nos alma querida que volta", anotou a missivista. De fato, Lisandra era de Lisabete alma conhecida e afetivamente bem recebida. Era Annette que voltava ao carinho de Rose, sua cama­reira fiel nos tempos da França, dela recebendo assistência, amizade e a ela retribuindo o res­peito e a confiança que lhe haviam sido ofertados. Ninguém se afeiçoa ou detesta a alguém sem que volva a reencontrá-lo adiante, na esteira do tempo, na estrada da vida. (Cap. 24, págs. 238 a 240)
22. Uma família transformada - Hermelinda e Artêmis, dispondo agora de mais tempo, passa­ram a atuar mais decididamente no ministério da cari­dade material, acor­rendo à Casa Espírita, às tardes, para o labor das costuras, da cocção e colaboração na sopa refazente que era servida aos mais necessitados... Com o passar do tempo, foram convocadas também ao ministério do socorro pelo passe, cooperando também, e principalmente, na prática da caridade moral. O "Francisco Xavier" mantinha um serviço de atendimento diurno, em que pessoas credenciadas permaneciam a postos para orientar os neces­sitados que buscavam apoio, diretriz e amparo na­quela Casa de Jesus. Equipes de passes, de esclarecimento, revezavam-se em horários adrede estabelecidos. Sempre havia, assim, alguém capacitado aos primeiros so­corros espirituais, anotando problemas e dificuldades que demandavam exames posteriores, quando, então, eram ouvidos os Dire­tores da Casa ou os Mentores Espirituais, conforme a natureza e proce­dência da necessi­dade dos casos. Artêmis e Hermelinda engajaram-se de corpo e alma no la­bor da solidariedade caridosa. Atendiam com pontuali­dade irrepreensível aos compromissos novos, espontaneamente buscados e aceitos. Não escolhiam tarefas, atendiam ao que surgisse, requisitando assistência. Sabiam dispensar a palavra de alento, o passe de renovação, a ação de socorro com ânimo robusto e fé edificante, que sensibilizavam os seus beneficiários. Na Colônia, o progresso de Rafael em nada deixava a desejar. Ele era um homem novo em Jesus, transformado em paciente mo­delo e auxiliar querido. Comprazia-se em lidar com os enfermos reniten­tes e revoltados, experiência que conhecia muito bem. O seu calor humano e a serenidade de que se revestia, quando agredido pelo pessimismo ou pela suspeita, ates­tavam os resultados positivos da evangelização reali­zada por Cândido... O Dr. Armando Passos nele encontrou precioso colabo­rador, verdadeiro agente do bom ânimo entre os desesperados, ali em trânsito. E o "Grupo do Otimismo" crescia, constituindo a conduta do Sr. Ferguson incontestável lição viva de bom humor e amizade espontânea, que se impunha esforço titânico para autodominar-se, acertar no bem e galgar os degraus da as­censão, em que o tempo lhe era o grande aliado, e a fé, estruturada na razão, a abençoada dinamizadora das suas forças. (Cap. 25, págs. 241 a 243)
6a. REUNIÃO
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