Grupo de estudo das obras de andré luiz e




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O êxito requer perseverança, continuidade, labor - Epifânia concen­trou-se e, pela psicofonia, Natércio se fez intermediário de todos, na oração refazente. Quando esta terminou, pairavam na psicosfera, saturada de harmoniosas vibrações de difícil definição, dúlcidos e blandiciosos eflúvios de reconforto e revigoramento espiritual. No silêncio que se seguiu, todos repassavam mentalmente as lutas travadas e a presença da ajuda celeste, a par dos resultados felizes, e sentiam que as dores su­portadas não eram preço demasiado ante tantos júbilos. Com a sabedoria que lhe é peculiar, o Instrutor asseverou: "Somos viandantes da infinita jornada dos séculos... Não nos encontramos juntos pela primeira vez. Nossos passos cruzaram-se anteriormente, redescobrindo uns as pegadas de outros na mesma senda... Até agora, bem pouco aproveitamos das con­cessões superiores do Senhor de nossas vidas. Postergamos a redenção, fascinados pela ilusão; cedemos à glória transitória a coroa da felici­dade permanente; preferimos a asfixia dos vales estreitos à atmosfera pura dos elevados montes; por tais razões, embora a ânsia de liberdade, debatemo-nos no presídio das limitações que mantivemos; sonhando com os céus transparentes e luminosos, vivemos em charneca sombria e pesada... Novamente chega até os nossos ouvidos a voz de Jesus chamando-nos, em doce entonação, ressumbrando oportuna advertência. A chancela da aflição nos assinala o cerne da alma, e o Seu bálsamo nos diminui a inclemente ardência, acalmando-nos. Pelo que mais aguardamos? Até quando Ele espe­rar  pelo nosso teimoso adiamento de adesão definitiva à verdade?" Após ligeira pausa, que todos aproveitaram para meditar sobre as palavras do Instrutor, este prosseguiu: "Somos unânimes em identificar os gravames e os insucessos, reclamar contra os erros e as dores; no entanto, quão pouco temos proscrito a insensatez e as justificativas indébitas do campo das nossas realizações! Este é para nós um momento muito valioso, de profunda significação. A terra ingrata e ardente, perfurada sem desâ­nimo, retribui a insistência com débil filete de água, que se converte em fonte generosa. As sombras densas, em conjugação teimosa, não apagam flébil lamparina. Letra a letra se compõe o livro nobre. Passo a passo o viandante vence a distância. Nenhum milagre, nem feito prodigioso. Todo ministério ditoso impõe perseverança, continuidade, labor bem dirigido, a fim de lograr êxito". E, após diversas outras considerações, o Instru­tor aduziu: "Quem se entrega a Jesus e segue-lhe os ensinamentos encon­tra meios e forças para o soerguimento redentor. Diz-se que a morte é o que de pior nos pode acontecer. Para nós, todavia, desencarnar significa reviver. Em verdade, pior do que a morte é a persistência no erro, é a resistência ao bem, é o cultivo do negro egoísmo, conservando em estado de morte aquele que deveria viver". (Cap. 26, pp. 257 a 259)
9. E' preciso avançar, sem olhar para trás - O Cristo pairava naquele grupo de almas afeiçoadas ao Evangelho. Todos provinham de experiências aflitivas em que temperaram o ânimo nos altos-fornos dos testemunhos bem vividos, compreendendo, desse modo, as reais finalidades da reencarna­ção. O mergulho na carne não constitui, exclusivamente, uma punição, processo de resgate de débitos, mas também santa oportunidade de cresci­mento e auto-realização. O corpo é patrimônio divino de que nos devemos utilizar com respeito, consagrando-o aos misteres enobrecedores aos quais se destina. Instrumento de ascensão, é também campo feliz, quando amparado pelo amor, para efusões ditosas, por cujo intermédio a paterni­dade estreita a vida nos braços da redenção, facultando-se aos desafetos reencontros e reequilíbrios que os fazem amparar-se mutuamente, restabe­lecendo vínculos despedaçados e reestruturando realizações em soçobro. Na família Ferguson, o sofrimento abriu as  áreas de semeação, em que o arado das expiações e das provações sulcou a terra adusta para a semen­teira divina do Evangelho da Vida. Rafael, realmente vitorioso sobre si mesmo, guardava na face e no corpo os sinais e as mutilações das bata­lhas que tivera de travar. Quando o homem mau se decide à bondade, é ar­dente na recuperação do tempo malbaratado e na redenção de si mesmo. Tudo investe e nada teme até o encontro marcado com a consciência libe­rada. "O reino dos céus deve ser tomado de assalto", porque, em modor­renta decisão, desperdiçam-se oportunidades antes de se colimar a meta. E' preciso, pois, que os discípulos do Consolador decidam-se, sem "olhar para trás", ao avanço que pretendem empreender. Era o que ocorreu com Rafael, que não malograra apenas em Dax, como Sr. Georges, pois que, an­tes dessa existência, estivera como governante mais arbitrário decidindo destinos na velha fortaleza que se destaca, ainda, sobre a cidade... Volvendo aos mesmos sítios, para recuperar-se, fracassou, agravando mais ainda suas responsabilidades, em face dos novos delitos que o tornaram inditoso precito. (Cap. 27, pp. 261 e 262)
10. O caso Artêmis-Rafael se aclara - Em desdobramentos naturais pelo sono, Rafael recordava os deveres a que se devia impor e fixava na cons­ciência atual o impositivo do trabalho, a fim de que as realizações be­neficentes conseguissem diminuir as conseqüências aziagas dos disparates morais e desaires criminosos em que se envolvera variadas vezes. Por ve­zes, Adelaide e Natércio conduziram-no aos sítios de desdita nas mais baixas esferas espirituais, onde cômpares de antigas loucuras padeciam, carecendo de socorro... Vítimas das circunstâncias, apresentavam-se en­louquecidos pelo ódio que os comburia, dementados pela monoidéia de vin­gança em deformidades perispirituais estarrecedoras, como decorrência das próprias construções mentais. O antigo senhor da fortaleza sombria atemorizava-se, formulando projetos, sob a inspiração do Cristo, com olhos postos no futuro. Do passado, acompanhava-o Artêmis, que lhe fora esposa fiel durante as mais arbitrárias imposições da selvageria de que era objeto, e perseverava, constante, procurando atenuar os males que perpetrava como cirenéia bondosa junto aos infelizes e por eles inter­cessora, quando a cidade pertencia ao Viscondado de Béarn, nos idos do século XIV, tempo em que a fortaleza fora levantada. A dor sublimada içara-a à luz, enquanto o marido mergulhara no abismo, aonde ela foi buscá-lo para erguê-lo na presente encarnação, nele colocando, pelas mãos de Cândido, uma de suas vítimas do passado, a mensagem libertadora do Espiritismo. E' da lei que a vítima socorra o agressor, porque a cla­ridade mergulha no fosso para clareá-lo e o auxílio sempre é proporcio­nado por quem se encontra em posição melhor e mais feliz. Cândido so­frera-lhe, à época, rude perseguição que resultou em morte impiedosa, mas não agasalhou o desejo da vingança, liberando-se, por sua vez, da insânia passada em hostes bárbaras, quando da invasão da Europa... Pro­gredindo e emulado pelo amor, não tivera dificuldade em aceitar a Reve­lação Espírita. Ao ensejo dos sacrifícios de Artêmis, em Dax, no passado medieval, Hermelinda fora sua irmã dedicada e a substituíra pelo matri­mônio imposto por Rafael, após a desencarnação da primeira, sucumbindo também sob os maus tratos e imposições do caprichoso e infeliz esposo... Renascera agora para ajudar, vinculando-se pela consangüinidade ao an­tigo verdugo e voltando a ser a irmã incomparável da cunhada... A pro­gramática dos mapeamentos reencarnatórios examina os antecedentes e as possibilidades ajustáveis para os misteres elevados, quando estão em jogo tentames relevantes de grupos espirituais em processo redentor. Fo­ram, portanto, -- e sempre o são --, conjugados esforços, examinadas circunstâncias, a fim de que o desertor do dever, o defraudador, não tenha como eximir-se à responsabilidade da refrega... (Cap. 27, pp. 263 a 265)
11. O trabalho de Rafael - O ex-hanseniano não passaria despercebido onde se apresentasse, tal a inconfundível expressão facial e as muti­lações nos dedos... Receou, pois, aparecer no Centro, explicando temer ferir a sensibilidade do próximo e expor os familiares a sofrimentos e humilhações desnecessárias. Artêmis e Hermelinda demoveram-no, contudo, dessa idéia, após ouvirem a sempre carinhosa e devotada Epifânia. "Se aqui não viermos, para onde iremos?", considerou a médium, e Rafael aquiesceu, passando a freqüentar o Núcleo, vencendo o constrangimento inicial e reencontrando a naturalidade, no que os confrades o auxilia­ram. Na Casa Espírita, os homens devem valer pelos seus requisitos inte­riores, jamais pelas lantejoulas e aparatos externos. A caridade da dis­crição nunca deve ser esquecida no culto das realizações cristãs. A crí­tica mordaz, a censura azeda, a observação infeliz não podem receber acolhida onde se cultiva a mensagem do Evangelho. A fraternidade na pa­lavra abre os braços para o posicionamento do coração e a atitude da mente, em ação benemérita. Onde se agasalha a parasitose moral, não vi­gem as medidas profiláticas do espírito do Senhor. No "Francisco Xa­vier", as atividades e os estudos doutrinários não ofereciam ensejo à ociosidade. Assim, o Sr. Ferguson encontrou ali estímulos para prosse­guir na tarefa, engajando-se em serviço modesto, nos dias em que a es­posa e a irmã se apresentavam para as realizações a que ali se entrega­vam. A mediunidade de Hermelinda desdobrava-se no ministério desobses­sivo e também na tarefa dos passes, em que ajudava ao lado de Artêmis, que ganhou a alcunha delicada de "irmã doçura" pela forma carinhosa com que recebia todos... Rafael não esqueceu também os seus irmãos hansenia­nos... Uma compulsão de saudade e amor tisnava-lhe a dita. Receava pelo prosseguimento das realizações do "Clube do Otimismo". Ofereceu-se, assim, para ajudar nos trabalhos da Colônia, dois dias da semana, indo cedo e voltando ao entardecer. Dr. Armando concordou, eufórico, com a oferta, e desde então, nos dois dias dentre os que não trabalhava na Casa Espírita, o ex-leproso da alma adentrava-se pela Colônia de agonia, para ajudar, em nome de Jesus, retribuindo, em parcelas de amor, quanto recebera em bênçãos eternas de felicidade. (Cap. 27, pp. 265 a 267)
12. Gilberto e Tamíris se casam - Pairava na família agora uma psicosfera de paz, conquistada a preço elevado de silêncios, sacrifícios e dedicação pelo próximo. As notícias de Lisandra eram auspiciosas. A jovem, a instância de Lisa, cooperava na enfermagem auxiliar, o que lhe constituía terapêutica valiosa, confiando poder retornar ao aconchego da família na primeira oportunidade. Suas cartas estavam agora repassadas de esperanças e otimismo. Lisandra parecia haver ressuscitado, readqui­rindo forças para prosseguir nos cometimentos que lhe estavam destinados. Seis meses após o retorno de Rafael, Gilberto e Tamíris se consorciaram, numa cerimônia pura e simples. Adelaide estava feliz e, quando se fazia a recepção de confrades e amigos mais chegados no lar da noiva, ela suplicou, em comovida oração, bênçãos e amparo divino para os consortes, tendo em vista a gravidade com que o Plano Espiritual considera os esponsalícios, especialmente quando realizados entre aqueles que se identificam com os postulados da Doutrina Espírita. Sabemos que precedem à união dos corpos compromissos de sublimação, dor, reajustamento e sombra, cuja violação sempre acarreta conseqüências penosas para ambos os consortes. Para se evitarem os desaires e choques que, naturalmente, ocorrem numa convivência a dois, o companheirismo durante o noivado é de fundamen­tal importância, facilitando maior e melhor identificação pessoal, bem como ensejando a reeducação dos futuros nubentes, que se compreenderão desde logo, sem as surpresas que decorrem das uniões precipitadas. Os nubentes devem saber também que a progenitura é decorrência natural da comunhão física, através do que retornam aqueles com os quais todos nos encontramos comprometidos, a fim de facultar-lhes o cadinho das abençoadas experiências terrenas... Não se deve nunca postergar o exame da responsabilidade na construção da família. Os filhos, a possibilidade de recebê-los, convém merecer cuidadoso exame dos candidatos ao matrimônio, que não se devem deixar envolver pelas modernas teorias anticoncepcionais, engendradas pelo egoísmo e pelo utilitarismo, com respaldo na irresponsabilidade do dolce far niente, sob a desculpa injustificável da explo­são demográfica... (Cap. 28, pp. 269 e 270)
13. A programação dos destinos - Importa considerar também que a ausência de descendentes pelo corpo, decorrente de abusos pretéritos que lesionaram o perispírito e impossibilitam a fecundação, ou geram a esterilidade, não isenta ninguém da pater­nidade ou maternidade espirituais, levando os casais à condição de pais abnegados de filhos levados à orfandade social, com o que se credenciam à reconquista dos valores malbaratados e das bênçãos da procriação outrora vilipendiada. Gilberto e Ta­míris estavam conscientes quanto aos deveres e funções decorrentes do matrimônio. A programação dos destinos -- com exceção dos pontos capitais de cada vida --, ajustada aos impositivos redentores indispensáveis à readaptação das ações anteriores, sofre sucessivas alterações resultantes do comportamento, das realizações, conquistas ou prejuízos a que estamos sujeitos. No tracejamento dos compromissos humanos, são previstas várias opções, em razão das atividades e injunções que se criam du­rante a vilegiatura corporal... Construtor do destino, cada um o altera consoante lhe apraz, desde que não se encontre na expiação irreversível, que funciona como cárcere compulsório do defraudador renitente que engendrou, por teimosia ou re­volta, a constrição que o reeduca. Como ninguém se encontra destinado à dor, ao abandono, à infelicidade, as ocorrências afligentes são-lhe recursos salvadores de que se deve utilizar para crescer e aprimorar-se em espírito. De igual modo, as manifestações propiciatórias de felicidade, saúde, inteligência, afetos, independência econômica, longe de constituir prêmio ao merecimento, revelam-se como empréstimo para investimentos superiores, de que todos são convocados à prestação de contas, posteriormente. A vida física constitui-se de oportunidades, valiosas todas, com que o espírito se defronta, para seu apri­moramento e ascensão. O matrimônio é, pois, oportunidade para a elaboração da família, a construção da sociedade. No lar en­contram-se os fatores causais do mundo melhor, ou desafortunado, do futuro, conforme a diretriz que se estabeleça para a fa­mília. Mesmo considerando a vasta cópia de Espíritos necessitados de reencarnações compulsórias, nenhum deles, entretanto, retorna ao mundo carnal para promover a desordem, estimular a anarquia, fomentar a anticultura ou a perversão de valores. Ao contrário; a vida material representa ensejo para que recebam diretrizes, educação, disciplina, orientação com que aplainem as arestas do primarismo, almejem melhor posição moral, aspirem a mais amplas concessões da vida. Não fossem as dores acer­bas no lar dos Ferguson, e os ímpetos de violência, as induções criminógenas remanescentes do passado tê-lo-iam comprometido muito mais, conspirando contra a felicidade que agora se permitiam anelar, antegozando-a, já  em larga escala. Afeiçoando-se ao bem do próximo, descobriam a técnica de fomentarem o próprio bem. (Cap. 28, pp. 270 a 272)


14. Rafael funda um núcleo espírita na Colônia - As disciplinas morais, os deveres espirituais cultivados em família promo­vem o progresso de seus membros, ainda que procedentes das faixas inferiores da evolução, corrigindo más tendências, seme­ando idéias de solidariedade, ordem e justiça, com que, de alguma forma, contribuirão para uma humanidade mais equilibrada. Tal não ocorrendo no lar, serão os promotores das desditas individuais e coletivas, apoiados no desculpismo e na insanidade das justificações com que pretendem transferir as responsabilidades do próprio fracasso aos pais e às gerações transatas... A família cristã deve, pois, ser mais do que uma esperança para o futuro bem da sociedade terrestre, senão alentadora reali­dade do presente. Na Colônia de Hansenianos, as atividades desenvolvidas por Rafael no "Clube do Otimismo" passaram a ser de alta valia para aquela comunidade segregada. Prosseguindo seu labor, ele solicitou lhe fosse permitido abrir ali uma célula espírita para estudo e prática da Doutrina codificada por Kardec, o que lhe foi concedido, tendo-se em vista a folha de ser­viços desinteressados que mantinha no Leprocômio. Até as duas irmãs de caridade, que ali se entregavam ao socorro de pacien­tes, não apresentaram nenhuma ponderação contrária, em razão dos requisitos morais e das atividades desenvolvidas pelo ape­lante. Um ano, portanto, depois da egressão, Rafael conseguia distender publicamente a quem interessasse, sem qualquer cons­trangimento, a orientação espírita-cristã. As primeiras reuniões tiveram lugar no "Clube do Otimismo", onde Cândido desvelou a sua convicção entre aplausos e emoções de todos quantos o amavam e o consideravam diferente, em face do comportamento su­perior a que sempre se dispôs. Dr. Armando Passos deu início, no Centro Espírita, a uma campanha pró-construção da pequena sede do Núcleo, na Colônia, onde se poderiam ministrar as valiosas lições espíritas e os recursos do passe e da  água magne­tizada. Enquanto isso, veio a notícia de que a permanência de Lisandra deveria ser dilatada, tendo em vista a necessidade de fixar-se nas disposições da saúde mental. Como já  estava cooperando no Frenocômio, na condição de auxiliar de enfermagem, e residindo com Lisa e seus pais, era conveniente que se protelasse um pouco mais a sua estada ali, de modo que sua recupera­ção não corresse perigos. (Cap. 28, pp. 273 e 274)
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