Lobão Entrevista concedida em Fevereiro de 2000




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títuloLobão Entrevista concedida em Fevereiro de 2000
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“Vou ali ao julgamento e já volto”. Era na Ilha do Governador. O [na época
vocalista do grupo RPM] Paulo Ricardo [que também tinha sido preso por
porte de drogas] estava sendo julgado numa vara ali perto. Ele foi de
terno e gravata. Eu estava mais à vontade, comi pastel com caldo de cana
na esquina, tranqüilo. Achei o fórum muito simpático porque tinha um
cartaz do John Lennon escrito “Give Peace a Chance”.

PLAYBOY – Como foi o julgamento?
LOBÃO – Agora que se passaram tantos anos, posso contar tudo com
tranqüilidade. Meu advogado, sem me avisar, arrolou uma testemunha para
dizer: “Não, o Lobão é um cara que nunca tomou droga, devem ter colocado
alguma coisa na roupa dele”. Mas me levantei e disse: “Não, senhor, isso é
mentira. Uso droga, sim, e ninguém tem nada a ver com isso. Não causo mal
a ninguém”. Começou um certo tumulto. O advogado fez isso a fim de livrar
a minha cara, mas achei que seria muita covardia da minha parte. O juiz
[Paulo Cesar Dias Panza, da 2ª Vara Criminal do Fórum da Ilha do
Governador, cujo nome Lobão preferiu não dar durante a entrevista: “Ele
está aposentado e não quero parecer revanchista”, disse] não gostou nada
de eu ter dito aquilo. Aí chegou a hora de ele interrogar o policial que
tinha me flagrado no aeroporto. [Interrompe e segura o braço do
entrevistador.] Aí, cara, vou contar uma coisa em que você não vai
acreditar, mas aconteceu. De repente, no meio do depoimento, ele altera a
voz formal, de magistrado, e fala assim: “Policial Fulano, você continua
lotado no aeroporto?” “Sim, excelência”, disse o guarda. “Então, rapaz,
vai para lá agora porque à tardinha vai chegar um vôo da KLM, vindo de
Amsterdã, e a minha sobrinha vem nele, cheia de muamba”.

PLAYBOY – Muamba? O juiz usou a palavra “muamba”?
LOBÃO – Muamba. Ele usou essa palavra. Aí, comecei a rir. Levantei e
disse: “I can’t believe! Estou sendo julgado por uma contravenção e o
senhor está cometendo um crime?” Aí ele ficou puto: “O que o réu está
dizendo?” Respondi [com voz irônica]: “Perdão, excelência, eu estava
dormitando, tendo um sonho”. Fiquei perplexo, olhando para os meus
advogados. Porra, cara, era um escândalo! Tinha vários repórteres ali.
Todo o mundo vendo aquilo. Pensei: “Tudo bem, a imprensa está aqui e o
cara falou em alto e bom som”. Mas o juiz, tipo retomando o fio da meada,
disse para o escrivão: “Continuando, sobre o réu, quero dizer que ele não
tem má personalidade. O réu tem péssima personalidade”. Eu falei: “Além de
mau juiz, é metido a psicólogo. O senhor está aqui para julgar fatos ou
julgar caráter?” Aí fodeu.

PLAYBOY – Você foi condenado.
LOBÃO – Um ano de prisão sem direito a sursis. Uma arbitrariedade.

PLAYBOY – Já o Paulo Ricardo escapou.
LOBÃO – E olha que ele tinha sido apanhado com muito mais. Cem gramas, um
pacotão. Eles me pegaram com 0,8 decigrama, uma quantidade exígua. Mas o
Paulo Ricardo adotou a estratégia do “querem acabar comigo” e se safou.

PLAYBOY – Como foi a chegada à carceragem da Polinter?
LOBÃO – Foi estranho porque eu estava com medo ali. Me tiraram toda a
roupa, fiquei de cueca e me puseram numa cela, a 4, onde [os presos] já
estavam enrabando um negão, diziam que era estuprador. Estavam passando
gilete no cara. Perguntaram: “Tá servido, Lobão?” Falei: “Não, obrigado”.
Nesse mesmo dia o carcereiro me levou para a [cela] 11. Ele achou que
aquela enrabada, aquele mundo cão à primeira vista, era um pouco demais.

PLAYBOY – A 11 foi a cela onde você passou mais tempo?
LOBÃO – Foi. Fiquei quase um mês lá. Havia dois donos de boca [gíria para
pontos de venda de droga nas favelas] presos lá. O Gilmar Negão, que era
dono da boca [do morro] de Manguinhos, e o Zaca, que era do [morro de]
Santa Marta. Tinha também um argentino psicopata que tinha matado dois e
um farmacêutico que estava em cana porque não pagou a pensão alimentícia
da mulher. A primeira coisa que o Gilmar me falou quando cheguei foi:
“Aqui na prisão só tem preto, pobre ou burro. Qual é a tua categoria?”
[Risos.] Aí começou uma amizade. Os presos cheiravam muita cocaína. E eu
falava: “Pô, cara, cheirar aqui não dá. Faz muito calor!”

PLAYBOY – Mas como era que essa cocaína entrava na prisão?
LOBÃO – Ah, todo mundo sabe que nego bebe, cheira e fuma na cadeia. Muitos
traficantes presos continuam gerindo seus negócios dali de dentro. Então a
droga entrava disfarçada, durante a visita. Mas claro que os carcereiros
faziam vista grossa.

PLAYBOY – Ficou famosa uma operação limpeza que você promoveu por lá. Como
foi isso?
LOBÃO – [Ri.] O lugar era muito sujo, fedorento, rato saindo por todo
lado. Tinha um ralo onde as pessoas faziam cocô, xixi, escovavam os
dentes, tudo no mesmo lugar, rapaz! Um dia falei: “Assim não, vamos avec
élegance”. E fizemos o “curso do surfista do sabão em pó”: limpamos o chão
com a nossa própria barriga. Alguns presos tinham uma barriga
privilegiada, cheia de pêlos crespos, e pensei que aquilo dava uma
excelente varredura [risos]. A gente jogava água e ia pegando jacaré.

PLAYBOY – Você presenciou muita barbaridade por lá?
LOBÃO – Teve uma noite em que levaram o Zaca para “tirar informação”. A
gente ouvia o cara berrar. Foi execrável. Ele chegou sem unhas, com o
corpo todo queimado de cigarro e uma fratura exposta na canela. Passou a
noite inteira sendo afogado em barril de água quente e barril de água
fria, de cabeça para baixo. Chegou às 5 da manhã e falou assim: “Não
entreguei a minha macaca [gíria do morro para grupo de companheiros]!” Fez
dez flexões de braço e caiu duro. Aí, todo mundo foi tratar do Zaca. Toda
quinta-feira, o delegado, que também não vou dizer o nome, sempre sumia
com um. Era o dia de transferência de presos e a gente já sabia que um ia
ser executado no trajeto da Polinter para a outra prisão.

PLAYBOY – Você se entrosou numa boa com os presos?
LOBÃO – Ah, sim. Teve até uma situação engraçada, quando dei meu remédio
de desritmia para todo mundo na cela. Eu disse: “Em vez de cheirar
cocaína, vamos tomar isto aqui. É uma porrada nos cornos, vocês vão dormir
direto.” De manhã, o Vaca, que era o nosso carcereiro, batia na porta e
ninguém acordava [risos]. Ele perguntou: “O que é isso?” E eu disse: “Isto
aqui é consciência tranqüila”. [Risos.]

PLAYBOY – E como você conseguiu sair da prisão?
LOBÃO – Saí com um habeas-corpus e o julgamento foi transcorrendo. Em 1988
para 1989, fui condenado a um ano. Teria mais nove meses para cumprir. Foi
então que o meu advogado falou: “Olha, se eles não te capturarem, a tua
pena prescreve no dia 26 de maio de 1989”. Aí, o que fiz? Falei com a
minha gravadora que queria fazer um disco fora do Brasil, fui dar um show
na Festa da Uva, em Caxias do Sul [RS], e fugi pela fronteira. Peguei um
avião em Buenos Aires para Los Angeles. E passei cinco meses lá. Quando
voltei para o Brasil, a Polícia Federal já estava me esperando na porta do
avião. Com mandado de busca velho, de 1º de abril de 1987! Eles disseram:
“O Judiciário está em greve, hoje é quinta-feira e eles só vão voltar à
ativa na terça. No mínimo, você vai passar meia semana no xilindró e isso
já vai nos satisfazer bastante”. Meu advogado teve que achar um juiz que
estava pescando para me liberar. Nesse dia dei autógrafo, sentei no colo
da escrivã da Polícia Federal e acabou o episódio.

PLAYBOY – Pouco depois disso aconteceu uma história fantástica sobre uma
entrevista sua no programa do Clodovil. Como foi mesmo?
LOBÃO – [Sorri, divertido.] Foi o imaginário coletivo que forjou uma
estada minha no Clodovil. Surgiu um boato de que eu teria estado no
programa dele. Num dado momento, ele teria me perguntado qual a sensação
que tinha ao cheirar cocaína e eu teria respondido: “A mesma que você tem
quando dá o cu”.

PLAYBOY – Conheço gente que até hoje jura ter visto isso acontecer.
LOBÃO – Se você for ao meu site na internet, 33% das perguntas são sobre o
caso Clodovil. [Risos.] E eu nunca tinha ido lá! Ora, vamos e venhamos,
aquela era uma frase ultrapreconceituosa. Por mais cruel que fosse, jamais
a teria no meu repertório.

PLAYBOY – Depois você acabou indo mesmo ao programa dele.
LOBÃO – Essa é que é a história mais incrível. Botei um terninho de tafetá
e fui ao programa dele [ri]. Quando cheguei, a produção me avisou: “O
Clodovil está desconfiado de que foi você quem espalhou esse boato. Ele
está a fim de te pegar, toma cuidado”. Eu ia dividir o palco com o dr.
Romeu Tuma, veja só, na época candidato ao Senado. A entrevista começa e
logo o Clodovil pergunta: “Lobão, você é um rapaz cheiroso?” E eu: “Sim,
você tem alguma dúvida? Tenho um aroma muito delicado”, tentei brincar. E
ele: “Estou falando sobre cheirar mesmo”. Nessa hora, olhei para o céu e,
por um momento, pensei: “Pô, a realidade vai imitar o boato. Vou mandar
esse cara tomar no cu”. Me segurei e disse: “Clodovil, não uso mais esse
tipo de estupefaciente porque acho que virou droga de Planalto, não é dr.
Romeu? Droga de Bolsa de Valores, o presidente usa, deputado usa, perdeu
totalmente o glamour”. Ele, não satisfeito, insistiu: “Mas e droga de
pobre, maconha, você fuma?” E falei: “Clodovil, com toda a sinceridade,
dou um tapinha de vez em quando, que me desculpe o dr. Romeu Tuma aqui
presente”. Depois do intervalo o dr. Romeu até falou em minha defesa:
“Esse rapaz é muito inteligente, Clodovil. Ele deveria expor as suas
idéias no Senado Federal ou no Congresso para modificar a lei...” [Risos.]
Quer dizer, o programa foi mais surreal do que o boato.

PLAYBOY – Vamos falar de suas ex-mulheres, então. As separações deixaram
muita mágoa ou você mantém uma boa relação com elas?
LOBÃO – Das três, a única com quem mantenho algum contato é a Alice, que
mora na Holanda. Talvez por isso mesmo [ri]. Com as outras não tenho a
menor ligação.

PLAYBOY – O interessante em seu percurso matrimonial é que primeiro você
se casou com Liane Monteiro, uma mulher doze anos mais velha, e depois com
Danielle Demeurie, onze anos mais nova, uma menina que você carregava no
colo quando criança.
LOBÃO – Não tenho muitas recordações quanto a esse passado. É engraçado,
tenho pouca coisa a dizer em relação a isso. Eu acho o seguinte: existe no
ser humano um percentual de relacionamentos vampirescos muito grande, de
vampirização de energia. Quando isso ocorre, tudo se desgasta e não fica
passado. Nem raiva, nem amor.

PLAYBOY – Quem “vampirizava” quem no caso desses dois casamentos?
LOBÃO – Acho que o mais importante é constatar que houve vampirização.

PLAYBOY – É verdade que a família da Danielle, que aparece nua na capa do
disco O Rock Errou, de 1986, e é a mãe de sua filha Júlia, era contra o
casamento de vocês por causa da diferença de idade?
LOBÃO – Não acredito nisso, não. Mas acho que, na época, era uma coisa
charmosa para mim ficar chocando as pessoas com histórias de incesto. Era
exatamente isso: “Olha que bacana, vou me drogar muito e provocar um clima
de incesto e escândalo”.

PLAYBOY – Já que falou em incesto, vou tocar num assunto delicado, que é a
relação que você tinha com a sua mãe, que se suicidou em 1984.
LOBÃO – Minha mãe morreu e eu a enterrei com toda pompa e circunstância.
Cantei o sambinha que ela precisou, dei-lhe um beijinho na testa, tampei
[o caixão], preguei, vi que estava bem pregado, diga-se de passagem, e
mandei-a para sete palmos abaixo da terra com muita felicidade.

PLAYBOY – Você estava farto de ela já ter tentado o suicídio tantas vezes?
LOBÃO – Tenho certa pena dela. Minha mãe foi uma mulher muito intensa, mas
chegou uma hora em que achei aquilo um desrespeito. Não mereço ficar
passando o tempo todo por ambulância, lavagem, e isso virar moeda de
negociação emocional. Então, tem aquela frase em inglês: “You’ve got to be
cruel to be kind”. Tive que ser um pouco cruel. Falei: “Agora você vai
morrer, quero ver você morta. Você tem que ser profissa [profissional]. Tá
muito amador isso”.

PLAYBOY – Comenta-se que, antes de morrer, sua mãe teria dito que se
relacionava com você sexualmente.
LOBÃO – Não, não. Mentira. Ela era uma pessoa que talvez tenha despejado
todas as expectativas da vida em cima de mim, que era o filho primogênito
e tal. Sempre tive muito amor da minha mãe. Um amor descomedido. Talvez
seja fruto de minha intimidade com a morte dela eu poder falar com a maior
naturalidade sobre tudo isso, sem uma atitude de revanche ou de desprezo.
Muito pelo contrário. Ela tinha 49 anos quando morreu. Tinha dificuldades
com relação à idade, ainda que fosse uma mulher atraente, que estava em
cima, malhada. Queria um relacionamento fixo, um novo marido. Fui com ela,
várias vezes, ver se descolava marido. Minha cumplicidade com ela era
essa.

PLAYBOY – O que detonou o fim do casamento de sua mãe e seu pai foi a
descoberta de que ele tinha um caso extraconjugal?
LOBÃO – Era um casamento muito feliz, aparentemente. Até os 18 anos eu
acreditava nisso: que o meu pai era um cara superfiel, que mandava flores,
supergalante com a minha mãe. Então, foi muito traumatizante para todo
mundo descobrir que acreditou em Papai Noel. A separação veio de uma
maneira muito súbita, porque ela era uma mulher que confiava plenamente no
marido. E, como era ciclotímica, ficava eufórica e depois entrava em
depressões profundas, chegou uma hora em que não via mais saída para ela.
[Pausa.] Éramos muito amigos, tínhamos papos muitos profundos,
existenciais, desde os meus 12 anos de idade e... Eu poderia ter me
tornado uma figura obcecada pela mãe, tinha tudo para isso, mas consegui
sublimar.

PLAYBOY – O que você fazia quando criança, além de tocar bateria?
LOBÃO – Tocava punheta. Tocava bateria, tocava punheta e lia. Só.

PLAYBOY – Você levava jeito com as meninas?
LOBÃO – Ah, cara, fui muito tardio. Inclusive as minhas iniciações sexuais
foram ridículas.

PLAYBOY – Conta aí.
LOBÃO – Desde a minha primeira masturbação na cruz. Tive tesão por Jesus
Cristo [ri]. Tinha 6 anos de idade e foi numa Sexta-Feira Santa. Fui
beijar o corpo de Cristo na igreja, e, pô, aquela tanguinha, que delícia!
[Risos.] Meu pai tinha uma oficina e eu, diligentemente, saboreando
sexualmente o trabalho, fui fabricando um crucifixo em tamanho natural
para mim. Tinha dois pedaços de madeira, fui lá, pum!, preguei, fiz a
cruz. Botei um robe de chambre para me sentir com o sudário, simulei a via
crucis, caí libidinosamente... Quando cheguei ao quarto, botei a cruz no
colchão, deitei em cima e me masturbei pela primeira vez.

PLAYBOY – Peraí, Lobão. Como é que um menino de 6 anos constrói uma cruz
de madeira em tamanho natural e veste robe de chambre?
LOBÃO – É verdade [ri]. Desde muito cedo aprendi a mexer com madeira. Meu
avô adorava marcenaria e meu pai tinha essa oficina nos fundos da casa.

PLAYBOY – E ninguém em casa estranhou aquela cruz enorme no seu quarto?
LOBÃO – Ah, eles devem ter pensado: “Nossa, como esse menino é religioso!”
[Risos.] Ao mesmo tempo que era uma coisa meio pervertida, era lúdico. É
por isso que até hoje gosto de arte sacra: acho a coisa mais libidinosa do
mundo. Algumas pessoas já interpretaram, por exemplo, como masoquismo o
fato de eu sentir tesão pela cruz. Mas perfuração, no caso, não me atraía.
Às vezes, fantasiava em seqüestrar uma menina. Imaginava o colégio em
chamas, a minha amada no meio da carteira, eu pegando uma corda para
salvá-la. Depois a amarrava numa árvore e ficava rondando. Mais tarde
chegou uma época em que decidi que queria ser virgem. E comecei a ter
vergonha de olhar para as garotas. Me sentia um cara muito feio,
horroroso, e ficava numa timidez de não ter coragem de dizer o nome da
professora.

PLAYBOY – E como foi que você venceu esse bloqueio?
LOBÃO – Afirmei a minha identidade tocando bateria. Aí virei um
personagem, virei o Lobão. Comecei a ser figura proeminente, um personagem
na escola. Me descobri. E pensei: “Pô, agora tenho que dar um beijo numa
menina!”

PLAYBOY – Quantos anos você tinha?
LOBÃO – Quinze. E nunca tinha beijado uma menina. Todo mundo já tinha
feito tudo e eu era o cara mais retardatário. E com deduções erradas:
pensava que chupão era chupão mesmo, tinha que sugar a boca. Na primeira
oportunidade fiquei meia hora tentando chupar a boca da menina. Uma
situação ridícula.

PLAYBOY – E sua primeira transa, como foi?
LOBÃO – Foi no Dia do Soldado.

PLAYBOY – Com uma namorada?
LOBÃO – Não. Foi com uma puta mesmo. Eu ia fazer 18 anos e ainda não tinha
transado. Tocava numa banda de rock’n’roll, já era profissional... e
virgem! Não podia continuar assim [ri]. Fui a um puteiro na Rua Alice, uma
casa rosa. Cheguei lá com um certo cagaço, pedi um guaraná Champanhe,
caçulinha, e fiquei só olhando o movimento. Ficava aquela rapaziada
transitando com as putas. Olhei uma, olhei outra e vi uma que me atraiu.
Ela perguntou: “É a primeira vez?” Falei: “Não, claro que não”. E fomos.
Achei muito gostoso, muito interessante.

PLAYBOY – A sua primeira vez foi boa, então?
LOBÃO – Ótima. Adorei. No dia seguinte fui lá de novo e dessa vez escolhi
a maior vagabunda. Uma louraça decadente [risos]. Peguei uma “VD”, como
dizia o Júlio Barroso. Gonorréia.

PLAYBOY – Você já se envolveu sexualmente com uma fã?
LOBÃO – É claro. Inclusive a Regina. Conheci a Regina no Rock in Rio,
levando lata. Ela estava assistindo, no meio do bochincho. Levei lata mas
ganhei a gata. [Risos.]

PLAYBOY – Como é o casamento de vocês?
LOBÃO – [Sorri] É engraçado, tive uma vida cheia de coisas conturbadas mas
aprecio todas as partes dela, mesmo quando se tratava de vampirismos. Mas
a minha relação com a Regina é diferente, muito bonita. Sempre falo para
ela: “A nossa história é linda”.

PLAYBOY – Vocês são fiéis um ao outro?
LOBÃO – Quando as pessoas falam de fidelidade parece que você está sendo
castigado, algemado, privado de qualquer outra experiência. A nossa
fidelidade, no caso, é muito mais cumplicidade. É você estar vivendo
intensamente uma experiência da qual não quer abrir mão. Quando estou
comprometido com uma pessoa que é metade da minha vida, tenho que ter o
maior respeito por isso. Essa é uma maneira de degustar a vida que me
estimula profundamente. É a experiência que almejei ter com alguém desde
criança. Uma verdadeira parceria. Uma “síndrome de Bonie and Clayde”. Ou
de Lampião e Maria Bonita. Um sadibanditismo a dois. Vamos arrebentar!
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